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Está encontrado o primeiro finalista da Allianz Cup, o Vitória Sport Clube eliminou o Sporting e vai estar sábado nessa final. Falta só saber quem será o seu adversário, Benfica ou Braga. Pedro Henriques, para mais um Sem Falta. Vamos avaliar o trabalho de Luís Godinho, foi o árbitro desta partida. Pedro, muito boa noite.

Boa noite.

Vamos começar com o minuto 13 e com uma falta que deu amarelo para Miguel Nóbrega.

Não deu.

Não deu amarelo.

Exatamente.

Faltou esse amarelo, não é?

Sim, foi na construção da jogada que originou o gol do Sporting. O Miguel Nóbrega fez um tackle deslizante, varreu autenticamente o Maxi Araújo. O árbitro deu a lei da vantagem, e bem, porque depois o Sporting acabou mesmo por fazer o gol, mas não obstante ter havido o gol e com essa interrupção, que foi a primeira interrupção após essa falta, devia ter mostrado o cartão amarelo. E a entrada foi mesmo a varrer e, portanto, uma das duas pequenas falhas que o árbitro teve no jogo.

Seguimos então com o gol do Sporting, que surge ao minuto 14.

Sim, gol legal, no momento do passe do Francisco Trincão para o Luís Suárez, ele está em posição legal. É o Miguel Nóbrega que valida a posição do avançado colombiano do Sporting e, portanto, tudo legal no que diz respeito à questão do fora de jogo e do gol.

Ao minuto 21 não há pênalti de Yoan Hiddink.

Sim, é aquele lance em que até se vê o banco do Vitória a fazer o gesto de braço e a consultarem o iPad, porque estavam a ver as imagens da televisão, toda a gente vê, exceto o treinador do Sporting. A bola é desviada realmente de cabeça pelo Miguel Nóbrega, a bola foi de perto, inesperada, à queima, e foi ao braço do Fotionidis, que tem o braço dobrado junto ao corpo, portanto, um desvio de cabeça, chamada à queima, de bola inesperada, como disse, e de perto, e por isso tudo legal, sem motivo para pontapé de pênalti.

Depois sai finalmente o amarelo para Miguel Nóbrega, mas ao minuto 29.

Sim, e bem, o árbitro fez aquele gesto de um, dois, três, levantando os dedos da mão direita a dizer que não é tanto por esta falta, e esta falta foi uma entrada por trás sobre o Luís Suárez, mas pelo acumular de faltas. Chama-se a isto tecnicamente infringir com persistência às leis do jogo. E o árbitro bem mostrou o cartão amarelo.

Ao minuto 43 sai um amarelo para Fresneda, que de alguma forma também o condiciona daí para frente, não é?

Certo. Com a mão esquerda agarra e puxa de forma evidente, ostensiva, a camisola do Noah Saviola. É junto à linha de baliza, mas já próximo da entrada lateral da área do Sporting, e o árbitro mostrou o cartão amarelo, porque o agarrar de forma evidente, ostensiva, independentemente da parte do terreno de jogo, e aqui ainda por cima junto à área, normalmente é sempre pedido um cartão amarelo.

O Luís Godinho deu cinco minutos de compensação na primeira parte e aos 45 mais três faltou um amarelo para Camara.

Sim, é o segundo momento em que eu considero que houve uma pequena falha da parte do árbitro, dentro do enquadramento do jogo e das muitas e boas decisões que foram tomadas. É aquela situação em que o Camara está a discutir a bola com o Maxi Araújo e ele com o braço esquerdo, portanto, o Maxi Araújo está do lado direito, e ele com o braço esquerdo, que é exatamente o braço do lado contrário, faz um movimento de 180 graus e acerta de mão aberta na cara do Maxi Araújo. Portanto, é uma entrada, uma infração negligente, passível de cartão amarelo e que o árbitro não mostrou.

Mostrou, sim, um amarelo a Saviola ao minuto 56.

Exatamente, cartão amarelo e bem mostrado ao Noah Saviola, porque com a mão esquerda agarrou e puxou a camisola do Eduardo Quaresma. Um comportamento desportivo, bem sancionado disciplinarmente e lá está, o tal agarrar que serviu para mostrar amarelo a Fresneda, aqui uniformidade de critérios também ao Saviola por agarrar também o Eduardo Quaresma.

O Eduardo Quaresma, que depois sai lesionado, vítima de um choque de cabeças com Samu, acontece ao minuto 63. Apesar da lesão, e o Rui Borges dizia que poderá ser grave ou pelo menos para algum tempo, é na face, não é um lance ilegal, digamos.

Sim, exatamente, porque aqui a questão é que os jogadores do Vitória, de alguma maneira, estiveram ali, não digo a pressionar, mas a falar com o árbitro numa perspetiva de um pênalti. Porque isto é na área do Sporting, realmente, tanto o Eduardo Quaresma como o Samu saltam e percorrem uma trajetória em sentido contrário e acabam por se chocar. É um fato que realmente o Samu chega primeiro e até toca na bola de cabeça, mas não é uma situação em que o guarda-redes falha a bola e depois dá um burro no adversário. Não, aqui é dois jogadores a concorrerem para a mesma trajetória, em sentidos contrários. Como não conseguem parar o movimento, não obstante haver o contato cabeça, há um choque de cabeças. Não é uma entrada de pé, de joelho, em relação ao adversário, não é um guarda-redes a sair com a mão. Aqui há uma diferença que é duas zonas que são possíveis e o jogador não foi cabecear o seu adversário. O que acontece é um choque de cabeças em trajetórias de sentidos contrários e tudo legal, sem qualquer tipo de infração.

Ao minuto 73 não há pênalti sobre Maxi.

Não, é aquela situação em que, depois de até vendo melhor as imagens, o Maxi Araújo deixou claramente o pé esquerdo para trás e é ele que promove o contato com o pé esquerdo do Benny. Não vou dizer que há simulação, embora se perceba que há aquela tentativa de deixar o pé para trás para que possa haver um contato e depois quando paramos a imagem, e mesmo com o movimento mais lento, percebe-se que o Maxi Araújo já está todo projetado para o solo, já está em queda, já está em desequilíbrio, e aquele pé fica lá para trás para tentar ganhar algo. Mas de qualquer maneira, há contato, pé esquerdo com pé esquerdo, mas não há rasteira por parte do Benny. Diria que quem potenciou este contato foi o Maxi Araújo e não foi o Benny e por isso tudo legal, sem pênalti.

Kochor Ashvili entrou no decorrer desta segunda parte e ao minuto 99 levou um amarelo.

É um pisão, pé esquerdo, de sola e com os pitões no pé esquerdo do Telomer Kans, uma entrada fora de tempo e cartão amarelo bem mostrado.

Há outro amarelo também ao minuto 100 para Abascal.

É aquela situação em que ele agarra na bola, que estava metida na área de baliza, chamada pequena área, para o Rui Silva ir bater o pontapé de baliza e o Abascal chega lá, agarra na bola e traz a bola nas mãos e percorre alguns metros. Comportamento desportivo, tenta claramente retardar aqui o recomeço do jogo e por isso o árbitro bem mostrou o cartão amarelo.

O golo que dá a vitória à equipa de Guimarães surge aos 90 mais 11. De resto, o Luís Godinho deu 11 minutos de compensação nesta segunda parte. É um golo de Ndoye que esteve a ser avaliado pelo VAR, porque há um auxiliar que levanta a bandeira.

O assistente. Sim, o árbitro assistente levantou e deu fora de jogo. Eu podia abordar este lance de várias maneiras. Uma delas é a forma mais rápida, é dizer que quando o Samu passa para o Ndoye, o Ndoye está claramente em jogo, provavelmente mais de um metro. A questão é que o árbitro assistente é iludido porque há um desvio pelo meio, ou seja, há um ressalto de bola de um jogador do Sporting e para o árbitro assistente ele não tem essa perceção. E aquilo que vê é eventualmente o pensar que quem terá tocado uma segunda vez na bola possa ter sido um jogador do Vitória. Portanto, fica iludido porque a bola não vai diretamente do Samu para o Ndoye. Isto é, há um ressalto, entretanto, no jogador do Sporting e acho que é isso que ilude em termos visuais o árbitro. Esta é a forma de abordar e poderíamos matar já o lance aqui. Mas depois há outra coisa que eu queria relembrar. Isto é um lance decisivo, no último minuto de descontos de 90 mais 11. Porque a Taça da Liga teve outros casos na altura em que não havia VAR, aquelas situações. Enfim, agora imaginem o que era este lance sem VAR. É só isso que eu pergunto às pessoas. Imaginem o que era este lance sem VAR. Porventura, iríamos para pontapés de penalty e agora imaginem que o Sporting passava nos pontapés de penalty. Esta Taça da Liga ficaria sempre, daqui a um ano, dois, 10, 20, 50 anos, sempre marcada por uma situação de alta irregularidade. É só para relembrar às pessoas que critiquem como quiserem criticar. O vídeo-árbitro veio para ficar, não resolve tudo, mas vai resolvendo muitas coisas. As pessoas é que só se focam naquilo que é quando o VAR não resolve e agora resolveu e muito, e bem. Portanto, um lance completamente decisivo, não é só a vitória de um jogo, é uma passagem, neste caso, a uma final, e quem sabe o que é que vai acontecer na final, e é para as pessoas perceberem bem da importância do vídeo-árbitro. Teríamos o Luís Godinho, neste momento, completamente destroçado por uma situação, caso não houvesse vídeo-árbitro, toda a equipa de arbitragem, o próprio árbitro assistente, assim saem por cima, vão sair com nota positiva. Toda a gente vai olhar para este lance como muito bem em termos de equipa de arbitragem, porque foi o vídeo-árbitro que interveio e portanto as tecnologias estão cá para ajudar e ainda bem que existem.

E a tua nota para Luís Godinho é positiva?

É nota sete. Vou dar nota sete. Aqui eu diria que o árbitro esteve em bom plano, não obstante aqueles dois deslizes disciplinares, mas acima de tudo o VAR. Não vou dizer que esteve em bom plano, o VAR foi decisivo e portanto, se quiserem pôr aí um título, é: VAR foi mesmo decisivo num jogo que deu uma passagem a uma final. É só isso.

Muito bem, Pedro Henriques, está feito mais um "Sem Falta". Obrigado pela tua análise. Contamos contigo também de novo amanhã para mais uma emissão especial de desporto. Um abraço, Pedro.

Um abraço, amanhã.