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O apito inicial está dado para mais uma edição do "Sem Falta" com o nosso Pedro Henriques. Pedro, muito boa noite.

Boa noite.

Noite histórica para o futebol português. Acabamos de assistir a uma vitória nos pênaltis do Sporting em casa do Arsenal. A equipe de Rúben Amorim avança para os quartos de final da Liga Europa. Derrotou, eliminou o atual líder da Premier League e vamos já escrutinar o trabalho da equipe de arbitragem liderada pelo espanhol Mateu Lahoz. Começamos logo ao minuto 10 e com um eventual pênalti de Gabriel Magalhães sobre Paulinho. Pelo menos o ponta de lança do Sporting ainda esboçou ali um protesto. Havia razões?

Exato. Não, para mim, sem motivo para pontapé de pênalti. Há um momento em que o Gabriel Magalhães, enfim, levemente acaba por abraçar o Paulinho, mas depois larga-o logo e, portanto, não tem consequência aquele agarrão momentâneo. Depois, naquela situação, o Paulinho, ao sentir esse agarrão, tenta de alguma maneira tirar partido da circunstância, acaba por cair. Mas depois é engraçado que o próprio árbitro, ao dizer que não é pênalti, o Paulinho passa por ele, digamos, dá-lhe um género de um cumprimento, reconhecendo que realmente não foi suficiente. Eu concordo, sem motivo para pontapé de pênalti.

Viajamos até à outra área, a área do Sporting. Minuto 18, um lance entre Pedro Gonçalves e Fábio Vieira. Têm razões para se queixar, os ingleses?

Não. O Fábio Vieira reclama ter sido tocado e é isso que o fez cair. Na realidade, houve um contato, mas antes do contato, o Pedro Gonçalves, de forma muito clara, com o seu pé direito, toca, intercepta a bola e tira a bola. E isso é muito importante. Porque ambos os jogadores estão a tentar, na conquista de espaço e nesta luta pela bola, ocupar o mesmo local, é normal que haja esse contato, que ocorreu posteriormente ao toque na bola. E um contato absolutamente normal. Não houve rasteira, não houve a falha na bola e o toque no adversário, nem o Fábio tocou na bola e, portanto, lance legal, sem motivo para pontapé de pênalti.

Mais uma boa decisão da equipe de arbitragem. Temos mais três lances nesta primeira parte. Vamos até ao minuto 24, também com Fábio Vieira. O português do Arsenal viu o amarelo de Mateu Lahoz. Bem mostrado?

Sim, bem mostrado. O Fábio Vieira, ao esticar a sua perna direita, e sem qualquer hipótese de chegar à bola, acaba por pisar, de forma muito negligente, a parte do peito do pé do Diomande, um pisão negligente, duro, sem qualquer hipótese de chegar à bola e por isso o árbitro muito bem, que já tinha feito alguns avisos em situações de contato e de choques e de algumas faltas, aqui a puxar pelo primeiro cartão amarelo.

E por falar em Diomande, é precisamente com ele o próximo lance. Minuto 45, na área do Arsenal, aqueles agarrões. Houve pênalti sobre Diomande, de Jorginho?

Não, não houve pênalti, mas há aqui uma situação muito no limite. Ou seja, o Jorginho arrisca muito, porque numa bola parada, o primeiro momento de agarrar e depois largar, muitas vezes isso é normal, natural. Os defesas fazem isso em relação aos avançados, os avançados fazem isso em relação aos defesas, porque estão a tentar perceber onde é que está o adversário e tentam, de alguma maneira, não perder de vista e por isso utilizam muito os braços para marcar essa posição. Mas aqui, o Jorginho, há um momento em que abraça com os dois braços o Diomande. Só que nesse momento, o Diomande, em vez de tentar fugir da situação para que se o adversário continuasse a agarrar e o fizesse cair, teríamos a situação de pênalti, o que o Diomande faz é responder com o seu braço direito, colocando-o em volta do pescoço e de alguma maneira puxando-o para ele, e acabam os dois por cair. O que é que acontece? A circunstância em que os árbitros muitas vezes veem a utilização de braços de forma mútua, embora aqui o Jorginho tenha sido o primeiro e até foi mais evidente. Normalmente, os árbitros não marcam absolutamente nada, porque no fundo sentem que é como se houvesse falta de ambos os jogadores, independentemente de quem começa primeiro ou não. Resumindo e concluindo, o árbitro não assinalou pontapé de pênalti. Eu concordo, é um lance no limite, mas há uma certeza que eu tenho: por ser um lance de utilização de braços de ambos os jogadores, o VAR nunca se vai intrometer, porque não é uma situação clara e óbvia de um pênalti claro e óbvio. E por isso, sendo no limite, arriscou. Pena que o jogador do Sporting, nesta circunstância, em vez de responder com o braço, não tenha tentado fugir, porque aí, sim, poderia estar a fazer com que o adversário mantivesse esse agarrão e aí, sim, teríamos eventualmente o pênalti, porque ao ser agarrado e na tentativa de fugir caindo, seria totalmente diferente. De qualquer maneira, sendo no limite, sendo de risco, vou dar como boa a decisão da equipe de arbitragem de não pênalti.

Último lance desta primeira parte, para lá da hora, aos 45 mais dois, um amarelo mostrado a Granit Xhaka, do Arsenal. Bem mostrado por Mateu Lahoz?

Exato. Sim, é a chamada falta tática, que normalmente dizemos que é uma falta útil, que é aquela situação em que a falta existe só para matar a jogada. E neste caso, a jogada era o Trincão a sair em contra-ataque. E para que a equipe não seja apanhada desprevenida, em frieira de hemérica, para destruir ali, para que a equipe se possa repor. Muitas vezes os jogadores dão-se à morte, no bom sentido da palavra, destruindo ali a jogada. E quando digo dão-se à morte, no sentido de arriscar o cartão amarelo. Portanto, bem mostrado este cartão amarelo por esta falta tática.

Vamos viajar até à segunda parte e começamos com um amarelo importante para o futuro próximo deste jogo, o amarelo a Ugarte, aos 53 minutos, o primeiro.

Exatamente. E é uma falta sobre o Martinelli, o Martinelli vai também a sair em contra-ataque. Portanto, por um lado, temos a questão da própria falta tática, tal destruição da jogada, mas aqui, além disso, é a maneira como o Ugarte entra. Entra em tackle deslizante e toca e derruba o seu adversário quando ele, junto à linha do meio-campo e pelo mesmo lado da linha lateral, ia a fugir com algum perigo. O Ugarte ainda tentou esboçar a ideia de que teria tocado na bola, efetivamente também tocou na bola, mas com a outra perna varreu completamente o adversário e destruiu aquela jogada. E por isso, nada a dizer, o primeiro cartão amarelo bem mostrado.

Minuto 71, outro amarelo, mas para o Arsenal, Rob Holding. Bem mostrado ao central dos Gunners?

Sim, este jogo esteve muito repartido nestas circunstâncias de bola na defesa e depois a defesa recupera a bola, tanto de um lado como outro, e sai em contra-ataque. E quando sai em contra-ataque, com os jogadores rápidos como ambas as equipes tinham, o que acontece é que os jogadores recorreram às chamadas faltas táticas para matar as jogadas. Foi mais um caso. Portanto, o Holding com o pé direito toca no pé esquerdo do jogador do Sporting, impede a saída em contra-ataque com a destruição desta jogada e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Vamos até ao prolongamento e quase até ao final do prolongamento, minuto 118. Já tínhamos feito referência ao amarelo do Ugarte por aqui, porque vai ser preciso explicarmos também se foi bem mostrado o segundo amarelo ao uruguaio do Sporting. No mesmo lance de arbitragem, Mateu Lahoz dá o outro amarelo a Dario Essugo, mas separando aqui, começamos com o do Ugarte, não é?

Sim, até pela sequência, mas a jogada, vamos meter os dois em um. Portanto, o que acontece é que o Ugarte entra em tackle deslizante de forma muito negligente, varrendo autenticamente o Xhaka e, portanto, automaticamente, se o árbitro parasse ali a jogada, era cartão amarelo, porque cortava a saída em contra-ataque, ao mesmo tempo, a entrada em si, que era muito dura. O árbitro bem deu a lei da vantagem, porque neste momento, com o jogo partido, estes contra-ataques eram mesmo perigosos, eram mesmo ataques prometedores. O árbitro dá a lei da vantagem e porque o Arsenal estava outra vez numa situação de algum perigo, uns metros bem à frente, o Essugo, para destruir e matar aquela jogada, vira completamente o seu adversário e também tem uma entrada negligente. O árbitro interrompe nesta segunda falta, vem cá atrás e mostra e bem, cartão amarelo ao Ugarte e, neste caso, o segundo e consequente expulsão, porque a entrada em si manteve-se, ou seja, ele não cortou o contra-ataque, porque a jogada seguiu, portanto, a falta tática deixou de existir, mas a entrada em si manteve-se, a tal dureza, a tal negligência, e mostrou cartão amarelo ao Essugo, exatamente também pela entrada negligente. Mais relevante e importante do que o cartão amarelo do Essugo, foi realmente a decisão do segundo cartão amarelo e vermelho, que fará com que nos quartos-final o Ugarte não esteja no primeiro jogo.

Exato. E vamos então à nota. Mateu Lahoz, foi uma arbitragem europeia?

Sim, foi uma arbitragem positiva, com nota sete, claramente para a equipe de arbitragem, porque acaba por ser um jogo, repara, só com 23 faltas e com seis amarelos, três amarelos para a equipe do Arsenal e dois jogadores do Sporting advertidos, sendo que um foi duplo, que foi o caso do Ugarte. Portanto, nesse aspecto, completamente positiva a maneira como conduziu, deixou jogar. Poderíamos ir buscar um ou outro lance em que diríamos que faltou o cartão amarelo, mas eu prefiro, isso é uma arbitragem europeia, internacional, como costumo dizer, encontrou bem o jogo, não desvirtuou nenhuma regra, esteve bem nos poucos casos também que teve de área, foram muito poucos, mas esteve bem de maneira geral e sobretudo com aquela maneira do Lahoz ter de falar com os jogadores. Enfim, eu gosto, em termos pessoais, há quem não goste, quem ache extremamente espalhafatoso, nem sempre lhe corre bem, mas hoje saiu-lhe bem nesse aspecto.

E antes de terminarmos esta edição de hoje do "Sem Falta", já depois de atribuíres a nota sete a Mateus Lahoz, ainda bem que este jogo aconteceu. Primeiro, porque o Sporting teve uma noite histórica pro futebol português, eliminou o atual líder da Premier League, mas porque nos possibilita também aqui de esclarecer os nossos ouvintes, sobretudo quanto a algumas regras que mudaram aí pro prolongamento e para as grandes penalidades. Não é assim, Pedro?

Exatamente. De forma muito rápida, dizer o seguinte: a partir de agora, quando há prolongamentos, os 15 mais 15 minutos, que se mantém tudo igual, já há intervalo de um minuto. Portanto, dantes o árbitro obrigava os jogadores a mudar de campo, não havia intervalo, embora eles acabassem sempre por beber água, etc. Agora há mesmo um minuto de intervalo, mesmo que o árbitro estique um bocadinho mais, que permite não só a tal hidratação, como até os treinadores poderem falar pontualmente com os seus jogadores. Relembrar que a nível das substituições, podem-se fazer cinco em três paragens e hoje, por causa das lesões, o Arsenal acabou por esgotar as três paragens e ter esgotado as cinco substituições e a dado momento, o guarda-redes do Arsenal, o Ramsdale, levou com uma bola na cara, o que podia ter sido uma lesão na cabeça, mas a concussão cerebral, que permite fazer mais uma substituição, que foi utilizada no Campeonato do Mundo, aqui na Liga Europa e na Champions League, não pode ser utilizada. Portanto, se o guarda-redes tivesse ficado lesionado, eles tinham ficado menos, mesmo com 10 jogadores. Quando se entra no prolongamento, no caso o Arsenal, que até já tinha feito as cinco substituições, pode-se fazer uma extra e ele fez mais uma. O Sporting, como só tinha feito uma, que foi do Adan, podia ter feito as cinco substituições todas no prolongamento. Acabou por só optar por fazer mais quatro. Portanto, as cinco mais uma, que são seis, mantêm-se. O Sporting só fez uma, podia ter feito mais cinco e pode-se fazer, ao contrário do jogo jogado, em que só pode haver três paragens, sendo que o intervalo não conta. Aqui o Sporting e o Arsenal, não podia, só tinha uma, mas o Sporting podia ter feito as substituições uma a uma, se quisesse, jogador a jogador. E para terminar, a questão dos pontapés de penálti, que também tem aqui algumas alterações que as pessoas às vezes não compreendem, e também de forma rápida. O Sporting acabou com 10, o Arsenal com 11. Para iniciar os pontapés de penálti, o Arsenal teve que tirar um jogador de campo, para ir mesmo pro banco, porque só podem estar no terreno de jogo 10 jogadores contra 10. Ou seja, tem que haver sempre igual número de jogadores. E se porventura houvesse alguma expulsão durante o prolongamento, a outra equipe também tinha que tirar um jogador. Isto para que? Para executar os pontapés de penálti, estarem sempre em igualdade numérica. Depois, os amarelos, os jogadores que têm cartão amarelo, quando se entra especificamente para os penáltis, são limpos, é como se não tivessem nenhuns. Portanto, imaginemos que o Essugo, que tinha cartão amarelo, por alguma razão, cometesse uma determinada circunstância disciplinar, antidesportiva, e que o árbitro lhe mostrasse cartão amarelo durante os penáltis, é como se fosse o primeiro. Mas conta-se sempre para o somatório dos cartões amarelos que foram levados para o resto da competição. Para efeitos dos penáltis, é como se ninguém tenha. Isso foi feito para evitar que os guarda-redes, que muitas vezes chegam aos prolongamentos já com cartões amarelos, às vezes porque se mexem antes da bola partir ou cometem uma determinada infração que possa levar amarelo, eles não sejam logo expulsos. E depois, para terminar, dizer que dantes tinha que dar aos árbitros a sequência dos cinco jogadores que iam marcar. O árbitro agora não precisa de saber isso. A equipe é que decide os jogadores e pode alterar a sequência, a ordem. O árbitro só tem que saber que são cinco jogadores diferentes. E depois, houve dois sorteios para se marcar os pontapés de penálti. O primeiro, o árbitro agarra na moeda e diz: "Se sair deste lado da moeda, vamos para aquela baliza, se sair deste, vamos para aquela". Dantes era o árbitro que escolhia a baliza, o que era mau. Ainda por cima, muitas vezes estava uma claque de um lado, claque do outro. Fez-se o sorteio, calhou por acaso na baliza onde estava a claque do Sporting e depois, no segundo sorteio, aí sim, com os capitães, o capitão que ganha é que escolhe se quer ser o primeiro ou segundo. O que foi, neste caso, o Adan, que ganhou o sorteio e escolheu ser o primeiro a bater. E diz as estatísticas, vale o que vale, são os estudos que são feitos, que as equipes que normalmente marcam em primeiro, têm maior probabilidade, até psicológica, sobre o adversário e normalmente ganham. Por quê? Porque se reparares, se uma equipe faz um zero, o adversário só pode empatar o jogo a um. Se eu fizer dois, os dois dois. Quer dizer que o adversário está sempre à procura psicologicamente de empatar, enquanto o outro pode ter uma vantagem. Claro que isto só vale se realmente se meter os gols na baliza, se não meter, não serve de nada. Mas hoje fez-se outra vez história em relação à estatística, que vai comprovar mais um jogo que aumenta a estatística de quem marca em primeiro e que tem esta vantagem moral e psicológica, normalmente há mais estatísticas. Pronto, era basicamente isto que eu gostava de dizer em relação a algumas alterações das regras.

E sobre isto não há estatística, mas quem ganhou foi o ouvinte, que veio pela análise à equipe de arbitragem e ainda levou uma aula de borla sobre a lei de jogo com o Pedro Henriques. Pedro, muito obrigado por isto. Até uma próxima, um grande abraço.

Obrigado, boa noite. Até à próxima. Obrigado.