Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sem falta na Rádio Observador, o programa em que detalhamos o trabalho das equipas de arbitragem das equipas portuguesas nas competições europeias. Não só, mas o programa de hoje é dedicado ao Sporting Braga-Friburgo, primeira mão da meia-final da Liga Europa. Triunfo bracarense por 2 x 1, com gol ao cair do pano. Pedro Henriques, seja muito bem-vindo. Boa noite. Vamos analisar o trabalho de Anthony Taylor, juiz britânico que esteve no comando deste encontro da Liga Europa e vamos sem mais demoras falar sobre os lances que selecionaste, sendo que o primeiro é ao minuto 16, Pedro Henriques, o gol do Friburgo.
Sim, porque tem várias coisas. Tem primeiro o choque, que até já foi bastante falado, porque é um erro da equipa do Braga, mas é um choque entre o Lagerbielke e o Paulo Oliveira. Não há ninguém a empurrá-los, a carregá-los ou a fazer falta. Depois, na sequência, o Victor Carvalho dá uma entrada duríssima sobre um jogador do Friburgo. O árbitro bem dá a lei da vantagem, porque o Friburgo segue com a bola e esteve bem nesse aspecto, sob o ponto de vista técnico da arbitragem, porque daí vai resultar o gol. E no gol, quando o Beste faz a assistência pro Grifo, o Grifo está atrás da linha da bola, não está em fora de jogo. E depois na interrupção, isto é, a bola entra na baliza e imediatamente a seguir o árbitro mostra o cartão amarelo ao Victor Carvalho. Portanto, tudo certo, não há qualquer falta. O Victor Carvalho, no objeto do árbitro de dar a vantagem, acaba por ver o cartão amarelo, e bem, e o Grifo está em jogo no momento da assistência, portanto, tudo certo no gol, que na altura foi o 1 x 1.
Vamos avançar, minuto 18, cartão amarelo mostrado ao avançado italiano do Friburgo, cartão amarelo mostrado a Grifo.
Certo, é uma entrada ao calcanhar do Victor Gomes por trás, uma entrada duríssima, negligente, cartão amarelo bem mostrado.
E ao minuto 25, mais um cartão amarelo, agora mostrado no banco do Sporting Braga.
Exato. Não identifiquei quem foi, embora tenha visto, mas não identifiquei. De qualquer maneira, é uma situação que nós em Portugal devíamos copiar mais vezes nesta perspectiva, que era uma falta absolutamente normal, junto à linha lateral, que o árbitro até esteve certo na sua decisão, mas mesmo que não estivesse, e os bancos têm sempre esta coisa de saltar como molas e protestar. E neste caso, foi um elemento técnico do Braga, que foi logo sentado, porque está na UEFA, se cá em Portugal ele ficaria de pé. Ele, não é preciso ser do Braga, Benfica, Sporting, Porto, é a mesma coisa, ficariam de pé a reclamar e a refilar mesmo depois de verem o cartão amarelo. E neste caso, aqui, como se costuma dizer, o piso é um pouquinho mais fino e houve o cartão amarelo, ele acalmou e os bancos depois tornaram-se muito mais tranquilos.
Vamos avançar, Pedro Henriques, para o minuto 38, onde, no teu entender, ficou por mostrar um cartão amarelo.
Sim, ao Lienhardt, o número três, porque claramente salta e dá no Paulo Vitor, com um braço em cheio na cara. Estas situações não têm qualquer tipo de gestão de ser gerido só com a falta. Eu penso que na altura até o árbitro nem falta assinalou, depois começou com bola ao solo. Mas de qualquer maneira, é falta e é uma jogada de mão na cara. Eu relembro sempre isto que digo, porque faz parte da lei, mãos, braços e cotovelos ao nível da cabeça, cara, nuca e pescoço, que é a chamada zona de proteção, é sempre punido com livre direto, sempre, exceto na área penalti, e depois amarelo ou vermelho conforme a gravidade. Neste caso aqui seria amarelo, mas ficou por mostrar.
Queres ainda dar aqui uma nota sobre o tempo extra que foi dado à primeira parte?
Sim, e não sei se coloquei também o penalti logo a seguir.
A indicação que tenho aqui é minuto 45, o tempo extra.
Exato. Então acho que esqueci de pôr também o mais importante, que é o penalti. Porque é tudo simultâneo, ou seja, é o momento do penalti e do levantamento da placa, e daí não ter colocado tudo. Em relação ao tempo dado, os três minutos de tempo extra, tem muito a ver com o momento, que é mesmo em cima que se dá o penalti, e eu recordo que o penalti o árbitro foi ao VAR, mas os três minutos estão com muita base, sobretudo nos dois gols que já tinha havido, os dois amarelos a jogadores de campo, um amarelo no banco, e a tal substituição do Horta por lesão.
Vamos então ao lance do penalti, talvez o mais desafiante de todo o encontro.
Exatamente. Sim, mas é uma boa decisão de VAR. Para o árbitro compreender, há muitos emparelhamentos, é uma bola parada, é muito difícil o árbitro. Ou estás com os olhos colocados naquela dupla, naquele aparelho, ou então é muito complicado, porque são muitos. E muitas vezes quando acontece a falta, a bola nem sequer ainda está lá. É quando os jogadores tentam se movimentar e como nós aqui até definimos, foi um gênero de placagem, pras pessoas perceberem a imagem melhor, é tipo rugby. É o Lienhardt que abraça claramente o Lagerbielke e placa-o na cintura e derruba-o, pontapé de penalti e respectivo cartão amarelo, porque realmente não foi na tentativa de chegar à bola, foi um agarrão completamente incorreto e por isso viu bem o cartão amarelo. E o penalti, claro.
Exatamente. Que acabou por não ser executado da melhor forma por parte de Zalazar, mas no "Sem Falta", o que interessa é o trabalho do árbitro e vamos avançar para o segundo tempo, Pedro Henriques, onde queres destacar aqui agora, minuto 57, o cartão amarelo que é mostrado a Victor Gomes.
Sim, é uma falta sobre o Makengo, em que o Victor Gomes, percebendo que o Makengo tinha ultrapassado e que podia ir com perigo, perigo no sentido de velocidade e direção da área adversária, projetou-se em salto para cima do Makengo, derrubando-o. Portanto, o objetivo de destruir e parar a jogada e o árbitro mostrou bem o cartão amarelo.
Continuamos a analisar o trabalho de Anthony Taylor e agora queres falar sobre o outro lance de área, mas no teu entender, Pedro Henriques, sem pênalti sobre Makengo.
Sim, é um lance que até depois o quarto árbitro teve que explicar ao treinador do Friburgo, porque a percepção que se tinha de fora é que o Makengo, que estava na frente, e o Paulo Oliveira teria feito uma carga nas costas, empurrado, pisado, qualquer coisa deste género. Mas depois com a repetição, até era mais cartão amarelo pro Makengo pela simulação do que propriamente qualquer infração que não houve. O Makengo coloca-se claramente à frente do Paulo Oliveira, percebendo que ele estava ali, coloca-se à frente e para o movimento. E quando vai pressentir aquele contato, e este é que o atraiçou, é que ele ainda antes de sentir o contato, já está a projetar pro chão. Portanto, ao menos podia ter esperado pelo contato pra tentar deixar mais dúvida. Não, ele já está a projetar pro chão. E, portanto, não há qualquer infração, isso é o mais importante, não há motivo para pontapé de pênalti. Também compreendo que um cartão amarelo ali por simulação podia ser um pouquinho forçado. Enfim, porque depois na prática acaba a posterior, quando ele já está a cair, por haver esse contato. Mas o mais importante é dizer que não há motivo para pontapé de pênalti.
Vamos avançar, Pedro Henriques, para continuar a falar do Makengo, que ao minuto 61 viu o cartão amarelo.
Uma entrada duríssima sobre João Moutinho, uma entrada de frente, um pisão, a pisar claramente o peito do pé do João Moutinho e ainda por cima uma entrada fora do tempo, liso direto e cartão amarelo bem mostrado.
Ora, o lance seguinte é já nos últimos 10 minutos, de novo lance de área, a envolver Fran Navarro, avançado do Sporting Braga, mas no teu entender, Pedro, não foi derrubado com falta dentro da área.
Certo. É aquele lance em que o Navarro está de costas pra baliza e a receber uma bola, e quando faz a rotação, queixa-se que terá sido agarrado. Um pouco à semelhança daquilo que foi o primeiro e único pênalti assinalado a favor do Braga. Mas há aqui dois nuances distintas. Primeiro, o Leonardo desta vez não está propriamente a abraçar o adversário, a agarrá-lo como foi no lance do pontapé de pênalti. E mais do que isso, está apenas a controlá-lo com as mãos. Mas também, e isto é que depois faz com que os vídeo-árbitros, e os árbitros quando veem estas imagens, passem por cima, chamemos assim, é que o Navarro está com o seu braço direito a agarrar o cotovelo do seu adversário. E sempre que os jogadores têm mãos e braços uns sobre os outros ou uns em relação aos outros, não se vai dizer quem é que tem mais intenção, menos intenção, de quem faz ou não faz falta, os árbitros normalmente deixam seguir. Mais relevante e importante, não há motivo para pontapé de pênalti.
Antes de irmos ao gol do Braga aos 90 mais dois, queres ainda deixar uma nota sobre o tempo extra que foi dado no final da segunda parte.
Acabou por se perceber mais por causa do gol, mas de qualquer maneira, muito pouquinho tempo, dois minutos. Eu sei que na Europa, na UEFA, há muito isto, mas dois amarelos. Houve duas substituições onde entraram três jogadores, ou melhor, duas paragens onde entraram três jogadores. O que realmente é pouco, normalmente nas segundas partes substitui-se mais vezes e interrompe-se mais. Mas depois tivemos aquela situação do jogador do Braga que se aleijou na mão e teve a ser também assistido e teve parado. E, portanto, este jogo merecia pelo menos uns quatro minutos. Depois, e passamos já ao gol do Braga, como há o gol do Braga e há um festejo prolongado, o jogo depois acaba mesmo por ir por esse tempo. E no gol do Braga, só pra dizer que a única dúvida que poderia haver, embora a olho nu percebia-se que tinha sido tudo legal, era no corredor direito, na construção da jogada, se o Vitor Gomes tinha recebido a bola em posição irregular, fora de jogo. Percebemos claramente que não, está em jogo e, portanto, o gol, o 2x1 do Braga também foi legal.
Ora bem, então analisados os lances, falta conhecer a nota, Pedro Henriques. Anthony Taylor passa na tua análise?
Certo. Vou dar nota seis, porque se fosse ele a dar o pênalti e não fosse a ajuda do VAR, eu daria sete. Mas nesses casos, embora a decisão final é da equipe de arbitragem com o VAR, isso é que importa, mas eu gosto sempre de valorizar um bocadinho mais quando é o árbitro a fazer isso sozinho. De qualquer maneira, nota seis, nota positiva, o momento mais importante, eu diria, os momentos mais importantes são os momentos de área, o pênalti bem assinalado, neste caso, com a ajuda do VAR, e depois os outros dois lances que falamos aqui, ou seja, nas áreas, também tudo certo ao nível de não ter havido infrações para pênalti, como também foi pedido. Na gestão disciplinar, eu não quis aqui ser muito rigoroso, porque não é que haja dois tipos de arbitragem, mas esta foi uma arbitragem, embora na Europa, muito à inglesa. Se calhar, num contexto diferente, numa competição nacional, em Portugal, estaríamos todos aqui a reclamar por mais dois, três, quatro cartões amarelos de diversas circunstâncias, se calhar até de faltas, de contactos que o árbitro deixou seguir. Mas de qualquer maneira, foi uma arbitragem positiva, não tem qualquer influência/impacto naquilo que é o resultado, nem o desfecho desta primeira eliminatória. Nota seis, nota positiva, com o destaque para o pênalti bem assinalado e as outras decisões de área também a serem boas.
Nota seis dada pelo Pedro Henriques ao trabalho do árbitro Anthony Taylor, o juiz que esteve no comando deste triunfo do Sporting Braga por 2x1 sobre o Friburgo. Está feita mais uma edição do "Sem Falta". Pedro, um grande abraço. É sempre um gosto. Até uma próxima oportunidade.
Obrigado