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Junta-se agora a nós, em directo, o especialista em Direito Internacional, Francisco Pereira Coutinho. Bom dia, Francisco Pereira Coutinho. Que importância é que tem esta visita, sobretudo neste momento da guerra, em que se fala tanto num possível escalar da ofensiva russa?

Muito bom dia. Tem imensa importância, porque isto serve, no essencial, para garantir o comprometimento de Portugal e também de Espanha, para que nos próximos anos continuem a apoiar a Ucrânia no seu esforço de defesa contra a agressão russa. A Ucrânia pediu a adesão à NATO, mas isso não vai acontecer enquanto a guerra perdurar e, por isso, precisa de apoio militar dos seus parceiros ocidentais e tem vindo a assinar com vários Estados estes acordos de defesa. E é exactamente isso, aparentemente, que Zelensky vem fazer a Portugal e também a Espanha. E claro, também agradecer aos dois países o apoio incondicional que têm dado à Ucrânia. Eu relembro que recentemente o Estado português doou € 100 milhões para a compra de munições para a Ucrânia, que é muito significativo dados os nossos constrangimentos orçamentais e também a dimensão do nosso país. Isto, no essencial, eu imagino que Zelensky venha cá fazer. E é a primeira vez que vem cá, desde o início da agressão, falou para o Parlamento português, mas é um momento muito significativo.

E pode coincidir com o facto de estamos perante um novo governo que poderá ter um papel diplomático mais forte no conflito?

Eu diria que há aqui uma continuidade. Como eu referi há bocado, aquela decisão de doar € 100 milhões foi feita já por um governo em gestão, mas também com o acordo deste governo de Luís Montenegro. E eu creio que haverá aqui uma linha continuadora. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já o disse. Portanto, nesse aspecto, eu creio que Zelensky não terá nada a temer por parte deste novo governo português. Pelo contrário, será uma continuação daquilo que tinha sido feito já pelo governo de António Costa.