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Bem-vindos ao "Saúde no Limite". É nosso convidado Vítor Fonseca, médico, coordenador de Pneumologia do Hospital de Cascais. O meu nome é Ricardo Conceição. Bem-vindo, doutor Vítor Fonseca.

Muito obrigado.

Neste último ano, estamos quase a fazer um ano desde que confinamos pela primeira vez. Pode definir aquilo que tem sido a sua vida profissional no antes e depois de agosto e no antes e depois de dezembro?

Tem sido uma roda viva, basicamente. Desde que começou o Covid, desde que começou a pandemia, tem sido uma verdadeira montanha-russa e tem variado muito. Desde o início da pandemia, na primeira fase, eu fui na altura, em março, abril, maio, fui para os cuidados intensivos, porque neste momento a minha função atual, além da coordenação da Unidade de Pneumologia de Cascais, eu tenho muitos anos de cuidados intensivos na minha carreira. E numa fase inicial, como havia o risco e tínhamos visto aquelas imagens de Itália e também de Espanha, houve um grande receio e foi necessário, na altura, ir para os cuidados intensivos e estive lá durante três meses, naquela primeira fase em que, de certa maneira, paramos tudo a nível do país. Depois desta primeira fase, em que, felizmente, a primeira onda até não foi tão má como nós esperaríamos, as coisas até correram bem. Olhando isto agora a posteriori, como é óbvio. De certa maneira, tivemos que retomar e fui novamente pra pneumologia e tivemos aqui um esforço adicional, sobretudo até o período de dezembro. Tivemos aqui um esforço muito adicional pra recuperar tudo que tínhamos parado. Tínhamos ficado com muitos doentes que tinham ficado sem consultas, e muitos doentes tinham ficado sem exames e, de certa maneira, quisemos recuperar muito do que tinha sido parado até então, pra que os doentes não Covid não ficassem, de certa maneira, prejudicados. O que foi possível, e conseguimos até o final do ano, conseguir recuperar muitas das consultas e recuperar muitos dos doentes que tinham, de certa maneira, sido preteridos durante a parte inicial da pandemia, e conseguimos que esses doentes fossem vistos durante o ano de 2020. Depois, em dezembro, começou a estalar outra vez o verniz, com um certo desconfinamento na altura do Natal, apesar da maior parte da comunidade médica ter avisado que isso seria, de certa maneira, perigoso. E agora, basicamente, estamos numa nova fase, no pós-dezembro. Esta nova fase, no início, mantivemos aqui alguma da nossa atividade dentro da pneumologia, mas com o acréscimo do grande número, novamente, de internamentos, quer em cuidados intensivos, quer em enfermaria, tivemos que parar novamente a nossa atividade de ambulatório, nossa atividade normal e programada. Mantivemos só nossa atividade urgente e tanto eu como o resto da minha equipa voltamos a ir outra vez para junto das enfermarias Covid e também a nível da unidade. Fiz apoio em dezembro e estou novamente agora em fevereiro a fazer apoio a nível de bancos de cuidados intensivos e outras situações urgentes. Não fechamos por completo o apoio do que é necessário dos doentes respiratórios mais agudos ou mais graves, mas estamos muito limitados. Este mês de fevereiro e março, acho que acredito março também vamos estar aqui ainda muito nesta fase e depois vamos fazer exatamente uma fotocópia do ano anterior. Vamos a partir de abril recuperar tudo que se parou até agora. Basicamente é isso.

Mas este pico sente que foi mais grave, foi mais exigente por parte das estruturas de saúde?

Os números assim o demonstram. Isto foi um pico muito exigente, não houve alguma preparação pra uma segunda onda. Quando nós vamos ver os livros-texto das curvas pandêmicas que conhecemos, saberíamos que ia haver uma segunda onda, e houve realmente a segunda onda. Ninguém estava à espera deste pico de terceira onda em cima da segunda onda, que foi o que aconteceu. Nós tivemos uma segunda onda que aumentou e depois começou a diminuir durante os meses de novembro e dezembro, mas depois potenciado aqui por uma terceira onda, que de certa maneira tá enxertada na segunda onda, que fez este pico e este acréscimo enorme de doentes, que tem sido muito problemático para os serviços de urgência, para os serviços de internamento, para os cuidados intensivos. Só pra ter noção, neste momento, nós temos mais doentes internados em cuidados intensivos por Covid do que tínhamos de camas no início da pandemia. Essas 800 camas ocupadas atualmente em cuidados intensivos para doentes Covid ultrapassam o total de camas do CI que nós tínhamos no nosso país há cerca de um ano.

Mais do dobro, não é?

É mais do dobro. Não chega bem ao dobro, mas nós tínhamos 500 e tal camas no início de 2020. Ainda assim, já ultrapassamos muito o que era a capacidade normal. Isto demonstra também o que foi criado e o que foi feito de aumento de camas, tanto nas enfermarias como nos cuidados intensivos e também nos serviços de urgência, em que se adaptou muita coisa pra se poder atender esses doentes e, de certa maneira, manter algum do atendimento normal.

Isso leva-me à pergunta seguinte: em sua opinião, houve ou não houve um planeamento, uma boa preparação para o inverno e para o que poderia vir aí?

Isto é uma pergunta que se calhar agora vou responder a quente e depois numa altura diferente irei responder a frio. Acho que houve uma má preparação. A nível superior, acho que realmente a preparação não foi a melhor pra esta situação. Apesar que entrevistas feitas, realmente foi dito que houve preparação e acho que algumas coisas houve. Foram criadas camas, foram criados serviços, foram abertos serviços. Contudo, acho que há certas situações que deviam ter sido mais precavidas e mesmo agora no campo da vacinação, também estamos aqui com alguns problemas que também já deviam ter sido, de certa maneira, já preparados pro task force, que estão sendo resolvidos um bocadinho em cima do joelho.

Deixe-me já ir à questão da vacinação. Como é que avalia a forma como está a correr?

É o seguinte: quando vamos avaliar os nossos números de vacinação por 100 habitantes ou por 1000 habitantes, os nossos números não estão mal. E agora, esta primeira fase, acho que sim, tem que incluir os doentes mais graves e os doentes mais idosos. Contudo, ainda não estão muito bem definidas algumas das situações, onde é que vão ser feitas as vacinas. Mesmo nós, às vezes, temos algumas dificuldades em informar os nossos doentes. E também estamos agora com um acréscimo de trabalho, porque nós, pneumologia, os colegas de cardiologia, temos muitos doentes que estão incluídos nesta primeira fase e sempre teremos que ser nós novamente, numa fase em que estamos sobrecarregados de trabalho, quer na enfermaria Covid, quer numa tentativa de manter algum acompanhamento dos doentes fora do âmbito do Covid, ainda vamos ter um trabalho suplementar que é de passar as declarações para que os doentes possam ser vacinados. Temos que avaliar as situações para que os doentes possam ser vacinados, quando isso é algo que podia ter sido feito previamente, quando nós sabíamos que a vacina havia de chegar, fosse em dezembro, fosse em janeiro, fosse em fevereiro.

Mas não foi feito, em sua opinião, por quê?

Nunca foi feito nada do gênero e se calhar não foi pensado ou não foi preparado para esse âmbito. Todos os doentes com DPOC, todos os doentes com oxigenoterapia, todos os doentes com ventiloterapia mais graves estão a ser incluídos nesta vacinação. E se calhar numa altura em que tínhamos menos trabalho, podia ter sido já feita esta preparação com as listas dos doentes a serem chamados para este tipo de vacinação. Porque mesmo quando foi lançada a primeira norma da DGS para vacinação, nessa primeira fase já estava lá incluído os doentes graves, com insuficiência cardíaca grave, com doença respiratória grave. Nós já sabíamos isso. Não estava dito é como é que seria feita a seleção dos doentes. E agora em cima de uma terceira onda, com este número de internamentos, quer intensivos, quer em enfermarias, em que a pneumologia tem um papel preponderante nesta infeção respiratória, somos sobrecarregados com mais um papel, a nossa burocracia portuguesa, mais um preenchimento, tudo bem que não acaba por não ser papel, mas mais um preenchimento de um formulário online para que o doente seja vacinado. Agora, quando estamos com a nossa atividade a nível de ambulatório muito fechada e queremos que os doentes não vão ao hospital, como é que nós resolvemos isto?

Como é que se resolve?

Muito e-mail, muitas mensagens e tenta-se, de certa maneira, muito à custa de trabalho extra, de olhar para as listas dos nossos doentes. Já sabemos quais são os nossos doentes, nas consultas de insuficiência respiratória, nas consultas de patologia respiratória mais grave. Nós temos que procurar de uma forma ativa e proativa quais são esses doentes. Mas vamos fazer isso nas nossas horas de intervalo, nas nossas horas de descanso.

Mas tem horas de intervalo e descanso nesta altura?

Inventamos. Como temos inventado até agora as camas, como temos inventado todo o trabalho extra que tem sido feito. Se nós há um ano atrás, voltamos outra vez ao exemplo dos cuidados intensivos, teve que se inventar mais gente, teve que se ir buscar mais gente para termos pessoas suficientes para suportar 800 camas de cuidados intensivos. E isto deve-se muito ao trabalho extra e suplementar que muitos dos colegas estão a fazer e outros colegas que, de uma forma voluntária, vão ajudar a suportar os bancos destas unidades novas criadas. E vamos inventando, mas vamos inventando tempo e continuamos a inventar tempo para que os nossos doentes insuficientes respiratórios sejam devidamente vacinados nesta altura, porque é importante que eles sejam vacinados de forma a travar esta curva e de forma que fiquem protegidos contra o vírus, senão vamos ter o trabalho a dobrar se eles ficarem infetados e forem pra uma cama de hospital, e é isso que queremos evitar.

Vou usar aqui um termo militar, mas qual é, nessa altura, a moral das tropas, a moral das suas tropas no hospital?

O moral das tropas continua alto. Por incrível que pareça, há sempre um sentido de missão. Se me perguntar se muitos colegas estão exaustos, bastantes. E quando digo colegas, médicos, digo colegas enfermeiros, digo auxiliares. A exaustão é muita, o cansaço é muito. Fala-se muito no burnout, mas a preocupação de muita gente, e que eu utilizo para mim próprio, é me preocupar com o burnout depois quando isto acabar. Não me preocupo agora, porque neste momento não temos tempo para pensar nesse tipo de situações. Mas o cansaço é muito, porque como eu disse anteriormente, mesmo o trabalho que tivemos na primeira onda, entre a primeira e a segunda onda, nós não parámos e tentamos recuperar o que estava perdido, logo tivemos um trabalho suplementar. E logo esse trabalho suplementar, tivemos a segunda onda e agora a terceira onda. E a seguir esta terceira onda, pergunta-me o que é que eu vou fazer. Vou recuperar novamente os dois meses que estivemos agora parados para que os doentes sejam vistos e não estejam muitos meses sem serem vistos.

Mas espera que não se repita uma onda destas, não é? O que é preciso fazer para que isso não se repita?

Vacinar os doentes, isso é primordial. Daí essa preocupação que a vacinação seja feita a toda a população. É a única maneira ou a única arma que nós temos atualmente para ter uma imunidade que de certa maneira nos permita retomar a vida mais normal que tínhamos antes da pandemia. Não podemos esperar pela imunidade do grupo, senão vamos perder muita gente. E os números já são, de certa maneira, assustadores para a maior parte da população, e que vão continuando nas próximas semanas, como nós sabemos, porque entre os números de casos positivos que temos, nós temos sempre um atraso de uma semana para os internamentos, um atraso de duas semanas para os cuidados intensivos e duas a três semanas o número de óbitos. Por isso, estes números que temos agora aqui a reduzir, felizmente, a nível dos casos positivos, só se vão traduzir daqui a três semanas na diminuição de óbitos. Por isso, mesmo com esta baixa, felizmente, que estamos a ter agora os números nesta semana, e espero que continue, a nível de trabalho hospitalar isso só se vai refletir daqui a três ou quatro semanas. Por isso, teremos ainda mais um mês de trabalho árduo antes de pensar de retomar uma atividade normal a nível hospitalar.

Há bocado falou na questão do Natal. Acha que foi um erro?

Na minha opinião pessoal, sim. E foi algo que foi também falado muito pela comunidade médica e alertado pela comunidade médica, inclusive o bastonário publicamente disse que pelo menos para se definir o número mínimo de pessoas que permitisse os ajuntamentos, para se definir o mínimo. É normal que numa população que é dito que se podem juntar e que se podem organizar-se para ter um Natal quase normal, por mais testes que se faça, por mais cuidados que se façam, sabemos que o ajuntamento leva a uma propagação maior do vírus. Isto levou a que muita gente, mesmo que tivesse um teste negativo, poderá ter feito o teste numa altura que não estaria com uma carga viral que permitisse a detecção, mas acabou por contagiar muitos familiares durante o período de Natal. E foi por isso, os números ao fim de duas semanas do Natal começaram a subir drasticamente.

E depois foi necessário correr atrás do prejuízo.

Exatamente. Uma coisa é quando nós definimos: Ano Novo não há e quem prevaricou na altura do Ano Novo cometeu um crime ou um erro de ter se ajuntado. Agora o Natal não, o Natal foi permitido e foi dito e anunciado que era para ser uma prenda para os portugueses. São poucas as pessoas que recusam prendas. E assim houve o Natal, o ajuntamento e vimos a consequência que deu. Claro que aqui a nova variante poderá ter tido também alguma implicação nesta terceira onda, mas houve aqui uma conjugação, uma tempestade perfeita que foi o ajuntamento de Natal mais uma nova variante mais contagiosa. E isto fez este crescimento exponencial e esta sobrecarga a nível dos números. Felizmente, não temos aquelas notícias como nós vimos de Itália, mas a realidade a nível hospitalar é uma realidade de muito trabalho, muito sofrimento e situações, de certa maneira, um bocadinho complicadas de se resolver.

Que situações são essas?

Imagine ter um familiar seu numa cama de hospital e que não consegue contactar com esse familiar, não consegue visitar esse familiar. Fica à espera que alguém lhe ligue para dar uma informação, mas essa pessoa que tem esse ônus de lhe dar a informação, esse dever de lhe dar a informação, tem não sei quanto mais 10 doentes para ver ou 20 doentes. Entre ver doentes ou dar informação, claro que a nossa principal função é tratar os doentes e muitas vezes ficamos sem tempo para realmente dar as informações e que deixa, de certa maneira, muitas pessoas angustiadas. Não têm informações durante 24, 48 horas. Não é fácil e pondo-me na situação dos familiares, não é nada fácil.

Esse distanciamento da família imposto também dificulta a recuperação dos doentes ou não? Tem alguma influência?

Dificulta sempre, como é óbvio. E dificulta sempre, porque sobretudo os doentes mais idosos, é sempre bom ver uma cara conhecida, é sempre bom ver alguém que de certa maneira o anime e que o conheça. Tem havido aqui algumas teles chamadas, também feito por alguns grupos de voluntários que têm ajudado nesse âmbito, mas não chega a todos os sítios, não chega a todos os hospitais. E neste momento também temos algumas enfermarias, dois e três elementos da mesma família internados na mesma altura, também tem acontecido. Ainda muito recentemente, numa doente que eu dei alta, o pai dessa doente tinha falecido na mesma enfermaria dois dias antes, por causa do ajuntamento que tiveram.

Como é que isso se gere?

Não se gere. Gere-se com apoio psicológico, gere-se com uma tentativa de apaziguar o sofrimento daquele doente, daquela senhora, e explicar que não teve culpa, são coisas que acontecem, mas é complicado. É muito complicado. Não são situações que uma pessoa consiga se imaginar. Eu pondo-me na situação desta senhora, não é fácil estar numa cama de hospital sabendo que o meu pai está no mesmo lugar e saber que faleceu pela mesma doença que eu tenho e que eventualmente poderia ter sido o culpado de ter contagiado. Isso é muito complicado. Isso é muito complicado e carreta aqui um sentimento de culpa. E é algo que nós vamos ter no futuro e já começamos a assistir alguns dos doentes do pós-Covid, que as questões psicológicas, o estresse pós-traumático, sobretudo os doentes dos cuidados intensivos, e toda esta angústia que fica nos doentes, fica implantado nos doentes.

Entretanto, chegou agora uma equipa de médicos alemães e foi trabalhar para o Hospital da Luz, julgo que integrado numa parceria com o Amadora-Sintra. Era ali que esta equipa fazia mais falta ou dava de jeito também terem os militares alemães no Hospital de Cascais?

Eu acho que isso tem que ser uma decisão central. Tem que ser decidido superiormente e centralmente qual é o local onde será necessária maior ajuda por parte dessas equipas estrangeiras. E sendo o Amadora-Sintra o hospital com maior sobrecarga atual, faz todo sentido que eles estejam alocados a nível do apoio ao Amadora-Sintra. Tanto tiveram problemas, que a sobrecarga que tiveram a nível do consumo de oxigênio, o qual condicionou toda aquela notícia que nós sabemos. Se foi no Hospital da Luz, seria noutra instituição? Isso é uma decisão central. Estranho ser o Hospital da Luz, mas voltamos à velha questão, não nos cabe a nós decidir, nem nos cabe a nós avaliar. Queremos a ajuda, agradecemos a ajuda e estamos todos aqui com o mesmo sentido, que é tratar os doentes da melhor maneira que sabemos e que consigam voltar para as suas casas. Basicamente é isso.

E era preciso mais ajuda, em sua opinião?

É o seguinte, eu acho que neste momento qualquer ajuda é boa. Acho que também não podemos ser orgulhosos ao ponto suficiente de dizer que não, somos eternamente sós e vamos desenrascar completamente sozinhos. Acho que não faz sentido, mesmo na primeira onda, como vimos em Itália, eles tiveram ajuda de outros países, tiveram ajuda da Alemanha e não só. E França a mesma coisa. Se neste momento estamos sobrecarregados, vivemos numa comunidade europeia em que partilhamos uma moeda comum e partilhamos fronteiras, por que não podemos ter um sistema comum de ajuda quando temos este tipo de calamidades? Temos é que aprender que temos que ter também mecanismos próprios pra nos autoauxiliar quando temos este tipo de problemas. E aqui voltamos um pouquinho ao tema inicial que é programação. Temos que programar, temos que ter planos alternativos, temos que ter planos de contingência. E aqui não temos a desculpa de sermos apanhados de surpresa. Aqui sabemos que já tínhamos uma pandemia, que havia risco de uma segunda onda e de uma terceira onda, que aconteceu, e devíamos ter estado, se calhar, mais preparados para prevenir a onda ou reduzir o número de casos nesta onda, que não foi feito. Devia ter sido feito, se calhar, mais precocemente, e estamos a pagar por isso.

Voltando aqui à questão do oxigênio e das redes de oxigênio, elas serão semelhantes em todos os hospitais? Aquilo que vimos no Amadora-Sintra poderá acontecer em outros hospitais?

Já são questões técnicas que eu já não domino tão bem, a nível das instalações. Claro que qualquer sistema de fornecimento de gás tem sempre um teto máximo de pressão e um teto máximo de uso para utilização. Isso é sempre dimensionado a nível de cada hospital e de cada consumo médio do hospital. Claro que nós estamos numa altura, e nas alturas de inverno, existe sempre um acréscimo a nível de consumo de oxigênio, e sobretudo agora com o contexto pandêmico, em que temos doentes de cuidados intensivos com níveis de oxigênio muito altos. E temos também doentes na enfermaria com níveis de débito de oxigênio muito alto e é um termo que convém muito falar que é oxigênio de alto fluxo e ventilação não invasiva com débitos de litros muito elevados. Isto sobrecarrega qualquer sistema, isso é inevitável. E isso já não é possível antecipar, tanto que até agora só houve uma quebra num dos hospitais, que foi só Amadora-Sintra.

Mas é possível que exista em outros?

Possível é, mas neste momento, por exemplo, também do Amadora-Sintra, na parte das instituições, de certa maneira, já se precaveram ou já estavam precavidas de aumentar os fluxos ou de haver uma distribuição dos doentes pra evitar essas sobrecargas a nível do sistema de oxigênio. Agora, imagine-se que numa urgência entram mais 20, mais 30 doentes a precisar de débito de alto oxigênio durante o período noturno, é impossível no espaço de horas conseguir montar esse novo sistema ou aumentar o sistema. E isso pode acontecer picos em determinadas áreas, consoante as cadeias de transmissão e os novos casos. E que foi o que aconteceu no Amadora-Sintra. Foi um pico de ida de doentes ao nível do serviço de urgência, um pico de consumo de oxigênio que sobrecarregou demasiado o sistema, mas que de certa maneira, felizmente, o sistema funcionou e rapidamente se conseguiu transferir os doentes pra outras instituições, mesmo algumas pra longe, e como tem sido feito atualmente, estão sendo transferidos doentes da zona de Lisboa, Vale do Tejo pra Vila Nova Gaia, pra São João, para a Madeira e para o Algarve, de forma a descriminar a pressão.

E como é que é feito esse transporte? Isso é algo que faz alguma confusão na opinião pública. Doentes que estão em estado crítico, são transportados de avião, quer dizer, não serão os primeiros e não serão os últimos, mas é seguro? Como é que é feito isso?

São doentes selecionados. É o seguinte, os doentes mais críticos, que fiquem muito instáveis, normalmente não são os doentes ideais para transporte. Mas nós temos muitos doentes. O problema é o tempo médio de permanência do doente em cuidados intensivos. Nós sabemos que um doente, neste momento Covid positivo, é um doente com uma permanência a nível de cuidados intensivos entre 15 e 21 dias. E aqui a dificuldade que nós utilizamos na nossa terminologia médica é um desmame difícil, ou seja, é um doente que demora muito tempo a sair do ventilador, a retomar a sua capacidade respiratória. E quando estão nessa fase, são doentes que estão transportáveis pra outras instituições. E estando transportáveis pra essas instituições, de certa maneira, tira carga de trabalho das equipes atuais e liberta camas pra outros doentes agudos que estejam também em fase crítica e que não sejam transportáveis pra outras instituições. Ou então doentes que mesmo na fase inicial estejam relativamente estáveis pra fazer esse tipo de transporte. Tanto que a maior parte dos serviços tem sido feito pelo próprio INEM a fazer o transporte. E existe sempre uma pré-seleção, tem que haver sempre uma pré-seleção dos doentes, não é o escolhido ao calhas, tem que ser um doente com algum tipo de estabilidade, com uma necessidade menor de seringas infusoras, menor de fármacos, pra que consiga fazer o transporte de uma forma segura, porque mesmo o nível de oxigênio nas bilhas utilizadas numa ambulância tem o seu limite, não vai tolerar eternamente o nível de oxigênio dado ao doente, tem que haver aqui uma seleção desses doentes.

O Hospital de Cascais esteve associado a uma história que envolveu o deputado Ricardo Baptista Leite, que é voluntário no hospital, e também a líder parlamentar do Partido Socialista, Ana Catarina Mendes. Esta polêmica, de alguma forma, afetou o serviço do hospital? Afetou o pessoal de saúde?

Não afetou. Não afetou o trabalho, pessoalmente não me afetou, e na maior parte das equipes também não afetaram sobremaneira as notícias. Acho que houve alguma precipitação por parte do meu colega. Ele realmente faz voluntariado na urgência de Cascais e na urgência Covid. Ele também tem de base infectologista. Realmente, deve ter estado na urgência numa altura em que houve o maior pico de acesso a nível do serviço de urgência Não consigo dizer se realmente houve um maior número de óbitos do que nos outros dias, mas acho que houve alguma precipitação do meu colega nas notícias, porque além do mais, também não podemos criar alarmismo nas pessoas. Temos, de certa maneira, também ajudá-las, não deixá-las mais alarmadas, pois o pânico não ajuda nisto.

Dr. Vítor Fonseca, ajude-nos aqui a estabelecer aquilo que, na sua opinião, é a linha entre o que é a realidade que estamos a viver hoje e a realidade que se está a viver nos hospitais, e aquilo que pode ser encarado ou visto como alarmista.

Nós temos a realidade que muitos dos números nos traduzem e os números que têm sido publicados diariamente a nível dos cuidados intensivos, a nível das enfermarias, a nível do serviço de urgência, a nível hospitalar. Essa é a realidade matemática. Muitos doentes têm falecido, porque estamos a falar de doentes com idades muito avançadas, doentes debilitados, em que as infeções respiratórias têm condicionante realmente uma insuficiência respiratória que leva, infelizmente, ao óbito da maior parte dos doentes. Muitos desses óbitos acabam por acontecer mais na enfermaria e mais nos cuidados intensivos, não tanto no serviço de urgência. Claro que aí também há um acréscimo, porque muitos dos doentes nem sequer conseguem chegar às enfermarias, devido a elas já estarem em maior parte ocupadas e, de certa maneira, as próprias urgências Covid servem um pouco como antecâmara, como um pré-internamento, dois, três dias, até se ter uma cama a nível de internamento. E realmente aí também há muitos óbitos e muita gente já com muitos problemas de saúde e muito debilitados. E neste momento, quando estamos a contabilizar estes números todos, sabemos ao ínfimo pormenor quais são os números. Agora, a nossa função, de certa maneira, é não atirar com um balde de gasolina para cima da fogueira. Nós temos que também tentar tranquilizar as pessoas, que estamos lá, estamos a fazer o nosso trabalho, estamos disponíveis para tratar as pessoas e que a urgência neste momento não é uma câmara de morte. Isso também não se pode transmitir a mensagem dessa maneira, porque o que acontece? Aconteceu nos dias a seguir, mesmo as consultas programadas a nível do Hospital de Cascais, doentes com insuficiências respiratórias, doentes com necessidade de serem vistos a nível do hospital, com alguns com exames marcados há meses atrás, pura e simplesmente desmarcaram ou não apareceram devido a essas notícias. E isso também é preocupante, porque depois os doentes que necessitam, poderão morrer de outras causas, não Covid, e que não foram por uma notícia sequer demasiado alarmista. Na minha opinião pessoal. E a nossa função, enquanto médicos, também é, de certa maneira, tranquilizar e informar devidamente. Também não é atenuar demasiado, ser realistas, ser frontais e dizer realmente o que é que se passa.

E perante isso que acabou de dizer, podemos esperar um aumento da mortalidade nos próximos meses, durante este ano, pelos doentes que não foram acompanhados? Nem estou a falar dos doentes Covid, estou a falar dos doentes não Covid, que não foram acompanhados, não fizeram exames, não houve consultas.

Sim, acho que sim, porque já houve na primeira onda, realmente um número de óbitos, e sabemos que houve um acréscimo de óbitos. E agora vamos ter novamente um número superior de óbitos por causas não Covid. Estamos a falar de doentes com queixas, nomeadamente sugestivas de enfarte, de AVCs, que de certa maneira têm de sair à urgência e atrasam a sua ida à urgência. E isso muitas vezes pode acarretar um risco de morte superior por atraso de tratamento. Ainda hoje houve a notícia, também por parte da Sociedade Portuguesa de Oncologia, o número de atrasos de diagnóstico de cancros também vai acarretar um número acrescido de óbitos por cancro nos próximos meses, nos próximos anos, porque houve menos diagnóstico, vai haver maior atraso nesse mesmo diagnóstico. Quando são diagnosticados, vão estar em estádios mais avançados e com maior probabilidade de sobrevida ou com menor probabilidade de cura, basicamente.

Corremos o risco de ter de novo os hospitais cheios, desta vez não de Covid, mas de todas essas doenças que ficaram por tratar, ou nunca será uma coisa deste nível?

Nunca será uma coisa deste nível. Vamos ter maior número de óbitos, vamos ter doenças mais complicadas por falta de exames, por não haver uma alteração da medicação necessária como deveria ter sido feita, por sobrecarga dos profissionais, sobrecarga dos médicos. Não vai haver propriamente um acréscimo tão grande a nível de internamentos, mas acho que ao longo do ano, vamos ter realmente um aumento de mortalidade por outras causas que não Covid. Isso é inerente a este período de encerramento de tudo, esse período de confinamento, em que, como eu lhe digo, desde o início de fevereiro que nós parámos as consultas programadas, temos as consultas urgentes, porque tivemos que ir para as enfermarias ajudar nos doentes atualmente internados com Covid. Tínhamos muitas enfermarias de cirurgia que foram alteradas para enfermarias Covid. Temos outras enfermarias de outras especialidades alteradas para Covid. Temos colegas de pneumologia, temos colegas de cardiologia, temos colegas de gastro, temos colegas de outras especialidades, internos de outras especialidades a auxiliar nas enfermarias Covid, porque neste momento é necessário e uma manta curta ou tapa os pés ou tapa a cabeça. Não dá para tapar o corpo inteiro quando é curta. Basicamente, é isso que temos. E estamos neste momento a sofrer o desinvestimento que foi feito no Serviço Nacional de Saúde ao longo dos últimos anos. Isto basicamente está a trazer ao de cima todo o desinvestimento que foi feito, nomeadamente a nível de recursos humanos E estamos a falar de médicos que emigraram, estamos a falar de enfermeiros que emigraram, que agora seriam muito importantes pra cerrar fileiras junto a nós e temos que depender de alguma ajuda estrangeira para darmos a volta à situação.

O senhor é pneumologista. Em relação a este SARS-CoV-2, que está a sofrer mutações, como é normal em todos os vírus, qual o seu pior receio?

O pior receio é que haja uma mutação suficiente que tenhamos, em vez de um SARS-CoV-2, um SARS-CoV-3 e uma nova crise pandémica. Se me perguntar qual a probabilidade, isso é extremamente baixa. E mesmo aqui as novas variantes são adaptações do vírus, mas que não deixam de ser o mesmo vírus, mas são adaptações, de forma que ele, de certa maneira, aumente o contágio e se propague mais. Que é o normal de qualquer parasita ou de qualquer agente agressor, é de arranjar uma maneira de infectar mais pessoas no menor espaço de tempo possível. E, de certa maneira, foi uma das coisas que tem sido muito comentada, não matar o hospedeiro, de forma que se consiga propagar mais. E é o paradigma desta variante inglesa, que é maior contagiosidade sem aumento da mortalidade, ou seja, infecta mais gente, mas não mata mais gente. E assim permite, de certa maneira, propagar-se mais. Agora, qual é o problema disso? Tendo mais gente, mais doente ao mesmo tempo, mas com menos mortalidade, passamos de, por exemplo, 20 doentes para 200 doentes. E não há sistema como o nosso que consiga suportar esse tipo de pressão a nível dos hospitais.

E acha que a população já percebeu isso preto no branco, ou não?

Não. Acho que a população não percebeu bem isso preto no branco. E nota-se um pouquinho neste segundo confinamento, como não foi um confinamento logo geral, pra quem como eu, tenho que atravessar a ponte todos os dias pra Cascais, nota-se muito no trânsito que não se percebeu ainda muito bem.

Mas como? Como é que não se percebeu? Por quê? O que achas?

Não sei. Acho que a mensagem não foi transmitida porque enquanto ao contrário de março, que foi um isolamento radical e depois fomos levantando, aqui foi ao contrário, foi um isolamento ou um confinamento por patamares, em que se foi agravando e muitas das pessoas, de certa maneira, perderam o receio do vírus. Porque ficou muito noticiado que era uma doença mais dos idosos, uma doença mais dos velhos, que as pessoas mais idosas é que realmente morriam da doença. E foi, de certa maneira, um bocadinho perpetuado que os mais novos não sofriam da doença. Mas quanto mais números temos, temos doentes com 30 anos ventilados, temos doentes com 40 anos ventilados. Só pra ter noção, nos cuidados intensivos em Cascais, eu acho que todos os doentes estão abaixo dos 70 anos.

Isso é algo que não acontecia no arranque.

No arranque eram doentes mais idosos, mas agora cada vez doentes mais novos.

Já que falou no receio, deixe-me fazer-lhe esta pergunta: tem medo do vírus? Como é que vai trabalhar? Já aprendeu a viver com ele?

Eu aprendi logo desde o início. E de início até poderia ter tido medo, porque eu sou pneumologista, vejo muitos doentes diariamente. Além de pneumologista e de ver doentes com infecções respiratórias, que muitas vezes estão a tossir no gabinete, e vejo muitos narizes, vejo muitas gargantas e ausculto muitos pulmões, eu também sou asmático. De certa maneira, também numa fase inicial, ficou-se ali um pouco na dúvida da perigosidade para os doentes respiratórios. Sempre achei que a proteção era o principal, e foi sempre nisso que me refugiei, tanto que numa fase inicial até inclusive fui para os cuidados intensivos sem grande receio. E desde que tenha cumprido e desde que cumpri as regras, passei bem incólume até ser vacinado agora pro SARS-CoV-2.

Já recebeu as duas doses?

Já recebi as duas doses. Recebi a primeira dose ainda no ano passado, se não me engano. E depois recebi a segunda dose há cerca de duas semanas.

Isso dá-lhe mais força pra trabalhar, calculo, não é?

Não me modificou. Dá-me alguma tranquilidade, mas não alterou muito o meu dia a dia, porque continuo a utilizar sempre a proteção como tem sido definido até agora e tenho certeza de que foi o que me protegeu até agora e a maior parte dos colegas que têm utilizado as máscaras devidas, o equipamento devido, sobretudo quando manuseamos a via aérea. Nós estamos a falar de doentes que estão intubados, estamos ventilados, que têm que ser aspirados, tem que ser manipulada a via aérea, e mesmo em doentes em ventilação invasiva, que também existe uma grande dispersão de partículas respiratórias pra toda a zona envolvente ali à cama do doente, e que nós somos o primeiro alvo daquele vírus. E alguns casos que foram publicitados e tiveram caso, que inclusive eu vi a reportagem do doutor Jacques de Santa Maria, que foi um colega que esteve em ECMO, foi ventilado, esteve em oxigenação extracorporal, por assim dizer, delegado a uma máquina que lhe tira o sangue e que lhe permite a oxigenação e sobreviveu e voltou a trabalhar. E ele basicamente contagiou-se a salvar um doente, a intubar um doente, que na altura não sabiam que era Covid positivo, para conectar o ventilador e ele próprio depois ficou doente passado algum tempo. Mas ele foi numa fase muito inicial em que não havia tanto essas medidas de proteção. Felizmente, rapidamente conseguimos adquirir as P2, os EPIs de proteção, e isto tem sido o que nos tem, de certa maneira, protegido daqui do risco do vírus. E apesar de tudo, o contágio a nível das áreas mais críticas tem sido menor. A maior parte dos contágios dos profissionais é às vezes por alguns momentos de distração, em que rapidamente depois ficamos expostos e podemos ficar infectados.

Deixe-me aproveitar a deixa pra lhe perguntar sobre as máscaras. Há nova polêmica sobre máscaras. Qual é a sua opinião?

É o seguinte: a máscara quanto mais nível de proteção tiver, melhor é. Isso é um ponto assente. E também não podemos cair no mesmo erro inicial de dizer que não era necessário utilizar máscaras na rua e depois passar a se utilizar que era necessário máscaras na rua. E também, neste momento, não vale a pena dizer que uma P2 não é melhor que uma máscara cirúrgica, porque sabemos que é. Filtra melhor, veda melhor e tem um sistema de filtração altamente mais eficaz que uma máscara cirúrgica, logo um doente fica mais protegido utilizando uma P2 do que uma máscara cirúrgica. Por isso, quem quiser utilizar P2, eu normalmente na minha consulta recomendo. Agora, se vai haver um nível suficiente de P2 para fornecer a todas as pessoas, aí é o problema. Se houver uma grande procura com baixo estoque, nós nos hospitais também vamos ter uma quebra de fornecimento e nós realmente precisamos para cuidar das pessoas. Mais uma vez voltamos à utilização racional das máscaras e sobretudo ao confinamento a nível do domicílio e evitar um grande número de saídas. Não é para evitar por completo, temos a fato também uma população idosa que tem que sair, tem que se mexer, tem que andar, ir para zonas mais isoladas, aí estar normalmente com a sua máscara cirúrgica, porque existe um afastamento social. Agora, na necessidade de ir, por exemplo, a um supermercado e não só, não posso negar que uma P2 é claramente mais eficaz que uma máscara cirúrgica, também não podemos cair nesse erro.

Aqui no "Saúde no Limite" temos feito esta pergunta a vários profissionais de saúde. Faço-lhe também a si: já pensou naquele dia que há de chegar, em que vamos finalmente dizer: "Pronto, já nos livrámos disto".? Vai ter 24 horas de folga. Já pensou no que vai fazer?

Já pensei. Quando houver esse dia, vou logo tratar de marcar as minhas férias do ano passado, que não usei todas ainda. Não tanto para mim, que também preciso de descanso, mas sobretudo mais para a minha família, que tem sofrido mais com isto. São menos horas que eu estou em casa, é menos tempo que eu estou com os meus filhos, é menos tempo que eu estou com a minha mulher. E será mais para eles que eu vou pensar nesta ida e nesta vinda para casa e descanso. A nível pessoal, também me atingiu aqui muitas coisas, nomeadamente a nível de desporto. E também espero depois retomar algumas das minhas provas a nível desportivo, também para voltar a uma vida de certa maneira normal.

Que provas é que fazia?

Triatlo. Sou triatleta amador. Muitas também foram desmarcadas. Inclusive, eu estava inscrito pro Ironman de Cascais do ano passado, que infelizmente foi desmarcado. E espero fazer agora este ano em 2021, quase como comemoração do fim da pandemia. Esperemos nessa altura estar a cruzar a meta, comemorar o fim da pandemia e um segundo Ironman na minha curta carreira de atleta.

Esperamos bem que consiga ir ao Ironman. Muito obrigado, Vítor Fonseca, coordenador do serviço de Pneumologia do Hospital de Cascais. O meu nome é Ricardo Conceição e o "Saúde no Limite" é um podcast da Rádio Observador.

Muito obrigado.