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Junta-se a nós em direto o especialista em assuntos europeus, Paulo Sande. Boa tarde, Paulo. Obrigado por se juntar a nós. Keir Starmer diz que é tempo de agir e não de palavras vazias. Como é que é possível pressionar a Rússia de forma a entrar numa negociação de paz?
Keir Starmer, sobre essa parte que ele chamou o aspecto operacional desta tomada de posição da coligação das vontades, a Coalition of the Willing, que junta vários países europeus e não só, ele não foi muito claro sobre isso. Ele acho que foi perguntado o que é que isso no fundo significa e remeteu pra reunião que haverá na próxima quinta-feira.
Sim, não se quis comprometer com nada de concreto.
Exatamente. É claramente, digamos, não a institucionalização, mas a consolidação e a confirmação desta aliança, que é uma aliança que de alguma forma extravasa muito a União Europeia. Portanto, não é apenas uma aliança dos europeus, tem também a Austrália, tem também a Nova Zelândia, tem também o Canadá e, portanto, isso significa, de alguma forma, uma afirmação muito clara de que o apoio continuará. Relativamente a isso, falou obviamente do apoio militar, da continuação do apoio à Ucrânia, e disse que, de alguma forma, em resposta àquilo que tem sido nos últimos dias esta situação muito ambígua relativamente ao acordo de paz, ao cessar-fogo, é uma resposta dizendo que é preciso que a Rússia venha às negociações e venha rapidamente. Depois também lhe perguntaram: "E o que é que se faz se a Rússia não vier?" No fundo, há aqui, de facto, um aspecto proclamatório importante, sem dúvida nenhuma, mas em concreto, no terreno. Porque ele também depois em relação à questão das tropas e da criação de uma força que possa estar no terreno a garantir a segurança no futuro, ele também não foi claro. Ele disse que isso tem que ser conseguido, tem que ser garantido no âmbito do tal futuro possível e hipotético.
Precisamente, era isso que eu lhe ia perguntar, se é importante olhar pra essa capacidade de defesa da Ucrânia depois do cessar-fogo, antes desse cessar-fogo ser alcançado, como é que se conjugam estas duas situações?
Pois, não conjugam, essa é a grande questão. E ao mesmo tempo, Starmer também mantém, acho que faz todo sentido, mas ele nesse aspeto é muito cauteloso, mantém também a ideia de que tudo isto se consegue em conjugação, que tem que falar todos os dias com os Estados Unidos, tem havido aqui uma preocupação em não quebrar estes laços. Mas a verdade é essa, que até haver esse acordo, a Rússia poderá continuar a fazer o que está a fazer. E depois há aqui este pormenor do apelo de Trump, e tem sobretudo a ver com Kursk, portanto, com o território russo que está ocupado pela Ucrânia e que eu acho que dificilmente Putin poderá aceitar que assim continue. Portanto, a ideia de que os soldados ucranianos se devem render, que é aquilo que Putin veio dizer, na sequência do apelo de Trump, acaba por ser uma ideia que remete pra essa questão, essencialmente. Eu diria que tudo o resto poderá vir depois, mas de facto parece-me ser esse o ponto principal desta discussão neste momento, é que não haja território russo ocupado pela Ucrânia. Se isso se consegue antes do cessar-fogo ou depois, é uma questão que a Rússia estará ou não disposta a aceitar. Parece-me que não estará, mas isso vamos ver nos próximos tempos. Agora, mais uma vez, também é importante que esta manifestação desta coligação tenha sido feita neste momento, justamente quando essa ambiguidade ameaça continuar, permanecer e adensar-se até.
Paulo Sande, muito obrigado por ter estado em direto neste jornal das 14h, a ajudar-nos a olhar pra aquilo que sai desta reunião, que decorreu de forma virtual, com o foco principalmente em Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, que acabou por ser o porta-voz no final desta reunião que juntou cerca de 25 países sobre o futuro da guerra na Ucrânia