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Jornada 14 do Campeonato Nacional e por aqui na Rádio Observador, como sempre, temos sessão de áudio arbitragem, mais um "Sem Falta" hoje para analisar a arbitragem de Ianju Vasilică, que apitou a vitória do Sporting por seis bolas a zero frente à equipe do Aves. Pedro Henriques, estamos a postos?

Sim, estou aqui a puxar os meus apontamentos.

Vamos a isso e vamos começar logo pelo minuto cinco deste jogo. Temos o VAR a reverter um pênalti assinalado pelo árbitro da partida, Ianju Vasilică, que acabou por ser revertido. Pedro, na tua opinião, esteve bem o VAR em chamar o árbitro?

Sim, esteve bem, neste caso, não o árbitro, mas o videoárbitro, porque é uma situação em que o árbitro, numa primeira análise, acha que há infração, provavelmente uma rasteira, mas depois com acesso às repetições, e o VAR nesse aspecto deu-lhe uma repetição não por trás da baliza, que era aquela onde parecia que estava a decisão correta, mas sobretudo a decisão vista por trás, em que se percebe que não há rasteira. O jogador do Sporting projeta-se para o solo, tenta claramente ganhar uma falta. Numa fase inicial, eu até pensei que o árbitro, além de não assinalar o pontapé de pênalti, pudesse lhe mostrar o respectivo cartão amarelo por tentar ganhar por uma simulação, mas depois percebe-se que também há contato ao nível do tronco. Eu diria o seguinte: não há simulação do Mangas, porque há realmente o contato com o Pongue ao nível da cintura, mas claramente que o Pongue ao parar o seu movimento e ao não esticar mais a sua perna direita, evita claramente aquilo que o árbitro deve ter visto que era uma possível rasteira. E por isso eu dou como boa a decisão final da reversão do pênalti, neste caso, em bola ao solo, porque a bola não saiu para fora do terreno de jogo, foi para as mãos, na altura do guarda-redes, e portanto, ou era pênalti ou era bola ao solo na questão do recomeço. E por isso, digamos que o VAR entrou com o pé direito neste lance e evitou maus maiores.

E ao minuto 12, um dos outros lances que temos para analisar desta primeira parte é o amarelo a Ricardo Mangas.

Ricardo Mangas, exatamente. É a situação típica em que ele vem por trás em tackle a deslizar, neste caso, sobre o Pedro Lima. É uma entrada completamente fora de tempo a varrer, chamada entrada negligente, e acaba por ver, e bem, o respectivo cartão amarelo.

E ao minuto 18 reclamaram, e muito, os adeptos do Sporting, um eventual pênalti cometido sobre Maxi Araújo na área do Aves.

É com o Neiva, exatamente. Com o Guilherme Neiva, ambos discutem a posse de bola. É um facto que o Maxi Araújo antecipa-se e fica ligeiramente na frente, mas os contactos do lado esquerdo do Maxi Araújo com o lado direito do Guilherme Neiva é ao nível do corpo. E há um aspecto que é muito importante, que até foi realçado este ano pelo Conselho de Arbitragem, que é muitas vezes os jogadores, e foi isso que aconteceu, na tentativa de promoverem o contacto, sentirem o contacto e daí tirarem aproveitamento, muitas vezes quando sentem os jogadores que vão tentar tirar a bola, abrem as pernas para o lado para que o adversário não consiga parar o movimento e vá contra essa perna. E o Maxi Araújo já abre claramente a sua perna esquerda para o seu lado esquerdo e o Neiva não consegue parar aquele movimento. E depois há um pormenor que é muito importante, é que o Neiva, com a perna direita, a tal que poderia estar a fazer infração sobre o Maxi Araújo, toca com a ponta do pé na bola. Portanto, o contacto e o toque do Neiva é na bola e o contacto que existe do corpo lateral, e inda por cima ambos já abrem os braços um sobre o outro, eu diria que tudo isto faz com que a decisão, no meu ponto de vista, tenha sido correta. Não há rasteira, não há carga, não há empurrão, o contacto é lateral, ambos promovem esse contacto. O próprio Maxi Araújo ao abrir a perna promove também essa mesma obrigatoriedade, quase, do contacto do Neiva e por isso dou como boa a decisão de não ter sido assinalado, neste caso, pontapé de pênalti.

E ao minuto 29 desta partida, Devenish, do Aves, na área, reclamavam muito também. Acho que o estádio fez aquele típico "pro ar" à procura de um pênalti. Não havia motivos para isso?

Não. A questão aqui é que a primeira imagem em jogo corrido é que eventualmente o Christian Devenish podia ter dominado a bola com o braço esquerdo, que estava ligeiramente aberto, mas depois com a repetição percebe-se que ele faz o movimento do peito e toca única e simplesmente na bola com o peito. Nunca sequer houve contacto com a mão ou com o braço e, portanto, a partir deste momento, que não há contacto com o braço, está tudo legal.

Temos também ao minuto 32, o primeiro gol do Sporting, apontado por Suárez. Na tua opinião, tudo legal, nenhum fora de jogo, nenhuma falta a preceder o lance?

Não, era a questão do fora de jogo, é na construção das jogadas, exatamente. No corredor esquerdo, o Gonçalo Inácio desmarca o Ricardo Mangas e a dúvida era se o Ricardo Mangas, na construção das jogadas, teria ou não em fora de jogo. Percebemos quando separa o momento do passe do Gonçalo Inácio para o Ricardo Mangas, que o Rúben Semedo, jogador do Aves, na zona central do terreno, está a colocar o Mangas em jogo. E portanto, a partir daí, o gol é legal. Obviamente que este é daqueles lances que se houvesse fora de jogo, facilmente o VAR anularia, porque com as linhas de fora de jogo hoje em dia é muito fácil fazer isso.

E é o lance com que fechamos a análise da primeira parte deste encontro. Já na segunda parte, ao minuto 47, logo a abrir de rajada, há gol do Sporting, apontado por Maxi Araújo. E resta saber se tudo legal com este lance.

Sim, também em relação ao gol do Max Araújo, era a questão do possível fora de jogo, porque o Vadjanidis está do lado direito e faz o passe pro Max Araújo. Portanto, a bola cruza toda a área e o Max Araújo vai aparecer no poste contrário, neste caso, do lado esquerdo do ataque do Sporting, a empurrar a bola para dentro. E aqui a questão é que no momento do passe do Vadjanidis, que é ele que faz a assistência do lado direito, o Max Araújo está 15 centímetros atrás da linha da bola. E isso para referir um aspecto muito importante que é: sempre que um jogador está em linha com a bola, no momento do passe ou atrás da linha da bola, nunca está fora de jogo. Ao estar 15 centímetros atrás da linha da bola, que foi para aí que foi tirada a questão das linhas do fora de jogo, está em posição legal e, neste caso, o quarto gol do Sporting, se não estou em erro, acho que estou a dizer bem, completamente legal.

Temos mais dois lances para analisar nesta segunda parte antes de irmos à nota final para o árbitro desta partida.

Sim, eu pedi os dois, mas são três, porque fui eu que não te enviei o lance que foi do minuto 79. Vamos falar os dois amarelos e depois ao 79 tenho aqui um lance que é importante.

Já lá chegaremos. Vamos então primeiro ao primeiro amarelo para Assunção, da equipe do Aves, ao minuto 50. Bem mostrado, Pedro?

Sim, bem mostrado. O Gustavo Assunção não para o movimento e acaba por acertar com o joelho esquerdo na zona do gêmeo direito do Gianni Catame. É uma entrada completamente fora de tempo, negligente, passível de cartão amarelo e o árbitro bem a mostrar.

Ao minuto 75, amarelo, desta vez para Ponck, também do Aves.

Sim, é aquele lance em que o Ponck, neste caso concreto, no corredor direito, aliás, direito como o Ponck está a defender esquerdo pro ataque leonino, ele não consegue dominar a bola e ela escapa. E é o Trincão que vai acelerar e tem muitos metros e espaço pela frente para fugir e ganhar o corredor esquerdo todo. E o que o Ponck faz? Com a mão, agarra, puxa e derruba o Trincão e, portanto, quase uma falta tática para a jogada, corta aquilo que era uma jogada promissora e por isso bem o cartão amarelo.

E ao minuto 79. Exatamente.

É um lance que depois só deu repetição mais à frente e eu agora estava aqui a verificar os apontamentos e não tinha enviado, como costumo fazer sempre.

Este é o fecho do podcast, temos tempo para todas as informações que se fazem acrescentar.

Exatamente. Basicamente, para dizer o seguinte: é um lance em que o Trincão fica a pedir pênalti e falta, fica a pedir várias coisas. Por quê? Porque o Trincão vem de dentro para fora da área, então é um lance um bocadinho ao contrário do que é normal. Normal os jogadores virem de fora para dentro da área. Este é o contrário. O Trincão está na área do Aves e vem de dentro para fora, sempre a dominar a bola. E com ele vem o Tiago Galeto. E o Tiago Galeto estica a sua mão esquerda e coloca a mão esquerda ao nível do ombro, peito do Trincão. E vem com a mão agarrada na camisola. Mas eu relembro, e o Conselho Arbitral tem sido muito forte e assertivo nestas coisas, e tivemos aquele caso do António Silva e do pênalti do Porto, etc., que é: os agarrões, por si só, não são infração. É preciso que do agarrão haja uma consequência, chamada causa e efeito, que realmente esse agarrão impeça o jogador de continuar com a bola, perca a bola, não consiga chegar à bola, remata, mas remata com dificuldade. Tem que haver sempre uma consequência. E enquanto o Tiago Galeto coloca a mão no ombro e vem a segurar a camisola, o Trincão continua sempre posse de bola e com a bola sempre controlada, dominada. Ou seja, não há qualquer impacto pelo fato do jogador ter a mão ali. E é curiosamente quando já estão fora da área que o Tiago Galeto, com o pé esquerdo, toca na bola e desarma, e depois de desarmar e tocar na bola é que fica a ideia de que aquele agarrão se torna um bocadinho mais evidente ou forte e derruba o Trincão. Portanto, é um lance difícil. Eu dou como boa a decisão, porque na prática e na realidade, onde eventualmente o agarrão teve maior impacto, foi fora da área. Eu queria relembrar só isto em relação à lei, porque a lei o que diz é exatamente o contrário, que é quando um jogador é agarrado fora da área, continua agarrado e entra dentro da área, esta é a única situação específica de fora para dentro, em que o jogador, se depois cai na área, é penalizado com o pontapé de pênalti, mas é de fora para dentro, porque em todas as outras situações, o saltar, o carregar, o rasteirar, é sempre no início da ação que se marca a falta, o agarrão é uma exceção. Ora, este agarrão excepcional, de fora para dentro, não se enquadra neste lance, porque aqui de duas, uma: ou havia falta no agarrão logo dentro da área e pênalti, ou então, não tendo impacto e mantendo esse agarrão vindo para fora, o impacto maior, considerando que havia falta já fora, aí, no máximo, teríamos um livre direto. Então é um lance difícil, porque ficamos com aquela ideia de que o jogador pode estar a ser agarrado, enfim, que impacto é que tem, que não tem, é sempre muita interpretação. Eu vou dar benefício da dúvida, vi três repetições, depois vi até um programa que dá aquele juízo final. Digamos que a ser falta, seria sempre fora da área e nunca dentro. E por isso vou dar benefício da dúvida e vou dar como boa a decisão do mais importante neste lance, que é de não pênalti.

E resta saber, para terminar, quanto merece Iancu Vasilica neste jogo Sporting-Aves.

Vou dar nota seis. Pelo seguinte, o jogo foi fácil de dirigir, até pela questão do resultado, e o VAR é que entrou muito bem, porque obviamente, sem VAR, teríamos aqui uma situação logo que seria o primeiro gol a desbloquear, eventualmente, se fosse gol, podia não ser pênalti, não significa gol, mas vindo de um pênalti. E aí teríamos sempre aquela questão de que, mesmo havendo goleada, o jogo tinha sido desbloqueado com um lance irregular. E, portanto, o VAR aqui cumpriu a sua missão. Mas eu costumo dar sempre um bocadinho mais de nota à equipe de arbitragem, ou neste caso ao árbitro, quando as decisões são todas dele e, digamos, entre aspas, não há ajuda do VAR. Sempre que há ajuda do VAR, mesmo que seja uma ajuda positiva, dou-lhe sempre um cheirinho de toque, reduzindo a nota em relação àquilo que seria sem essa mesma ajuda. E, portanto, eu não vou dar sete, vou dar seis, que é uma nota claramente positiva. O jogo foi fácil de dirigir. Eu diria que o VAR entrou muito bem e depois o árbitro acabou por lhe dar continuidade num jogo bastante fácil de dirigir, com decisões, no meu ponto de vista, todas corretas, sobretudo disciplinares. E tecnicamente, o único erro que o árbitro ia ter, o VAR realmente corrigiu, foi o tal lance de pênalti ao início do jogo.

Sporting 6, Aves 0 e o árbitro Iancu Vasilica a merecer nota 6. Nosso áudio árbitro Pedro Henriques. Estamos de regresso amanhã, Pedro. Um abraço, até amanhã.

Um abraço, até amanhã. Obrigado.