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Sporting 3, Vitória 2. Segunda jornada do campeonato, sem falta da Rádio Observador, com análise ao trabalho da equipa de arbitragem liderada por David Silva. Bem-vindo mais uma vez, Pedro Henriques. Um jogo com muito trabalho, não necessariamente com muitos casos, mas com muito trabalho pro árbitro.

Sim, sobretudo na parte disciplinar. Estando no direto, nem sempre consigo ver os lances da melhor maneira e portanto há dois ou três lances que mereceram uma revisão de análise. De qualquer maneira, foi na parte disciplinar, aliás, o jogo teve oito cartões amarelos, que a coisa não correu tão bem.

E vamos começar logo ao minuto nove, golo de Flávio Gonçalves, estreia a marcar pro jovem avançado formado em Alcochete. Mas o que nos interessa aqui não é tanto este dado, é mais saber se foi tudo legal, se está tudo dentro da linha e da lei.

Sim, foi tudo legal. Depois, ao intervalo, passaram uma imagem que foi importante também, que é a questão da linha do fora de jogo, porque na construção da jogada, quando o Geny faz a assistência pro Ionidis, ele está a ser colocado em jogo por 67 centímetros pelo central Óscar Rivás. E, portanto, golo legal, que foi confirmado também pelas linhas do fora de jogo.

Temos depois ao minuto 24, Pedro Amarelo para Altimira, jogador do Sporting, também estreou hoje a marcar, mas que aqui também se estreou, acho eu, com os amarelos na primeira liga.

Exatamente. É uma entrada dura sobre o avançado brasileiro vitoriano, o Gustavo, agora estava a faltar o nome, em que ele estica a perna direita e acerta com o pé direito, sola e com os pitões em cheio no pé esquerdo do Gustavo.

Gustavo Silva, exatamente.

Exatamente, Gustavo Silva. E, portanto, o cartão amarelo foi bem mostrado.

Temos depois ao minuto 26, novo amarelo, desta feita para um central da equipa do Vitória Sport Clube, falamos de Tiago Balieiro.

Sim, é na disputa da bola com o Flávio Gonçalves. O Flávio Gonçalves chega primeiro à bola e desvia e o Tiago Balieiro chega depois, é chamado entrada fora de tempo, e acaba também por acertar de sola e com os pitões, pé direito no pé direito do jogador do Sporting, uma entrada negligente, mais concretamente um pisão. Aqui entrada/pisão, que é passível de cartão amarelo e que neste caso foi bem mostrado.

Temos depois ao minuto 38, um amarelo mostrado a Rivás, também da equipa do Vitória Sport Clube, mas na tua opinião, devia ter ficado no bolso.

Exatamente. Este foi um lance que fiquei na dúvida, porque o Rivás, na altura disse que mais pela maneira como ele entrou, que o cartão amarelo à partida teria sido bem mostrado, mas depois só no intervalo tive a oportunidade de rever o lance e percebi porque é que o Rivás se levantou tão rápido a dizer que correu coisa com "tocou na bola" e tocou mesmo. Ou seja, o árbitro é iludido pela forma como ele parece aparentemente ir de pés juntos. Isso deu grande aparato à queda do Flávio Gonçalves, que foi a disputa com ele. Mas o Rivás chegou primeiro e tocou a bola com o pé direito e depois, em nenhum momento, acerta de sola ou pisa ou rasteira, há apenas choque/contato. O Flávio Gonçalves também em situação defensiva, no sentido de se defender daquela entrada, acaba por cair de uma forma um pouquinho aparatosa e é isso que leva o árbitro a mostrar cartão amarelo, mas o cartão amarelo é mal mostrado.

Temos depois, Pedro, ao minuto 39, se depois de um amarelo mal mostrado, temos um amarelo que faltou mostrar, faltou exibir. E devia ter sido para Maxi Araújo, do Sporting, Pedro.

Eu na altura também fiquei com a ideia que o Maxi Araújo tinha tocado no Gustavo Silva, mas que o Gustavo Silva tinha caído de forma fácil, mas não caiu nada de forma fácil, foi mesmo tocado e rasteirado junto à linha lateral. É aquele lance em que o Maxi Araújo, a defender no corredor esquerdo, obviamente, e o Gustavo a atacar no corredor direito, já junto à linha de baliza, o Maxi entra em técnico deslizante e com a perna esquerda bem esticada, acerta em cheio com a sua zona do tornozelo na zona do joelho esquerdo do Gustavo Silva. É uma entrada que é ao joelho e que corta um ataque promissor, que é junto à linha de baliza. E era passível de cartão amarelo que não foi mostrado.

Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 45 mais dois, uma bola que não entrou na baliza do Sporting, diria que foi por uma unha negra ou por uma prensada de uma luva branca, neste caso a luva do Luís Silva, que conseguiu prensar a bola contra o poste e só por aí é que temos alguma certeza de que esta bola não entrou.

Exatamente. Esta imagem por acaso é feliz e deixa-nos as certezas absolutas de que realmente a bola não entrou. Mas uma vez mais, já semana passada tínhamos falado sobre isso e se calhar vamos falar mais vezes, está na hora de fazer-se investimento no sentido de termos a tecnologia de linha de golo, porque estes são sempre lances de golo e hoje em dia, os resultados apertadinhos com o adversário não faz sempre toda a diferença. E por acaso correu bem, no sentido da imagem que foi disponibilizada, mas pode não correr, nem sempre dá essa indicação, e só uma tecnologia pode dar com acerto essa decisão. A lei 10, que é a lei que fala da determinação do resultado do jogo, diz na página 97 que um golo é marcado quando a bola transpõe completamente a linha de baliza. E isto é que é importante, as pessoas que no geral já sabem. Ora, com metade da bola prensada contra a parte do poste interior direito da baliza adversária, dá pra perceber que a bola não entrou totalmente. A imagem foi feliz, não entrou, mas se calhar com outros ângulos ou com mais jogadores envolvidos no caso, ou com uma câmera colocada noutro sítio, estaríamos aqui na dúvida. E num jogo 3 a 2, teríamos caldinho, com certeza.

Depois temos já na segunda parte, Pedro Henriques, ao minuto 55, um amarelo para Geny Catame, que depois de fazer magia no segundo gol do Sporting na primeira parte, com um cabrito belíssimo dentro de área, na segunda parte fez magia negra, ele fez uma falta com pisão ao seu adversário.

Entra fora de tempo, chega depois e pisa com o pé esquerdo o pé esquerdo do João Mendes. É uma entrada durinha, negligente, que foi bem sancionada disciplinarmente.

Temos depois, Pedro Henriques, no decorrer destes lances do Sporting-Vitória, ao minuto 62, na tua opinião, faltou um amarelo desta feita por um homem do Vitória, falamos de João Mendes.

É o contrário. O que aconteceu agora, não é o que estás a dizer. Se o Geny Catame entrou sobre o João Mendes e viu bem o cartão amarelo, este lance é exatamente igual, só que o árbitro não teve a mesma perspectiva. Provavelmente, porque não conseguiu ver. Porque se tivesse visto aquilo que eu vi, sentado na cadeira e com câmaras lentas ou com repetição, percebia que era exatamente igual. Ou seja, o João Mendes, à entrada fora de tempo, com o pé esquerdo, pisa de sola e cuspidores o peito do pé, também esquerdo, avançado moçambicano do Sporting, e da mesma maneira que mostrou bem o cartão amarelo ao Geny por falta sobre o João Mendes, devia ter mostrado cartão amarelo ao João Mendes por uma falta exatamente igual na entrada que fez sobre o Geny Catame.

Temos depois ao minuto 63, um amarelo mostrado a Miguel Nogueira, também do Vitória. Bem mostrado, Pedro?

É aquele que agarra com os braços em torno da cintura do Maxi Araújo e puxa, impede a progressão, complemento desportivo, aquele lance em que o Maxi faz passar a bola por baixo das pernas dele. Portanto, o Miguel Nogueira ficou obviamente chateado e depois agarrou, puxou e não deixou-o sair dali.

Temos depois, ao minuto 68, o segundo gol do Vitória, um lance de bola perdida por Salazar no lado esquerdo da defesa do Sporting, lado direito do ataque do Vitória. Reclamou, de alguma forma, uma falta e depois a bola segue para dentro da área, cabeçamento de N'Doji. Tudo legal neste lance inteiro?

Sim, tudo legal. E por que eu puxei este lance? Este até é o lance que possa ser mais discutido, porque na semana passada, toda a gente se recorda, um lance também muito discutido, um gol do Estrela que nasce, para mim, de falta, mas nem todos os comentadores acharam que é falta, daquela bola perdida pelo Quaresma em que o jogador do Estrela puxou o ombro. Há quem considere que aquele contacto não foi suficiente. E este lance pode ter as pessoas a olharem para este lance com algo parecido. Por quê? Porque é uma disputa de bola junto à linha lateral, entre o Zalazar e o Tony Strata. O Zalazar é do lado esquerdo, conforme o Sporting defende, o do lado direito, conforme o Vitória está a atacar. Mas há um primeiro momento que diz tudo. E é o primeiro momento em que, se parar a imagem, e há uma imagem muito feliz sobre isso, em que o Tony Strata está efetivamente com o braço direito a envolver as costas do Zalazar e o Zalazar está a fazer exatamente o mesmo com o seu braço esquerdo, a agarrar e a envolver as costas do Tony Strata. E quando os árbitros têm, cito circunstância, e neste caso o VAR, que é quem tem melhor possibilidade de ver estas imagens, jogadores que usam os braços mutuamente, os árbitros, e neste caso o VAR, deixam sempre seguir. Na parte final da jogada, e quando digo parte final, isto é tudo muito rápido, há aquela disputa de bola, envolvência de braços, e depois o Zalazar fica-se com a ideia que desiste facilmente desta disputa de bola e que a sua queda é muito facilitada por sentir o braço no seu corpo, o braço do Tony Strata. Mas neste caso não empurra, não é aquela situação típica em que só um jogador usou o braço, só um jogador é que retirou usando a força. E portanto, estas duas componentes, ambos a usarem os braços um sobre o outro, e para mim isso é o mais importante, e a forma facilitada da queda do jogador uruguaio e o indiano, quando está nesta disputa, dizem-me que não há qualquer infração neste simples contacto que existiu e sobretudo naquilo que é a sequência, que é depois o gol. Portanto, eu dou como válido o gol sem falta por parte do Vitória, nomeadamente Tony Strata sobre Zalazar.

Três a dois no marcador, o resultado com o qual o jogo terminou. Ainda assim, muita tremideira do Sporting até ao final. Temos depois também, no que à arbitragem diz respeito, ao minuto 78, Pedro, um amarelo para Gustavo Silva, da equipa do Vitória de Sport Club. Bem mostrado também?

Bem mostrado. É aquele lance em que o Vajánicz acaba por ser substituído. E muitas vezes, quando existem estas circunstâncias, claro que a consequência também é relevante e importante. Ele entra, pisa de sola e cuspidores com o pé direito a zona do pé, mas acima, já no tornozelo direito. E realmente, quando paramos a imagem, percebemos que há ali um género de torção, há um pisão que leva à torção. Para mim, não é uma entrada de longe, não é uma entrada em tackle, é mais pisão do que entrada de sola. E portanto, que ele ajoelhou, ajoelhou, porventura aquela torção que acaba por fazer pode ter sido isso que levou à substituição do jogador, mas para mim, estamos só na negligência. Ou seja, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato na forma como aborda o lance. Não há, para mim, aqui qualquer uso excessivo de força, como muitas vezes acontece nos tackles, nos carrinhos, e sobretudo quando acertas de sola numa perna, ou no joelho, ou na zona do tornozelo. Este é diferente, é mais pisão. Por isso, eu dou como boa a decisão disciplinar de apenas ter sido mostrado o cartão amarelo.

Resta nos lances deste encontro, ao minuto 91, um amarelo para Gonçalo Inácio, acredito que por palavras ao árbitro. Sendo que é o capitão, estranha um bocadinho, deverá ter sido algo com muita intensidade, algo muito desajustado.

Exato. O diálogo já tinha existido várias vezes. O Gonçalo Inácio hoje, talvez por muitas críticas, quando dizem que os jogadores não leem jornais, é claro que leem e ouvem, tem sido muito criticado. À semana passada, quando o árbitro foi falar com o Gonçalo Inácio para acalmar o Suárez, ele fez só um gesto à distância e foi um bocadinho criticado porque se fala que o Gonçalo Inácio não tem o tal estatuto de capitão como tinha o Hoolan, etc., e que falta qualquer coisa, falta liderança, etc. Isto é a crítica, não estou a dizer que isto acontece, estou a dizer que é muito da crítica. E o Gonçalo Inácio hoje esteve muito interventivo junto do árbitro, até se calhar para passar essa imagem aos seus adeptos, no seu próprio estádio, de que ele, sendo capitão, está junto do árbitro, está numa perspectiva de falar com o árbitro sobre o lance em que eventualmente o Sporting sinta que a decisão da equipa de arbitragem não é a mais correta. Só que isto tem que ter um limite. Já o Hoolan também muitas vezes esticou, excedeu e depois foi muitas vezes advertido por causa disso. E o Gonçalo Inácio tem que perceber que tem que haver ali um limite. Ainda por cima, o árbitro tinha marcado uma falta a favor do Sporting. Talvez o Gonçalo Inácio queria mais do que isso, queria um cartão amarelo, que não era merecedor, é uma falta feita à saída da área do Sporting, nem sequer corta um contra-ataque, é uma bola chutada, penso que era o Altimir ou quem era, que chutou a bola para frente para aliviar. Portanto, não é uma situação que sai em contra-ataque, em que há depois aquela coisa de destruir, falta tática. E o Gonçalo Inácio tem que perceber que efetivamente esse papel que está a desempenhar é bem desempenhado, para isso também serve o capitão, mas tem que perceber qual é o limite e sobretudo não queimar fichas. O que eu quero dizer com queimar fichas? É terem a inteligência para quando falarem com o árbitro, serem situações em que realmente eles, jogadores, tenham razão e não quando o árbitro tem razão e está a decidir bem, porque senão estão a queimar fichas e isso feito muitas vezes faz com que os árbitros depois acabem por não levar muito a sério esse tipo de conversa ou esse tipo de diálogo, ao contrário de quando os jogadores são assertivos nesse tipo de conversa. Fica aqui a dica. De qualquer maneira, cartão amarelo, porque o protesto foi exagerado.

E que nota merece, Pedro Henriques, David Silva, o árbitro que apitou depois do empate do Benfica frente ao Académico de Viseu, na passada jornada, e hoje a vitória sofrida do Sporting frente ao Vitória Sport Clube?

Sim, começaste bem ao dizer que este é o mesmo árbitro que esteve na semana passada no jogo frente ao Académico de Viseu. Se eu fosse o nomeador, e não sou, portanto é-me fácil falar de fora, eu nunca nomeava um árbitro em dois jogos seguidos desta natureza. Se é para ganhar experiência, porque ele é internacional desde esta época, mas tem poucos jogos. Tem 47 jogos na Primeira Liga, o que é pouco. O que a gente pretende? Que ele tenha mais experiência, sobretudo em jogos de maior dificuldade. Mas se correu bem a semana passada, não vamos arriscar, porque se hoje houvesse aqui uma situação em que não corresse bem, obviamente que estaríamos já a queimar um árbitro quando ele teve uma jornada que correu bem. Ia fazer outro jogo com menos mediatismo, fosse na Primeira, fosse sobretudo na Liga 2, para, se calhar, na jornada três, dar-lhe já outro jogo. Portanto, não concordo nada com esta nomeação que foi feita. Não tem a ver com a qualidade do árbitro ou com a competência do árbitro, tem a ver com a gestão que deve ser feita relativamente a esta questão das nomeações. Posto isto, em relação ao jogo propriamente dito, eu vou dar nota cinco. Vou dar nota positiva, porque eu tenho aqui três situações de cartões amarelos incorretos, mas não têm impacto no jogo, ou seja, naquilo que é essencial. Aquela bola que não entra na baliza, a situação do gol de vitória que não há falta. Portanto, os lances mais relevantes e importantes de área, também não foram muitos, o próprio gol do Sporting que não é fora de jogo. Seis árbitros, seis árbitros desses sete estiveram bem. Disciplinarmente, é que se colocasse aqui um título, dizia: disciplinarmente não correu bem. Ou seja, em lances que não tiveram impacto para o jogo, porque acertou no essencial, mas foi no critério disciplinar que poderia ter feito melhor. Eu destaco os lances, os gols foram legais, os assistentes estiveram bem ao nível fora de jogo. O tempo extra dado no segundo tempo, finalmente, foi correto, os tais seis minutos. Foi na gestão disciplinar e na não uniformidade de critérios que eu acho que esteve menos bem. De qualquer maneira, por isso baixo-lhe a nota, mas nota cinco, nota positiva, e nem Sporting nem Vitória, na minha perspetiva, podem dizer que ganharam ou que perderam em função daquilo ao que o jogo teve ou poderia ter resultado.

Não teve influência no resultado.

Em função do árbitro. Exatamente.

Pedro Henriques, está feito mais um "Sem Falta". Esta segunda jornada, temos ainda amanhã o compromisso do Porto em casa do Rio Ave. Vamos também acompanhar por aqui. E depois, na segunda-feira, também em Rio Maior, com esse Casa Pia-Benfica. Está no início esta temporada.