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Sem falta, Pedro Henriques, a analisar também o trabalho de António Nobre neste Sporting Futebol Clube do Porto. Pedro, bem-vindo.

Boa noite.

Oito minutos de jogo, faltou logo ali o amarelo para o Geny. É o primeiro erro?

Ora bem, eu na altura, tanto nesse lance como no outro, que vamos falar já a seguir, fiquei um bocadinho naquela expectativa de tentar perceber como é que era a gestão da arbitragem em termos disciplinares. Como o árbitro acaba por ter duas partes completamente distintas e o critério que usou na segunda não foi o mesmo que usou na primeira, nesse aspecto, eu acabo por dizer que então sim, faltou o cartão amarelo do Geny sobre o PP. É um lance em que ele acerta de sólido os pitons no PP, deixando-o lesionado, mas isso é consequência, na tentativa de chegar à bola, acaba por, no fundo, sendo negligente. O árbitro teve um critério, depois mais à frente, igual, mas depois digamos que apertou e modificou na segunda parte num lance até de gravidade um bocadinho abaixo. E por isso eu vou dar como uma má decisão ou não boa decisão, o facto daqui não termos dado cartão amarelo.

Minuto 32 e falas aqui nesta florasto, faltou também um amarelo para o Otávio.

Sim, é sobre o Trincão, é aquele momento em que o Trincão ganha a bola, vai a fugir e o Otávio é claramente negligente, à maneira como acaba por tentar chegar à bola, acaba por ponteapear o Trincão. O árbitro aqui fez até a referência de como tinha feito em relação ao Geny, tipo: "Ok, mais dessas não dá, não pode ser". E manteve o critério de um em relação ao outro, mas depois como modificou completamente em relação à segunda parte, eu vou dar também aqui como a segunda não boa decisão em termos disciplinares.

Ainda na primeira parte, 45 mais dois, não há pênalti por mão de Eustáquio.

Não. Há mão, mas não há pênalti.

Exatamente. É isso.

Portanto, basicamente o que acontece é uma bola disputada entre o Geny Catano e o Eustáquio na área do Futebol Clube do Porto. Ambos vão com os pés esquerdos na tentativa de jogar a bola e prensam a bola. E ao prensar a bola, a bola acaba por saltar dessa prensa que é feita e ressaltar para uma trajetória completamente aleatória, indo bater na mão direita do Eustáquio, que estava a disputar a bola, estava a baixar o braço direito de cima para baixo, porque era em relação ao movimento e ao gesto que estava a fazer e por isso o braço acaba por estar numa posição normal, natural, nomeadamente no seu movimento. Não há volumetria nem movimento deliberado no sentido de acertar a bola, é a bola que vem.

Perdemos. Agora sim. Não, continua. Continuamos aqui uma pequena quebra.

É sempre uma atoante para não ser falta e por isso, boa decisão, sem motivo para pontapé de pênalti. De resto, o árbitro disse que não era pênalti, o VAR confirmou e, portanto, tudo certo.

Já na segunda parte, amarelo para Morita, este é bem dado, minuto 63.

Sim, é bem dado, mas eu aqui vou fazer uma referência, porque nós neste momento estamos a viver um momento em que, por causa daquela história do jogo do Porto Nacional, e agora vem muito à de cima isto, o lance do Mora, em que faz aquela entrada por trás, as pessoas estão recordadas e que eu dei aqui como cartão vermelho direto e a maior parte dos comentadores deu como cartão vermelho direto. E agora todos os lances onde se possa parar uma imagem e fica a ideia de uns pitons cravados numa perna, são aproveitados para, em termos de redes sociais e até de alguns programas desportivos que dão na televisão, nos diversos canais, para tentar fazer as respetivas comparações. E é muito perigoso, só mesmo por maldade, má intenção, o que queiram chamar, agarrar em imagens para pará-las, para depois fazer comparações. Porque quando paras as imagens e colocas a mão na cara de alguém, tu não sabes se estás a fazer uma festa ou se estás a dar um estalo. Isto para dizer o quê? O que acontece é que o Hoolman, ao fazer o passe para o Morita, o passe fica ali bem curto, o Morita não consegue chegar à bola, quem chega primeiro é o Nico, e o Morita quando chega lá acaba por dar com os pitons, a sola do pé, de raspão na perna do Nico. Portanto, é um toque de raspão completamente rápido, a passar, que aleija, que dói, é negligente na forma como aborda, livre direto. Quando tu paras o momento da imagem em que ele está com os pitons a raspar, se paras aquela imagem, o que é que tu vês? Fica a ideia que ele está a cravar os pés ou, neste caso, o pé sobre o tornozelo do Nico. Ora, não tem nada a ver com o do Mora, que foi por trás, esse sim, a calcar com a bola a um metro de distância. Este é na disputa de bola e com a imagem normal percebe-se que é um toque de raspão, nem sequer é o cravar de cima para baixo ou o que quer que seja. Neste momento, as redes sociais estão fortes a mostrar, e alguns programas, e algumas pessoas que gostam de agarrar nisso, a mostrar as imagens paradas para fazer comparações. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, por isso é que parar as imagens serve para ver se há contato, zona de contato, se é dentro, se é fora da área, se é com a mão, mas depois pôr-se sempre em movimento normal para se avaliar as consequências, a intensidade e o próprio lance em si. Este é um daqueles lances que paras a imagem, parece que está a cravar o pé. Na realidade, passou de raspão e acertou de raspão. Portanto, nada a ver. Apenas cartão amarelo por uma entrada negligente e nada mais.

Entretanto, seguindo para este lance também de potencial pênalti, de Diomande sobre Galeno, minuto 64.

É um lance em que há uma disputa de bola entre o Hoolman e o Samu fora da área, em que o Hoolman faz falta, a bola sobe para dentro da área e o Diomande que está nas costas do Galeno, o Galeno quando faz a rotação cai e apita pênalti. E o árbitro, na sequência deste lance, e só depois do Galeno cair, apita a falta fora da área. Às vezes explicamos isto de forma muito simples. A falta do Hoolman sobre o Samu existe, e portanto seria para livre direto, o árbitro não assinou a outra, pronto. Não há falta do Diomande sobre o Galeno. O Galeno assim que tem a bola e faz a rotação, sente o contato do jogador nas costas, que nem sequer é um grande contato, é o estar encostado, não há carne, não há nada. Conforme faz a rotação, cai no chão e não há motivo para pontapé de pênalti, porque se o árbitro tivesse feito, havido uma falta fora e ato contínuo, porque não apitou, houvesse o pênalti, tinha que marcar o pênalti, não queria marcar a falta antes. Isto para ficar aqui o esclarecimento. Só que não há falta Para penalty, mas há falta para livre direto e foi isso que o árbitro assinalou. Portanto, a decisão final de livre direto de Uman sobre Samu é correta, porque foi essa a falta que existiu e ato contínuo não há falta de Uman sobre Galeno, logo não há motivo para penalty.

Ora, reta final do jogo com cartões amarelos e ainda aqui mais uma questão de penalty. Amarelo para Fábio Vieira, minuto 66.

Sobre Maxero Usos, na tentativa de tirar a bola, Maxero Usos na sua zona defensiva, à saída da sua área, o Fábio chega um bocadinho tarde, acaba por acertar no jogador do Sporting e cartão amarelo bem mostrado.

Minuto 73, amarelo também para o Eustáquio.

Falta tática, destrói uma transição rápida por parte da equipe do Sporting já na zona de meio-campo e o árbitro mostra bem o cartão amarelo.

Isto foi uma série. Minuto 73, amarelo para o João Simões.

É o Porto a querer bater um livre direto rapidamente, embora na sua área, e João Simões a não deixar, a pôr-se à frente, retarda essa marcação rápida. Cartão amarelo bem mostrado.

Minuto 76, lá está a questão que eu falava, sem penalty sobre Galeno.

Sim, é um lance em que, por momentos, há um contacto do Uman, isto é na área do Sporting, do Uman sobre o Galeno, nomeadamente com o toque que ele dá com a mão um pouquinho abaixo do ombro, portanto a mão direita no ombro direito do Galeno, mas não agarra, não puxa, não empurra. Há efetivamente esse contacto, toca e larga, e o Galeno sente esse contacto, deixa-se cair, portanto sem penalty, também boa decisão.

Finalmente, temos aqui o amarelo para Morten Hjulmand, minuto 77.

Agarra e puxa o João Mário, ao mesmo tempo que o faz, é aquele que quase que ia ficando com a camisola. Portanto, é uma falta tática ao objetivo de destruir a jogada completamente. Cartão amarelo bem mostrado.

Finalmente, minuto 94, é a última situação de análise, é o amarelo para o Nico.

Agarra o Gyökeres, também comportamento desportivo, impede a tentativa também de saída em contra-ataque do Sporting. Cartão amarelo bem mostrado.

Assim sendo, que nota dás, António Nobre?

Olha, irregular na arbitragem, em termos disciplinares, por causa dos dois lances da primeira parte, depois muda completamente o critério. Bem, no essencial. O essencial foi dentro das áreas, teve três lances importantíssimos e com boas decisões. Refiro-me àqueles dois lances sobre o Galeno, sem penalty, e à mão do Eustáquio, também sem penalty. Um jogo com 24 faltas, seis cartões amarelos. Os seis cartões amarelos da segunda parte são todos bem mostrados, com quase 60% de tempo útil, deu quase 58 minutos de jogo. Uma arbitragem que acaba por ser globalmente positiva e, portanto, ninguém se queixa. Neste caso, seria o Futebol do Porto, teria perdido, mas mesmo se Sporting ou Porto não têm razões de queixas naquilo que é o essencial, depois pequenas falhas, algumas faltas que não foram assinaladas em zonas de terreno de jogo, nomeadamente em relação ao Gyökeres, que tem uma do Otávio em que o árbitro marcou ao contrário, uma do Gyökeres à entrada da área também do Futebol Clube do Porto, mas naquilo que é o essencial dos lances mais relevantes, bem nas áreas, irregular na arbitragem em termos de disciplina, sobretudo na primeira parte. Nota positiva, nota 6.

Nota seis então dada pelo Pedro Henriques António Nobre, o árbitro desta primeira meia final entre Sporting e Porto. O Sporting ganhou com o gol do Viktor Gyökeres ao minuto 56. Amanhã, Pedro, voltamos para analisar então o jogo número dois desta competição entre Benfica e Braga. Então até amanhã.

Um abraço, até amanhã.

Fica disponível sem falta também através de podcast.