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Sinal verde, arranca o Semáforo Político. Hoje à Judite França e ao Bruno Vieira Amaral, junta-se a diretora adjunta do Observador, a Filomena Martins, e como a campanha eleitoral está ao rubro, convidamos também o antigo líder do CDS, número dois da lista por Lisboa a estas legislativas, José Ribeiro e Castro. O primeiro verde do nosso semáforo sai, no entanto, para a moderação hoje com o Miguel Cordeiro.

E temos, Nelson, sinal aberto para olhar, de facto, para o CDS, para o partido de Francisco Rodrigues dos Santos, que ontem, no arranque desta segunda semana de campanha, ficou a saber que o dissidente Adolfo Mesquita Nunes decidiu apoiar a Iniciativa Liberal. Dou também as boas-vindas a José Ribeiro e Castro. Este é um tema que vamos querer também abordar nos próximos minutos. José Ribeiro e Castro, bem-vindo ao Semáforo Político da Rádio Observador. Queria olhar consigo para esta questão e para esta posição de Adolfo Mesquita Nunes. Ficou surpreendido com a posição do antigo vice-presidente do CDS?

Não, nada surpreendido, pelo contrário.

Estava à espera que ele manifestasse apoio à Iniciativa Liberal ou já não liga sequer à opinião de Adolfo Mesquita Nunes?

As minhas palavras falam por aquilo que eu digo. A posição de Adolfo Mesquita Nunes é conhecida, eu já me tinha manifestado. Ele era uma pessoa identificada com a Iniciativa Liberal, creio que é isso que explica boa parte da sua atuação e da sua saída. Foi a opinião que eu na altura exprimi. E portanto, a única dúvida que poderia haver é se o decidiria ou não publicamente, mas é perfeitamente normal que um apoiante da Iniciativa Liberal manifeste publicamente esse apoio. Acho isso normal.

Mas esse apoio dito nesta altura, a uma semana de eleições, tem mais valor para a Iniciativa Liberal, mas é prejudicial ao CDS.

Prejudicial foram algumas coisas que o doutor Adolfo Mesquita Nunes fez no CDS, mas que eu não quero ultimamente e que eu não quero aqui comentar. Hoje estamos numa altura de campanha. Mas depois decidiu sair. Já saiu do CDS há algum tempo e é conhecido por quem segue as coisas atentamente, que ele é uma pessoa que se identifica com a Iniciativa Liberal. De resto, já antes das eleições presidenciais, ele tinha sido apontado como um possível candidato às eleições presidenciais pela Iniciativa Liberal. Estas coisas têm sempre um significado e como diz o ditado: "A verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima". Portanto, não temos que nos surpreender.

José Ribeiro e Castro, já percebi que também não ficou surpreendido. Não quer muito comentar também esta tomada de posição, mas queria olhar para uma das frases ditas por Adolfo Mesquita Nunes, que a Iniciativa Liberal ocupou o espaço do reformismo sensato. Olhando para esta frase, o CDS não é capaz de fazer esse reformismo?

Nós somos reformistas e somos sensatos. Agora, não creio também que isso seja um espaço exclusivo de quem quer que seja. O CDS tem uma longa história de sensatez e de equilíbrio e também de promoção da reforma. Apresenta-se, aliás, nestas eleições, com talvez as propostas mais ousadas de reforma, a começar pelo sistema político. É o único partido que apresenta uma proposta de reforma nacional eleitoral, que apresenta uma visão completamente diferente da abordagem da questão do crescimento económico e em termos relativamente simples do ponto de vista político, mas que são a chave que virá a manter a política de crescimento económico sistematicamente na agenda, não só nos próximos 10, mas nos próximos 15, nos próximos 20 anos, como é necessário para nós galgarmos para cima da média europeia. Portanto, o CDS tem essa visão. Agora, é natural que o doutor Mesquita Nunes, que é um liberal e se identifica com a Iniciativa Liberal, elogie os seus, faz parte das regras do jogo, não tem nada de surpreendente.

José Ribeiro e Castro, para fechar a janela. Sim.

Elogiar a Iniciativa Liberal, é natural que o faça. Não se pode levar a mal que o trem de Figueira aplauda o seu próprio condutor. É normal.

Sim. José Ribeiro e Castro, para fechar esta janela e usando aqui a terminologia do nosso programa, quer dedicar alguma cor do semáforo a essa tomada de posição de Adolfo Mesquita Nunes?

Olhe, no meu tabuleiro não acendeu nenhuma luz portanto, sou incapaz. Compreendo que no vosso acenda luzes, mas no meu tabuleiro não acendeu nenhuma. Não tenho nenhuma expressão, nem de simpatia, nem de antipatia. E também não vou ser apressado e dizer que é indiferente, portanto, não acendeu nenhuma luz.

Sim. Eu vou manter neste tema, porque Judite, sei que queres sinalizar também aquilo que foi a resposta de Francisco Rui dos Santos esta tarde a uma pergunta da Rádio Observador feita pela jornalista Beatriz Ferreira, em que olhou para essa tomada de posição de Adolfo Mesquita Nunes e reagiu até com alguma surpresa à pergunta feita pela jornalista Beatriz Ferreira. Vamos escutar antes de partir para esse semáforo.

Como é que encara o apoio de Adolfo Mesquita Nunes à Iniciativa Liberal?

Pois vocês desta já querem . Eu sei. Como é que disse?

Como é que encara o apoio de Adolfo Mesquita Nunes?

Sem surpresa.

Agora fica triste?

Sem surpresa, encaro sem surpresa.

Acho que não é mau para o CDS.

Da roda dessa esquerda.

Vou me aquietar a isso. É isso mesmo.

Tem falado tanto da união do CDS nesta...

Eu não manifesto por apoios políticos de pessoas que não são militantes do partido

Esta é a parte que eu não compreendo, porque Francisco Rodrigues dos Santos não parecia preparado para responder à pergunta. O que em si é surpreendente, porque é evidente que lhe iam perguntar e, portanto, tinha a hipótese de ter feito uma resposta mais ou menos airosa. A partir do momento em que houve desfiliação, era normal que Adolfo Mesquita Nunes tomasse as suas posições e até podia ter dito com algum sentido de humor que tinha ficado contente por arranjar uma nova casa, que eu aceito. Aqui Francisco Rodrigues dos Santos devia ter desvalorizado, não devia ter feito esta hesitação, que é uma hesitação de algum nervosismo. E isso é surpreendente em si, porque era escusado. Sobretudo porque tivemos um Francisco Rodrigues dos Santos, que vimos nos debates, muito eficaz, sem nunca hesitar a nada, muitíssimo bem preparado.

E que tem estado nesta campanha com muito fair play também. Em vários momentos.

Eu sei que não foi consensual, mas eu achei que os debates de Francisco Rodrigues dos Santos correram bem, todos, mesmo quando ele foi exaltado. Eu acho que ele precisava de, como se costuma dizer, ter um estilo um bocadinho punk para chamar a atenção. E acho que tem conseguido, e acho que os números das sondagens, tracking polls, valem o que valem, etc, mas acho que têm mostrado isso claramente. Em relação a Adolfo Mesquita Nunes, era absolutamente escusado. E eu sei que isto é para prejudicar Francisco Rodrigues dos Santos, é uma mala pata que existe entre os dois, mas isto está a prejudicar o seu anterior partido, e isso eu acho que era absolutamente desnecessário. Sim, claro, votava na Iniciativa Liberal, no recato do cubículo, e no dia a seguir dizia que tinha votado. Mas a minha cor é para Francisco Rodrigues dos Santos, que ficou bege quando lhe fizeram a pergunta, e era desnecessário perder a cor.

Já vimos aqui também o sorriso da Filomena Martins. Filomena, sei que tens umas cores para distribuir. Estou muito colorida. Sim, queria fechar aqui o panorama do CDS, porque sei que José Ribeiro e Castro também tem um sinal vermelho para dar a outro partido e a outros partidos com outras cores. Mas olhando para o CDS, José Ribeiro e Castro, olhando para aquilo que têm sido as sondagens e para aquilo que perspetiva das eleições do dia 30 de janeiro, como é que vê essas sondagens, estes valores que têm sido dados ao CDS?

Eu vou dar uma resposta clássica e conhecida no CDS. Nós não levamos muito a sério estas sondagens e esperamos pelos resultados das eleições. O CDS tem uma relação historicamente difícil com as sondagens, é um problema que tem vindo a ser estudado, sem nunca produzir uma explicação muito consistente, mas isso é um dado conhecido, aconteceu ao longo da vida do partido.

São os meus bichos a entrar na campanha.

Entrada de animais na campanha. Filomena Martins, já aí vamos.

Zé Albino.

Não é o Zé Albino. Não é o Black Nicolau. Já aí vamos, Filomena, mas para terminar, José Ribeiro e Castro falava sobre as sondagens.

Um ruído permanente e desagradável sobre a campanha, mas as indicações que temos tido dos contactos de rua e do contacto com as pessoas são animadoras. Nós esperamos pelo resultado das eleições. Estamos em trabalho e em luta até sexta-feira em campanha, depois esperaremos o veredito do eleitorado no próximo domingo.

Disse já Francisco Rodrigues dos Santos nesta campanha que esta eleição é uma prova de vida para o CDS. Vê da mesma maneira?

Há uma grande pressão sobre o partido, isso é verdade. E obviamente que a repetição destas projeções e da pressão toda que tem sido feita desde há meses sobre o partido cria essa pressão. Mas eu creio que as pessoas que estão em campanha, e nomeadamente o presidente do partido, têm sido um exemplo de boa disposição, de ânimo e as notícias que tenho das diferentes listas por todo o país têm o mesmo espírito. As pessoas não estão na iminência de um resultado prova de vida. Ao contrário, estão a mostrar no terreno e pelas propostas que o partido apresentou, que são um partido histórico da democracia portuguesa, que está cá para manter a sua intervenção na sociedade portuguesa, mas obviamente vivemos em democracia, o seu peso político depende do juízo do eleitorado e esperamos que ele se manifeste.

José Ribeiro e Castro, já voltamos a falar. Há aí um sinal vermelho para distribuir a uma entrevista da semana passada. Vamos passar aqui em revista também o nosso painel, porque Bruno Vieira Amaral, tens um sinal vermelho para o que dizes ser os ziguezagues de António Costa?

Sim, em relação à maioria absoluta, aos pedidos de maioria absoluta, que depois já não são pedidos de maioria absoluta, já é vontade de diálogo. Isto quando não se tem um rumo, todos os ventos são maus. E António Costa não tem um rumo. Começou por pedir a maioria absoluta, e não há problema nenhum em pedir maioria absoluta. É normal que os dois maiores partidos, o PS e o PSD, em determinadas circunstâncias o façam. E nem é verdade que as maiorias absolutas sejam sempre péssimas. Isso é um discurso que se compreende naturalmente nos partidos mais pequenos, mas que não corresponde à verdade. O problema é o porquê e para quê se pede uma maioria absoluta. E António Costa tem um problema em explicar por que é que pede uma maioria absoluta após seis anos de governação geringonça, em que, a acreditarmos nele, devíamos pensar que foi o paraíso na Terra. Eu acho que isso explica um pouco a falta de convicção com que António Costa pediu desde o início a maioria absoluta Não se percebe muito bem para quê. Um partido pede maioria absoluta para fazer sozinho o que não pode fazer acompanhado, o que está limitado a fazer com companhia de outros partidos, e isso choca com esta narrativa da geringonça. Correu tudo tão bem e agora querem maioria absoluta para fazer o que não fizeram? Mas se fizeram tanta coisa boa. Isso não faz grande sentido, mas o pior é depois vir dizer que já está aberto ao diálogo com a esquerda, com a direita, afastando só o Chega. Isso é uma estratégia completamente ziguezagueante. Não se percebe bem o que é que António Costa pretende, a não ser manter-se no poder. Parece que esse é o único objetivo e que vale tudo, seja como for, seja qual for o resultado, seja qual for o diálogo, a solução que se acabe por encontrar depois das eleições, vale qualquer coisa. E isto não tranquiliza, como é óbvio, o eleitorado e pode ser penalizador para o PS no dia das eleições.

E, portanto, um sinal vermelho essa estratégia. Filomena Martins, também é um vermelho muito vivo para António Costa desse lado?

Intermitente, porque António Costa tem parecido a Simone Biles nesta estratégia de campanha. E isto não é bem um elogio.

A fazer muita ginástica?

É os saltos e os contrasaltos que até nos fazem revirar os olhos. Eu concordo inteiramente com o que acabou de dizer o Bruno, porque primeiro não há passe que não inclua aqui um ataque ao PSD de Passos Coelho, além do Rio. A verdade é que Passos Coelho já anda fora disto há seis anos, quem tem governado nos últimos seis anos tem sido o PS e ainda culpar Passos parece assim um pouquinho estranho, mas lá vai. Depois, no primeiro movimento, o Costa pedia a maioria, bastando para ele apenas um voto ou quando muito o apoio do PAN. Depois atreveu-se num salto muito mais ousado e insistiu várias vezes que queria a maioria absoluta e insista nisso para cá e para lá, afastando de alguma forma acordes com os traidores da esquerda e incluindo até aqui o aval do presidente da República, dizendo que o presidente afastaria qualquer risco de uma maioria absoluta. Depois agora, a seguir, entrou numa fase mais suave, com um discurso quase pisca-pisca. E agora terminou com este triplo mortal à retaguarda e vários flip flops pelo meio, onde já aceita não só as reuniões no dia 31 a convite de Catarina Martins, como convida ele próprio todos para conversar, menos o Chega, como disse o Bruno. Mesmo quem tem opiniões absolutamente contrárias à sua, como por exemplo, o caso da Iniciativa Liberal na TAP, só para dar um único exemplo. E eu, apesar de lhe chamar Simone Biles, porque tenho um enorme respeito, acho que esta nota artística para António Costa, quer a técnica, quer a artística, são muito baixas, porque isto é tudo muito atabalhoado. E isto tudo mudar de estratégia pode ser até aceitável num partido pequeno, diria eu, mas num partido que está e quer manter-se no poder, alterar a estratégia 180 graus assobrando as sondagens, mostra medo, mostra alguém que se achava invencível, que achava que a coisa estava no papo, que bastava ir a jogo, mostrar aquela cara séria com que ele tem estado nesta campanha, cara de pôquer, a fingir que tinha jogo na mão. E afinal quando viu que todos os outros estavam a perceber que era bluff, agora está a ver se não perde tudo e se se mantém na mesa, seja lá como for. E desculpem lá misturar esta coisa de ginástica com cartas, mas isto é mais ou menos o que está a fazer o PS, está a misturar tudo. Eu acho que isto é muito mau e não é de ganhador e portanto eu acho que estamos aqui perante alguma coisa que não está bem.

E portanto, esse semáforo vermelho vivo aqui.

Vermelho vivo intermitente, que está sempre a mudar, não te esqueças. Está a dar para um lado e para o outro.

A cor aqui atribuída por Filomena Martins. Vamos fechar novamente com o José Ribeiro e Castro, porque desse lado há um sinal vermelho para uma entrevista da semana passada, entrevista de José Sócrates na CNN.

Sim, foi um acontecimento da semana passada, o oferecimento de José Sócrates no meio da campanha eleitoral, que embaraçou manifestamente o Partido Socialista. A reação de António Costa foi reveladora do embaraço ao dizer com ar muito abespinhado que não tinha visto a entrevista. Mas foi uma entrevista algo encenada, portanto, obviamente ela foi anunciada. Depois houve uma curiosidade sobre se ia ou não pronunciar sobre a campanha, José Sócrates, que depois não se pronuncia sobre a campanha. A entrevista é praticamente toda, os longos minutos iniciais sobre a questão particular que tem com os bispos Carlos Alexandre, para trás e para frente. Depois às tantas é abordada a questão da campanha, mas sempre de uma forma um pouco superficial, portanto tem aquela frase, que hoje é muito citada, de José Sócrates dirigida a António Costa, se quer a maioria absoluta convinha não desmerecer a única que o PS teve na sua história, ou seja, José Sócrates em 2005. E depois voltou aos bispos Carlos Alexandre, e depois outra vez. Mas José Sócrates voltar à arena política, às entrevistas, falha o tema principal. E o tema principal não é tanto o seu processo, é a governação para além do processo. E isso é uma história que nunca foi entrevistada e nunca foi contada e aprofundada, e que é o modelo de governação que ele conduziu em Portugal de 2005 a 2009 e de 2009 a 2011. E que é responsável pela vinda da troika, portanto, arruinou o país. Mas não só arruinou o país, como alimentou circuitos de corrupção de uma forma verdadeiramente abracadabrante, que nós hoje vemos a posteriori. O que se passou na formiga branca que entrou no sistema bancário e que arruinou o nosso sistema financeiro e portanto feriu a Caixa Geral de Depósitos, feriu o Millennium bcp, o Estado envolvido, veio-se a saber depois mais tarde, também com o Espírito Santo. Por através dessas ligações, houve ligações à corrupção em Angola, à corrupção no Brasil, à corrupção na Venezuela. E isto é que é o caso que merece ser aprofundado e entrevistado essas ligações, independentemente do que consta do processo judicial, que mais do que as questões processuais, artificiais por muitas vezes que tenham interessado à substância. Mas esta questão do governo que arruinou o país para alimentar circuitos de corrupção, isso é que era importante aprofundar, porque os portugueses sofreram muito com isso. E quando as pessoas ainda hoje censuram a governação de Pedro Passos Coelho, há aqui um manto enorme de procurar esconder o que é que esteve na origem, mas isso é bom que se conheça para não voltarmos a viver o mesmo sistema que um amigo meu chama de capitalismo de cretino, isto é, capitalismo por decreto, e que de fato é responsável por muitas das ruínas que aconteceram em Portugal.

E vimos José Sócrates entrar também neste período eleitoral com essa entrevista à CNN na semana passada. Fica feito mais um semáforo político, hoje com o nosso painel habitual, Judite França, Bruno Vieira Amaral, também com a diretora adjunta do Observador, Filomena Martins, e com a participação especial de um antigo líder do CDS e número dois da lista por Lisboa estas legislativas, José Ribeiro e Castro.

Portanto.