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Vamos neste "Sem Falta", Pedro, olhar também para o encontro entre Futebol Clube do Porto e Atlético de Madrid. Jogo sem gols, mas com alguns casos, com gols anulados, até, que poderiam ter decidido este encontro. Mas vamos seguir esta ordem. Primeira parte, minuto 16, começamos a analisar esses cartões amarelos, o primeiro a Luís Dias.
Sim, é uma entrada e um toque no calcanhar por trás, sem querer, é um fato, mas acaba por acertar numa zona que é sempre perigosa e que pode lesionar o adversário, em Gimenez. E o árbitro bem considerou esta entrada negligente e eu concordo com a decisão, cartão amarelo bem mostrado.
Seguimos para o minuto 21, onde há cartão amarelo para Zaidu.
Sim, é uma infração agora sobre o Coke, e também é uma entrada de cima para baixo de sola a raspar a canela, terminando com um pisão. Portanto, esta infração foi um bocadinho no limite, mas é um cartão amarelo, apenas, também uma entrada negligente. Ele não acerta bem no seu adversário, é um raspar, como eu disse, na canela e depois com o tal pisão, e por isso cartão amarelo bem mostrado a Zaidu.
Ao minuto 27, há um lance duvidoso na área do Futebol Clube do Porto, um lance envolvendo Kondogbia e uma possível situação de pênalti.
Sim, para mim não há motivo para apontar pênalti. Na primeira repetição, que aparece, e mesmo no lance corrido, ficam dúvidas. É logo na segunda repetição da transmissão, há um pormenor interessante. O Kondogbia tem umas botas brancas e com umas tiras em cor laranja. E esse pormenor é importante porque se destaca no momento em que ele estica a perna e percebe-se que vê-se o pé dele, exatamente pela cor da bota, a destacar-se e a tocar claramente na bola e a bola a ser desviada da sua trajetória. Ou seja, a bola ia numa trajetória e é desviada. E este é um sinal muito importante no sentido de perceber que o jogador ao esticar a perna, tocou na bola e desviou. É lógico que estando os dois jogadores em movimento, o que segue posteriormente é um contacto, que, de resto, o Zaidu depois até ficou no chão bastante queixoso na área. Para mim, lance legal, não há motivo para apontar pênalti. O fator aqui determinante é o toque da bota do jogador do Atlético de Madrid na bola, que faz com que a bola efetivamente desvie. E, portanto, este primeiro contato é na bola e não no adversário, sem motivo para apontar pênalti.
O Porto pediu, o árbitro não deu. Boa decisão neste lance a envolver Kondogbia, não havia pênalti. Vamos ao minuto 42 e para mais um cartão amarelo, novamente para a equipe do Futebol Clube do Porto, um cartão amarelo a Uribe.
Não concordo. Há aqui uma série de cartões que eu depois, na primeira análise, até fiquei com algumas dúvidas, até porque estávamos a ver os dois jogos ao mesmo tempo e não havia muito tempo para análise. Depois tive a oportunidade no final do jogo de analisar estes principais lances e realmente é um cartão amarelo exagerado, não faz sentido. O Uribe faz uma falta normal sobre o Coke, é uma rasteira, acabou por tocar no pé do adversário. É aquilo que nós chamamos de imprudência. Imprudência em termos de arbitragem não tem cartão amarelo, só a negligência é que tem. Portanto, é quando se diz que um jogador não tem atenção e consideração para com o adversário. Portanto, é uma falta simples, normal, e portanto aqui começou algo que vai claramente depois influenciar a nota do árbitro, que é a facilidade com que ele puxou para cartões amarelos de uma maneira geral e em particular a jogadores do Porto.
E vamos ver isso acontecer mais na segunda parte. É para lá que vamos, para o minuto 51. Começamos por um cartão amarelo a João Félix. Nesse caso, boa decisão.
Sim, boa decisão. Eu, na altura, fiquei com a dúvida se teria sido por uma infração ao nível dos pés, revi depois o lance e percebi que foi a mão na cara do Taremi que fez com que o árbitro tinha mostrado o cartão amarelo. Na altura, no direto, disse que até foi pela infração ao nível dos pés, mas depois percebi que não, foi a mão na cara do Taremi. Aqui tem muito a ver com aquela situação que é a utilização das mãos, braços, cotovelos ao nível do rosto, da cabeça, do pescoço dos adversários, algo que é hoje em dia na lei de proteção para que os árbitros têm que proteger os jogadores que se oferecem os contatos a nível do rosto, da cabeça, e, portanto, bem mostrado o cartão amarelo a João Félix.
Seguimos para o minuto seguinte. Kondogbia também recebe o cartão amarelo.
Não concordo com esta decisão também. É uma decisão em que o árbitro baseia-se no sentido que o Kondogbia, ao saltar de cabeça com o seu adversário, cabeceia na zona da nuca o jogador do Porto. Aqui a questão que se coloca é: se ele fosse lá com os braços, eu não tinha dúvidas que um contacto de braço naquela zona era para cartão amarelo, porque os braços não podem ser utilizados e muitas vezes são quase usados como armas, entre aspas. O Kondogbia o que fez foi saltar e tentar cabecear. Só que não conseguiu acertar na bola, foram disputar e acertou na cabeça do adversário. Para mim, situação normal, ele tenta disputar a bola com a cabeça, portanto também está a arriscar quando joga com a cabeça e não está a usar outra parte do corpo e para mim, cartão amarelo mal mostrado.
Má decisão neste lance. Vamos ao minuto 65, novamente cartões amarelos para a equipe do Futebol Clube do Porto, desta vez para Corona.
Também não concordo. Eu percebo o critério do árbitro, que ao ver o Corona num lançamento lateral, a pedir para trocar de bola, pode entender como seja uma perda de tempo. Não faz sentido a facilidade com que o árbitro puxa os cartões. Apita, forte, compensa no final o tempo que for preciso. Não faz sentido este puxar tão fácil. Estamos na Champions League, isto nos árbitros do regional distrital, que estão a apitar um jogo e que não têm tanta ascendência sobre os jogadores, eu percebo. A este nível, não há necessidade. Uma conversa, um apito mais forte, o acelerar do movimento, o avisar até que não volte a acontecer. Isso sim, faz mais sentido esta pedagogia. E não concordo nada com este cartão amarelo mostrado ao Corona.
Vamos ao minuto 67 e cartão amarelo para Vitinha, que tinha acabado de entrar.
O árbitro considera que há uma falta tática, ou seja, digamos que impede ali uma saída em contra-ataque. Eu na altura também no direto fiquei com a ideia que foi por isso, mas fiquei com dúvidas. Depois fui rever, não faz sentido. Estão mais do que um jogador do Porto a envolver o adversário. Não é aquela situação que o jogador vai a fugir e é agarrado, ou puxado, ou rasteirado. Existe a infração, sim, nem sequer é propriamente uma saída em contra-ataque ou em ataque rápido. Enfim, está a jogar com a bola, portanto, não concordo com este cartão amarelo também mostrado a Vitinha.
Vamos ao minuto 71 e daqui partimos para a equipe do Atlético de Madrid, há um cartão amarelo para Flip.
Sim, esta é fácil de ver, porque o Otávio passa, está quase a entrar na área e o Felipe, talvez sem querer, mas o fato é que toca e arrasta o Otávio. Aqui não é tanto pela infração, mas pelo local da infração. De resto, deu um pontapé livre direto muito perigoso a favor do Porto. É pelo local e porque corta uma jogada de perigo que nós, em termos técnicos, designamos por ataque prometedor. Cartão amarelo bem mostrado.
Talvez o cartão amarelo mais alaranjado deste encontro. Vamos ao minuto 81 e ao lance capital deste encontro. Há golo do Futebol Clube do Porto. Taremi coloca a bola dentro da baliza de Oblak, mas há aqui um toque que acaba por invalidar este golo e acaba por ser bem invalidado, certo?
Bem invalidado. Há dois momentos para analisar, se há penalti do Oblak, e eu vou pôr isso como segundo momento, e o primeiro, o anular propriamente dito o golo. Eu chamo a atenção que esta lei é uma lei relativamente recente, que foi utilizada esta época, mas basicamente diz o seguinte: é a lei 12, que é faltas e incorreções, a página 98 diz o seguinte, sempre que um jogador obtém um golo tocando a bola com a mão ou com o braço, mesmo que esse toque seja acidental, e se a bola diretamente, como foi o caso, ou imediatamente a seguir, imaginemos que o jogador tocava com a mão e depois ainda dava mais dois metros e mais um domínio de bola e depois é que rematava. Portanto, seja diretamente ou seja imediatamente a seguir, que o jogador toca a bola com a mão ou com o braço e depois obtém o gol, mesmo que esse toque seja acidental, o gol é anulado. Portanto, aqui o que conta é só ver se, parar a imagem e perceber. Tocou a bola com a mão ou com o braço, sim ou não. Se tocou, não importa se há intencionalidade, se foi sem querer, se foi a rodar, se estava de costas. E portanto, nessa perspectiva, de acordo com a lei pura e dura, independentemente de as pessoas concordarem ou não com a lei, isso é outra questão, o gol foi bem anulado.
É uma regra clara.
É uma regra clara. E o Taremi tocou a bola com o pulso, mais concretamente direito, quando cai no chão. Em relação à questão do possível penalti, também não há penalti. Reparem, eu chamo a atenção pelo seguinte, o Oblak quando viu o Taremi a correr para ele, ajoelha-se, cai de joelhos de frente e faz a mancha, não se mexendo do sítio. E o Taremi é que vai para cima dele, inclusivamente estica a perna direita e é com o pé direito que há o primeiro contato e depois o contato inclusivamente é na cabeça do Oblak ao nível do joelho do Taremi. Que é diferente de quando os jogadores, neste caso avançados, tentam contornar o guarda-redes e o guarda-redes sai dos seus espaços da zona, estica-se para tentar chegar à bola e aí, sim, toca ou derruba. Aqui é diferente, o Taremi está parado, está de frente, ajoelha-se, fica na posição, faz a mancha utilizando os braços e é o Taremi que vai para cima dele. Portanto, lance bem decidido, não há penalti do Oblak sobre Taremi e o toque acidental com a mão, de acordo com a lei, implica anular o gol e, portanto, boa decisão da equipe de arbitragem. Obviamente, quando falamos de equipe de arbitragem, duvide é o árbitro, que teve aqui um papel fundamental neste lance.
Sexto cartão amarelo para o Futebol Clube do Porto nesse minuto 82. É também um lance para analisar. Foram mostrados nove cartões ao minuto 82. Temos o sexto para o Futebol Clube do Porto, um cartão amarelo a Wendel. Boa decisão?
Sim, aqui concordo. A infração é uma infração curta, menor. O jogador do Atlético tirou partido, mas é a entrada da área do lado esquerdo. Ou seja, se o Wendel não faz a falta, o jogador ia entrar na área. E aqui estamos na zona dos chamados ataques prometedores, das zonas de perigo ou de jogadas perigosas. E é por isso que eu aceito este cartão amarelo, não tanto pela infração, mas pelo local da infração, à semelhança do que aconteceu no lance que falámos há bocado do cartão amarelo ao Felipe.
E avançamos já para bem perto do final do jogo e para esse cartão vermelho a Mbemba, que pára ali ataque promissor do Atlético Madrid. É uma boa decisão este cartão vermelho?
Sim, é uma boa decisão. Chama-se a isto anular uma clara opinião de gol. Para termos a certeza de que há uma clara opinião de gol, e isso implica um cartão vermelho, temos quatro fatores que têm que ser analisados. Se o jogador, neste caso Griezmann, leva a bola ou tem a bola controlada. Sim. Se a distância à baliza é relativamente curta, portanto, este lance no meio-campo tem outra leitura, porque está a 50 metros da área. Ali já está próximo da área, e portanto a distância está curta. Depois, se o jogador vai na direção da baliza e se pararmos a imagem, percebemos que ele, obviamente, ao contornar o Mbemba, faz um desvio lateral, mas vai naquilo que é a direção da baliza, portanto, não vai correr para a linha lateral nem para a bandeirola de canto, vai na direção da baliza. E o quarto fator, muito importante, é a possibilidade que os outros jogadores defensores do Futebol Clube do Porto têm de poder intervir em tempo útil. E todos os jogadores do Porto estão atrás da linha da bola e do Griezmann e todos colocados à esquerda. Quer dizer que mesmo que eles, e aqui o árbitro nunca vai analisar quem corre mais rápido. Se isto fosse no meio-campo, a 50 metros, a gente diz que os jogadores à esquerda e para trás da bola ainda teriam hipótese em 50 metros, em tempo útil, de poderem disputar o lance. Mas ali já perto da área, as hipóteses são mínimas. Os árbitros o que têm que analisar é parar a imagem, por assim dizer, e ver estes quatro fatores. E estes quatro fatores estão lá. E portanto, é por isso que o cartão vermelho foi exibido, por anular uma clara opinião de gol com estes quatro fatores que estão na lei, todos presentes.
Boa decisão nesse último lance, que depois acabou por ditar um livre também perigoso para o Atlético, mas que não deu em gol. Terminou este jogo empatado entre Atlético Madrid e Futebol Clube do Porto. Pedro Henriques, para terminar, vamos dar nota de arbitragem a este árbitro, Ovidiu Hațegan, é assim que se diz? Espero que não esteja a dizer mal. Mas vamos dar nota a esta equipe de arbitragem.
Eu vou dar nota cinco, porque realmente as decisões mais relevantes e importantes, e destaco o penalti possível do Zaidu, que para mim não é, o gol anulado e a expulsão, são três decisões importantes do jogo e para mim bem decididas. Mas é uma nota mínima, porque eu não gostei da forma como o árbitro geriu o jogo. E portanto, se eu tivesse que colocar um título visto, é não gostei do excesso de cartões que foram dados, sobretudo à equipe do Futebol Clube do Porto. Saiu com muita facilidade e nós já não estamos habituados a ver isto ao nível da Champions, este tipo de arbitragem, em que qualquer situação que o Porto tivesse ao nível dos jogadores, saía cartão amarelo. E portanto, não gostei sobretudo da gestão disciplinar e o árbitro correu muito risco de poder inclusivamente expulsar os jogadores por acumulação de amarelos, que era um injusto, pelo menos tendo em concessão alguns destes primeiros cartões amarelos. E por isso vou dar nota cinco, porque as decisões principais foram corretas, mas uma nota que é baixa e menos boa, porque eu não gostei da gestão disciplinar. Saiu com muita facilidade cartões amarelos para a equipe do Futebol Clube do Porto e isto já não se vê na Europa.
É um cinco que é quase um satisfaz menos, menos aqui para esta equipe de arbitragem. Pedro Henriques, mais uma vez, muito obrigado pela tua análise. Encontro marcado aqui na Rádio Observador, amanhã no ChampionA, juntamente com o Júlio Magalhães, o Gordo Alves e o Bruno Vieira Amaral, amanhã, depois das 9h30.
Até amanhã. Obrigado.