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Sem Falta, da Rádio Observador. 30ª jornada e o FC Porto recebeu e bateu em casa a equipa do Tondela por duas bolas a zero, num jogo em que a arbitragem foi de Cláudio Pereira, liderou a equipa de arbitragem deste jogo e resta saber, Pedro Henriques, se esteve bem e vamos começar pelos lances desse encontro. 30ª jornada, o Porto também fica bem perto de se tornar campeão, mas isso também são contas para outros rosários. Vamos aos lances, Pedro.

Ok, então vamos lá. Julgava que íamos ter publicidade, não tem publicidade, vamos avançar.

Não, vamos.

Ok, vamos lá avançar. Grande parte dos lances ou pelo menos os dois mais importantes da primeira parte, o minuto 12, em que o VAR tem uma decisão perfeita e excelente, porque reverte um pontapé de penalty mal assinado pelo árbitro. Ou seja, após o cruzamento do esférico por parte do Frahol, a bola vai ao braço direito do Brian Medina, que o tinha dobrado junto ao corpo em posição natural e sem voluntariedade. O árbitro considerou, e olha que eu na primeira repetição, vista por trás da baliza, parecia-me que o braço estava mesmo para a frente, depois a repetição de lado e sobretudo, uma vez mais, mais do que a transmissão, a do vídeo-árbitro foi bastante boa e portanto bem revertido porque não houve motivo para pontapé de penalty. Depois ao minuto 18, um lance também importante em que o Chior é corretamente advertido por cortar uma jogada perigosa, chamado ataque prometedor, com a mão direita agarra e puxa o ombro esquerdo do Pedro Maranhão, já aproximado dos dragões. O Bendtner, como vem por dentro e na dobra, tem hipótese ainda de chegar àquela jogada, pelo menos sempre no plano teórico, que a gente faz é parar as imagens para ver onde é que está a possibilidade de outros defensores intervenirem. Isto por quê? Porque os jogadores do Tondela ainda pediram cartão vermelho, por considerarem que o Pedro Maranhão ia isolado. Ele está completamente descaído para o lado direito e por dentro, e até mais próximo da baliza, veio o Bendtner. E os quatro fatores que estão na clara penálti gol, é se o jogador que sofre a falta vai na direção da baliza, ia, se a distância é curta, era, já estava entrada à área, se tinha a bola dominada, completamente. E o quarto fator, e têm que acontecer os quatro fatores, e neste caso aqui decisivo para não ser cartão vermelho, é qual é a posição dos defensores da equipa que faz a falta. Isto para dizer o quê? Se algum deles pode intervir no lance. E para a lei correm todos à mesma velocidade, não ajuda os mais rápidos. E quando paramos a imagem, percebemos que o Bendtner vem por dentro e pode ainda cortar esse caminho e disputar a bola. E é por isso que para mim, bem sob o ponto de vista de ser apenas, para além do livre direto, o cartão amarelo e não o cartão vermelho. Depois ao minuto 20, isto é, na sequência deste lance livre, em que há ali um certo granel, há uma reunião de condomínio e vejo o árbitro a puxar do cartão amarelo para o guarda-redes Diogo Costa. Sabemos que o Diogo Costa é capitão, muitas vezes delega em jogadores de campo, como é o caso do Alan Varela, essa posição, mas não deixa de ser capitão. O Diogo Costa foi ali, só se vê o árbitro a mostrar-lhe o cartão amarelo e ele, chateado, a sair de lá. Não sei se foi protestar com o árbitro, se foi protestar com algum jogador que estava a pedir cartão vermelho. O fato é que o árbitro mostrou o cartão amarelo e fico aqui na dúvida do motivo, da razão principal, mas ele viu o cartão amarelo, temos que assinar. Minuto 35. Uma falta tática, cartão amarelo bem mostrado a Rodrigo Mora. Vem por trás, empurra e carrega o Rony Lopes com o propósito de parar aquela saída de transição, cortou o contra-ataque e por isso livre direto e sanção disciplinar correta, o respectivo cartão amarelo. Depois ao minuto 37, outro lance muito importante do jogo, porque é o pontapé de penalty. O árbitro começa por assinar livre direto a favor do Porto, portanto considera que a infração é fora e qual a infração? Porque ele percebe, e vê-se bem, que o Ódyss acaba por encetar a bola com o braço direito. Para o árbitro, foi fora da área, só que o VAR reverte bem o penalty, porque depois com a imagem lateral e há uma imagem da câmera fora do jogo que é perfeita, percebe-se que o braço está dentro da área. E isto é importante dizer, porque as pessoas às vezes têm dúvida, não conta onde é que o jogador tem os pés, os apoios. O que conta é: a bola bateu no braço, onde é que está o braço, parar a imagem, projetar para o solo e é nessa projeção para o solo que vamos dizer se é dentro ou fora da área. E esta é outra situação também muito interessante de realçar da lei, que tem a ver com o protocolo vídeo-árbitro, ou seja, nas leis de jogo há um capítulo que é protocolo VAR, e na página 152 explica que para as decisões factuais, como por exemplo, o local de infração, se é dentro ou fora da área de penalty, basta a revisão do VAR, ou seja, não é preciso que o árbitro vá ao monitor ver a jogada. Isto é, o árbitro assinou fora da área, livre direto. O VAR viu, perante a imagem, que é dentro. Não é preciso o árbitro, se é factual, se é fora, se é dentro. O árbitro não tem que ir ao monitor, aceita a informação e automaticamente assinou o pontapé de penalty e foi claramente uma boa decisão. Depois ao minuto 39, que é no fundo a defesa do penalty, quando o pontapé de penalty é batido pelo Alan Varela, o Bernardo, o guarda-redes do Tondela, que defendeu o castigo máximo, um pouco à semelhança daquilo que dissemos do Trubinha, tinha os apoios de acordo com a lei. Neste caso, o pé direito para a frente e o pé esquerdo, neste caso concreto, estava sobre a linha de baliza. Eu repito, quando um pé vai para frente, o outro pode estar ou a pisar a linha, ou no enfcimento da linha, ou até para dentro da baliza. Neste caso, estava sobre a linha de baliza e tudo certo relativamente a esta defesa. E ainda na primeira parte, o último lance, 45 mais três, é o cartão amarelo ao José Foutos, porque com o pé direito pontapeia o pé direito do PP, uma entrada fora de tempo, negligente, durinha e, portanto, bem sancionada com o respectivo cartão amarelo.Posto isto, se permitires, vamos já para a segunda parte.

Vamos logo para a segunda parte e acredito que também não tenha sido muito trabalho.

Não, exatamente. Pouco trabalho aqui. Minuto 50, o Cristian Marques agarrou e puxou por trás o Dennis Goul, quando a bola foi passar em profundidade. Comportamento antidesportivo, bem sancionado com cartão amarelo. Ao minuto 80, o Sitol é advertido também com cartão amarelo por uma falta tática, vem por trás e carrega de forma incorreta o Dennis Goul, quando este até já ia em velocidade na direção da área da equipa do Tondela. Digamos que é uma falta tática, ao mesmo tempo corta uma jogada já de perigo, um ataque prometedor. Ao minuto 85, cartão amarelo Alberto Costa, há um pontapé de baliza, ele coloca a bola para o pontapé de baliza e depois dá um pontapé da bola lateralmente. O árbitro mostra-lhe o cartão amarelo porque acha que o Alberto Costa aqui a demorar tempo e, portanto, nada a dizer em relação a esta decisão. Depois ao minuto 90, mais dois amarelos, Gabriel Veiga e Hugo Félix. Depois de um momento de maior tensão entre os dois, eles trocaram palavras, empurrões, e o árbitro acaba por mostrar cartão amarelo.

De resto, dois apelidos conhecidos do futebol português, Félix e Conceição, não é?

Exatamente.

Relacionados com João Félix e certamente também com José Conceição.

E depois ao minuto 90 mais três, o amarelo mostrado ao Rodrigo Conceição, porque este vem por trás e com o pé esquerdo pisa o pé/calcanhar esquerdo do Heleno Gomes. Uma entrada dura, negligente, bem sancionada disciplinarmente. E foi isto, basicamente, o jogo.

Resta saber que nota merece Cláudio Pereira neste Porto 2 Tondela 0.

Eu vou dar seis, porque eu vou repetindo sempre isto, que sempre que há uma intervenção do VAR que acaba por decidir bem, claro que isso faz parte da equipa de arbitragem, mas dou sempre uma maior valorização quando é o árbitro que decide tudo. E neste caso concreto, foram dois lances que pela parte do árbitro ia ser uma prestação mal conseguida, se não fosse o vídeo-árbitro. E hoje é caso para dizer, o VAR resolveu e foi claramente decisivo, porque o árbitro começa por dar um penalti que não é e o VAR anula, e depois a seguir o árbitro dá livre direto e vem o VAR e diz: "Olha, é mesmo dentro da área e é penalti". E portanto, digamos que estes dois momentos, que seriam dois erros graves, acabam por ser revertidos por parte do vídeo-árbitro. E depois, uma coisa que não gostei, repara, 10 amarelos num jogo com apenas 23 faltas. Parece que uma coisa não casa com a outra. Claro que quando dois jogadores se empurram, etc., não tem a ver com faltas, mas o número de faltas não casa muitas vezes com esta questão de tantos cartões amarelos. O que revela aqui por parte do Cláudio Pereira alguma dificuldade que eu acho que ele ainda tem em impor as decisões, ou seja, sem ser sempre contestado. Falta aqui uma certa imposição em relação aos jogadores de forma mais assertiva para que eles, concordando ou não concordando, possam aceitar melhor a decisão sem depois surgirem tantas situações, às vezes, de cartão amarelo. De qualquer maneira, nota positiva, nota 6. Não foi o árbitro, mas foi o VAR que acabou por resolver dois lances muito relevantes e importantes e por isso nota positiva.

Nota positiva para Cláudio Pereira, nota 6 para a equipa de arbitragem, mas na verdade nota construída lá no salão do VAR, como nos disse aqui o Pedro Henriques. Pedro Henriques, vamos estar de regresso com toda a certeza na próxima quarta-feira para analisar o jogo e sem a falta. E vamos contando também contigo em sede de O Campeão Eco. Notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto, sempre aqui na antena da Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço, obrigado.