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Sem falta especial mundial, seja qual for a competição, contamos sempre com o nosso áudio árbitro, até ver o único no mundo, para nos ajudar a analisar o trabalho das equipes de arbitragem. Hoje, Portugal desapontou, empatou uma bola frente à República Democrática do Congo no primeiro jogo da estreia do Mundial 2026. Vamos saber se desapontou também o árbitro Al Jasim. Pedro Henriques, bem-vindo. Temos ao minuto três amarelo para Bernardo Silva. Bem mostrado?
Sim, cartão amarelo bem mostrado. Bernardo Silva tem uma entrada inteira deslizante, acaba por acertar com a sola, mais concretamente com os pitões do seu pé esquerdo, no tornozelo, zona de calcanhar, já também esquerda do Kayembe, uma entrada negligente e foi bem sancionado disciplinarmente com o respectivo cartão amarelo.
Temos depois, ao minuto 32, amarelo para um velho conhecido do futebol português, mais concretamente do futebol do Porto, Mbemba, capitão da equipe da República Democrática do Congo.
Sim, também cartão amarelo bem mostrado. Eu não tenho bem a certeza do que o árbitro viu, porque há várias coisas ao mesmo tempo. Há um salto, disputa de bola com o Pedro Neto, primeiro há um toque com o braço no rosto do Pedro Neto, depois o Pedro Neto fica a se queixar da garganta, como se tivesse levado uma entrada na garganta, mas afinal o que aconteceu foi que ele também ao mesmo tempo, o Mbemba, quando cai, acaba por puxar a camisola por trás do jogador Pedro Neto. E ao puxar, digamos que a gola veio pra zona da garganta, ou seja, puxa por trás e a gola sobe e vem à garganta e terá sido esse momento que fez com que o Pedro Neto tenha ficado a queixar-se da garganta. Curiosamente, na imagem aberta, a bola é metida em profundidade pelo corredor esquerdo. Se ele não é puxado, o Pedro Neto, ao fazer a rotação, poderia vir a ir buscar aquela bola. Portanto, tenho dúvidas se é pela entrada, se é pelo puxão da camisola, se é por aquilo que podemos até chamar uma falta tática, porque cortou uma jogada de algum perigo se não fosse agarrado. E por isso, tudo isso junto, eu diria que o cartão amarelo é bem mostrado.
E temos também ao minuto 45 mais cinco, o gol do Congo, que gerou alguma conversa entre os jogadores da seleção nacional e o árbitro Al Jasim. Havia razões para alguma coisa?
Não, a questão aqui era a questão do fora de jogo, mas depois das repetições, a primeira imagem é relativamente clara no sentido que não há fora de jogo. Eu não sei se depois os jogadores portugueses estavam a falar relativamente a alguma circunstância ou outra circunstância. Não sei se tinha a ver com marcações entre eles ou se estavam a falar de alguma situação de arbitragem. De qualquer maneira, o gol é legal. O Arthur Masuaku, quando faz o cruzamento para a cabeçada certeira do Wissa, ele estava a ser posto em jogo pelo Renato Veiga. Portanto, depois aparece mais à frente, como apareceu em duas situações, aquela linha, a colocação, neste caso, do Wissa e do Veiga, a mostrar que o Veiga estava a colocar. Portanto, o assistente validou o gol e bem, e o VAR confirmou, tudo certo.
Temos depois, Pedro, já na segunda parte deste encontro, ao minuto 48, um lance na área que envolve Francisco Conceição, que acaba por cair. Tentou cabecear a bola e depois queixou-se de uma falta do jogador do Congo. Resta saber se ficou aqui alguma coisa por marcar.
Sim, para mim, sem motivo para pontapé de pênalti, que era isso que o Francisco Conceição estava a pedir. Ele até fez o gesto de ter sido puxado, agarrado, mas isso não aconteceu. É uma bola metida quase pro segundo poste. A disputa vai ser entre o Masuaku e o Francisco Conceição. Há contato normal e natural na disputa daquilo que é a conquista de espaço e ao mesmo tempo tentar chegar à bola, mas não há agarrão, empurrão, nem uma carga incorreta ou ilegal. Eles estão muito juntos, muito colados e, portanto, boa decisão para mim, sem motivo para pontapé de pênalti.
Temos depois, ao minuto 55, o gol anulado Portugal, que Pedro, por muito que nos custe, até porque era bonito, foi bem anulado.
Sim, é uma assistência feita pelo João Neves de peito para o João Cancelo, mas estava claramente adiantado em relação ao penúltimo adversário. O assistente, curiosamente o mesmo assistente daquele que tinha validado o gol do Congo, que isto agora já é na segunda parte, acaba por fazer de forma correta, levantar a bandeirola, sinalizando o fora de jogo e depois o vídeo árbitro, de forma muito rápida, confirma e, portanto, mais uma boa decisão. Gol bem anulado.
Temos depois, neste encontro, ao minuto 57, um amarelo para Aaron Wan-Bissaka. Por mostrar, na tua opinião, Pedro. Jogador que era do Crystal Palace primeiro, depois também passou pelo Manchester United e que agora milita no West Ham.
Exatamente. É o único lance que eu diria, e já antecipando um bocadinho, menos correto em termos de análise por parte da equipe de arbitragem, é aquela situação em que o Nuno Mendes depois fica um bocadinho queixoso, depois fica aquela ideia de bola pra fora, os jogadores até hesitaram se punham ou não, pois acabou mesmo por ser colocada a bola fora. E realmente há ali um pisão, uma entrada fora de tempo, porque o Bissaka ao esticar a perna direita acaba com o pé e por trás, por pisar o tornozelo, zona de calcanhar já, também direito do Nuno Mendes. E, portanto, é uma entrada negligente, passível de cartão amarelo, escapou ao árbitro, talvez porque a bola também continuou na posse da equipe portuguesa ou seleção portuguesa, e o árbitro, talvez por essa lei da vantagem que acaba por dar, perde ali o timing de perceber a tal dureza da falta. De qualquer maneira, cartão amarelo fica por mostrar.
Pedro Henriques, temos também neste jogo um amarelo para Nelson Semedo, ao minuto 87. Uma falta tática, daquelas imprescindíveis. Um amarelo que nos dá orgulho.
Pois, é a situação. Ele vem por trás, vai fazer essa falta tática, e na ocasião, para parar aquilo que se pode dizer uma transição ou um contra-ataque, agarra e puxa pela zona do ombro, quase na zona do pescoço do Wissa. E, portanto, bem a sanção disciplinar, nada a dizer, o objetivo foi destruir a jogada e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.
Pedro Henriques, temos aqui também, para fechar este lance, antes de conhecermos a nota de Al Jasim, temos amarelo para Tomás Araújo, creio que nos mesmos moldes deste Nelson Semedo.
Sim. Aqui a questão que foi ali discutida era se a entrada em si. A entrada era muito dura e passível de mais qualquer coisa, tipo conduta violenta pra vermelho, porque o jogador fica a se queixar do pescoço e, por outro lado, também dá-me a ideia que houve ali uma certa possibilidade de discussão que era a saída do meio-campo, bola metida em profundidade, o jogador Corria, já ninguém o parava, ficava na cara do golo, embora estivesse a sair do meio-campo. Para mim, a decisão correta é cartão amarelo por corte de ataque promissor. Em termos de contacto, propriamente intencional negligente, não há nenhuma conduta violenta. Há uma obstrução com o corpo e depois a seguir o toque do braço ali na zona do pescoço e a distância avaliza, no que diz respeito àquilo que podia ser uma clara penalidade de golo. E o fato de ele ter metido a bola em profundidade, que não nos daria a certeza de possível controle e realmente a distância, e também há um jogador português ali relativamente perto, à saída do meio-campo, que poderia intervir na jogada, nos tais 50 metros que faltavam correr. Para mim, não há motivo para cartão vermelho. Portanto, nem pela entrada, nem pela possibilidade de clara penalidade de golo. De resto, esta também foi a leitura do vídeo ao árbitro. Por isso, a decisão correta que foi tomada foi o livre direto e o cartão amarelo, que para mim foram boas decisões.
Pedro Henriques, resta saber que nota merece Al Jassim, homem que, como falámos no mundial sub-20, expulsou Rúben Dias, que hoje, amaldiçoado por uma lesão, não jogou. Que nota te merece?
Eu vou dar nota positiva, nota sete. Eu diria que, no essencial, foi tudo correto, ou seja, os gols que foram validados, e sobretudo o do Congo, que poderia haver a dúvida de fora de jogo, e o gol que foi anulado, ao nível do fora de jogo, foi uma boa decisão. Um jogo com poucas faltas, 19, quatro cartões amarelos. Eu diria como menos positivo, o amarelo que ficou por mostrar, mas isso tem pouco significado no contexto. E não concordei em ambas as partes com o escasso tempo que foi dado em termos de adicionais, porque com as paragens de hidratação, uma de quase quatro minutos, 3min42s, e a outra de 3min2s, acrescentando-se, nomeadamente na segunda parte, as substituições, este jogo não podia ter só cinco minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido, mas tinha que ir a sete. Mas isso são pormenores naquilo que é o essencial. E o essencial foi o controle disciplinar, embora com a falha de um amarelo, foi positivo. Tecnicamente esteve bem, acertando na maior parte das decisões, mesmo inclusivamente em área. Acaba por ser uma arbitragem segura, de uma equipa de arbitragem que esteve bem e garantidamente que aquilo que podemos dizer de menos bom de Portugal no que diz respeito ao resultado, nada, mas absolutamente nada, e o Congo a mesma coisa, nada, mas absolutamente nada tem a ver com alguns erros ou possíveis que tivessem sido cometidos pela equipa de arbitragem. Portanto, é uma arbitragem positiva, vou dar nota sete, com ênfase nos gols validados e o anulado, foi tudo correto.
Sem falta com o nosso áudio árbitro Pedro Henriques. Vai estar conosco, como está sempre, em sete campeonatos ao longo deste mundial, para analisar todas as partidas de Portugal, mas também ao longo da semana para fazer uma análise e o balanço dos casos mais importantes e para também irmos explicando as regras que vão entrando em vigor. Pedro Henriques, um grande abraço. Até à próxima.
Até amanhã. Obrigado.