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E à 26ª jornada do campeonato, o Benfica foi até Arouca vencer no último minuto por duas bolas a uma, num jogo arbitrado por José Bessa. Pedro Henriques, vamos analisar mais um jogo. Muito obrigado por estares conosco. Bem-vindo.

Obrigado, boa noite.

Vamos começar logo ao minuto quatro, o pênalti que deu o primeiro gol do Arouca. Resta saber se foi bem apontado por José Bessa.

Sim, foi, na perspectiva que o vídeo-árbitro interveio, e interveio bem para ajudar nesta situação. É uma bola que é cruzada, o Ivan Barbero acaba por fazer o desvio de cabeça, braço direito aberto, fora do plano do corpo, com tal volume extra, impressão não natural, acaba por interceptar a trajetória da bola e, portanto, pênalti bem assinalado após a intervenção do vídeo-árbitro.

Temos depois, Pedro, ao minuto 20, na tua opinião, um pênalti que ficou por marcar contra o Arouca, em favor do Benfica. Não sei se falámos nesta ronda.

Não falámos. O relado foi intenso, eu não gosto de estar a intervir quando quem está no campo não pode.

Sim. Então vamos falar deste lance ao minuto 20. Um pênalti que ficou por marcar.

É um lance de televisão. É uma bola em que vai pelo corredor esquerdo o Dálio, o Dálio cruza a bola e o Pavlídis está na frente até em relação a quem o está a marcar, que é o Fontán. A questão que depois se coloca é por que de repente o Pavlídis aparece no chão e com o Fontán a fazer a intercessão e o corte de bola. Por razão muito simples, o Fontán que vem atrás, coloca o braço direito todo esticado e com a mão direita no ombro direito do Pavlídis, agarra e puxa-o. E é isso que faz com que o Fontán passe pra frente do Pavlídis, portanto ganha a posição que o Pavlídis é que estava na frente, e faz com que ele também o derrube. E depois, ainda por cima, é o próprio jogador que faz esta falta, que acaba por interceptar a bola. E aquilo que me chamou a atenção e qualquer coisa que não estava bem ali, foi a maneira como o Fontán comemorou este corte. Tipicamente, quem acabou fazendo alguma irregularidade e está ali a fazer aquele gesto de "ei, fiz um grande corte", etc. Cheirou-me logo qualquer coisa que estava estranha. E daí eu ter vindo atrás, a televisão deu apenas duas repetições, sem plano muito apertado, portanto longe, não valorizou, mas já estamos habituados a que haja uma falta de sensibilidade por quem está muitas vezes a dirigir, na regie, não tem mal, mas falta sensibilidade em termos futebolísticos, obviamente, para perceber o que é que são lances de área que podem eventualmente ter potencial de pênalti. Mas há uma questão que é muito importante, e eu relembro que de vez em quando ainda vejo nas redes sociais e até comentadores de programas, eu vou sempre tentando ganhar esta batalha que é as pessoas perceberem que não importa o que é que nós vemos na televisão em termos de vídeo-árbitro. Não importa quais são as escolhas que as imagens são feitas, porque o realizador é uma coisa, e quem está na regie a escolher essas imagens é uma coisa. Quem está no vídeo-árbitro tem as câmaras todas ao seu dispor e, portanto, é só puxar pra trás, escolhe o ângulo que quer, escolhe a câmera e é ele que vai selecionar as imagens. Portanto, ele não está dependente nunca das repetições ou das imagens que nós estamos a ver.

Da realização. É como se o VAR tivesse acesso à sua própria forma de realização.

Exatamente, porque no fundo ele tem as câmaras, as câmaras estão todas ao seu dispor e cada câmera tem o seu plano e ele tem as várias televisões que permite puxar com o técnico ao lado o momento que quer. E portanto, pra mim, é uma situação que é agarrando e puxando, não se trata de intensidades, no meu ponto de vista, trata-se de uma causa e efeito, trata-se de uma causa e uma consequência e, portanto, pra mim, de televisão, repito, porque no campo seria muito difícil ver este lance, ficou um ponto de pênalti para assinalar. A favor do Benfica, claro.

Escapou a José Bessa e também ao vídeo-árbitro deste encontro, um pênalti ao minuto 20, que na tua opinião ficou por assinalar sobre Pavlídis. Ao minuto 24, Pedro, amarelo para Ravi Sanches, do Arouca.

Sim, exatamente. O corte no ataque promissor é aquele lance que o corpo acaba por carregar o Rafa Silva à entrada da área. Por que não é cartão vermelho e é cartão amarelo? Por causa daquela questão da clara oportunidade de gol, porque a bola está no ar e não há a certeza absoluta que o Rafa poderia ou não dominar, mas acima de tudo, porque o Rafa, digamos que se domina aquela bola, se não sofre a infração e consegue controlar aquela bola, ele estava a correr na diagonal e na direção da linha lateral. Digamos que a jogada, e se mesmo que a dominasse e fosse a buscar mais à frente, já estava desenquadrada em relação à baliza. E é por isso que é um ataque promissor e não uma clara oportunidade de gol, e é por isso que eu dou como certa a decisão de cartão amarelo e não de cartão vermelho.

Temos depois, ao minuto 36, um amarelo que, na tua opinião, deveria ter sido mostrado a Sanches, seria o segundo, mas que ficou no bolso.

Sim, o Sanches aqui escapou, no meu ponto de vista, a um cartão amarelo. É uma daquelas situações em que o árbitro, dada a maneira como depois, e eu fui esperando também um pouquinho pelo desenrolar do jogo pra tentar perceber como é que o árbitro estava a agir em termos disciplinares e técnicos em relação aos lances. E portanto, no enquadramento dos muitos cartões amarelos que foram mostrados, este acaba por não poder escapar. E é uma entrada do Diogo Monteiro, quando chega a perna esquerda, já que a bola não está lá e acaba por entrar de sola o pé direito do Scheldrup, enquadra-se nas entradas negligentes e ficou aqui, pra mim, um cartão amarelo por mostrar.

Temos depois, ao minuto 45 mais três, um amarelo para Barbero, o avançado do Arouca que fez o gol. Bem mostrado este cartão amarelo também?

Sim, porque agarrou de forma persistente e evidente o Scheldrup, quando ele estava a sair em contra-ataque, a chamada falta tática e um complemento desportivo por agarrar e em surto de falta tática, porque impede a saída em contra-ataque, cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois, ao minuto 48, um amarelo para o médio japonês da equipe do Arouca, Yun Juli.

É aquele lance assim meio caricato, que ele agarra a camisola do Rafa e depois até fica sentado no chão, mas não deixa a camisola e vai a ser arrastado, até dar um exemplo aí da Serra da Estrela. Pronto, quando a gente vai deslizar. Toca amarelo.

Da Serra da Freita, ninguém esperava.

Exatamente, mas cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois, ao minuto 59, um amarelo para António Silva. Bem mostrado também, Pedro?

Sim, é a questão dos protestos. Aliás, neste lance, eu ficava só por aí.

Leva Richard Rios primeiro, exatamente.

Exatamente, levam os dois. Richard Rios e António Silva. O Richard Rios faz uma falta junto à linha lateral, o António Silva vem e proteste. Fico com a ideia que o cartão amarelo ao Richard Rios também é pelos protestos que ele dirige logo ao árbitro assistente em protesto e depois continua com o árbitro. De qualquer maneira, o António Silva, não obstante ser capitão, se calhar exagerou na forma como protestou. E aqui protestar significa palavras, significa gestos, significa ir a correr na direção do árbitro. E o Richard Rios, penso que não terá sido pela falta, penso que terá sido mesmo pelo protesto, mas de qualquer maneira, são dois cartões amarelos. Eu digo sempre que são bem mostrados na perspectiva de que o árbitro que está lá é que sabe quais foram os protestos, as palavras e os gestos que foram feitos. Nós aqui, às vezes, em termos televisivos, apanhamos alguma coisa, não apanhamos tudo e por isso dou sempre como boa estas decisões.

Temos depois, Pedro, ao minuto 77, novo amarelo para outro homem do Arouca, Pablo Gosálbez.

Agarra também de forma evidente a camisola do Gianluca Prestianni, agarra duas vezes, agarra, larga, agarra, trava aquela progressão. O jogador do Benfica, o Prestianni, estava no corredor direito, já próximo da área, vem aquele lance em que ele faz a finta para dentro, sai da direita para o centro do terreno e é agarrado e travado, portanto cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois, Pedro, ao minuto 80, novo amarelo, desta feita também para um homem do Arouca, que foi o guarda-redes, Arubarena.

Sim, aqui é a reposição de bola. Mais uma vez as imagens não foram muito esclarecedoras, só depois é que tentamos, ou que tentei perceber o motivo. É um pontapé de baliza e portanto, sempre percebemos objetivamente, fico logo com a ideia que é por perda de tempo na reposição de bola no pontapé de baliza. Uma vez mais, as imagens estão focadas noutro sítio, depois quando passam para lá, percebe-se que o árbitro já tinha mostrado amarelo e como é um pontapé de baliza, é a tal perda de tempo.

Pedro, temos depois ao minuto 90+7, duas expulsões para Dedic e Teresa, que se pegaram depois do gol apontado por Ivanović.

E pode parecer estranho eu inserir isto na conduta violenta, porque na prática, não há uma agressão declarada no sentido de eu dar-te um murro e tu respondês, dás-me um pontapé ou uma coisa que o valha. Mas a maneira como eles se agarram não é aquela situação de agarrar normal, a maneira como eles se agarram e se puxam um para o outro, este comportamento em si, que é altamente irresponsável, acaba por ser inserido exatamente naquilo que é uma forma agressiva de eles estarem a agarrar-se. Portanto, este tipo de comportamento não pode ficar em claro com apenas um agarrão. Uma coisa é aquilo, encosta para lá a cabeça ou chega para lá, o empurrão, um agarrar momentâneo. Eles foram agarrados e agarraram-se de forma muito agressiva um em relação ao outro, mantiveram esse comportamento e isso leva depois a que haja inclusivamente aquele tumulto todo de vários jogadores e portanto, o árbitro não podia claramente deixá-los em campo e fez bem, no meu ponto de vista, em mostrar o cartão vermelho aos dois.

Temos depois, Pedro, ao minuto 90+9, amarelo para Pavlídis, foi mostrado.

Sim, exatamente. Passou também despercebido, é na molhada. E quando eu digo molhada, não estou a dizer que o árbitro tinha mostrado na molhada. É naquela sequência de todo aquele granel que houve. Repara, eu ponho aqui 90+7, que é quando se dá o momento do agarrão mútuo, porque na prática e na realidade, os vermelhos até são mostrados dois minutos depois, mas eu coloco sempre o tempo em que acontece a ação. Exatamente. E portanto, dentro deste contexto, porque o jogo não recomeçou logo, há também, provavelmente, palavras. Eu vou chamar de cumprimentito desportivo que leva o árbitro a mostrar ao Pavlídis cartão amarelo e que também não se percebe bem o motivo e a razão, mas terá sido ali no meio daquela confusão.

E Pedro, dá-me aqui uma ajuda. Ao minuto 90+11, temos aqui dois cartões amarelos, tenho a ideia, para Turbin, mas acho que também saiu para Prestianni, não sei se vais concordar.

Foi no 90+12, se calhar não coloquei. Pronto, então para ti é o Turbin, é 90+11 e 90+12. Razões diferentes. Noventa mais onze, o Turbin ainda estava aquele fumo todo lá no campo por causa da tal cadeira a arder e é um pontapé de baliza. A demora agora era o Benfica, obviamente, e percebe-se, está a ganhar. Foi depois do gol a fazer isso. E ao 90+12 é uma falta do Gianluca Prestianni sobre o Wespen junto à linha lateral. O Prestianni faz um género de take lateral quando o Wespen vai a tentar sair pelo seu corredor direito. Ou seja, isto é à saída da área, mas junto à linha lateral por parte da equipa do Arouca. Mas ficou também um cartão amarelo por mostrar ao Wespen, porque ele não pode fazer aquilo que fez. Aliás, aqui devia toda a gente levar amarelo. O Gianluca Prestianni por fazer o take sobre o Wespen, o Wespen que assim que sofre a falta, empurra e manda ao chão o Gianluca Prestianni e devia ter visto amarelo, e o árbitro também devia levar aqui cartão amarelo, porque o Prestianni está de costas para ele, de joelhos, portanto um joelho em terra e o outro a levantar-se, ainda não está de pé e o árbitro já está a mostrar-lhe o cartão amarelo. Não se mostram cartões amarelos a jogadores que estão de costas, muito menos a jogadores que ainda não estão em pé. E portanto, isto também mostra um bocadinho aqui algumas das concessões que eu não gostei neste jogo em relação ao árbitro.

Resta saber que nota merece José Bessa aqui com alguns lances em que falhou a decisão.

Sim, eu vou dar nota quatro, primeiro, porque vou dar nota negativa. Estive aqui hesitante entre o quatro e o cinco, porque mesmo falhando um pênalti, neste caso a favor do Benfica, com o Benfica que acabou por ganhar o jogo, digamos que perdeu um bocadinho aquela importância. Importância é sempre importante, mas perder aquela importância naquilo que era o resultado. Porque uma coisa é uma equipa ser prejudicada num pênalti, mas mesmo assim ganhar o jogo ou empatar e fazia a diferença. Mas depois eu não gostei em alguns pormenores, que se calhar para a maior parte das pessoas não é muito relevante e importante, mas como árbitro não gostei. Não gostei da gestão disciplinar, de uma maneira geral, da falha de um pênalti, obviamente, na minha opinião, de um pênalti que é bem assinalado, mas é o VAR, portanto o árbitro não consegue. E depois houve vários cantos e pontapés de baliza trocados. E depois houve um estar longe das jogadas. Eu tenho aqui alguns lances que fiz recortes, até por questões didáticas, por causa das formações também que dou, em que as bolas estavam a ser disputadas à entrada da área e não se vê o árbitro na televisão, portanto significa que está completamente fora do enquadramento. Há lá lance, por exemplo, na primeira parte, que é um canto guarda-redes do Arouca, defende claramente a bola para canto. O árbitro está colocado a meio da área e não corre, não se movimenta, não faz a sua diagonal para fora, enfim, mal colocado. Fisicamente, jovens têm que ter disponibilidade física para correr muito mais, correu sempre à mesma velocidade e isto faz toda a diferença. Ali há situações de protestos de jogadas, em que os jogadores protestam com ele decisões, que o árbitro até tem razão, porque ele vem longe. Porque se ele estivesse em cima das jogadas e próximo dos jogadores, isso é logo meio caminho andado para teres autoridade moral, mesmo quando às vezes estás a decidir mal. E portanto, não gostei da maneira como o árbitro esteve no jogo, de uma maneira geral. E obviamente que o pênalti é, para mim, o pênalti com o mérito do VAR e o outro pênalti que fica por assinalar são claramente os casos mais relevantes. E por isso é que vou dar nota negativa 4, porque neste contexto não gostei da arbitragem hoje do José Bessa.

Pedro Henriques, está dada a nota. José Bessa, nota 4, nota negativa na vitória sofrida do Benfica em Arouca por duas bolas, uma a contar para esta 26ª jornada. Temos também amanhã um Fupaco do Porto-Brirense com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques, nunca falta. Um abraço.

Um abraço e amanhã.