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Sem falta de Pedro Henriques, também disponível através de podcast da Rádio Observador. Pedro, muito bem-vindo. Boa noite.

Boa noite uma vez mais.

Vamos então para este primeiro jogo, é o Benfica x Vitória Sport Clube, o árbitro de Lisboa, o árbitro Miguel Nogueira. Sexto minuto, amarelo para Rochinha. Bem dado?

Queres começar pelo Futebol Clube do Porto, é isso?

Não, queria começar com o golo, aliás, com o Benfica, Rochinha. Não, tens toda a razão, é que há o outro Rochinha do Vitória.

Exatamente. Por isso é que eu estava a te perguntar se querias começar ao minuto seis, o amarelo do Rochinha.

Então vamos já começar aqui com o Porto, tens toda a razão. É o Luís Godinho de Évora, certo?

Exatamente. O amarelo ao Rochinha foi mostrado quando o Martim Fernandes via a escapar pelo corredor direito, relativamente cedo. O Rochinha não tem qualquer hipótese de chegar à bola, estica a perna, acaba por derrubar o adversário. A entrada, por si só, é relativamente dura, negligente, mas sobretudo por cortar aquela transição, cartão amarelo bem mostrado.

Primeira parte feita, segunda parte. Livre que dá o gol do empate, minuto 51. O que diz ele desta situação?

Por ser um lance em que dá o gol do empate e também por ser um lance que poderia ter ficado dúvidas se o Galeno tinha mesmo sofrido falta ou se eventualmente tinha cavado uma falta, achei bem pôr aqui o lance. E para mim, boa decisão. Há mesmo falta do Gil Dias, ele estica o pé esquerdo e quando estica o pé esquerdo para tentar jogar a bola, o Galeno faz aquele movimento de ir para frente e depois regressar ou voltar para trás, portanto muda de direção e é nesse parar para voltar para trás que o jogador Gil Dias, ao esticar o pé esquerdo, acaba por tocar e derrubar o pé direito do Galeno. Portanto, livre direto bem assinalado.

E o gol? É logo a seguir.

Sim, o gol tem aqui algumas coisas, todas legais, portanto, gol legal, começando por aí. No cruzamento, não há qualquer jogador em fora de jogo, isto é quando o pontapé livre é batido. Depois, há a defesa para frente e há o remate do Samu. E no momento em que o Samu remata, e faz gol, no momento do remate, há dois jogadores colegas do Samu, do Futebol Clube do Porto, que estão em fora de jogo posicional, o Otávio e o Nico. Portanto, a bola vai entrar, visto sob o ponto de vista do guarda-redes, do lado esquerdo do guarda-redes. E tanto o Otávio como o Nico estão do lado direito do guarda-redes. Isto visto por quem está na posição do guarda-redes. O Otávio está relativamente afastado e esse então não tem qualquer impacto. A dúvida poderia ser o Nico, que está um bocadinho mais para frente e mais ao lado, mas em relação também ao guarda-redes. Mas está afastado também o suficiente, não se movimenta para tentar jogar a bola, desinteressa-se e em nenhum momento se vê, por exemplo, o guarda-redes a ter aquela influência ou impacto de um jogador que lhe aparece ali do lado direito, que ele distraía-se, olhava para lá, o que quer que fosse. Nada. O guarda-redes está focado na bola, está focado no remate. Não há qualquer impacto, nem do Otávio, nem do Nico, e por isso estes foras de jogo são posicionais e mantiveram-se posicionais, portanto, sem qualquer impacto. E por isso, gol, neste caso de empate do Futebol Clube do Porto, gol completamente legal.

Minuto 70, fica por mostrar aqui o cartão amarelo ao Pérez.

Sim, talvez o único lance, gostamos de esmiuçar aqui alguns lances, talvez o único lance em que o árbitro não percebeu bem o que o Pérez fez. O Pérez tem uma entrada que encaixa com os braços e carrega com as costas o Gustavo Sá, e é essa a falta que o árbitro marca, mas depois, e por isso é que o Gustavo Sá fica a agarrar ao pé direito, mais concretamente ao calcanhar, muito queixoso, e percebe-se que o Pérez, com o seu próprio calcanhar, calca de cima para baixo, pitons, o calcanhar direito do Gustavo Sá. E esta entrada acaba por ser dura, negligente. Lá está o tal pisão, ainda por cima com sola, mas o árbitro não tem essa percepção. A falta é bem assinalada. Ficou aqui, no meu ponto de vista, talvez a única falha, o tal cartão amarelo que poderia ter sido mostrado.

Entretanto, é aquela grande situação caótica, porque há um gol anulado ao Porto e, na sequência do gol, anteriormente, há penalti para a equipe do Famalicão.

E para agudizar mais isto, o segundo, o Vitória Bruno, na conferência de imprensa, disse que o Luís Godinho terá dito que o penalti que ele assinalou é por mão direita. E é aqui que o Luís Godinho gera um pouquinho mais de confusão. Vamos ao lance. Há gol do Futebol Clube do Porto, gol do Samu. Isto é o minuto 74, porque entretanto já estávamos no minuto 73 e mais qualquer coisa quando é o gol. Quando o árbitro fica à espera da validação do gol, é chamado ao vídeo-árbitro, e neste caso ao monitor, para ir verificar o início da ação da jogada, porque se houvesse uma infração no início, como houve, da jogada, como o Futebol Clube do Porto foi na direção da baliza e considera-se isto a mesma fase de ataque, se houver uma infração, esse gol é anulado e vai-se recomeçar com a infração que deu origem a essa recuperação de bola, ou que não foi neste caso assinalado. E o que acontece? Quando o Rafa Soares cruza, o Pepê, que está de frente para ele, roda. A bola vai passar pelo lado direito do Pepê e ele com o seu braço esquerdo, que é o braço que está do outro lado, faz uma rotação pela frente de 180°. Portanto, o braço esquerdo passa da sua posição, roda 180°, faz uma rotação sobre ele próprio, e é esse braço que vai interceptar a bola. É um facto Que está a mão direita, porque os dois braços ficam praticamente juntos, o esquerdo com o direito, quando ele faz aquele movimento. E há ali a mão direita por trás. Eu tive o cuidado de ver nas transmissões da televisão, tive o cuidado, por ser um lance em que depois até ouvi o Vítor Bruno a dizer que o Luís vinha dizer que é com a mão direita. Tive o cuidado de ir ver um programa que a Sport TV também tem, do juízo final, onde apresentam os lances e ampliam, e na ampliação vê-se que é o braço esquerdo que toca. Portanto, não sei se realmente o Luís Vinha disse que foi com a mão direita, se foi essa a percepção que teve. Enfim, não faço ideia. O que eu sei é que a intercepção é feita com o braço esquerdo, que faz a intercepção dessa bola, nesse momento de rotação. Não é uma bola que vai passar ao lado do braço que está naquela posição e que afasta um bocadinho mais para fora ou não. É um braço que vem do lado contrário, que roda 180 graus e que vai interceptar. Mas mesmo que por hipótese, até fosse a mão direita que estava mais atrás a interceptar, tanto o braço esquerdo como essa mão direita estavam claramente fora do plano do corpo a interceptar a trajetória da bola, ganhando voluntaria. Portanto, até aí seria correta a decisão se fosse a mão direita. Agora, o Luís Vinha aqui acho que não se devia ter exposto a dizer. Explicaria, neste momento ao treinador, que há um braço que roda, há a infração de mão, de braço, sem estar a detalhar pormenores, até porque ele pode ter a percepção que foi aquele braço, mas como o braço saiu da esquerda para a direita, de repente aquilo para ele é direito. Estamos a falar na ação. O que importa aqui dizer é que toda a decisão que foi tomada foi correta. O gol é anulado, e bem, porque no início da ação da jogada há um penálti do PP, que usa a bola para o guarda-redes, que depois lança toda a fase de ataque que dá origem ao gol. Portanto, o protocolo prevê exatamente isto e o penálti é muito bem assinalado e isso é mesmo o mais importante.

Colando o penálti, a defesa do Diogo Costa, tudo legal.

Tudo legal. Para relembrar, o Diogo Costa defende como normalmente quando defende, e são muitas as vezes que até defende penáltis, o faz. Ele deixa o seu pé esquerdo ou a pisar a linha ou ligeiramente até escorregar ligeiramente para trás e movimenta sempre o seu pé direito para frente, projetando-se e depois indo buscar a bola. E isto é legal. Portanto, relembrar que o vídeoárbitro tem que ver se há infração por parte do guarda-redes. Para os árbitros em movimento normal, isso é quase impossível. Com a videoarbitragem, eles são obrigados a parar o momento do remate, em que no fundo é batido o pontapé de penálti, para ver se há alguma infração cometida pelo guarda-redes e depois a partir daí, sendo gol ou não sendo gol, já há várias hipóteses de repetição, não repetição, isso agora aqui não nos interessa. Mas o que importa é que o que diz neste momento em termos de posicionamento do guarda-redes, é que um guarda-redes pode movimentar uma das pernas para frente antes da bola partir, coisa que antes não era assim, mas agora a regra permite, desde que o outro pé esteja ou a pisar a linha ou no enfcimento da linha. E mesmo quando às vezes escorrega ligeiramente para dentro, o pé que fica atrás, a própria UEFA já se pronunciou sobre isso. Curiosamente, em relação a dois penáltis defendidos por Diogo Costa na Liga dos Campeões, que subiram à UEFA e que serviram exatamente de análise, porque de repente o Diogo Costa tinha um pé para frente nesses penáltis e tinha o outro pé para dentro da baliza, porque escorregou para dentro, e a UEFA diz que isto é legal. E portanto, uma vez mais, o Diogo Costa a defender um penálti com tudo o que está na regra.

Muito bem. Reta final então deste "Sem Falta". Minuto 90, o amarelo para o Estádio.

É por completamento desportivo, falta tática, agarrou o número 14, o Amorim, do Famalicão, quando ele ia escapar-se e a fugir em contragolpe, portanto, bem mostrado o cartão amarelo.

Logo a seguir, minuto 91, também aqui o cartão amarelo para Meias.

Porque ele está a protestar. Eu não tenho a certeza se foi por causa deste lance ou não, porque entretanto a televisão só recupera o árbitro a ir ver se há alguma exaltação do Meias e o árbitro a ir mostrar-lhe o cartão amarelo. Portanto, terá havido ali um protesto, palavras, mas a certeza que eu tenho é que foi por palavras/protesto.

Ainda dois amarelos. O primeiro é para Samu, minuto 92.

Entrada muito dura sobre o Slobi num cruzamento para a área do pontapé livre. Lógico que o Samu quer esticar a perna para lá chegar para tentar desviar a bola para a baliza, mas depois não para o movimento, não intercepta a bola, dobra a perna, que é atenuante, mas acerta mesmo ali com o joelho do guarda-redes.

E falta o amarelo para o Galeno, também aqui protesto.

Protesto. Portanto, nada a dizer em relação a este lance.

Então que nota para Luís Godinho, no Famalicão?

Vou dar nota sete. Porque quem acompanha aqui o "Sem Falta" sabe que eu valorizo sempre quando todas as decisões são tomadas pelo árbitro. Quando o VAR auxilia e ajuda, naturalmente, eu tenho tendência para tirar pelo menos um ponto, porque valorizo sempre mais o árbitro quando decide tudo sozinho do que quando é o VAR a ajudar. O VAR faz parte da equipa de arbitragem e o que importa para o futebol não é quem é que decide, interessa é quem é que decide bem e se a equipa de arbitragem decide bem. E aqui temos uma decisão de grande grau de dificuldade e sobretudo de grande impacto e importância. Repare que é um lance que pode dar, eventualmente, uma vitória, neste caso, ao Futebol Clube do Porto, por 2x1, e que poderia, caso o penálti fosse transformado, transformar numa derrota de 2x1, tudo no mesmo lance, com todo o impacto que isto tinha no jogo, na decisão. Agora pensando ao contrário, e imaginemos que há uma equipa que ganha 2x1 com um lance em que, em vez do gol, devia ter sido assinalado penálti. E aqui nós percebemos a importância do VAR. E portanto, hoje eu vou dar nota sete, que seria oito, se fosse tudo só com o Luís Godinho. O Luís Godinho esteve bem, de resto, a descrição que fizemos, só tocámos no amarelo, mas muito com o tal mérito do Tiago Martins e do vídeo-árbitro, numa decisão crucial do jogo.

É uma nota muito positiva, nota sete, que atribui aqui Pedro Henriques ao árbitro Luís Godinho de Évora, árbitro que apitou então o empate entre Famalicão e também o Futebol Clube do Porto.