Acompanhe aqui o nosso artigo em direto sobre a saída de Ronaldo da Seleção
Fechou-se um ciclo esta quinta-feira. Depois de 23 anos com a camisola das quinas ao peito, Cristiano Ronaldo anunciou a saída da Seleção Nacional de futebol, na qual se consagrou, ao longo dos anos, como o melhor marcador de sempre e o jogador que mais vezes envergou as cores de Portugal: foram 164 golos em 268 jogos, um registo impressionante que destrona também qualquer outro jogador no futebol de seleções.
Num vídeo carregado de emoção, publicado nas redes sociais, o jogador de 41 anos confirmou que não vai voltar a ser internacional por Portugal, sublinhando ter tido “o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de defender e de levar” com ele a camisola de Portugal pelos “estádios no mundo inteiro”.
Recordando as vitórias e as derrotas que marcaram o seu longo percurso ao serviço da Seleção Nacional que nunca deixou de “sentir orgulho por representar Portugal” e colocou a seleção no lugar mais elevado da carreira. “Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por estes 23 anos”, disse o jogador. “Portugal estará sempre em mim”, garantiu.
As mais de duas décadas em que Ronaldo representou as cores de Portugal ficaram marcadas por momentos que ficarão inscritos na história, como o hat-trick à Suécia, em Solna — que garantiu a Portugal a presença no Mundial do Brasil, em 2014 — ou a noite de glória em Paris, onde CR7 levantou o troféu do Campeonato da Europa.
Estreia por Portugal (20 de agosto de 2003)
Foi em Chaves, no coração transmontano, que a jovem promessa Cristiano Ronaldo, então com 18 anos, se estreou com a camisola de Portugal. Lançado por Luís Filipe Scolari, Ronaldo começou a partida no banco frente ao Cazaquistão (num jogo particular), e entrou no início da segunda parte, aos 46 minutos, para substituir Luís Figo.
Portugal venceu a partida por 1-0, com um golo de Simão Sabrosa, mas o olhar da crítica desportiva concentrou-se sobretudo na qualidade técnica e na velocidade de Ronaldo, que foi distinguido como o melhor em campo. Uma semana depois, o Sporting anunciava a transferência de Cristiano Ronaldo para o Manchester United, campeão inglês em título. Começava aí o início de uma carreira internacional ímpar.
Primeiro golo por Portugal (12 de junho de 2004)
Nem um ano depois da estreia, Cristiano Ronaldo estreava-se a marcar com a camisola das quinas e logo num jogo especial para o país: o primeiro da seleção no Europeu de 2004, realizado em Portugal.
Na estreia, Portugal receberia aquele que viria a ser o seu carrasco na competição, a Grécia. No jogo, que terminou com uma derrota da formação liderada por Scolari por 1-2, Ronaldo entrou em campo no início da segunda parte (substituindo Simão Sabrosa) e marcou de cabeça nos descontos (aos 90+3′), na sequência de um canto batido por Luís Figo. Um golo que não foi, no entanto, suficiente para evitar a vitória dos gregos, que se viria a repetir na final, também no estádio da Luz.
Primeiro golo num Mundial (17 de junho de 2006)
Se Ronaldo marcou logo na estreia em fases finais de Europeus, precisou apenas de dois jogos para marcar também em Mundiais: foi a 17 de junho de 2006, num jogo em Frankfurt (no Mundial da Alemanha) diante do Irão.
A partida (a segunda da fase de grupos) haveria de terminar com a vitória de Portugal por 2-0. Aos 80 minutos, após uma falta sofrida por Figo dentro da área, o jovem Ronaldo — então com 21 anos — assumiu a responsabilidade de bater o penálti. Depois de respirar fundo, Ronaldo bateu a bola em força para o ângulo da baliza, de forma indefensável para o guarda-redes Ebrahim Mirzapour, confirmando o apuramento dos ‘heróis do mar’ para a fase a eliminar da competição.
100.ª internacionalização (16 de outubro de 2012)
Nove anos depois da estreia em Chaves, Ronaldo atingiria a 100.ª internacionalização pela Seleção num jogo diante da Irlanda do Norte, em outubro de 2012, a contar para qualificação para o Mundial de 2014. Antes do início do encontro, Cristiano Ronaldo (que, à data, já representava o Real Madrid) recebeu no relvado do estádio do Dragão uma distinção especial da UEFA (uma placa e uma medalha comemorativa) para assinalar a marca histórica.
Com 27 anos, CR7 tornou-se, assim, o terceiro futebolista português a atingir as 100 internacionalizações (após Luís Figo e Fernando Couto) e um dos mais jovens jogadores de sempre a alcançar tal feito. O jogo com a Irlanda do Norte acabaria por ficar empatado a uma bola, num dos vários percalços que complicaram a qualificação de Portugal para o Mundial do Brasil.
Primeiro hat-trick (6 de setembro de 2013)
Ao 107.º jogo, o primeiro hat-trick de Ronaldo ao serviço da Seleção. Aconteceu em setembro de 2013, também contra a Irlanda do Norte, mas em Belfast, numa partida que a equipa das quinas, então liderada por Paulo Bento, viria a vencer por 4-2. Contudo, a marcha do marcador denota as dificuldades que Portugal sentiu nesse jogo.
Numa partida intensa e turbulenta — marcada por três cartões vermelhos — Portugal estava a perder por 2-1 no início da segunda parte, antes de Ronaldo aparecer para resolver: marcou duas vezes de cabeça, aos 68′ e aos 77′, operando a reviravolta no marcador. E acabou com qualquer dúvida que pudesse restar quanto ao vencedor quando, aos 83′, cobrou de forma exemplar um livre à entrada da área.
Com esses três golos, Ronaldo ultrapassa Eusébio, chegando aos 43 remates certeiros ao serviço da Seleção.
Hat-trick frente à Suécia (19 de novembro de 2013)
Depois de ter resolvido o jogo na Irlanda do Norte (que não foi, contudo, suficiente para Portugal se apurar diretamente para o Mundial de 2014, devido a um empate registado na ronda seguinte contra Israel), Ronaldo voltou a ser decisivo no play-off de apuramento diante da Suécia. A Seleção ganhou o primeiro jogo em casa, por 1-0, mas sentiu muitas dificuldades na Escandinávia.
Em Solna, numa noite gélida, Portugal até começou bem com um golo de Ronaldo mas ‘congelou’ a meio da segunda parte, quando Zlatan Ibrahimović (a grande estrela dos suecos) marcou dois golos em quatro minutos, virando o marcador e empatando a eliminatória.
Foi nessa altura, quando Portugal mais precisava, que CR7 emergiu para selar o apuramento. Aos 77′, Ronaldo, lançado em contra-ataque, empatou o jogo, colocando Portugal de novo no comando da eliminatória. Dois minutos depois, aos 79′, ultrapassou o guarda-redes sueco e marcou o 3-2, dando a vitória a Portugal, num jogo épico.
Final do Europeu de França (10 de julho de 2016)
Depois de um Mundial do Brasil em que Portugal se ficou pela fase de grupos (um desempenho que acabaria por levar à saída de Paulo Bento e à contratação de Fernando Santos), a Seleção acabaria por se sagrar campeã da Europa em França, o momento mais alto da história do futebol nacional.
No jogo decisivo em Paris, no Stade de France, não começaria bem para Portugal, com Cristiano Ronaldo a sair de maca, lesionado no joelho, aos 25 minutos de jogo. Visivelmente frustrado e a chorar, ficará para a história o momento em que uma mariposa pousou na cara do capitão português.
A partida prosseguiu, com a Seleção a contar com a inspiração de Rui Patrício na baliza e com um eixo defensivo irrepreensivelmente coordenado por Pepe para levar o jogo empatado a zero para o prolongamento. Aí emergiu o herói improvável, Éder, que num remate de longe fez o 1-0 com que terminou o jogo. Ronaldo chorou de alegria (12 anos depois de ter chorado de tristeza na final do Europeu de 2004) e levantou a taça em pleno Stade de France.
Primeiro póker (7 de outubro de 2016)
Ao 134.º jogo pela Seleção, chegou o primeiro póker de Ronaldo, diante da frágil Andorra. CR7 marcou aos 2′, 4′, 47′ e 68′ minutos, numa goleada de 6-0 em Aveiro, no início da qualificação para o Mundial da Rússia.
Cristiano Ronaldo viria a marcar ainda um outro póker pela Seleção, em setembro de 2019, diante da Lituânia.
Hat-trick frente à Espanha (15 de junho de 2018)
O jogo de Portugal diante da Espanha em Sochi, no campeonato do Mundo da Rússia, marcaria a queda de mais um recorde. O hat-trick que Ronaldo assinou nesse jogo torná-lo-ia, aos 33 anos e 130 dias, no jogador mais velho da história da competição a marcar três golos num só jogo.
Numa partida emocionante, e bem jogada do início ao fim, Portugal marcou de penálti, através de Ronaldo, logo aos 4 minutos. Espanha empatou de seguida mas ainda na primeira parte o capitão de Portugal voltaria a bater De Gea, fazendo o 2-1. No início do segundo tempo, os espanhóis deram a volta ao jogo, mas ainda não estava contada toda a história: aos 88 minutos, Ronaldo marcou um livre direto de forma exímia, empatando a partida.
Final da Liga das Nações (9 de junho de 2019)
Três anos depois do Europeu, Ronaldo conquistava o seu segundo troféu ao serviço da Seleção: a Liga das Nações, uma competição então recém-criada pela UEFA. No estádio do Dragão, Portugal acabaria por vencer os Países Baixos na final, graças a um golo solitário de Gonçalo Guedes.
No entanto, o apuramento para o jogo decisivo não teria sido possível sem o contributo de CR7, que, no jogo das meias-finais, marcou um hat-trick na vitória por 3-1 da equipa de Fernando Santos diante da Suíça.
Golo 100 na Seleção (8 de setembro de 2020)
Quis o destino que o golo 100 de Ronaldo pela Seleção fosse marcado num estádio vazio, na Suécia, em plena pandemia de Covid-19. Portugal jogava uma partida da Liga das Nações, disputada num ritmo morno, quando CR7 deu um pontapé na monotonia, na cobrança de um livre.
A bola entrou no ângulo da baliza do guarda-redes Robin Olsen, que não teve qualquer hipótese de defesa. Na mesma partida, Ronaldo acabou por marcar também o seu 101.º golo na Seleção com outro grande remate de fora da área aos 72 minutos, selando a vitória de Portugal por 2-0.
Melhor marcador de sempre de seleções nacionais (1 de setembro de 2021)
Se Ronaldo ainda procura a marca histórica dos mil golos por clubes, o recorde de melhor marcador de uma seleção de futebol a nível mundial foi quebrado há muito, mais concretamente a 1 de setembro de 2021. No início, até parecia que aquele Portugal-Irlanda não seria a noite de Ronaldo (que falhou um penálti aos 15 minutos) mas foi pura ilusão.
CR7 marcou os dois golos de Portugal aos 89′ e aos 90+6′, numa reviravolta conseguida nos últimos minutos no estádio do Algarve (quando Portugal perdia por 0-1 com os irlandeses). Dessa forma, o capitão da Seleção nacional chegava aos 111 golos pela equipa das quinas, deixando para trás o lendário avançado iraniano Ali Daei, então recordista, com 109 golos.