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Seja bem-vindo ao "Sem Falta", que faz a avaliação da arbitragem dos jogos da Primeira Liga, sempre com a ajuda do Pedro Henriques. Pedro, muito boa noite, bem-vindo.
Boa noite.
Vamos começar pela atuação de João Pinheiro nesse Alverca 1, Sporting 4.
E por termos vários lances e, de cima, vamos ter que fazer dois "Sem Falta", vamos fazer de forma diferente, um formato diferente, em que eu vou dizer de forma seguida os lances que ocorreram. No caso concreto do jogo do Alverca x Sporting, é um jogo que não tem muitos casos, mas tem alguns interessantes. Vamos começar de forma diferente, vamos começar ao minuto zero, ou seja, ainda não começou o jogo e o jogo atrasou-se cerca de seis minutos. E por uma razão simples, é que quando o João Pinheiro iria iniciar o jogo, o seu árbitro assistente chama a atenção que a bandeirola de canto estava partida, caída. Ainda estava lá colocada, mas estava partida e não estava a aguentar em pé e teve que ser substituída. Uma bandeirola foi lá colocada, não deu e depois tiveram que ir buscar outra, ao outro lado qualquer, e foi isso o atraso. Só para relembrar o seguinte, que em cada canto do terreno de jogo deve ser colocada uma bandeira, chama-se bandeira, nós é que dizemos bandeirola, que tem que ter um mastro, não pontiagudo, e que tem que ter uma altura mínima do metro e meio, isto é o que diz a lei, e o jogo nunca pode começar ou recomeçar sem que esta bandeirola, esta bandeira esteja no sítio. Ou seja, se neste caso o jogo não tinha começado e se ela não estava em condições, tinha que se colocar em condições. Imaginemos que acontecia durante o jogo, uma bola que batia lá, um jogador que chegava e que ela se partia. O jogo prossegue até parar a jogada e mesmo que ela esteja no chão e depois não pode recomeçar nunca sem a bandeirola estar no sítio certo. Faz parte da regra e por isso o árbitro não tinha outra hipótese que não esperar. É lógico que o árbitro verificou se a bandeirola e todos os outros elementos, uma hora e meia antes de começar o jogo, estava tudo ok. Os árbitros antes de começar o jogo, normalmente fazem verificação até em cada uma das partes das redes das balizas, que é normalmente aquilo que pode vir a sofrer alteração, às vezes com remate e ficar com mais uma abertura. E as bandeirolas também foram verificadas, mas entretanto algo aconteceu durante um aquecimento ou o que quer que seja, e daí esta explicação. Um bocadinho mais demorada, só para dizer. Minuto seis, há um lance em que o Navas com o pé direito pisa o pé direito do Pedro Gonçalves à entrada da área da equipe do Alverca. O árbitro deixa seguir, mas devia ter assinalado o livre direto. E deixa seguir porque a bola acaba por ficar na posse dos jogadores do Sporting. Mas vem para trás, vem para o lado e depois com o Pedro Gonçalves deitado no chão, são os próprios jogadores do Sporting que depois atiram a bola para fora. Há uma diferença entre posse de bola e lei da vantagem. O fato de uma equipa continuar de posse de bola, mesmo quando há uma falta, o árbitro tem que sempre perceber se essa posse de bola é inócua, se vem para trás, se os jogadores não são pressionados. E à entrada da área, uma falta sobre o Pedro Gonçalves, em que a bola não sobra para nenhum jogador do Sporting que fosse em progressão para dentro da área, aí, sim, seria lei da vantagem. Era mais aconselhável que o árbitro interrompesse e tivesse dado o respectivo livre direto. Depois, ao minuto 24, é um ataque promissor que leva a um livre direto e um cartão amarelo. Foi uma decisão técnico-disciplinar correta. O Gonçalo Inácio fica a perna esquerda e rasteira o pé direito do Nabil, quando ele faz o drible e vai já entrar pela zona lateral da área para o interior da área do Sporting, corta um ataque promissor, uma jogada de perigo e cartão amarelo bem mostrado. Ao minuto 37, há um lance em que o Chiquinho, por trás, sobre Ivan Fresneda, acaba por descalçar a bota por trás, no calcanhar, e o Fresneda ficou-se ali a caixar do calcanhar. Para mim, só o livre direto e sem cartão, porque o Chiquinho perde a tração na perna direita, escorregou e de forma imprudente acaba por, com o pé esquerdo, pisar o calcanhar, mas não é bem pisar o calcanhar, é mais descalçar o calcanhar da bota do próprio Ivan, aquela entrada duríssima e de pisão. Imprudência significa que o jogador não mostra ou mostra falta de atenção à concentração contra o adversário e não é necessária qualquer ação disciplinar, é o que diz a lei 12 na página 109. Eu concordo com esta decisão de ter sido só o livre direto, sem cartão amarelo. Ao minuto 45, uma decisão na área, que o árbitro não assinou penalty e bem. É um lance na área do Sporting em que há depois um contato, um choque entre o Figueiredo, que está a recuar, e o Vahanídes, que está a saltar à bola. Imaginemos que é uma bola cruzada para a área, o Figueiredo, em situação de ataque, está a recuar e vai de costas para trás, e o Vahanídes, ao saltar como saltou e como cabeceou a bola, acaba por ir carregar, entre aspas, não é bem carregar, é chocar peito com costas de Vahanídes sobre o Figueiredo. Ambos estão se a movimentar em sentidos contrários, o choque é normal, o Vahanídes faz aquilo que é o mais relevante e importante, que é interceptar a bola, não é uma situação em que não toca na bola e que só choca com o adversário, e por isso bem não haver motivo para apontar penalty. E assim terminou a primeira parte e depois na segunda parte poucos lances, sendo que o lance mais relevante acontece exatamente ao minuto 46. Duas situações, é o árbitro que está a sair do meio-campo e que dá um penalty, só se teve ali ajuda, naturalmente, do árbitro assistente que ele está a mais de 50 metros, é uma bola atirada em profundidade e o árbitro é apanhado neste contrapé e o árbitro marca pontapé de penalty a favor do Sporting por uma suposta falta do guarda-redes André Gomes sobre o avançado colombiano Leonino. Percebemos logo que não há falta, e não há falta porque o André Gomes ao sair aos pés do Suárez com as mãos não toca na perna direita do avançado colombiano e também com o corpo não derruba a perna esquerda. Aliás, o colombiano teve a ação de passar com a perna esquerda por cima do guarda-redes para não lhe tocar e não há motivo para pontapé de penalty. Depois há aqui uma situação diferente de tudo o que é normal, porque o Luis Suárez automaticamente diz aos colegas, adversários e ao próprio árbitro que não há penalty. E a questão que se coloca é: se o jogador está a dizer que não é penalty, o árbitro pode reverter? Não, não pode. Estamos no futebol profissional, quem reverte decisões do árbitro são ou alguma indicação do seu assistente ou de alguém que lhe diria, ou o vídeo-árbitro. E havendo vídeo-árbitro, tem que esperar pelo vídeo-árbitro. E o vídeo-árbitro fez o seu papel, verificou que não há penalty, tem que chamar na mesma o árbitro ao monitor, o árbitro vai ao monitor, confirma que não há penalty. Até aqui tudo certo na reversão do penalty que não existiu e a decisão correta final. O árbitro recomeça o jogo com livre indireto, porque mostra cartão amarelo ao Suárez por considerar que houve simulação E é aqui que eu não concordo com a decisão. Uma simulação significa que um jogador tenta enganar em qualquer parte do terreno de jogo, e muito mais na área, o árbitro na perspectiva de ganhar uma falta que não existiu. Mesmo que ele se tenha projetado para o chão, ao levantar-se imediatamente e dizer ao árbitro que não há falta, que não é pênalti, ele não está a tentar enganar. Se ele mantivesse a sua decisão, poderíamos eventualmente estar na questão da simulação. Mas não é só por ele dizer e não estar a simular nada, é também aquela questão que eu acho que tem a ver muito com o bom senso e aquilo que as pessoas não conseguem compreender. Imaginemos que é um jovem que está a ver este lance: se o jogador está a dizer que não sofreu falta, que não é pênalti, não está a enganar ninguém. Levar amarelo por simulação, bem pelo contrário.
O Suárez ficou bastante chateado.
Exatamente. E mais, se nós olharmos para o lance, o Suárez, no meu ponto de vista, desequilibra-se porque ao saltar, ao passar com a perna esquerda por cima do guarda-redes, até para evitar o contato, é isso que o leva, no meu ponto de vista, à queda e ao desequilíbrio. E portanto, para mim, nem sequer há simulação. Há um cartão branco que existe em muitas competições, algumas delas profissionais, como é o caso do futsal ou no futebol feminino sénior, que é um cartão que é do fair play.
Valorizar o fair play.
Para valorizar determinadas atitudes e situações. Se houvesse no futebol profissional masculino, claramente que esta era uma situação. Concordo com a reversão do pênalti, claramente, porque não há pênalti. Boa atitude do Suárez. Não concordo com o cartão amarelo mostrado ao Suárez. Isto foi um lance ao minuto 46, da questão do pênalti revertido e depois só ao minuto 49 é que o árbitro, depois de ir ao monitor, reverteu a sua decisão. Finalmente, para terminar, os últimos dois lances. Ao minuto 85, o Nabil Touaizi, ao entrar em deslizamento sobre o Ricardo Mangas. O Mangas estava a atacar pelo corredor esquerdo e a entrar na área da zona lateral, acaba por cortar um ataque prometedor, razão pela qual foi corretamente advertido com o respectivo cartão amarelo. E depois dizer ainda ao minuto 90+5, que é um lance entre o Mipiu e o Rafael Nel, em que o Rafael Nel chuta a bola para depois é defendida ao poste. É nesse lance, em que o Nel remata e ficou-se com a ideia que o Mipiu podia ter eventualmente, no momento do chute, lhe tocado no pé e rasteirado o jogador do Sporting, ou pelo menos ter impedido que o remate. Com as repetições, que também não são muito claras, fico com a ideia que não, o Rafael Nel falha e mesmo remata a bola e o Mipiu passa com o pé ao lado e há um ligeiro contacto, mas não suficiente para impedir. E portanto, estaríamos perante uma situação, se fosse rasteira ou toque ao impedimento do Nel rematar, de poder dar pênalti. Para mim, boa decisão neste caso. E com isso, praticamente verificamos aqui os lances todos do jogo do Alverca Sporting.
E que nota te merece João Pinheiro neste Alverca Sporting?
Eu vou dar nota 6. Aquilo que foi bom foi a intervenção do VAR, mas o árbitro errou, e por isso eu tiro sempre um pouco quando um árbitro acerta numa decisão ou acerta nas decisões sem ajuda do VAR, dou sempre uma valorização de um valor sempre a mais, ao ter errado, obviamente que o importante é a decisão final da equipa de arbitragem, do VAR faz parte, mas aqui penalizo para tirar-lhe aqui um pontinho e depois pela aquela questão do cartão amarelo ao Luís Suárez, que nestas circunstâncias em concreto, me parece que não devia ter sido dado. E depois destacar, naturalmente, o Suárez, que teve uma atitude que não é normal, que é em contexto de futebol profissional, e sabendo que há VAR, que até pode reverter, ele próprio ter dito que não foi falta sobre ele.
Pouco comum, infelizmente.
Pouco comum, exatamente. Mas de qualquer maneira, nota 6, nota positiva, porque a equipa de arbitragem acaba por se sair por cima, mesmo com estes pormenores que eu aqui assinalei, nomeadamente o cartão amarelo ao Luís Suárez.
Muito bem, Pedro Henriques, com quem vou estar já de seguida para um outro "Sem Falta", que vai analisar a arbitragem de António Nobre no Braga-Porto. Até já, Pedro.
Até já.