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Sem falta, fica também disponível através de podcast da Rádio Observador. Pedro, bem-vindo.
Muito boa noite.
Muito boa noite. Fábio Veríssimo no clássico derby de Lisboa. Minuto 16, sem pênalti de Bah sobre o Quenda. Primeira situação de análise.
Talvez o lance de grau de dificuldade maior naquilo que passa a ser a interpretação. Para mim, boa a decisão de não ter sido assinalado o possível ou pertente pênalti do Bah sobre o Quenda. É um lance em que o Bah estica a perna esquerda para tentar obviamente interceptar e tocar na bola. Não toca na bola, é um facto, e isso por si é uma agravante, é só o Quenda que toca. E o contacto que existe é ao nível sobretudo da anca esquerda com a anca direita do Quenda. Com este pormenor, que para mim é relevante e importante. É que estes contactos normalmente podem ser faltosos, quando com isso rasteiras um adversário, empurras um adversário, carregas de forma incorreta o adversário e naturalmente, o que é importante é perceber a consequência deste contacto, tentar perceber se o Quenda caiu efetivamente por este contacto ou se de alguma maneira exponenciou a sua queda. E o que nós vemos é que o Quenda, quando há este contacto lateral, a sua perna direita, que é a que está toda projetada para trás, arrasta completamente a biqueira pelo solo, cerca de um metro entre o ponto de partida e o ponto que depois se projeta para o solo, e salta a dois pés para o chão. Ou seja, a maneira como ele cai não tem nada a ver com o contacto que ele sofreu. Portanto, a consequência, que é no fundo analisar se realmente houve aqui uma falta ou não, a maneira como ele cai nada tem a ver exatamente com esse contacto. Fica a ideia de ter forçado um bocadinho, percebendo que há esse contacto. E para mim, foi uma boa decisão. Relembrar apenas que não sendo uma das circunstâncias mais claras e óbvias, porque estaríamos sempre aqui a olhar para a intensidade, se realmente ele projeta-se para o solo e tenta tirar partido da circunstância ou não, se o contacto é legal, não é, o protocolo não permite o vídeo-árbitro chamar ao monitor o árbitro para ir ver um lance nestas circunstâncias. Tem que haver pelo menos o princípio básico, que é ser uma circunstância clara e óbvia e eu, VAR, tenho imagens para provar que a tua decisão, neste caso de não pênalti, está errada. Não é o caso e por isso ficaria sempre a decisão do árbitro em terreno de jogo. Para mim, uma boa decisão, sendo que este é um lance de maior interpretação relativamente àquilo que possa ser a análise deste tipo de contacto.
Minuto 18, sem pênalti por braço de Florentino.
Sim, porque isso foi o que foi pedido. Quenda cabeceou, supostamente a bola teria ido ao braço esquerdo do Florentino, mas depois na repetição percebemos que a bola bateu apenas no ombro. Ora, o ombro é a zona onde é possível tocar e jogar a bola e por isso tudo certo, sem motivo para, neste caso, para o pênalti.
Ainda na primeira parte, amarelo para o Otamendi.
Por protestos. Houve aqui mais do que um cartão nessas circunstâncias. O árbitro assinou uma falta, o Otamendi não concordou, protestou. Depois percebe-se pelas repetições mais à frente que há ali um excesso ao nível do protesto por causa da utilização dos braços e por isso bem o árbitro, no meu ponto de vista, a mostrar o cartão amarelo a Otamendi.
E para fechar a primeira parte, e foi mesmo para fechar, porque logo a seguir acabou a primeira parte, sem pênalti de Tomás Araújo e Bah sobre o Vitor Diogo.
Sim, primeiro o Tomás Araújo, com o pé direito, toca única e exclusivamente na bola fora da área. Portanto, a haver falta aí também seria sempre fora da área, nunca seria pênalti. Mas tocou com o pé direito apenas na bola e a bola ao ser tocada e tirada da posse do Gyökeres, acaba por lhe bater nas pernas e o Gyökeres dá uma maneira, atrapalha-se e desequilibra-se em função desse momento de levar com a bola nas pernas. E é ele que depois, por se desequilibrar, vai se projetar e cair, chocar contra o Bah, que estava um pouquinho mais à frente. Portanto, resumindo e concluindo, não há falta do Tomás Araújo, que seria fora. Também não há infração dentro, porque é o próprio Gyökeres que vai chocar com o Bah. Por isso, boa decisão naquilo que podia ser um eventual pênalti que não existiu.
Segunda parte, minuto 49, sem pênalti de Morten Hjulmand sobre o Di María.
Sim, é mais um lance em que o Hjulmand estica a perna direita para tocar a bola, o Di María salta por cima dessa perna, portanto vem em salto. O Hjulmand não toca no Di María, o Di María salta e porque salta um bocadinho na vertical quando apoia os pés no chão, acaba por se desequilibrar, mas também porque ele, Di María, nesse salto, uma das pernas que fica mais para trás toca por trás do gémeo do jogador do Sporting. Ou seja, é o próprio Di María que ao saltar, não sei se para evitar o contacto ou não, ou para tentar o...
Perdemos aqui momentaneamente o contacto com o Pedro Henriques. Vamos ter a oportunidade, obviamente, de voltar aqui o Pedro. É uma questão de restabelecer esta ligação com o Pedro Henriques, onde estamos a analisar, ou neste caso o Pedro está a analisar a equipa de arbitragem liderada por Fábio Veríssimo. Creio que já temos a oportunidade.
Sim, houve aqui uma falha, uma perda.
Continuando.
Não sei se tinhas me perguntado já sobre o minuto 58, porque entretanto perdi.
Não, ia te perguntar exatamente agora. Minuto 58, exatamente esta situação de amarelo para Bah.
Uma vez mais por proteste, empurrou o Morita. Ao empurrar o Morita, o árbitro assinou a falta, o Bah não concordou e foi muito veemente na forma como fez o gesto e cartão amarelo bem mostrado.
Outro amarelo logo a seguir, minuto seguinte, minuto 59, amarelo para o Matheus Reis.
Sim, é uma situação em que o Di María vai na frente e ele única e simplesmente agarra, puxa e derruba o Di María. Este agarrar e este puxar é a chamada falta tática, única e simplesmente para destruir a jogada. É um comportamento sempre incorreto, que é normalmente punido em qualquer parte do terreno de jogo com cartão amarelo e o árbitro bem a mostrar a respetiva cartolina.
Minuto 63, é um amarelo também típico para guarda-redes que perde tempo. Aí, neste caso, foi o Israel.
Exatamente. O Sporting estava a ganhar, estamos com uma hora de jogo, o Israel tentou levar ao máximo, que era neste caso uma reposição de um pontapé livre a favor do Sporting na sua própria área. O árbitro entendeu que era a altura para agir, por assim dizer, para travar que esta ação se prolongasse por outros momentos, por outras ações, e mostrou o cartão amarelo, e temos que concordar sempre com estas ações.
Minuto 87, quase a fechar, há uma situação de Matheus Reis sobre Leandro Barreiro. Não há penálti?
Não, não há penálti, e isto também vem ao encontro daquele lance que pode ser o mais discutível do minuto 16, a maneira como o árbitro privilegiou este tipo de contacto, digamos que não foi naqueles pequenos contactos e transformar aquilo em faltas. O Matheus Reis está na área do Sporting, salta por cima do Leandro Barreiro, bem mais alto, e ao saltar, naturalmente que o seu próprio braço direito, porque está mais alto, acaba por encaixar sobre o ombro direito do Leandro Barreiro. E ao fazer esse salto e esse encaixe, não o empurrou, não o impediu de saltar, não o impediu de disputar a bola, isso é que é extremamente importante. E o contacto existe porque os dois jogadores, neste caso, estão encostados um ao outro. Quem está a atacar, o Leandro Barreiro, sente e encosta-se para trás para sentir nas costas o Matheus. O Matheus, obviamente, está nas costas a sentir com o seu peito nas costas do seu adversário. Portanto, tipicamente uma marcação, sobretudo de uma bola que está a pingar na área e dois jogadores vão saltar. Portanto, o Matheus Reis não faz infração, não faz penálti, e ilustra bem este critério, não digo largo, mas um critério bem aplicado de contacto, à semelhança do minuto 16 da anca de Bah com o Kenda, aqui, neste caso, de braço ombro, de Matheus Reis com o Leandro Barreiro, dois critérios iguais para duas situações que não sendo iguais, têm alguma similitude. Portanto, boa decisão, sem motivo para apontar verde penálti, neste caso de Matheus Reis sobre Leandro Barreiro.
Última situação para analisar é o minuto 93, o amarelo para o Tomás Araujo.
Também por protesto. Após falta sobre o Gyokeres, ele entendeu que a falta foi mal assinalada e foi até junto à linha do meio-campo e linha lateral. Protestou, braçou e o árbitro, dentro desse critério que já tinha usado anteriormente, mostrou o cartão amarelo.
Falta a tua nota para Fábio Veríssimo.
Sim, é um jogo com 27 faltas, com cinco cartões amarelos, um tempo útil de 58%, portanto, quase 58 minutos de jogo que se jogou, o que é uma boa média para a liga portuguesa, diga-se de passagem, e para um dérbi, que muitas vezes é amarrado em termos táticos, até por causa da importância que tem o resultado para as equipas. Acaba por ser uma arbitragem positiva. Repare que os lances de área, e foram alguns que nós analisamos aqui, na minha opinião, todos bem decididos. A parte disciplinar, o árbitro com o critério que utilizou e nas situações em que mostrou os cinco amarelos, dois ao Sporting, três ao Benfica, acabou por segurar o jogo, quer das infrações disciplinares que resultaram de ações técnicas, como aquela do Matheus Reis, como das ações disciplinares que resultaram de infrações comportamentais, como aquelas que vimos aqui dos protestos. E por isso segurou o jogo, faz uma arbitragem positiva. Estamos num dérbi, que é um jogo de grau de dificuldade elevadíssimo, acima dos outros, queremos que não, é mesmo assim, os jogos entre os ditos grandes, e o Fábio Veríssimo saiu claramente por cima. Não há qualquer referência em termos daquilo que é os treinadores, os jogadores no final dos jogos, que às vezes se agarram a lances com ou sem razão, não interessa, sobre a arbitragem. Não foi o caso, mas uma arbitragem muito positiva e por isso hoje vou dar uma nota mais alta do que o normal, dadas as condições de ser um dérbi, vou dar nota oito. Fábio Veríssimo fez uma arbitragem bom plano, em altíssimo nível.
Ainda bem que correu tudo bem com a arbitragem, nova polêmica. Nota oito atribuída pelo Pedro Henriques à arbitragem de Fábio Veríssimo. Pedro, agora sim, um bom ano para ti, umas boas entradas de saúde para 2025.
Obrigado.
Sem falta, que fica também disponível através de podcast da Rádio Observador.