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Começa aqui mais um Sem Falta, como sempre, com o antigo árbitro internacional Pedro Henriques, para analisarmos os principais lances de arbitragem dos jogos dos três grandes. Pedro, boa noite.
Boa noite.
Está conosco aqui em estúdio hoje. Hoje dose dupla. Vamos começar por analisar o Benfica-Gil Vicente e vamos começar logo ao minuto oito. Antes de mais, deixe-me dizer a equipe de arbitragem. O árbitro da partida foi Artur Soares Dias, os assistentes foram Rui Licínio e Paulo Soares, o quarto árbitro foi João Malheiro Pinto, no VAR esteve Hugo Miguel e no assistente de vídeo-árbitro esteve Bruno Jesus. Vamos então começar a análise dos principais lances de arbitragem. Começamos logo ao minuto oito, talvez o lance mais polêmico de toda a partida. Que análise é que podemos fazer deste lance?
Este é mesmo o caso de jogo, o lance mais polêmico, realmente, do jogo. É um pontapé livre marcado no corredor direito pelo Grimaldo. O Otamendi apressa-se a fazer gol, só que o árbitro anula, isto é, antes da bola entrar na baliza, apitou, anula por uma suposta falta atacante do Vertonghen sobre o jogador do Gil Vicente, o Ferrugem. Só que quando nós vemos as repetições, percebemos claramente que não há qualquer infração, é o próprio jogador do Gil Vicente, o Ferrugem, que vai ao encontro e contra o jogador do Benfica, que tinha inclusivamente a posição ganha. Portanto, não há qualquer agarrão, empurrão, não há nenhuma infração de Vertonghen. Para além deste erro, que poderia eventualmente ser revertido pelo vídeo-árbitro, há a questão suplementar: é que o árbitro apitou antes da bola entrar na baliza e conforme nas leis está bem escrito, a partir do momento que o árbitro apita, interrompe o jogo e nada tecnicamente pode acontecer depois disso. E, portanto, aqui invalidou a possibilidade do vídeo-árbitro fazer o seu papel, que era reverter este lance. E assim sendo, digamos que é um erro que tem esta dupla gravidade. Por um lado, o erro propriamente dito, de anular o gol, e depois a outra questão que é, digamos que não respeitou, por assim dizer, aquilo que está protocolado, que é nestas situações de finalização, deixar que a jogada finalize e depois tem tempo de interromper. E, portanto, o lance que marca efetivamente este jogo.
E que também foi alvo de críticas na conferência de imprensa por parte do treinador do Benfica, Nelson Veríssimo, e também, horas depois do jogo, pelo presidente do Benfica, Rui Costa. Passamos para o minuto 22, o árbitro assinalou fora de jogo Gonçalo Ramos. Bem assinalado?
Sim, bem assinalado, até porque o árbitro assistente sabia que havia fora de jogo, estava sinalizado, deixou o lance ir até o fim. Depois o Andrew, guarda-redes do Gil Vicente, saiu-se e fez penalti sobre Gonçalo Ramos, o assistente levantou a bandeirola e obviamente, confirmando-se o fora de jogo através do VAR, anulou aquilo que poderia ser o eventual penalti. Se porventura o assistente tivesse errado, haveria tempo, porque a interrupção foi feita depois da falta, para reverter esse fora de jogo e transformar isso em penalti. De qualquer maneira, boa decisão da equipe de arbitragem, fora de jogo bem assinalado a Gonçalo Ramos.
Passamos para o minuto 26, Navarro viu o cartão amarelo. Boa decisão?
Sim, aqui é uma boa decisão, é uma entrada chamada fora de tempo. Acaba por acertar no pé do seu adversário e o cartão amarelo por esta entrada negligente fora do tempo, correta a decisão em termos disciplinares.
Pouco depois, ao minuto 30, foi Otamendi do Benfica a ver cartão amarelo. Mais uma boa decisão por parte da equipe de arbitragem?
Sim, é uma falta atacante, é na área do Gil Vicente, em que o Otamendi levanta demasiado o pé e acaba por dar um pontapé nas costas do Aburjania e, portanto, o cartão amarelo impõe-se exatamente por esta entrada negligente. Quando eu falo negligente, é aquele texto que muitas vezes falo, que é não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato, portanto, digamos, faz uma abordagem que poderia ter evitado, e por isso o cartão amarelo bem mostrado.
Muitos cartões amarelos nesta altura do jogo. Ao minuto 40, foi Diogo Gonçalves a ver cartão amarelo.
Sim, aqui porque fez uma outra coisa, foi uma rasteira, arrastrou o adversário e cortou uma jogada de perigo. Portanto, dá depois origem a um pontapé livre já próximo da área. Aqui não é tanto pela falta, mas é sobretudo por aquilo que tem como consequência, que é o chamado corte de ataque promissor. Cartão amarelo bem mostrado.
Passamos para a segunda parte da partida, minuto 53, João Mário viu mais um cartão amarelo. Bem mostrado?
Sim. Estás a falar do minuto, desculpa?
53.
Ok, então deixa-me passar aqui a folhinha. Minuto 53.
Aqueles apontamentos.
Exatamente. Minuto 53, o amarelo ao João Mário. O João Mário tinha entrado e num espaço muito curto fez três faltas. À segunda, o árbitro tinha avisado, também comentada fora do tempo. À terceira, foi praticamente um minuto a seguir, à segunda mostrou-lhe o cartão amarelo. Ele fez o gesto, foi por infringir com persistência as leis de jogo, ou seja, num espaço curto, cometeu várias faltas. Todas elas, se calhar, individualmente, não dariam pra cartão amarelo, mas pela persistência, cartão amarelo bem mostrado.
Depois, ao minuto 68, foi Zé Carlos a ver mais um cartão amarelo. Boa decisão?
É assim, eu tenho que dar como boa decisão. É um lançamento de linha lateral e o árbitro, que já tinha curiosamente avisado o guarda-redes, e depois mais a seguir vai adverti-lo no lance a seguir, por perda de tempo. Aqui, curiosamente, faz a mostragem do cartão amarelo por perda de tempo num lançamento de lateral. Não é muito normal, mas dado o enquadramento, o Gil está a ganhar, demorou a fazer o lançamento, tem que aceitar este cartão amarelo.
E para fechar esta ronda de muitos cartões amarelos, foi Andrew a ver cartolina amarela ao minuto 74.
Guarda-redes na reposição de um pontapé de baliza, portanto, o árbitro já o tinha avisado no final da primeira parte e aqui mostrou o cartão amarelo exatamente por isso, por perda de tempo.
Vamos ao último lance da partida, minuto 82. Creio que aqui o Benfica ainda perdia por dois a zero. Há ou não penalti de Rúben Fernandes sobre Henrique Araújo, que se estreou?
Não, lance legal. É um movimento de rotação do Henrique Araújo na área, mas é ele que provoca o contacto no Rúben Fernandes. Portanto, não é rasteirada, não é puxada, nem empurrado. Portanto, boa decisão da equipe de arbitragem, não houve motivo para pontapé de penalti.
Analisados os principais lances da equipe de arbitragem, resta-nos dar uma nota, como sempre, Pedro Henriques, de zero a 10, que nota merece esta equipe de arbitragem do Benfica-Gil Vicente, liderada por Artur Soares Dias?
Com base naquele erro, que realmente é o caso de jogo, e ainda por cima um erro que penaliza a equipe que perde o jogo, naturalmente, nota negativa, nota quatro, porque Artur Soares Dias, com a experiência e cunhó que tem, não pode cometer, já não digo o erro de assinar a falta, que isso quem anda dentro erra muitas vezes em situações dessas, mas é sobretudo não ter esperado. Hoje, com o vídeo-árbitro, não há necessidade de sair-se de um jogo com um erro tão grave como este, que poderia ter sido revertido.
Nota negativa, nota quatro para a equipe de arbitragem liderada por Artur Soares Dias. Fica feita a análise aos lances de arbitragem e também à prestação da equipe liderada pelo árbitro português. Termina aqui este Sem Falta Benfica-Gil Vicente. Já de seguida analisamos os principais lances da B SAD-Sporting.