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Junta-se agora em direto a esta edição Nuno Jacinto, o presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar. Boa tarde, Nuno Jacinto.

Muito boa tarde.

Começava por lhe perguntar se já estão referenciados todos os utentes dos centros de saúde com mais de 50 anos e doenças crônicas para a toma desta vacina.

As listas destes utentes foram-nos enviadas pela TUTELA há alguns dias, na semana passada e nas semanas anteriores. Os médicos de família e as suas equipas de saúde familiar foram validando estas listagens, percebendo se eram mesmo estes utentes que deveriam ser vacinados ou se até haveria mais utentes. Foram validadas, como disse, foram enviadas novamente aos ACES e às ARS e, portanto, já temos a indicação dos utentes que cumprem os critérios para serem vacinados nesta fase.

Face à expectativa de muitos utentes, já há alguma ideia de quando é que as pessoas começam a ser avisadas para se deslocarem aos centros de saúde e começarem a ser vacinadas?

Neste momento, ainda não é possível, enquanto médico de família, darmos essas datas. A distribuição das vacinas ocorre com calendário próprio e muitas vezes somos avisados na véspera ou alguns dias antes ou na final das semanas anteriores. E só quando sabemos quais são as vacinas e quantas vamos receber em cada dia, em cada semana, é que podemos programar essa administração e então aí começaremos a avisar os utentes.

Tem sido sublinhado um problema com as pessoas que recorrem, por norma, aos serviços médicos do setor privado e que por isso podem não estar inscritas nos centros de saúde ou não terem médico de família. Estas pessoas vão fazer parte desta lista de utentes que agora vão tomar a vacina?

Essas pessoas terão que fazer parte e não podem ser deixadas de fora, como é óbvio. Acho que aqui o mais importante é salientar que as pessoas, os utentes que não têm médico de família atribuído ou que até têm, mas que não costumam ir ao seu médico de família no SNS, a maneira mais fácil será contactarem o seu próprio médico assistente no âmbito dos cuidados privados. E esse colega, fazendo a articulação que é habitual entre médicos, fará chegar essa informação ou ao médico de família do utente, ou caso este não tenha médico atribuído, à unidade de saúde a que este pertença, ou à própria ACES, através dos seus gabinetes de cidadão. E, portanto, através da colaboração entre os colegas de um lado e de outro, certamente conseguiremos que estes utentes sejam vacinados. Será esta a forma mais fácil para tal ocorrer.

Alguns laboratórios, por exemplo, a AstraZeneca, já anunciou que haverá atrasos na entrega das vacinas que tinham sido contratualizadas a nível da União Europeia. Este atraso vai afetar de alguma forma a vacinação destas pessoas?

A velocidade a que as vacinas são entregues é sempre um fator limitante para a nossa calendarização e isso não depende dos médicos de família, nem das equipas que estão no terreno a nível dos cuidados de saúde primários. Portanto, teremos que aguardar e perceber qual é o ritmo a que as vacinas vão chegar, se vai chegar o número de vacinas que está previsto e de acordo com isso, iremos adaptar a nossa programação, iremos convocar os utentes, obviamente, consoante as vacinas que tenhamos disponíveis em cada momento.

A vacinação, a ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou que irá arrancar na próxima semana. Já há algum dia específico para o início do processo de vacinação destas pessoas?

Era o que eu dizia, isto depende muito da data em que chegam as vacinas. Habitualmente, as vacinas chegam à segunda-feira ou à terça e, portanto, o que tem acontecido até agora, em muitos locais, é que a vacinação é feita a partir de terça-feira, mas isto pode ir mudando conforme sejam entregues as vacinas e portanto, estamos dependentes dessa situação. O que podemos dizer é que a nível dos profissionais e das unidades de cuidados primários, estamos sempre prontos e estamos a trabalhar arduamente para conseguir dar resposta a mais esta solicitação. E assim que tenhamos vacinas, começaremos obviamente a vacinar os utentes elegíveis.

E como é que está a correr a vacinação dos profissionais de saúde que trabalham nas unidades de cuidados primários?

As realidades podem ser um pouco diferentes consoante o local do país onde estamos a falar, mas podemos dizer que genericamente, com grande esforço de todos os envolvidos, das unidades, dos ACES, das próprias ARS, é um processo que tem sido levado a cabo de forma muito meritória por todos. Temos resultados muito positivos, quer na vacinação dos profissionais de saúde, quer na vacinação dos idosos e dos funcionários das estruturas residenciais para pessoas idosas, os lares.

Agradeço-lhe. Nuno Jacinto, presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar, aqui com alguns esclarecimentos sobre o arranque do processo de vacinação.