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Mais uma viagem que passa pelo semáforo político verde, amarelo ou vermelho em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro e debate preparatório do Conselho Europeu. A Judite França tem aqui uma cor para escolher e um protagonista, ou mais do que uma cor e mais do que um protagonista. Não é assim, Judite?
Tendo em conta que hoje estou só e abandonada, escolhi dois protagonistas e duas cores.
Não estás só, estás comigo e com a minha audiência.
Não, só sem partner propriamente no semáforo. E hoje também o semáforo é um pouco mais curto, porque a nossa emissão foi diferente. Vou escolher André Ventura por causa do debate quinzenal e vou lhe dar um vermelho, que é um vermelho de raiva, porque a dada altura, André Ventura, claramente, como não lhe correu bem o debate, começou a ficar um pouco mais exaltado do que é normal. Também podia estar mais avermelhado por causa do bronzeado, não sei se é isso, ou se era mesmo de estar irritado com Luís Montenegro.
Condiz com a estação.
Condiz. Luís Montenegro está aparentemente em forma e André Ventura estava a contar com o seu estilo habitual para apanhar os mais incautos e não conseguiu. E à medida que as intervenções se iam sucedendo, mais irritado parecia estar o líder do Chega. Luís Montenegro ou trazia a lição estudada, antevendo algumas das tiradas de Ventura e portanto trazia já respostas prontas, ou então foi muito rápido a inventá-las, não faço ideia. E no fundo, o que resulta para aqui e para o próprio Montenegro, é que lhe correu bem. E eu acho que Montenegro voltou à fórmula que tinha encontrado no primeiro debate das eleições legislativas que os opôs, que opôs Montenegro e Ventura, que é aquele tom, que é uma espécie de tom de gozo, que ele já na altura usou e acho que agora voltou a isso, ironizando muitas vezes, nomeadamente dizendo que Ventura ataca muito Montenegro e ataca muito o PSD, mas a vontade era estar aqui ao lado, diz Montenegro, apontando para a bancada do governo, o que é um fato. Porque André Ventura consegue fazer as duas coisas, uma coisa e o seu contrário, que é criticar o PSD e criticar Montenegro, mas depois mostrar-se absolutamente disponível, como se mostrou no passado, para fazer acordos, para fazer acordos de incidência parlamentar. Aliás, o objetivo primeiro e máximo de André Ventura era mesmo chegar ao governo e ficar com algumas pastas importantes. Luís Montenegro não poupou nas palavras. Normalmente, André Ventura também não poupa e, portanto, replicou-lhe na mesma moeda, chamando-lhe populista, oportunista, ter falta de materialidade política. E também disse que se fizesse a recolha de tudo o que Ventura lhe chamou e disse sobre Montenegro durante os últimos dois anos, que tornar-se-ia ainda mais incongruente e mais bizarro dizer que queria estar ali na bancada do governo. Aliás, a dada altura, diz Montenegro que convém não esquecer que Ventura andou atrás dele, "andou atrás de mim", e ainda acrescentou que Ventura acha que pode fazer tudo e pode dizer tudo, e que os outros não podem fazer nada. E aquilo que lhe veio mostrar, e bem, é que consegue ser arrogante. E aliás, disse que não queria nem ser paternalista, nem ser arrogante, mas foi paternalista e arrogante. Lembrando que Ventura, no último debate quinzenal, disse que a legislatura estava a correr mal e que isso iria refletir nos resultados das europeias. E depois o que aconteceu foi uma queda do Chega nas europeias e também Montenegro aproveitou para atirar isso várias vezes a André Ventura, dizendo que o líder do Chega tem muita bazófia, que é sempre uma expressão que eu acho muito curiosa e gosto muito da expressão bazófia. E a dada altura acusou-o de não ter autoridade política, mais uma vez mostrando os resultados das eleições europeias. E André Ventura disse que não queria estar no governo, mas queria ser primeiro-ministro e Montenegro disse-lhe que ele tem todo o direito a ter essa ambição, obviamente, mas que não tem sustentação no que está a fazer, nem nos objetivos que traça, porque assumiu que queria ganhar as eleições. E Montenegro fez aqui as contas, já trazia as contas preparadas de casa e disse que Ventura e o Chega ficaram à distância de cumprir o seu objetivo, mais ou menos de 23%. E portanto, quem desempenha individual, tinha Ventura que triplicar o seu score para conseguir ganhar as eleições, coisa que não fez. E depois, disse que o governo tem executado o programa, mas também tem capacidade de combate político. E acho que foi isso que demonstrou neste debate quinzenal, é que também está pronto para a liça política, esta que depende de uma verve. Falta uma expressão.
Também não estou a chegar lá, Judite.
Oratória, dom de oratória. Era isso.
Um vermelho para André Ventura, verde para Alexandra Leitão.
Alexandra Leitão tem um verde apenas e muito brevemente, porque assumiu que é uma das mulheres dentro do Partido Socialista que tem condições para ser primeira-ministra. Já tinha dito que era uma das mulheres que tinha condições para ser secretário-geral. Estamos a falar da líder da bancada parlamentar, que ajudou, aliás, Pedro Nuno Santos a chegar onde chegou, mas que não se escusa, não se esconde, nem se furta a responder à pergunta. E eu acho que isso é muito salutar e muito democrático. E de fato, ela tem razão, os homens não se furtam a dizer que querem chegar mais longe. E eu acho muito bem que as mulheres façam o mesmo.
Sinal verde no final desta viagem do semáforo político.