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Vamos olhar para o jogo entre o Benfica e o Santa Clara e também o Moreirense Futebol Clube do Porto. Começamos precisamente por este último jogo. Os Dragões empataram esta noite a uma bola frente ao Moreirense, em Moreira de Cónegos, num jogo com muitos lances polêmicos. Já lá vamos. A equipa de arbitragem desta partida foi liderada por Hugo Miguel e vamos já de seguida a essa análise dos principais lances com o antigo árbitro Pedro Henriques. Boa noite, Pedro.

Muito boa noite.

Começamos pelo minuto sete da partida. Pergunto, antes de mais, se há penalti de Abdullai.

Neste primeiro lance, não há penalti. A dúvida era se o jogador do Moreirense tinha tocado a bola com o braço, porque ele ao saltar, em disputa de bola com o Marega, esticou completamente o braço esquerdo na sua impulsão, mas colocou o braço numa posição que não era normal para o efeito. Isso, no caso, teríamos perante uma situação de pontapé de penalti. Com as várias repetições, embora não sejam completamente claras, fico com a ideia que não tocou e, portanto, aqui, claro, benefício da dúvida para a boa decisão da equipa de arbitragem, porque para se assinalar um pontapé de penalti, nesta circunstância, tinha que ser a certeza e não há nenhuma imagem que o prove. Portanto, boa decisão, não há penalti.

Avançamos até ao minuto 10. Marega toca no peito de Conté e o jogador caiu ao chão agarrado à cara. Que análise é que merece este lance, Pedro Henriques?

É só porque, em termos pedagógicos, gosto de falar destes lances, porque estão a acontecer várias vezes os jogadores a tentarem ludibriar o próprio jogo e, naturalmente, o árbitro, que muitas vezes depois é induzido em erro e até em ações disciplinares. Portanto, não faz sentido um jogador levar um toque no peito e depois cair no chão agarrado completamente ao rosto. Não levou nenhum toque, portanto, é só pelo aspecto didático e pedagógico que vou chamando sempre a atenção destes lances, para insistirmos com estes comportamentos que devem ser erradicados.

Pedagogia também aqui no "Sem Falta". Avançamos até ao minuto 29 desta partida em Moreira de Cónegos. Corona cai na área, num lance em que o mexicano fica a olhar para o relevado e também para a chuteira quando cai. Há aqui penalti de Fábio Pacheco ou não?

Não, não há. A minha dúvida era se o Fábio Pacheco tinha agarrado, puxado ou impedido, de alguma forma, o Corona. Não, mas o Corona cai porque escorrega. E vê-se isso de forma clara e, portanto, boa decisão, não havia motivo para pontapé de penalti.

Já ao minuto 45, ainda antes na primeira parte, há um lance de Abdullai com Pepe. Há aqui penalti do jogador do Moreirense sobre o central do Porto?

Sim, para mim sim. De forma clara, em termos de visão de imagem de televisão, não em jogo jogado, porque é um lance muito difícil de análise, mas depois é muito claro que o Pepe antecipa-se e o que acontece é que o Abdullai acaba por pontapear claramente com o seu pé direito, com a biqueira do seu pé direito, acerta em cheio acima do tornozelo, ali na zona do gémeo do Pepe, que acaba por cair no chão. Portanto, há uma consequência deste pontapé, desta biqueirada, peço desculpa pela expressão, mas é aquilo que se vê, que é a queda do jogador e há uma reação muito natural do Pepe, que quando cai, vai diretamente com a mão ao sítio onde foi pontapeado. Ora, se fosse uma situação daquelas em que o toque fosse menor ou que realmente não tivesse qualquer consequência, muitas vezes os jogadores nem faziam isso. Aquilo foi tão natural que ele colocou logo a mão no sítio onde realmente levou em cheio o pé. Este é um lance de televisão, como eu costumo dizer, e lance de televisão significa um lance de VAR. Eu sei que os vídeo-árbitros vão-se sempre defender na circunstância, deixar que o toque não é suficiente, que não é claro e óbvio, que têm inclusive indicações internas por parte do Conselho de Arbitragem e do próprio David Elleray, que está a ajudar em Portugal nestas questões de vídeo-árbitro, a não se intrometerem nestas ditas pequenas infrações, mas isto não faz nenhum sentido, porque na realidade o que conta é que há penalti. E se há penalti, e difícil de análise para o árbitro, porque ele também em jogo jogado não conseguiria assinalar esta infração, tem que ser o VAR a intervir.

Muito bem, avançamos até ao minuto 59. Pepe vê amarelo num lance em que corta um cruzamento de Abdu Conté no chão com o braço. É um cartão bem mostrado, este?

Sim, porque eu sei que o Pepe fica um bocadinho incrédulo porque acha que o toque é meramente acidental. Mas um jogador quando entra em efeito deslizante e portanto vai assumir uma posição ao nível do chão, oferecendo o corpo para tentar interceptar a bola, não pode tocar nunca a bola com o braço. Se o tocar, teria que ser numa situação em que o braço estivesse na vertical para apoiar no chão. Só que ele não está na vertical, ele está com o braço completamente aberto, porque vai a deslizar. E então isto chama-se, em linguagem do International Board, make the body bigger, tornar o corpo maior, ganhar com isto uma amplitude fora do normal, interceptando uma bola, portanto livre direto e depois aqui o cartão amarelo, porque é uma jogada de perigo à entrada da área e, portanto, tanto a parte técnica como disciplinar, bem nesta decisão.

Boa decisão por parte da equipa de arbitragem. Vamos a mais um cartão amarelo, neste caso ao minuto 70, mostrado a Fábio Vieira, ele que faz falta e acaba por bater com a bola como protesto. É um cartão bem mostrado?

Exatamente. É exatamente como tu descreveste bem, manda a bola contra o chão. Se ficasse só pelo protesto verbal, na perspectiva de discordar da ação, provavelmente o árbitro, ou neste caso da infração, o árbitro não faria nada em termos disciplinares, falaria com ele também. Ao mandar a bola contra o chão, é um gesto que se torna público, de protesto, e portanto aqui não há nada a fazer. Cartão amarelo bem mostrado.

Cinco minutos depois, Pedro Henriques, ao minuto 75 da partida, há mais um amarelo, desta vez para Uribe. O jogador dos azuis e brancos mereceu este cartão amarelo ou não?

Sim, é uma situação em que ele rasteira o seu adversário à entrada da área. Até a dúvida no lance era se era um ataque promissor ou já uma clara oportunidade de gol. Mas não, estava descaído para a esquerda, ainda havia o defesa do Porto que lhe intervir e, portanto, livre direto e cartão amarelo bem mostrado.

Já o minuto 81 deste jogo, que opôs o Moreirense e o Futebol Clube do Porto, ficou um penalti por assinalar para o Futebol Clube do Porto sobre Francisco Conceição?

Nós temos aqui vários lances. Estás a referir ao minuto 80, certo?

Certo.

É para isso que chamaste?

Certo. Envolve Francisco Conceição.

Exatamente. Nós temos, no espaço de um minuto, três lances todos parecidos. Este do Francisco Conceição, ele cai, não há infração, tenta forçar claramente a dita infração. Isto tem este problema: quando um árbitro começa a perceber que há um jogador que tenta ganhar infrações, ou penaltis, neste caso, fica sempre muito mais desconfiado e com muito mais dificuldade em analisar aquilo que aconteceu a seguir. Neste caso, a primeira queda do Francisco Conceição, não há infração, não há motivo para apontar pé de penalti.

Quatro minutos depois, há mais um dos lances e, neste caso, um dos lances decisivos do jogo. Há um penalti que deu o gol do empate sobre Taremi. Foi bem assinalado ou não?

Peço desculpa, por isso é que eu estava a te colocar, porque nós temos ao minuto 80 o Francisco Conceição cai na área, não é penalti. Ao minuto 81, há um penalti sobre Francisco Conceição. Por isso é que eu se calhar não conheço esses dois lances.

Vamos a isso, Pedro.

Peço desculpa, isso também faz parte dos bastidores, porque foram tantos lances a acabar o jogo, foi um jogo diferente.

Sim, às vezes acontece.

Exatamente. E este lance é um lance importante, porque a seguir o Francisco Conceição é abalroado pelo Conté. Ou seja, ele pode já estar relativamente em desequilíbrio na perspetiva de chegar à bola, mas o Conté não para o movimento, toca-lhe com o corpo na parte superior, até aí tudo bem, contato, mas com a perna direita, ao nível do joelho, varre completamente o jogador do Porto. E aqui sim, temos o segundo lance que eu considero pontapé de penalti, que é a infração sobre o Francisco Conceição e provocada pelo Conté.

Muito bem, vamos até ao minuto 92 e corrijam-me também se errar aqui nalguma questão, Pedro. Mais um lance para penalti.

Ao minuto 85, o penalti do Rosic sobre o Taremi é bem assinalado. Esse que é o penalti assinalado. E depois ao minuto 92, há uma queda do Taremi na área, que forçou, uma vez mais, uma tentativa de ganhar o pontapé de penalti. Isso depois torna-se importante, porque os jogadores ao tentarem estar nessa sequência de quedas na área, o árbitro até pode ficar confuso em relação ao jogo. E muito provavelmente é isso que depois lhe acontece na parte final do jogo. De qualquer maneira, este que estás a referir, minuto 92, sobre o Taremi, não há qualquer infração.

Muito bem, vamos até ao minuto 94. Está certo, Pedro?

Certo.

Muito bem, esse outro momento decisivo, há um gol de Toni Martínez, que acaba por ser anulado por estar fora de jogo. É uma boa decisão por parte do árbitro?

Boa decisão. Nas imagens temos sempre dúvidas, porque ficamos com a ideia que estava entrado. Depois vêm as linhas do fora do jogo da cidade do futebol e que mostra que está em fora de jogo por 10 centímetros e, portanto, validamos claramente essa situação.

Muito bem, sem dúvidas. Ao minuto 96, há falta de Dalberto sobre Luís Dias. Pergunto se é dentro ou fora da área, consequentemente, se é ou não penalti para o Porto.

O árbitro assinou livre direto. Podemos até aceitar que há dois toques, no pé esquerdo e no pé direito. O pé esquerdo está claramente em área e o pé direito estará fora. O árbitro terá assinalado o toque fora da área, portanto, no pé direito. Mas para mim, a infração a ser assinalada tem que ser a primeira e aquela que realmente é clara e evidente, que é no pé esquerdo. E é realmente ali um toque, um pisão claro. E para mim, este é lance para pontapé de penalti.

Lances analisados, penaltis que ficam por assinalar. Pedro Henriques, antes de irmos à avaliação desta equipa de arbitragem, pergunto-te sobre um dos momentos que também acaba por marcar este encontro, a expulsão do treinador dos Azuis e Brancos, Sérgio Conceição, ele que foi direto ao árbitro no final da partida, viu o cartão vermelho. Pergunto que análise é que merece este momento.

São duas coisas distintas. Uma coisa é os treinadores ou quem quer que seja, ter razões evidentes de queixas por erros que são cometidos para a arbitragem, que tem influência, naturalmente, no jogo e no resultado. E eu compreendo a frustração de quem está a sofrer naquele momento. Agora, isso não pode, naturalmente, nunca ter como consequência, depois, um treinador, neste caso estamos a falar do treinador, ter um determinado tipo de comportamento, determinado tipo de postura, determinado tipo de linguagem. E a única coisa que eu posso dizer é que o árbitro vai escrever no relatório, de certeza absoluta, aliás, é obrigado a isso, os motivos e as razões, naturalmente, as palavras que foram dirigidas a ele, que levaram ao cartão vermelho. Quando há essas situações de cartões amarelos ou vermelhos aos bancos, a única coisa que eu digo é: espero pelo relatório e compreenderei sempre essas advertências ou expulsões face àquilo que naturalmente foram as palavras que foram ditas. Há muito a dizer. Eu percebo dentro de um determinado enquadramento, mas nada pode justificar. E deixa-me dizer, nem pode justificar isso, nem pode justificar aquilo que aconteceu neste jogo, que é a agressão de um operador de imagem, um câmera, neste caso da TVI, como disse, da estação falcante. Isso é claramente do terceiro mundo e não pode acontecer e espero que o responsável por isso seja claramente e fortemente penalizado.

Antes de fecharmos esta primeira análise, neste caso, ao jogo entre o Moreirense e o Futebol Clube do Porto, Pedro Henriques, de 0 a 10, quanto é que merece a equipa de arbitragem, neste caso, liderada por Hugo Miguel?

Eu vou dar nota negativa, nota dois. Há decisões boas, claro que sim, o gol anulado, o penalti assinalado a favor do Futebol Clube do Porto, mas há decisões que não são boas. E no meu ponto de vista, se compreende a dificuldade e o grau de dificuldade destes três lances que eu evidenciei, que considero que seja pontapé de penalti, por parte de quem está a dirigir o jogo, parte do árbitro, hoje em dia com a televisão e televisão aqui entenda-se videoarbitragem, no limite, o protocolo tem que levar a que o árbitro vá ao monitor ver. E depois aí, se quiser manter ou alterar a decisão, já é com o árbitro e nós compreendemos isso. Agora, não compreendemos é termos uma tecnologia que é um investimento tão caro e depois nestes lances, que estaremos aqui a discutir, que se calhar eu até posso, eventualmente, não ter razão na análise de um ou outro e que as pessoas possam concordar ou não concordar. Agora, uma coisa que eu tenho a certeza, com televisão, com videoarbitragem, pelo menos tem que se dar a hipótese do árbitro ir ao monitor verificar esses lances.

Muito bem, nota dois atribuída por Pedro Henriques à equipa de arbitragem liderada por Hugo Miguel. Foi a análise ao empate desta noite a uma bola entre Moreirense e Futebol Clube do Porto.