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Sem falta da Rádio Observador, hoje, na abertura da época, o Benfica perdeu frente ao St. Gallen, em jogo a contar para a primeira mão da segunda preliminar de acesso à Liga Europa. O árbitro foi Luca Pairetto. Pedro Henriques, uma breve nota sobre este árbitro. Na verdade, não temos muito a dizer, porque não há números para esta época.
Sim, é um árbitro que está a fazer também o seu primeiro jogo, tem 42 anos, internacional desde 2022 e a única referência que nós tínhamos mais recente foi da época passada, de um jogo em que o Braga ganhou ao Maccabi 2 x 0, também para a Liga Europa, e mais para trás só tínhamos um Sporting-Tottenham Youth League, também com vitória dos jogadores do Sporting. Não tínhamos grandes referências. Sabíamos as médias deles em termos genéricos, quase cinco cartões amarelos por jogo, uma média de 24 faltas e meia por jogo, o que significa médias muito parecidas com aquelas que os árbitros portugueses têm também nas competições nacionais.
Vamos aos lances deste jogo, que representou um desaire para o Benfica. Ao minuto 30, amarelo para Görtler, do St. Gallen.
Sim, Lucas Görtler acaba por ver o cartão amarelo e de forma correta. Na altura ficou-se com muitas dúvidas se era ele que tinha levado o amarelo, se era o colega a quem tinham sido feitos protestos, pois curiosamente alguns sites tinham os dois amarelos. Depois ficou tudo esclarecido, o amarelo foi mesmo para o Lucas Görtler.
E foi pela falta.
E foi pela falta, exatamente. Um pisão meio teico, portanto lateral, sobre o Pavlidis. Na ocasião, o Görtler com o pé direito acerta de sola e cuspitões também no pé direito do avançado grego do Benfica e a entrada claramente negligente, cartão amarelo bem mostrado.
Ao minuto 38 temos o primeiro gol dos suíços, marcado por Baldé, um grande gol, sem ângulo marcado, mas com lance que pode ter sido no limite um fora de jogo, uma bola colocada na profundidade do lado esquerdo do ataque dos suíços.
Para percebermos, há aqui dois momentos de análise. A primeira, perda de bola do Alexander Bah, que no seu corredor direito, conforme estava a sair, acaba por perder a bola também para o Görtler, e correto, só em cima do intervalo é que deram a repetição do plano fechado. Eu na altura fiquei com dúvidas, parecia-me legal, mas sem ter a certeza. Depois percebe-se que o desarme é na bola e o Görtler acaba por fazer a assistência para o Baldé. E como tu disseste muito bem, ele está, embora no limite, mas está em posição legal e também o VAR aparece com essa mesma imagem a mostrar que está em jogo. Aquilo que seria a questão do fora de jogo ou o ganhar de bola em falta, nada disso aconteceu e por isso o gol inaugural da equipe suíça, todo ele legal.
E ao minuto 43, Turbin acaba por defender uma bola do mesmo autor do primeiro gol. Na cara do guarda-redes acaba por defender Turbin e depois cai este Baldé, jogador do St. Gallen, aqui a sugerir que poderia ter havido uma falta, mas entrada limpa. Nem foi uma entrada, foi uma defesa limpa de Turbin.
Às vezes os guarda-redes quando saem para fazer a mancha, como foi o caso do Turbin, não param o seu movimento e projetam o seu corpo a uma perna e acabam por acertar no adversário que vem em movimento contrário. E às vezes, mesmo defendendo, podem provocar falta. Não foi o caso. O Turbin faz uma defesa, faz a mancha, mas faz a mancha parado e acaba por interceptar a bola com o braço esquerdo, após o remate do Baldé. E depois o Baldé até passa por cima do guarda-redes do Benfica. Eu acho que nem lhe toca, as posições não são muito claras, mas acho que nem lhe toca, mas se tocasse era por ação do movimento e do salto. Não por qualquer falta do Turbin e sem pênalti neste lance.
E para fechar os lances da primeira parte, ao minuto 45, mesmo ao cair do pano, o empate do Benfica neste jogo, que acabou por terminar com derrota encarnada, foi gol do Rafa. Resta saber se tudo legal nos vários momentos do lance, se algum fora de jogo de Rafa ou se o Benfica acabou por ter uma decisão justa a seu favor.
Não, decisão correta, porque aqui a questão não era a questão do Rafa Silva, era de quem fez a assistência, que era o Pavlidis. O Pavlidis veio, como a gente costuma dizer, de frente para trás, ou seja, saiu da baliza do adversário e veio no sentido do seu próprio meio-campo. E às vezes os jogadores quando fazem esse movimento e a bola lhes é passada, se não são rápidos a fazer esse movimento, são apanhados em fora de jogo. E era aí que estava a dúvida. Aliás, quando acabou o jogo, a primeira parte, eles mostraram os dois lances seguintes: o tal lance do gol dos suíços, com mostragem da imagem VAR, e também esta, exatamente com a imagem VAR, a mostrar que o Pavlidis não estava em fora de jogo e depois, obviamente, faz a assistência para o Rafa, que acaba por fazer o gol. O gol do Benfica, o gol do empate, tudo legal também, sem qualquer infração ao nível do fora de jogo.
Fechados os lances da primeira parte, vamos à segunda, a começar com um amarelo ao minuto 62 para Stanic.
Sim, este é um lance que eu até tentei explicar na altura, no direto, para dizer o seguinte: que é a situação típica de um guarda-redes que quer repor a bola rapidamente e há um adversário, e aqui entenda-se o Jozo Stanic, que impede, neste caso, o Turbin de soltar a bola das mãos e de lançar a bola, naquilo que se podia considerar uma jogada de algum perigo. Imagina, uma jogada de perigo quando o guarda-redes está a soltar na sua baliza e há 100 metros pela frente. Se tu soltas de forma rápida, tu estás a apanhar os adversários em contrapé. É uma bola parada, eles colocaram mais jogadores na área e o que normalmente os jogadores fazem quando os guarda-redes tentam repor rápido? Fazem uma corrida, acompanham o guarda-redes, tentam pelo menos retardar isso. Para quê? Para que os seus colegas possam se reposicionar. Porque se tu, que estás numa situação de área, em situação contrária, caso da equipe da Suíça, se o guarda-redes Turbin consegue meter a bola rápida, vai haver ali posicionamentos, até porque muitos centrais que são quem defendem, vão lá à frente dessas bolas paradas e não estão na retaguarda. E o que diz a regra é muito simples: se um jogador acompanhar o guarda-redes impedindo soltar a bola das mãos, livre indireto. Se acompanhar com contato, livre direto e muitas vezes com a questão do cartão amarelo, sobretudo quando tu entendes que há ali um comprometimento desportivo, que é quase que uma falta tática. Para ali já a jogada, porque se o guarda-redes colocar a bola lá em profundidade, nós vamos estar mal, porque vai haver uma jogada de perigo e nós estamos posicionados.
Estamos descompensados.
E por isso, livre direto, neste caso concreto, porque houve contato e cartão amarelo bem mostrado ao Jozo Stanic.
Temos depois ao minuto 65 o amarelo, mas para um homem do Benfica, já velho conhecido do nosso campeonato, da nossa praça, Pavlidis.
O Pavlidis. Outra vez que o Stanic agarra. É uma situação em que o Pavlidis por trás acaba por agarrar o Stanic, agarrar e puxar. É um misto de comportamento desportivo incorreto, porque agarra e destrói a jogada e ao mesmo tempo, porque se não agarra, sai dali uma jogada com algum perigo, a chamada falta tática também. É um misto entre o antidesportivo e a falta tática e o árbitro mostra muito bem o cartão branco.
Pedro, aqui nos lances eu tenho mais um ao minuto 94. Vamos por isso assumir que ao minuto 80 o segundo gol do St. Gallen procede tudo legal, de cruzamento, jogador em jogo, sem toques na área.
Ele nem saltou. Às vezes quando há salto no meio da molhada, eu acho que ele até tinha os apoios no chão e com os pés no chão e fez o cabeceamento e tudo legal. Acho que até veio de boa posição.
A expressão do nosso selecionador seria limpinho.
Limpinho. E foi mesmo limpinho, por isso o segundo gol não tem história.
Ao minuto 94, para fechar a análise aos lances do jogo entre St. Gallen e Benfica, amarelo para Tom Gaal, do St. Gallen.
Sim, o Tom Gaal acaba por ver cartão amarelo por agarrar, e também de forma evidente e ostensiva, o jogador do Benfica, agora passou-me o nome, que tinha acabado de entrar, que faz de lateral, que estava a fugir pelo corredor esquerdo e acaba por ser uma infração que trava uma saída em contra-ataque com algum perigo e por isso muito bem o árbitro mostrar o cartão amarelo, exatamente por este corte de uma jogada já prometedora e ao mesmo tempo uma falta tática também.
Resta saber que nota merece a equipa de arbitragem liderada por Luca Pairetto, o italiano, neste desaire do Benfica na abertura da época 26/27, derrota frente ao St. Gallen, em jogo a contar para a classificação para a Liga Europa.
Eu vou dar nota seis. E por que não dou aquele sete ou oito? Porque o jogo não teve grau de dificuldade, embora com resultado apertado. Os gols foram todos legais, sobretudo dois deles. E daí que eu digo que uma das melhores coisas que aconteceu em termos de arbitragem foi o destaque que eu dou aos árbitros assistentes, que estiveram irrepreensíveis em dois lances que deram gol e que eles tiveram razão. O VAR limitou-se apenas a confirmar. Da parte menos positiva, duas coisas, uma que nós não referimos aqui, mas vou referir agora, que é o chamado tempo de desconto, o tempo de recuperação, o tempo perdido, porque deu um minuto na primeira parte, na altura com dois gols e um cartão amarelo, não fez sentido, era muito pouco. E depois na segunda parte, com o amarelo, quatro paragens para substituições, onde entraram sete jogadores, e depois também com um gol, quatro minutos era pouco. E depois, curiosamente, ainda há um amarelo, acabamos de ver agora, e uma substituição nos descontos, e ele manteve os quatro minutos. No mínimo, tinha que dar aqui mais um minuto, os tais 45 segundos pela substituição e pelo amarelo. Portanto, não fez sentido a maneira como ele olhou para o jogo sob o ponto de vista de recuperação de tempo perdido e descontos. Esse é o lado menos positivo. E outra questão é que ele começou com um critério muito largo, que de resto vai ser uma tônica que vem daquilo que nós vimos nas arbitragens do Campeonato do Mundo.
Vai ser a herança deste Campeonato do Mundo.
Exatamente. E terminou depois com um critério menos regular sob o ponto de vista técnico, porque acabou inclusivamente a assinar faltas que nem sequer existiam. Portanto, apertou claramente o critério e quis apertar. E eu dou o exemplo aquela falta, que até o próprio João Pinto, do Benfica, disse que se fosse do St. Gallen considerava que aquela falta era dentro da área e podia ter dado um livre perigoso, podia ter dado o gol, portanto era incorreto. Mas de qualquer maneira, nota seis, porque ele esteve bem no essencial, nos gols, dois deles, sobretudo naquela que são dos foras de jogo. Esteve bem do ponto de vista disciplinar, controlou bem o jogo. Tecnicamente, foi menos regular no seu critério, mas sem qualquer impacto ou influência no resultado. E por isso, nota positiva, nota seis à equipa de arbitragem italiana.
E depois de uma pausa ativa para "Sem Falta" em contexto mundial, estamos de regresso à época regular dos clubes portugueses. Pedro Henriques, sem falta, está feito. St. Gallen 2, Benfica 1. Temos novo encontro marcado para mais análise à equipa de arbitragem, desta feita na segunda mão desta eliminatória. Benfica, St. Gallen, na próxima quinta-feira às 20h00 da noite da Luz. Vamos contar também com o Pedro Henriques. Um abraço, Pedro.
Um abraço.