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Sem falta da Rádio Observador, para fechar a 32ª jornada, vitória sofrida do Futebol Clube do Porto em casa frente ao Casa Pia, por duas bolas a uma. Arbitragem de Manuel Oliveira. Pedro Henriques, o nosso áudio-árbitro já está conosco. Pedro, bem-vindo mais uma vez. Manuel Oliveira, o que te traz dizer?

O Manuel Oliveira é um árbitro que já vai granjendo alguma experiência. Basta relembrar que fez hoje o jogo 153 da Primeira Liga, o que já é uma marca muito boa, e 18 da Primeira Liga esta época. É um árbitro que está no seu limite de idade normal, que era os 45 anos. Já sabemos que agora os regulamentos permitem ir mais além. É um árbitro, acima de tudo, com muita experiência e era um jogo que se previa com grau de dificuldade, dado o contexto, a boa época do Casa Pia, aliás, depois refletiu-se isso no jogo, alguma irregularidade, de certa forma, do Porto e sobretudo esta luta acesa que o Porto ainda mantém e pressão com o Benfica. Portanto, um árbitro com experiência era importante num jogo deste nível.

E ao 1min41s, na tua opinião, para começarmos a análise, Pedro, faltou um amarelo a um avançado do Futebol Clube do Porto. Falamos de Mehdi Taremi.

Sim, exatamente. De forma rápida, para concluir aquilo que já tinha dito e depois a que eu tinha a ligação. O Taremi tinha que ver o cartão amarelo. Obviamente, a questão aqui que se coloca é que ele não pode fazer de árbitro, nem de nada na perspectiva de agarrar no jogador, neste caso o Mukendi, e ser ele a empurrá-lo para fora das quatro linhas. Não pode fazer isso e o árbitro tinha que advertir o Taremi, que isto é um cumprimento importante. Aliás, devia explicar ao Taremi, devia ter até evitado que o Taremi fizesse aquilo. Ele é que coloca o jogador fora. E colocou o jogador fora, porque a equipe médica do Casa Pia chegou a entrar no terreno de jogo, embora depois tenha entrado e andado uns metros dentro do terreno de jogo e depois saído. A partir do momento que a equipe médica entra dentro do terreno de jogo, o jogador que supostamente iria ser assistido tem que sair com a equipe médica. Portanto, o árbitro fez bem em colocá-lo fora e depois só deixar entrar depois da execução do pontapé de canto, porque só pode deixar entrar depois da bola estar em jogo. O que o Taremi fez é que não é correto e portanto o cartão amarelo ficou por exibir ao Taremi.

No lance em que Taremi, para termos algum contexto, Pedro, empurrou o jogador do Casa Pia para fora do campo, depois de o jogador ter estado fora. Ficou esse amarelo por mostrar a Taremi. Na tua opinião, ao 1min45s mais quatro, o livre que dá golo do Casa Pia, na tua opinião, foi bem assinalado, mas é antes do livre que chega o problema. Não sei se o VAR deveria ter visto alguma coisa, Pedro. A palavra é tua.

Sim, basicamente, há um lance a meio campo e portanto bem longe ainda da situação que depois dá a falta e o gol do Casa Pia, em que o Ureña sofre uma falta pelo jogador japonês, o Yuki Soma. O árbitro não considerou, considerou que houve um contacto. Entretanto, a bola vem do meio-campo, vai até à zona do Ureña, onde inicialmente fez falta, vai fazer falta sobre o Pavlović e é realmente uma falta por trás feita por Joane. E o árbitro assinalou a falta corretamente. Depois do livre, resulta o gol e o gol é todo legal. Isto para dizer o quê? Que muitas vezes as pessoas vão buscar aquele lance para trás para tentar justificar alguma coisa. Aliás, vimos até numa questão do Real Madrid e Manchester City, a propósito do árbitro Sádani ter apitado, foram buscar um lançamento lateral que o árbitro não assinalou e depois daí deu o gol, etc. Isto para dizer que o gol do Casa Pia é legal, o livre que antecede o gol também é legal. Obviamente que vem de uma zona de meio-campo em que devia ter sido uma falta a favor do Porto, mas aquilo que é a legalidade do gol do Casa Pia é completamente impecável e daí esta explicação que eu queria dar.

Pedro, temos depois um intervalo que excedeu o tempo concedido. Os homens do Futebol Clube do Porto demoraram a regressar. Um total de 22 minutos, foi quanto durou o intervalo desta partida.

Basicamente para dizer que a lei, no que diz respeito à duração do jogo e depois ao intervalo, fala que a lei certa diz que não pode exceder os 15 minutos, é mesmo o texto da lei. Peço desculpa, não é não pode, não deve exceder os 15 minutos, assim é que é a mesma palavra. Por dizer, pode, e é mesmo que lá está não deve. Mas muitas vezes excede, às vezes um minuto, dois minutos, três, neste caso até foi mais. Tem acontecido com o Futebol Clube do Porto muitas vezes esta época, as primeiras partes não têm sido conseguidas. Desulso que o Sérgio Conceição, obviamente, nas suas palestras, se alonga até para passar bem a mensagem e dar a volta ao texto. E tem resultado, normalmente, o Porto depois nas segundas partes torna-se mais consistente. O que o árbitro tem que fazer, e esta é a explicação pedagógica, é perguntar ao capitão de equipa, a partir do momento que excede esses 15 minutos, os motivos do atraso, o capitão diz ou não diz, e o árbitro transmite isso exatamente, juntamente com os delegados da liga. Depois o que dá são penalizações e o Futebol Clube do Porto tem sido bastante penalizado financeiramente, neste caso, por estes atrasos, porque há aqui esta questão dos compromissos comerciais, as publicidades, os intervalos, as televisões, etc. É por isso que tem que haver aqui alguma ordem em termos de organização e alguma penalização quando os clubes não respeitam, porque acima de tudo isto é futebol profissional. De qualquer maneira, só para dar esta indicação que o árbitro não pode fazer nada. Às vezes o público, não era o caso porque jogavam em casa, mas muitas vezes quando é ao contrário, assobiam e assobiam a equipa de arbitragem. Às vezes há jogadores que pensam que o árbitro não pode fazer nada. O árbitro tenta de alguma maneira acalmar, nomeadamente quando vem ao intervalo, às vezes fala com os delegados ou às vezes quem apita no túnel ao forte para dizer: "Eu estou aí para o terreno de jogo, está na hora." Mas a partir do momento que há atrasos, o árbitro não pode ir buscar os jogadores pela mão e portanto apenas se limita a esperar e depois a colocar no relatório os motivos do atraso.

Pedro, temos depois, já no decorrer da segunda parte, depois desses 22 minutos de intervalo, 49 minutos de jogo, amarelo para Zlotnik, da equipa do Casa Pia. Bem mostrado este amarelo?

Sim, bem mostrado. Entramos naquela fase do cartão amarelo pela negligência, ou seja, pelas entradas duras. Foi o caso e o Zlotnik aqui foi bem advertido com esse cartão amarelo.

Temos ainda ao minuto 60 uma reclamação de pênalti na área do Futebol Clube do Porto. Reclamavam os homens do Casa Pia uma alegada mão de Matheus Uribe.

Aqui a questão é aquele momento de calcanhar. Acho que foi de calcanhar, aquele toque muito veloz que quase que ia marcando golos e o Costa defendeu. A bola foi para frente e quando vai para frente, depois de defender o Costa, o Uribe, que entretanto tinha escorregado e tinha colocado ambas as mãos no solo, a bola passa por cima de uma das mãos, da direita e vai bater na da esquerda. As mãos estão aperadas no solo em posição absolutamente normal, natural. Qualquer volumetria, não há qualquer gesto. É o Ribo que leva com a bola de forma completamente acidental, não tira qualquer partido nem vantagem da situação e, portanto, não há motivo para apontar pé penal. Curiosamente, a bola sai dali, vai para o linha lateral, um lançamento rápido. Tenho dúvidas é se o VAR teve tempo de analisar o lance e ter dito ao árbitro: "Espera aí", porque aquilo foi tão rápido. Se porventura fosse pênalti, acho que tínhamos aqui um caso que era a situação de eventualmente ser pênalti, o VAR nem sequer teve tempo de ver o lance, de ter dito ao árbitro para retardar o lance. De qualquer maneira, mal menor, não houve pênalti, seguiu o jogo e tudo certo.

Ao minuto 74, amarelo para Filipe, da equipe do Casa Pia.

Sim, é na questão da substituição, a demora para sair. O resultado estava a favor, obviamente, e o árbitro entendeu que houve ali uma tentativa de retardar, demorar tempo e mostrou o cartão amarelo.

Há ainda, Pedro, depois ao minuto 93, o gol do Foco do Porto que, na tua opinião, é legal. Poderia haver aqui que dúvida se levanta?

Não, era a questão do Toni Martinez quando cabeceia a bola para o Namaso. Houve um jogador do Casa Pia que expulsou a situação de possível fora de jogo do Namaso, mas isso não aconteceu. No momento que o Toni Martinez faz a assistência para o Namaso, o Namaso está claramente em jogo e, portanto, o gol legal do Foco do Porto, só por ser um gol importante e por ter havido aquele esboço de possível fora de jogo por parte do jogador do Casa Pia que eu trouxe aqui à questão neste lance.

Temos depois, ao minuto 97, amarelo para Afonso Taira, da equipe do Casa Pia, mais uma vez, Pedro.

Sim, aqui o Taira, embora eu no direto tinha dito, e ele já tinha feito várias faltas, aquela falta que ele fez no meio-campo não foi uma entrada tão dura, mas eu enquadrei mais isto no chamado infringir com persistência as leis de jogo, ou seja, um jogador que já tinha feito várias faltas e que naquele momento, ainda por cima estávamos no momento final. É bom relembrar que tinham sido dados, se não estou em erro, sete minutos.

Acho que foram oito, Pedro.

Oito, tens razão. Exato. Seis na primeira parte e oito na segunda, é isso mesmo. Foram 14 no total e estávamos no minuto 97, o árbitro aqui queria segurar o jogo e estas faltas que podiam surgir e podiam, no entender do árbitro, ser penalizadas exatamente, que é pela falta em si, que é por infringir as leis de jogo, portanto, acho que era esse o caso.

Temos, Pedro, para fechar a análise aos lances, antes de conhecermos a nota de Manuel Oliveira, minuto 99, amarelo para aquele que foi o homem do jogo, que marcou o gol da vitória do Foco do Porto. Falamos de Danny Louder ou Namaso, como também é chamado.

Exatamente. O Pavoni vem a correr desenfreadamente, faz a transição do seu próprio meio-campo e o Namaso, na chamada falta tática ou falta útil, na linguagem popular, o objetivo ali era parar aquela possível contra-ataque. O Porto estava a ganhar e sacrificou-se pela equipa levando o amarelo, mas matou ali aquela jogada após a marcação do livre, a equipa do Porto já tivesse toda recomposta e portanto cartão amarelo bem mostrado.

Pedro, que nota merece Manuel Oliveira depois desta arbitragem? Jogo muito tenso que teve um calorzinho nos bancos. Não sei se queres também falar dessa situação.

Sobre isso-

Já está tudo dito, não é?

Vou-te já dizer duas coisas rápidas. Nota 7 para a equipa de arbitragem, porque o Manuel Moça esteve bem, no essencial, nos lances principais. Havia muito nervo, houve, sobretudo, muita tensão e até nos bancos pós-gol e sobretudo depois no final do jogo. Não sei que contas é que vão reparar ao relatório do árbitro. Claro, porque a dado momento o engenheiro Luís Gonçalves parecia que estava a mandar para cima dele. Fiquem com essa ideia, que era em relação a árbitros assistentes, ânimos muito exaltados. Havia o Sérgio Conceição com gestos muito pouco próprios e nada bonitos, independentemente das razões, das provocações, não pode fazer aquilo que fez. O gesto está visto e deduzo que deste jogo possa vir aí alguns processos recorrentes daquilo que aconteceu, sobretudo no pós-gol e sobretudo no final do jogo. Agora, estas cenas são lamentáveis, mas isto também reflete um bocadinho a nossa sociedade, o nosso mundo, as pessoas mesmo estando no desporto profissional e no alto nível da competição. Eu sei que as pessoas dizem que é profissional, dizem que são os nervos, são as emoções. Eu andei lá dos 20 anos metade, passei lá no futebol profissional e nunca tive estes comportamentos, nunca tive estas atitudes e também tinha nervos e também sei dizer asneiras como os outros sabem dizer. Só que comi o chá quando era pequenino e sou uma pessoa bem-educada e tive bons valores e princípios e os outros também dizem que têm, mas depois não se reflete nas atitudes e comportamentos. Lamentável aquilo que se viu. O futebol português tem que dar a volta a isto. Não basta o presidente da Federação, o presidente da Liga irem a lançamentos livres, aparecerem em Albrasils, estarem nos momentos certos, terem grandes propostas, mas depois aquilo que é realmente importante mudar, penalizações fortes para quem prevarica, não acontecer para quem esteve neste final de jogo com estas atitudes e estes gestos, para o treinador de guarda-redes do Benfica, que levou apenas 1500 € e um jogo de castigo, uma atitude que teve que é incompreensível e o futebol português vai brincando ao futebol. Quando deixarmos de ser futebol profissional e passarmos a ser indústria do futebol profissional, talvez as pessoas percebam e espero que ainda vão a tempo. Daqui a um ano as coisas vão mudar a nível internacional e vamos lá ver se não vamos perder o comboio com estas legislações brandas e com estas pessoas que fazem carreira em vez de servirem as instituições.

Pedro Henriques, mais um "Sem Falta" concluído aqui na Rádio Observador. Nota sete para o árbitro Manuel Oliveira na vitória do Foco do Porto por duas bolas, uma frente ao Casa Pia. 32ª jornada. Depois desta, só mais duas, Pedro, mas nós cá andamos para todas as batalhas. Um grande abraço e bom descanso.

Um abraço. Até amanhã. Até à próxima. Obrigado.