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Sejam bem-vindos a mais um Sem Falta, na Rádio Observador. 33ª jornada do campeonato, um jogo que opôs os extremos da tabela classificativa, o de lanterna vermelha, AVS, recebeu em casa o campeão nacional Futebol Clube do Porto, num jogo que parecia não ter grande história, mas que acabou por nos tocar um pouco as voltas depois da vitória do AVS por três bolas uma. Vitória inesperada numa arbitragem de Carlos Macedo, foi o líder da equipa de arbitragem. Pedro Henriques, bem-vindo mais uma vez.

Boa noite.

Vamos começar neste jogo com 1 minuto 24, o gol do Aves. Tudo certo aqui nas decisões de Carlos Macedo.

Sim, era a dúvida, é um pontapé de canto, bola metida mesmo para o interior da pequena área e o Cláudio Ramos salta com vários jogadores, quer do Porto, quer do AVS, e a dúvida era se algum dos jogadores do AVS teriam feito ou carga ou obstrução, impedindo que, de alguma maneira, o Cláudio Ramos pudesse ter chegado àquela bola com as luvas. O Devenish é o jogador que está mais próximo, saltou na vertical, dividiu a bola entre a cabeça do Devenish e as luvas do guarda-redes do Futebol Clube do Porto, mas não há carga, não há obstrução e depois, na sequência, a bola sobra para fora da zona da área e depois há um remate e há o tal gol do Aves. Mas nesse momento não há qualquer falta e o gol do Aves é um gol legal.

Minuto 28, expulsão para David Monteiro, que não é jogador, nem estava em campo, estava no banco e foi do lado do Futebol do Porto.

Sim, é a questão sistemática dos bancos. Neste caso, é mesmo o banco dos suplentes, às vezes é o banco suplementar, em que aqueles que nem são os principais protagonistas, nem são os jogadores suplentes, nem é propriamente de título de treinador, que muitas vezes assumem o protagonismo, porque sistematicamente não concordam com as decisões das equipas de arbitragem. Às vezes até têm razão, a maior parte das vezes não têm, mas com ou sem razão, não podem ter este tipo de comportamento que é altamente irresponsável. E neste caso concreto, para nós percebermos a dimensão da coisa, é uma possível falta sobre o PP no meio-campo. É como muitas vezes discutirem de forma exacerbada uma questão de lançamento, uma falta a nível do meio-campo, coisas entre aspas, menores. Da advertência foi logo expulso.

Deve ter sido. Isso faz antever que tenha sido algo de natureza um pouco mais-

Palavras também, palavras injuriosas, ofensivas ou grosseiras. E depois, a televisão quando foca, foca já a reação depois do cartão vermelho. E eu não posso mesmo repetir nenhuma das palavras que este senhor disse e estes comportamentos têm que ser penalizados com cartão vermelho, como foram, e as multas têm que crescer, duplicar, triplicar, para terminar de vez com este tipo de atitude e comportamento.

Temos depois regresso aos lances que dizem respeito ao jogo propriamente dito, ao minuto 41, um pênalti que reclamaram os homens do AVS sobre Devenish na área do Porto. Haveria motivos para castigo máximo ou fez bem Carlos Macedo em deixar seguir?

Fez bem, não há pênalti, é um lance Perpić com Devenish, é um lançamento lateral daqueles longo, em que parece um canto, em que a bola é metida para o interior da área e o Devenish salta e até consegue cabecear a bola para trás, depois o colega dele até faz aquele pontapé de bicicleta acrobática nesse lance. O Perpić salta, é um fato que o Devenish chega primeiro e há um contacto, não por carga nas costas, mas contacto nas costas, são coisas diferentes. Uma coisa é o Devenish estar a saltar e vir alguém, abalroá-lo, carregá-lo. Não, aqui é um salto, ambos na vertical, o contacto dá-se, o Perpić até tem o braço inclinado para se proteger relativamente a esse contacto, não o carrega e tudo legal, embora o Devenish depois tenha ficado até no chão a queixar-se do pescoço, porque deu um género de golpe de chicote no pescoço, mas de qualquer maneira não há nenhuma infração para pontapé de pênalti, portanto, foi uma boa decisão.

Estão analisados os lances da primeira parte. Pedro, na segunda parte, ao minuto 53, o gol do empate do Futebol Clube do Porto, que acredito, foi legal em todos os momentos da jogada.

Sim, dois momentos de análise para possível situação de fora de jogo, ambos bem no que diz respeito àquilo que foi a árbitra assistente, neste caso concreto. O primeiro momento é o passe para o Borja Sainz e essa era a minha dúvida, porque nas imagens até parecia que estava fora de jogo, mas ele está bem atrás do penúltimo adversário, e este bem, são 37 centímetros, não é muito. Eu não sei se ele fez a assistência para o Denis Gul ou se o Denis Gul tirou o gol, mas de qualquer maneira, o momento do passe para o Denis Gul, que acaba por finalizar, ele está atrás da linha da bola e um jogador sempre que está atrás da linha da bola nunca está fora de jogo. Portanto, muito bem. A assistente, quer no momento do Borja Sainz, por 37 centímetros, está em jogo, quer depois na questão Denis Gul, que está atrás da linha da bola e gol legal do Porto.

Temos depois ao minuto 57, amarelo para o homem que bizou e foi considerado o homem do jogo, Rony.

É por tirar a camisola, é só para relembrar que ele tirou a camisola na comemoração do gol. Só relembrar que a lei 12, que é a lei que fala de várias coisas, mas o título é Faltas e Correções, e na página 717 fala daquilo que são a celebração dos gols e aquilo que é passível de cartão amarelo quando um jogador celebra um gol que se encaixe naquilo que para a FIFA é cartão amarelo. E uma das situações que dizem é que os jogadores ao tirar a camisola ou cobrir a cabeça com a camisola, serão advertidos, isto na comemoração do gol. E neste caso concreto, tirou a camisola e a partir daí viu o cartão amarelo de acordo com a lei.

Depois ao minuto 69, cartão amarelo, desta feita por um homem azul e branco, Perpić, que mais tarde no final do jogo viria a ser expulso. Vamos a este primeiro momento de análise, que na verdade não vão ser só dois, acredito que sejam três, mas vamos ao primeiro.

O Perpić viu o cartão amarelo, e bem, porque vai por trás e em corrida, apenas com o objetivo de querer parar e destruir a saída em contra-ataque na altura do Akinola e carregou e arrastrou o extremo nigeriano do Aves e uma falta tática, porque estas faltas são chamadas falta tática, quando tu queres apenas seguir a jogada, foi bem sancionado disciplinarmente.

E já vamos voltar a falar do Perpić. Por agora, ao minuto 76, temos Pedro gol anulado ao Futebol Clube do Porto.

Sim, o golo é do William Gomes, mas a assistente que põe no fora de jogo, e bem, o Dennis Gool. E vejam bem, por 16 centímetros. É realmente bastante difícil. Muito bem, muito concentrada aqui neste caso a árbitra assistente, que teve essa percepção e, portanto, golo bem anulado, não por fora de jogo do William, mas na construção do Dennis Gool e portanto, tudo certo. O VAR limitou-se a confirmar a boa decisão da árbitra assistente.

Depois ao minuto 77 tivemos golo anulado para o Aves e se bem me recordo daquilo que falámos na emissão, não foi só uma infração. Se não houvesse uma, tínhamos outra.

Sim, mas o que vai contar é o fora de jogo. A segunda seria o toque da bola com a mão, mas o que vai contar mesmo é o fora de jogo e no momento em que o cabeceamento que é feito pelo Diego Duarte, a bola vai ao poste, que é um elemento neutro, e depois sobra pro Thiago Galetto, que finaliza. E o Galetto já estava adiantado em relação ao último adversário. O momento que conta é a análise, é o momento em que o seu colega cabeceia. A imagem para no momento em que o colega está a cabecear, o colega é o Diego Duarte, e percebe-se que o Galetto já está adiantado e, portanto, depois da bola ir ao poste, sobra para ele, fora de jogo bem e uma vez mais, bem o árbitro assistente a dar exatamente esse fora de jogo e anular o golo, neste caso, ao Aves.

E ao minuto 79, na tua opinião, Pedro Henriques, ficou por mostrar um amarelo a Pripic, que viria a ver esse amarelo no lance que vamos assinar, analisar daqui a pouco. O que é certo é que poderia ter jogado pelo menos quase menos 10 minutos.

Eram 13, mais concretamente, foi do minuto 79 pro minuto 83. Aliás, 90 mais dois, peço desculpa. Sim, aqui é uma situação que tem dois momentos. Primeira rasteira em si do Pripic, é uma bola que é metida pelo corredor direito para o Tomane. Acho que é assim que se diz, Tomane ou Tomané, não sei.

É Tomane.

É Tomane. Embora não tenha ali acento, mas pronto, Tomane. Ele desembaraça-se e vai a fugir pelo corredor direito e portanto aquela rasteira por si só, que já é uma falta dura no sentido que é negligente, corta um ataque promissor, porque ele se passa, se não é travado, tem o corredor direito para correr. Mas ainda mais grave é que o Pripic, não satisfeito com a falta que foi bem assinalada pelo árbitro assistente, levanta-se e cresce na direção do árbitro assistente, quase que se encosta a ele. E portanto, fosse pela falta, que era negligente, fosse pelo efeito da falta, que é cortar um ataque promissor, fosse pelo cumprimento incoerente desportivo de crescer para o árbitro assistente.

Estavam aqui três ingredientes para um segundo amarelo.

Estavam três ingredientes e portanto, qualquer deles dava para ver o cartão amarelo e esta foi talvez a falha do árbitro em todo o jogo, que como vamos ver não tem impacto, porque a equipa que foi prejudicada, neste caso, entre aspas, o Aves, no sentido que ficava já com mais uma para ganhar o jogo, portanto não tem grande impacto.

E Pripic acabou até por ver a sentença cumprir.

Vamos ver em seguida. O cartão amarelo ficou por mostrar, aqui que era a expulsão.

Ao minuto 79, antes de irmos a esse último lance do jogo, vamos falar também ao minuto 85, Pedro, de um amarelo para o homem do Aves, Pedro Lima.

Agarrou e puxou o Vítor Raul e o árbitro está a apitar e ele está a pontear a bola para longe. É só escolher se pelo agarrão, se pelo pontear, portanto bem o amarelo a Pedro Lima.

E a sorte é que não acumula, senão...

Exato. Não, aqui não.

92, expulsão de Pripic, agora sim, a ver o segundo amarelo.

Sim, aqui o árbitro esteve bem. O Pripic já tinha sido amarelado, como tínhamos visto, acaba por ver o segundo amarelo e consequente vermelho por acumulação, por uma entrada negligente. Na ocasião, é chamada entrada fora de tempo, acerta de sola e com os pitões do seu pé esquerdo no pé, pé tornozelo direito do Pedro Lima e, portanto, tudo certo no que diz respeito a este amarelo e consequente cartão vermelho.

Resta saber que nota merece Carlos Macedo, o árbitro que liderou a equipe de arbitragem deste Aves 3, com grande surpresa, Porto 1, que ditou a segunda derrota dos Dragões deste campeonato e apenas a terceira vitória do Aves, Pedro.

Eu mesmo assim vou dar seis, que é uma nota positiva. E digo mesmo assim, porque falta aqui um segundo cartão amarelo, mas é um segundo cartão amarelo que acaba por não ter, já perto do fim, impacto no desfecho do jogo propriamente dito. O que é que acaba por acontecer? O Pripic é bem expulso, são duas boas decisões de dois amarelos. Os gols foram bem anulados, os assistentes fizeram muito bem, não só nos gols que validaram, como também nos gols que anularam. As poucas faltas, e isso também é um mérito do árbitro, apenas assinalou 16 faltas. O tempo útil de jogo, quase 60%, um bocadinho menos, mas que é bom para a nossa liga. O menos positivo, o tal lance que 13 minutos antes da expulsão podia ter acontecido, e esse é o erro maior, mas acaba por não ter impacto. Por isso eu vou dar nota seis, nota positiva, porque tudo aquilo que foi feito de bom pelo árbitro e sobretudo pelos assistentes e sem a ajuda do VAR, acabam por equilibrar o erro do árbitro, que é não ter expulso o Pripic ao minuto 69. De qualquer maneira, uma boa prestação.

Nota seis para Carlos Macedo no jogo que à 33ª jornada opôs o lanterna vermelha do campeonato ao campeão nacional. Vitória do Aves frente ao Porto por 3x1. Pedro Henriques, temos novas sessões em dose dupla. Amanhã, em dose dupla de áudio arbitragem, mais uma edição do Sem Falta. 33ª jornada em que vamos acompanhar em simultâneo o Benfica, Sporting, Braga e também o Rio Ave, Sporting. Um grande abraço, Pedro. Bons descanso, até amanhã.

Um abraço, até amanhã. Obrigado.