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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de...

"Terapia de Casal".

Muito bem, dá-me o T.

T.

Dá-me o E.

E.

Isto nunca mais acaba se fizermos isto tudo. O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está a minha querida mulher, esposa, mais que tudo, raja.

Companheira, parceira.

Rita Nova.

Cônjuge.

Pessoa que tem uma capacidade na nossa relação que eu não tenho. Eu vou explicar.

Ser linda.

Também há essa, mas não era por aí que eu queria ir. Eu até apontei para poder escrever isto, para dizer isto com calma, porque eu acho que isto é uma coisa interessante. Tu podes ser má com quem sabes que eu não gosto, mas eu não consigo ser mau com quem tu não gostas, porque tenho necessidade da tua aceitação. Nós vamos estar numa situação em que está uma pessoa que tu sabes que eu não gosto.

Que te fez mal.

Já me fez mal ou que me está a dever alguma coisa ou que me tratou mal, qualquer coisa. Tu és má para essa pessoa.

Ya.

Mas quando nós estamos com uma pessoa que foi má para ti, eu não consigo.

Tu não consegues ter essa capacidade.

Eu não consigo ser mau. Eu consigo manter à distância e não vou propriamente tratar bem, mas não trato mal como tu tratas mal quem me tratou mal.

Sendo que o tratar mal não é agressivo.

Não, é bitchy.

É bitchy. Claro, então fizeram mal ao meu amor.

Não, mas também te fizeram mal a ti, mas só que eu afasto, protejo-te, no sentido de: "Só preciso afastar esta pessoa, está aqui alguém esquisito. Esta pessoa não é para estar no grupo, põe costas, marca o grupo". Ou seja, eu também te protejo, mas eu não vou tratar mal a pessoa, eu não consigo.

Mas não vais porque não consegues, porque tens essa necessidade de aprovação.

Será que é só necessidade de aprovação ou eu não quero tratar mal as pessoas?

Não, eu acho que há pessoas que merecem ser maltratadas, desculpa.

Ok.

Se me fizeram mal, eu espero.

Mas e se for só uma pessoa que tu não gostas? Eu acho que já percebi. Se for para tratar mal, eu sei tratar mal. Eu não sei é ser passivo-agressivo.

É um dom.

Eu sei ser educado, mesmo com pessoas que ativamente não gosto.

Tu também és muito educada.

Atenção, não é ser sonso, porque é possível ser sonso. Não é isso. É ser educado com pessoas que não gosto, eu consigo. E tu, com pessoas que eu não gosto, mesmo que tu não tenhas ligação nenhuma com a pessoa, tu estás pronta para ser má.

Claro que estou. Estou pronta para atacar.

Não sei se expliquei bem o ponto.

Se tu não consegues, é porque eu acho que eu também não preciso que tu sejas passivo-agressivo com as pessoas que eu não gosto.

Porque tu já és.

Porque eu já sou.

Porque senão éramos os dois e acabava o mundo.

Eu acho que eu só estou numa de: "O meu amor não gosta de ti porque tu fizeste isto, isto e isto. Fala lá para mim."

E é que tu ainda por cima tens uma excelente resting bitch face.

Eu tenho percebido ultimamente que eu, mesmo em situações onde eu estou feliz, eu pareço que estou bué lixada.

Completamente.

E eu peço desculpa se vocês estiveram comigo em situações em que acharam que eu estava lixada, o mais provável era eu não estar. Eu estava só concentrada. Já percebi que a minha cara de concentração, de estar a ouvir e estar tipo: "Estou a te ouvir, estou a te perceber".

É cara de má.

É cara de má. Eu peço desde já desculpa.

Às vezes as pessoas estão te a explicar qualquer coisa e a tua cara parece que está chateada das pessoas estarem a falar contigo, mas é só a tua cara neutra.

De concentração. Estou a te ouvir.

Eu estou a ouvir esta pessoa e estou a perceber o que ela me está a dizer. E a minha resting bitch face é demasiado simpática.

Não, tu não tens resting bitch face, tu tens uma resting face.

Uma resting happy face.

Pois.

Normalmente, se tiver um grupo de sete pessoas no meio da rua e eu estou nesse grupo, se há um maluco a passar no meio da rua, é comigo que o maluco vai falar no grupo.

Pois é.

Eu tenho energia de chamar malucos.

Eu não. As pessoas falam comigo, eu logo. Não.

Tu até afastas pessoas que querem falar contigo.

Eu peço desculpa. Há pessoas que merecem. E essas pessoas vão perceber.

E é uma grande maioria.

Não é.

É muita gente.

Não é.

É bastante gente. É um grupo alargado.

Só para aí três. E normalmente as pessoas que merecem nem são pessoas que me fizeram nada a mim, foram pessoas que te fizeram a ti.

Ya.

Eu nunca me vou esquecer do dia em que eu desinfetei a cara depois de uma pessoa que te fez mal, me dar um beijinho.

Tu desinfetaste mesmo a cara, pois foi.

Mas também foi no meio do Covid. E essa pessoa veio-se.

Veio-se? Tu não podes dizer isso. Desinfetaste a cara porque essa pessoa veio-se.

Essa pessoa veio ter comigo e não me deu outra hipótese senão dar-me dois beijinhos. Agarrou-me e deu-me dois beijinhos. E eu a seguir desinfetei a cara.

Ya. Já não sei quem é que disse isto muito recentemente, mas eu vou apoiar esta pessoa que eu não me lembro quem é que disse. Não está na altura de se acabar com os dois beijinhos?

Bué.

Passou bem para toda a gente. Queres me cumprimentar estendo a mão.

Levantar. Oi.

À distância? Sem contacto.

"Olá, como é que estás?"

Fist bump, high five.

Olá.

Ok, só um olá. É que eu acho que para mim era tudo corrido, passou bem.

Pois. Eu era: "Oi, então tudo bem?"

Então, estás aí? Tudo bem.

Muito bem. O que é que nós temos hoje no menu para as pessoas?

Eu vou explicar.

Explica lá.

Dois motivos. Primeiro, nós esta semana estamos a gravar em adiantado. Portanto, nós não estamos a gravar o dia que costumamos, não podemos falar da semana.

É muito raro isto acontecer.

Verdade. O que é que se passa? A minha mulher anda a viajar pelo país todo, a apresentar o seu livro.

Eu vou explicar também, para as pessoas também saberem. Que é: a minha psicóloga proibiu-me de levar o computador comigo É um trabalho de casa que nós estamos a fazer, porque eu ando a trabalhar demasiado e muito agarrada ao computador e muito focada. Estou sempre a fazer coisas e às vezes devia descansar. E a minha psicóloga proibiu-me de, nesta tour, andar de computador atrás.

Muito bem.

Então nós decidimos gravar dois episódios no mesmo dia.

Sim, senhor.

Pronto.

Quantos livros estás a ponderar levar nesta-

Espero que muitos. Vou levar o cubo, só.

Pronto, então tens um milhão de livros lá dentro. Segunda coisa, nós estamos a ser criticados por não respondermos a e-mails e porque não vamos muito aos e-mails e porque falamos mais da nossa semana do que e-mails. E eu, por um lado, percebo estas pessoas, porque o nosso podcast também é responder a e-mails e, portanto, este episódio vai ter mais e-mails.

É só isso. Então bora.

Há quanto tempo é que nós, no minuto sete, não começávamos a responder e-mails?

Nunca aconteceu, acho eu.

Espera, podes fazer outra vez?

Nunca aconteceu.

Então vamos aos e-mails.

Sabes que eu tenho, desculpa, antes de irmos, eu tenho é o , que é quando alguma coisa cheira mal.

Ou é quando vês uma lésbica.

Podes ler o primeiro e-mail?

Posso. Como é que se chama o primeiro e-mail?

O primeiro e-mail chama-se História "Call Me By Your Name".

Não dá para viver a história de "Call Me By Your Name". Não pedi para viver. Eu não estou bem para ler.

Está cá, então.

Não, eu vou conseguir ler.

Nós chamámos de Andre Aciman, porque o Andre Aciman é o autor do livro "Call Me By Your Name", que depois vai ser adaptado.

Não pedi para viver a história de "Call Me By Your Name". "Olá, Rita, Gui e gatos lindos. Como estão? Há um ano apaixonei-me por uma amiga de faculdade. Até à data, só tinha gostado de rapazes. Não que me tivesse apaixonado muito por nenhum, mas gostava deles. Bom, até aceitei a coisa com alguma naturalidade. Não demorei muito a perceber que esta paixão era recíproca e acabámos por revelar um ao outro os nossos sentimentos. Com isso, descobri que ela tem muita ansiedade em relação a isto, o gostar de uma rapariga. Durante todo este ano sempre me disse que um dia isto teria que acabar, que não havia futuro. Isso sempre me deixou muito triste, porque claramente não é o que eu quero. No entanto, as coisas não deixaram de acontecer. Durante todo este ano fomos conhecendo-nos melhor, demonstrámos imensas vezes o quanto gostávamos uma da outra e houve beijos, relações físicas e afins. No fundo, tudo o que uma relação tem, mas nunca lhe chamámos relação. Apesar de ser um lugar muito feliz para mim, também originou muita ansiedade, muito medo e muitos episódios depressivos. Quando sinto algum tipo de afastamento, vou-me muito abaixo. Sinto que isto é uma bomba-relógio prestes a rebentar e rebenta no dia em que ela perceber que isto já não faz sentido para ela. E enquanto há uns tempos tinha a certeza que ela estava apaixonada por mim, agora nem isso sei. Sempre comunicámos muito, mas agora acho que isto só piora tudo. Tem havido cada vez mais tensões e discussões entre nós e a minha saúde mental não tem estado boa. Acredito que a dela também não. Acrescento a isto o facto de sermos do mesmo grupo de amigos, do qual eu gosto muito e não me quero afastar. Logo eu, que sou um bocado uma inapta social. O que faço com isto tudo? Ela é o tipo de pessoa com quem eu casaria, sinceramente, mas para já ficava por namorar. Além disso, eu não me sinto atraída por mais ninguém há muito tempo, mas ela própria já me disse que não consegue assumir nada comigo, embora queira, ou pelo menos quando disse que queria. Ajudem este pobre coração quase partido."

Bom, eu tenho várias coisas a dizer sobre este e-mail.

Eu também tenho. Primeiro, a pontaria de eu ter feito a piada do fuf.

Ya. Eu tenho várias coisas a dizer sobre este e-mail. E gostaria de remeter a "Call Me By Your Name", que é o meu filme favorito da vida.

Sempre da história do mundo?

Sim.

Estás a falar sério?

Sim.

Mais do que o "Past Lives"?

Mais que o "Past Lives".

É o teu filme favorito?

Tu sabes quantas vezes eu já vi o "Call Me By Your Name".

Está bem, mas é com a idade de vezes que vimos, então para mim é o "Sozinho em Casa" o meu filme favorito.

Não, mas eu vi porque é o meu filme favorito e não porque está a dar.

Ok.

Só uma vez é que estava a dar. Lembras-te que eu fiquei com o paninho da louça?

Em Nova Iorque. Depois de ir a um concerto do Harry Styles, ela sentou-se na cama e ficou a ver o...

Pronto. Mas eu gostaria de remeter ao "Call Me By Your Name", porque eu acho que é um excelente-

Remete, que tu remetes bem

...que é um excelente exemplo daquilo que se está a passar aqui, que é: às vezes, as pessoas que nos fazem compreender certas coisas sobre nós e gostar de certas coisas sobre nós, não são as pessoas com quem nós vamos ficar para a vida toda, muito menos pessoas com quem nós vamos ter uma relação duradoura.

Exatamente.

O que eu quero dizer com isto? Quero dizer que se nós colocarmos numa balança... O que foi?

Na minha cabeça, apareceu-me uma metáfora que é tão estúpida.

Então, mas diz.

Que é a primeira pessoa com quem tu entras numa casa ou que te mostra uma casa, não é a pessoa com quem depois vives lá. Normalmente, é uma pessoa da Remax ou o dono da casa.

Exato.

Portanto, a ti mostraram-te a casa onde tu poderias viver e onde tu descobriste que queres viver, mas não é com essa pessoa que vais viver.

Não é. Essa é a Tânia da Remax.

Imagina-te a viver com a Tânia da Remax só porque a Tânia te mostrou a casa. Não, tu depois queres escolher a pessoa com quem queres morar nessa casa.

Exatamente.

Esta metáfora apareceu-me aqui e ri-me sozinho com ela e foste tu que puxaste por ela, queria só deixar ficar aqui claro.

Mas eu gostei. E acho que é isto. Se nós pusermos os pesos na balança, nós percebemos que há várias coisas positivas na relação com esta pessoa. Vocês dão-se bem, sentes-te muito atraída por ela, fez-te descobrir que tu também podias gostar de mulheres, fez-te descobrir o tipo de pessoa com quem tu gostarias de viver. Mas no outro prato da balança está o facto desta pessoa não querer assumir nada contigo. E só isso para mim seria um adeus. Obrigada.

Desculpem eu dizer isto desta maneira taxativa neste podcast, mas às vezes também é preciso. Olha, agora vou falar assim em termos absolutos. É sempre estranho para mim pessoas que não querem assumir relações felizes em que estão É sempre estranho, porque o motivo é sempre mais forte do que mostrar à pessoa com quem estás que estás feliz numa relação com ela?

Às vezes pode ser. As pessoas não têm as argumentos.

Se for por perseguição. Vives num país em que o governo é de extrema-direita.

Não sei se não estamos. Nós estamos a gravar isto no dia 18. Eu não sei se não estamos.

Eu não estava a espera que tu assumisses em que dia que nós estávamos a gravar isto, mas é verdade. Se calhar a extrema-direita já é o segundo partido mais votado em Portugal.

Não sei.

Mas imagina que podes ser perseguida pela polícia porque a comunidade LGBT é ilegal. Se calhar aí não faz sentido tu não assumires que estás numa relação. Eu até acredito que se calhar os pais desta pessoa são mais conservadores e esta pessoa não quer assumir que gosta de pessoas do mesmo sexo porque tem medo de perder o amor da família. Eu percebo que há situações complicadas. Eu percebo, não é isso que eu estou a dizer. Eu estou a ser taxativo e a dar dois passos atrás e olhar para a maioria das vezes em que isto acontece. Se as pessoas não têm coragem de admitir que estão numa relação contigo, eu acho isso problemático.

Não, eu acho que é um sinal de que esta relação não pode avançar. Ponto final.

Sim. Especificamente nesta, eu até acho outra coisa, e desculpa interromper-te mais uma vez.

Pois. Chega a ganhar expressão e é assim que se vê.

Que é, eu até acho que esta pessoa, a Andreia Assiman, está mais contente de ter descoberto que gosta de mulheres e que pode ser feliz numa relação com uma mulher do que com esta mulher específica.

Isso não sabes, não é? Porque ela não esteve com outras. Mas eu percebo o que é que estás a querer dizer, que é: abriu-lhe um mundo de possibilidades e mostrou-lhe uma possibilidade de relação que ela não tinha considerado antes. E eu acho isso ótimo. Mas o que eu quero dizer é que este não querer assumir da outra pessoa faz com que a saúde mental da Andreia esteja nas lonas. E isto não é uma possibilidade. Para mim, isto não é uma possibilidade.

Manter esta relação está a lhe a fazer pior do que se ela saísse desta relação.

Exatamente. Portanto, como diria o meu sogro, que eu nunca conheci, tira das pessoas o bom que elas têm para dar, retira desta relação aquilo que ela te trouxe de bom e adeusinho, não vai dar mais para sermos namoradas ou isto que nós somos, e cada uma segue a sua vida e pode ser que consigam ser amigas.

Até porque esta pessoa, em certa medida, merece estar numa relação com uma mulher, porque ela já percebeu que quer estar numa relação com uma mulher. Merece estar numa relação com uma mulher calma, feliz, numa relação normal.

Onde não haja discussões e estresse.

E tensão e o pânico que ela tem da outra pessoa acabar com ela. Isto não é saudável. Estar com uma pessoa numa citação. Citação? Não.

Entre aspas.

O que tu fizeste com o meu pai morto. Estar numa situação de tensão constante, com medo que a outra pessoa te abandone, põe-te numa situação de vulnerabilidade, não só emocional. Tu não vais estar à vontade na relação.

Não, de todo.

Vai estar com medo de fazer tudo, dizer tudo. A pessoa diz qualquer coisa e tu concordas, porque estás num pânico tão grande de ser deixado. Mas quem é que vive assim, porra?

Eu vou só dizer, e passamos para o próximo e-mail, esta relação as coisas boas que tinha a dar, já deu. Seguimos em frente.

Ok. Então toma o próximo e-mail.

Pronto.

Que é da Cassie?

Cassie Bennett.

Cassie Bennett.

Que é a mulher do Usain Bolt.

Ya, nós tivemos que investigar e é a mulher do Usain Bolt. Por quê?

Vão perceber.

Vão perceber com o e-mail. Não te podes distrai com a fotografia que vem aqui.

Eu já vi.

Porque a Cassie Bennett mandou uma foto com...

Um gatinho muito lindo. Muito bem.

Vá. Ok.

"Queridos Rita, Guilherme e patudos fofíssimos. Peço desde já desculpa pelo e-mail um pouco extenso que estão prestes a ler. Isto é, se alguma vez o lerem. Pode ser que já estejamos em 2030, talvez no episódio 500 e, por isso, um possível olá do futuro. Agradecia que mantivessem o anonimato. A minha mãe também é uma ouvinte assídua do podcast e receio que saiba imediatamente quem sou só pelo assunto deste e-mail."

Vou só dizer esta, e eu gostava também que me mandassem mensagem, mas olá a todas as mães e pais que ouvem este podcast também. Nós às vezes esquecemos desta faixa etária. Falamos muito para os jovens, ai a faculdade, ai morar junto, ai as primeiras relações. Mas e os pais e as mães que estão a ouvir este podcast?

Olá.

Olá.

Tudo bem?

Um grande bacalhau para os pais e uma grande beijação.

Um abrajo.

Não, não vamos dizer isso.

Não. Passando agora para o meu problema. No secundário estava caidinha pelo típico bad boy. Contudo, ele nunca me prestou muita atenção.

O que faz dele um bad boy.

Exatamente.

Se ele prestasse atenção, não era um bad boy.

Um dia, muito inocentemente, escrevi um poema para ele em inglês, algo que ele não percebia de todo, e publiquei-o no story do Instagram.

Mas dedicou na story?

Não sei. Ela disse que ele não percebia de tudo. Eu acho que ela só escreveu o poema.

Mas podia ter escrito em inglês e depois marcava a pessoa na story e depois essa pessoa tinha que pedir ajuda a alguém para traduzir.

Não sei. De repente, um rapaz da minha turma respondeu ao meu story dizendo que tinha gostado muito do que lê e a partir daí desencadeou-se uma série de conversas. Inicialmente, estava um pouco reticente, apesar de ser um colega de turma. Nunca tínhamos falado muito, talvez em trabalhos de grupo, no máximo, mas consequentemente fiquei muito dependente das nossas conversas diárias. Certo dia, ele chamou-me de Puqui, uma alcunha que eu não achava muito normal para apelidarmos um amigo certo. Eventualmente, ficámos a conhecer-nos muito melhor. Um dia, já em período de férias, ele mandou-me uma mensagem a dizer que o rapaz pelo qual eu ainda tinha sentimentos, o tal bad boy, não era florzinha que se cheirasse e que inclusivamente lhe tinha feito bullying quando eram mais novos.

Ok.

Não fiquei chocada com a novidade, mas também não foi muito agradável de saber. Nesse mesmo dia, à noite, o rapaz diz que gosta de mim e que está mesmo apaixonadíssimo.

Ok.

Pedi-lhe um pouco de espaço para refletir sobre o assunto. No chat que eu tinha com as minhas duas melhores amigas, abordei o assunto e ambas se mostraram muito enternecidas pelas palavras doces que ele me mandava, mostrando-se muito apologistas de uma possível relação. Assim sendo

O poder que as amigas têm nas mulheres é uma coisa inacreditável.

"Aceitei o pedido de namoro que ele me propusera, todavia, muito subitamente", e aqui sublinho muito subitamente, "ele disse o seguinte e passo a citar: gosto mesmo muito de ti. Ele. Eu: ok. Ele: gostaria que nos tornássemos oficiais, porque gosto mesmo muito de ti. Eu: ok, podemos tentar, eu gostaria. Ele: sempre dependeu do que dissesses, porque deste lado nada vai mudar. Eu: ok, sim, quero oficializar as coisas. Ele: ótimo, amo-te. Eu, meu pensamento: attention red flag. E ele: diz que me amas ao menos."

Porra, mas o cara já está a exigir ouvir de volta?

Pois, e ela diz: "Sou bissexual e arromântica, não sei se já te tinha dito. A seguir bloqueio-o, fim ou não. Quando voltamos às aulas em setembro, ele tinha uma namorada."

What? Que plot twist.

Choque. Esperem, eu prometo que isto fica melhor. Uma vez que coincidência ou não, temos o mesmo nome e atenção, só éramos diferenciadas pelos apelidos, porque temos exatamente os dois primeiros nomes iguais.

Será que ele se enganou no chat?

Calma. Coincidência? Não é que tenha sentido ciúmes, nem nada parecido. Só achei estranho, dado que dois meses antes ele dissera que me amava e subitamente já tinha outra. Que rapazes são estes hoje em dia? Atualmente, sei de fonte segura que está solteiro e rio-me sempre que penso nisto. Acham que lidei com isto da maneira certa? O que teriam feito se tivesse acontecido convosco? Um especial obrigado pela terapia gratuita, com carinho, nome dado por vocês" e depois tem aqui várias coisas para nós, mas que eu acho que não vale a pena.

Ok, mas a elogiar projetos e coisas assim?

Sim. Queres que eu leia? Queres uma palmadinha?

Não, sei lá.

"Peço muita desculpa pela extensão do e-mail, mas a meu ver, tudo era necessário para ficar em parte essencial. Rita, já li todos os teus livros, incluindo o pesado do sangue, contudo quando os rios se cruzam, tem um lugar especial no meu coração e será para sempre um dos meus livros favoritos. E só para dar um pouco de piada, já nos conhecemos numa das apresentações dos teus livros, não vou revelar qual. Rita, peço também desculpa pelos possíveis erros e pelo português incorreto que possa ter encontrado ao longo deste conto. Já agora, por favor, diz à Joana que o riso dela é incrível e que eu amo o livro. Curiosidade extra, foste a escritora sobre a qual decidi fazer a minha apresentação oral no final do secundário, a minha professora não fazia a mínima ideia de quem eras e ficou muito surpreendida por ler livros de autores nacionais. P.S. Esta é pra ti, Guilherme. Sou team Rita, mas adoro ver os projetos que fazes parte." E depois foto do par todo adorável em anexo com especial

Muito bem. Às vezes também é preciso aqui um pouquinho de...

Tu queres ego.

Sim, sendo que ela fala só dos projetos e não fala de "Uma Ideia" que é o meu podcast e podia ter falado. Bom, o que eu ia dizer. Há aqui várias coisas. Primeiro, eu gosto como este e-mail tem a mesma estrutura de uma comédia romântica clássica daquelas antigas, que é: ela está apaixonada pelo bad boy.

Vem um soft boy.

Vem um soft boy que sofreu bullying do bad boy e eles juntam-se e ela deixa de ver o bad boy e ela tem as amigas. Isto claramente dá muita energia de escola secundária aqui, com dinâmicas e com as amigas a puxar o bad boy. Agora, eu não parece que este rapaz seja flor que se cheire.

Pois, eu também acho que não é.

Por dois motivos. Primeiro, ele diz "eu amo-te" e exige ouvir de volta. Há coisas que não se pode exigir de volta. É como dar uma prenda no Natal.

É isso o dinheiro BRS.

Exatamente. Não pode estar à espera de devoluções.

O Estado dá o que o Estado dá.

O dizer eu amo-te a alguém é a fundo perdido.

Exatamente.

Tu não podes estar à espera de ouvir de volta.

É um investimento que tu estás a fazer.

Atiras e com sorte, há eco de volta. Tu não sabes.

Tu não sabes o que está ali.

Tem mais cuidado com a altura em que dizes, então. Uma pessoa que diz eu amo-te e depois exige ouvir de volta, é meio doentio e controlador.

Não, e além disso, eu não acho que ele a amasse.

Eu também acho que não. Era o que eu ia dizer antes, acho que isto é de uma infantilidade, a maneira como este cara falou com ela e exigiu coisas dela.

Eu acho que eles estão em espectros completamente opostos. Ela é arromântica. Sabes o que é ser arromântico?

O que é ser?

Arromântico.

É uma pessoa que não tem vontade de ser romântica.

Exatamente. Não tem nisso. Ou seja, não dirá amo-te, não tem esse lado romântico das relações.

Sim. Sendo que eu percebi isso quando ela responde tudo o que o rapaz disse, incluindo eu amo-te e queres namorar comigo, com um ok.

Ok, exato.

Sabes aquele meme de eu amo-te e aparece ó, visto?

Sim.

No fundo, é esta pessoa.

Portanto, ela é arromântica e ele é extrarromântico.

Pois é, isto está muito desequilibrado. Uma relação precisa de 50/50, 60/40, na pior das hipóteses, ali um 70/30.

Este Usain Bolt, que é muito rápido.

Ele foi muito rápido a dizer eu amo-te.

Não é o match certo para a Cassie Bennet.

Concordo 100%.

Eu acho a história muito engraçada. Acho que se havia uma coisa que ela pudesse ter feito diferente, ela pergunta-nos, acho que era não bloquear, era dizer: "Olha, claramente não estamos os dois no mesmo ponto".

Estamos com uma energia diferente. Tu estás a dizer amo-te a uma velocidade que me deixa desconfortável.

Portanto não vai dar. Bye, bye.

Tu és claramente romântica mais e eu sou arromântica, portanto, isto não vai funcionar.

Não vai funcionar. Bloquear e bazar, acho que é...

Como é que uma pessoa chega a um ponto da sua vida em que sabe que é arromântica?

Da mesma forma que acho que chegas a um ponto da tua vida em que percebes que és, por exemplo, assexual. É tipo, não tens interesse nisso, não te interessa de todo.

É uma coisa que não te chama.

Pois.

Mas por um lado, depois ela também é bissexual, ou seja, ela tem atração.

Não, ela tem atração sexual e atração física.

Não quer é romance.

Romance não é uma coisa que lhe interesse, sim.

Ok.

Da mesma forma que isto pode ser uma combinação de coisas.

Nunca tinha pensado em arromânticos. Arromânticos é uma coisa gira.

Tu podes ser romântica e sexual, que é o padrão, não é? O padrão que nós estamos habituados.

Isso corre bem.

Sim. Podes ser arromântica, mas seres sexual, ou seja, teres vontade sexual. Podes ser arromântica e assexual. Podes ser assexual e romântico.

Ok.

Várias combinações. É um áudio que é nit.

Pois, em alguns casos.

Em alguns casos. Para quem quer nit, quem não quer nit, não nit.

Sim. Mas é giro o conceito arrumântico. É do género, eu quero estar contigo, mas não me chateies. Eu não sei se tu não és arrumântica. Não, tu és muito arrumântica.

Não, sou bastante arrumântica. Sou muito fofinha contigo.

Sim. Dentro da nossa dinâmica de competição e de gozo, tu és muito arrumântica.

Não percebi se isso foi um elogio ou se foi um disso. Vamos seguir.

Foi ambos. Mas tu és muito arrumântica, tu és muito querida.

Vamos seguir.

Vamos seguir. Queres ir ao outro e-mail?

Vamos.

Eu estou só fascinado com este conceito de arrumantismo.

Sim. É interessante, não é?

Por que não há comédias arrumânticas?

Era muito giro. Estás bem? Estou.

Estou.

Ok.

Ok. Fim.

Fim. Queres ir para a cama? Sim.

Então vamos ao terceiro e-mail. Que é de quem? Diz-me lá, desculpa.

"Será que esta relação de nove anos..."

Está aqui, desculpem. Já encontrei. Vamos ao último e-mail então. "Será que esta relação de nove anos tem o final feliz, felizes para sempre?"

Tem o final feliz para sempre.

Tem o final feliz para sempre. "Olá, queridos terapeutas". E esta pessoa chama-se como?

Ela é a Selena Gomez e ele é o Charlie Puth, porque they don't talk anymore.

Ok, mas o e-mail é escrito pela Selena.

Pela Selena Gomez.

Pela Selena, ok. Então estou a ler a Selena Gomez. "Olá, queridos terapeutas. Antes de irmos para o assunto em questão, obrigada por toda a companhia que me fazem com o vosso podcast. Adoro todos os episódios e deixam-me sempre com um ótimo humor". Olha, ainda bem. Alguém sai daqui bem disposto, que eu estar aqui a atorar a Rita. "Escrevo-vos este e-mail, pois tenho um problema de casal e pode ser que me consigam pelo menos dar umas dicas. Peço já desculpa pela extensão do e-mail".

Não há problema. Hoje é o dia dos e-mails extensos.

E mesmo assim este não é muito grande. "Eu e o meu namorado estamos juntos há nove anos. Durante oito anos não nos foi possível morar juntos, pois ambos fomos viver para fora em momentos diferentes e mantivemos uma relação à distância durante cinco anos não seguidos". Ou seja, foram-se juntando e afastando.

Exatamente.

"Em que ele esteve apenas seis meses fora e eu estive os outros quatro anos e meio em trabalho. Ao longo deste tempo, precisámos de manter a melhor comunicação possível para que a relação resultasse. E mesmo com os seus momentos mais baixos, conseguimos ultrapassar e continuar juntos com muito respeito e vontade de construir o nosso futuro em casal. No último ano conseguimos comprar casa e finalmente já moramos juntos. Em tarefas de casa, forma de estar e viver no mesmo espaço, corre tudo muito bem. Nunca discutimos e temos tudo muito organizado entre nós. O problema veio-"

Começa agora.

"Eu sou uma pessoa mais extrovertida e ele não tanto. E eu digo sempre o que penso e caso não esteja confortável com alguma coisa, falo logo. Ao contrário, não acontece. Ele retrai-se e guarda tudo para ele. A única forma de me dizer é quando eu começo a sentir que as coisas estão estranhas da parte dele e meto as cartas em cima da mesa. Quando o faço, ele deita tudo para fora, muitas vezes até já sem contexto, pois foram coisas de há bastante tempo ou até mal interpretadas, que bastava ele no momento falar comigo e o problema ficava automaticamente resolvido, pois ele iria entender que não era da forma que ele estava a pensar. Para além disto, sempre fomos um casal de competições saudáveis, tentámos sempre mais-"

Tentarmos ser mais rápidos em certas brincadeiras um com o outro, etc.

"Mas nos últimos tempos, sinto que essas picardias deixaram de ser brincadeira da parte dele para uma verdadeira e constante competição, ao ponto de já utilizar isso como ataques da minha parte. Para além disso, ele trabalha durante a semana, muitas horas por dia, das 05:00 até às 22:00, com pequenos intervalos pelo meio. E eu tenho horários rotativos, por isso não estou disponível a maior parte dos fins de semana, para além de que durmo algumas noites fora por motivos profissionais. Resultado: estamos muito pouco tempo juntos e quando estamos, ou ele está exausto do trabalho e precisa descansar, ou eu na mesma situação, ou temos já coisas previamente combinadas. Tenho tentado marcar, mesmo assim, dates entre nós para conseguirmos aproveitar tempo de qualidade, mas não sinto que seja suficiente, pois as coisas não melhoram muito e já não sei o que fazer. Acredito que também esteja a fazer algo errado, claro, mas neste caso até sinto que nenhum está a fazer nada de errado em concreto, mas sim, estamos com vidas muito diferentes. Agora a questão é: há solução? É suposto, depois de tudo o que construímos há quase 10 anos de relação nos separarmos? Terá sido tudo em vão? Sinto verdadeiramente que ele é a pessoa para o resto da vida e amava que conseguíssemos ultrapassar isto, porque o amo imenso. Mas será algo possível? Já não sei o que fazer, inclusive a nossa química sexual e física começou a desvanecer, pois nem temos tempo para isso. Mais uma vez, desculpem por este e-mail longo e caso não me consigam ajudar, agradeço na mesma terem lido o e-mail. Um beijo aos dois e amo sempre quando os vossos filhos de quatro patas participam no pod. Deixo os nossos nomes ao vosso critério". É a Selena Gomez e o Charlie Puth, porque isto como é uma música, a Rita vai explicar.

We don't talk anymore. We don't talk anymore. Pronto. Eu acho que nós estamos aqui perante um caso de estas pessoas funcionam melhor à distância.

Verdade.

E gostaria que tu desses o exemplo dos pais da tua ex-namorada.

Olha, bem lembrado, que eu não me lembrei disso e eu acho que tem 100% a ver com o que está a acontecer aqui. Então eu vou contar esta história. Até porque isso pode ser a solução para estas duas pessoas, atenção.

Exatamente.

Pode mesmo. Eu namorei com uma rapariga durante bastante tempo, que os pais dela eram divorciados. Mas o que aconteceu? Eles os dois conheceram-se, apaixonaram-se, tiveram duas filhas, porque esta minha namorada na altura tinha uma irmã Minha namorada na altura. Na altura tinha uma irmã, acho que ainda tem uma irmã.

Exato, na altura em que era namorada, tinha uma irmã.

Agora não sei. Portanto, tiveram dois filhos, ou duas filhas, neste caso, e a certa altura perceberam que isso não estava a dar. "Este casamento não está a dar, esta relação não está a dar, adeus, cada um para seu lado". Separaram-se, divorciaram-se, cada um para seu lado, casa para cada um, casas diferentes, ambas em Telheiras. O que acontece? Por causa do processo de terem duas filhas, eles viam-se. "Agora as filhas vão pra tua casa, agora as filhas vêm pra minha casa, como é que foi na escola, como é que elas estão?" Eles iam-se.

Claro, quando tu tens filhos em comum, acabas sempre por ter que estar ligado ao teu ex-marido, ex-mulher ou ex-pessoa.

Exatamente. Acontece que começaram, às vezes: "Olha, vieste cá trazer as filhas, não queres ficar a jantar?" "Fico a jantar, claro que fico." "Olha, vieste cá trazer as filhas, não queres ficar a jantar?" "Então claro que fico." O que acontece? Anos depois de se terem separado e de estarem divorciados, e acho que até tentaram ambos ter relações.

Olha, a nossa televisão. Quer participar?

A nossa televisão é a convidada especial deste episódio.

Exatamente.

A nossa Bravia. Por acaso não sei se é, acho que é. Bom, o que acontece? Tentaram ter relações com outras pessoas, aquilo não deu, mas neste processo de "queres ficar cá a jantar?", "vens cá trazer as miúdas" e não sei o quê, voltaram a apaixonar-se, namoraram. E o mais giro de tudo isto é que, à data em que eu namorei com esta pessoa, os pais dela namoravam, cada um na sua casa, e tinham percebido que a maneira como aquela relação funcionava era namorarem, não era estarem casados e estarem na mesma casa. Eles precisavam cada um da sua casa, continuavam a morar cada um na sua casa. Moravam os dois no mesmo bairro, lá está, que eu disse que era Telheiras, mas estavam muito felizes um com o outro. Iam jantar à casa de um, depois iam jantar à casa do outro, depois ficavas a dormir lá, agora fico a dormir em tua casa, mas cada um com a sua casa.

E isto eu acho que é a prova. Gosto muito desta história, porque eu acho que isto é a prova de que nem sempre o formato típico de relação que nós estamos habituados a ver é aquele formato que nós temos de adotar para nós.

Ya. É preciso muita clarividência e paz de espírito e, acho eu, maturidade emocional para estas duas pessoas perceberem: "Não, nós funcionamos. Eu preciso da minha casa, tu precisas da tua casa".

Exatamente.

"Nós temos que ter saudades um do outro. Nós não funcionamos como casal se estivermos os dois no mesmo espaço".

Portanto, eu não quero dizer com isto que esta seja a solução para o Charlie Puth e para a Selena Gomez.

Mas pode ser.

Mas o que só quero dizer com este exemplo é que talvez vocês funcionem bem no modelo relação à distância, porque foi assim grande parte da vossa relação durante oito anos. E talvez morar juntos, estarem sempre a ver-se, não seja uma coisa que funcione para vocês.

Pois, é isso. Claramente, há uma coisa que nós tiramos deste e-mail que é que estas duas pessoas funcionam melhor quando estão à distância.

Ou então habituaram-se tanto tempo a viver nesse modelo à distância, que agora a habituação é diferente.

Ya. É possível que vocês demorem mais tempo a habituar-se a estar constantemente um com o outro. Sendo que o problema deste e-mail também é que eles raramente se cruzam. Mas essa distância é completamente diferente, não é?

Eu acho que tem que ver com a expectativa que eles tinham para o que seria uma vida a morar juntos e para aquilo que a vida a morar juntos está a provar ser.

Exatamente.

Porque quando tu estás afastado, tu sabes quais são as regras do jogo. As regras do jogo são: cada um está no seu país ou na sua cidade e quando nós estamos juntos, é para estarmos juntos.

Pois, é verdade.

Talvez a expectativa deles de irem morar juntos fosse: "Agora, nós vamos estar sempre juntos".

Sim, mas nesse caso eu acho que eles também não têm tido tempo sequer para estar juntos, porque ela diz que têm dates, mas mesmo esses dates às vezes não é.

Pois, porque é a vida normal a acontecer. Antes o que acontecia era, quando eles estavam juntos, faziam esse tempo para estar juntos, porque era pouco.

E eu não quero ser advogado do diabo, mas não haverá também, muito remotamente, a possibilidade destas pessoas estarem a perceber que não querem estar uma com a outra, que gostam um do outro e da história que tiveram juntos. Porque há uma coisa que ela diz no e-mail que a mim me faz particular confusão, que é: será que vamos deitar estes anos todos a perder?

Pois.

Eu sou sempre contra esta expressão, porque se vocês estiveram 10 anos juntos, se foram felizes durante 10 anos e agora já não estão, vocês não deitaram 10 anos a perder. Vocês viveram uma história boa durante 10 anos, que já não é. Não perderam 10 anos.

Exato, não desperdiçaram nada.

Não, foram felizes enquanto deu e agora já não dá.

Eu acho que com esta nos despedimos. Nós os dois estamos muito clarividentes. Temos que fazer mais vezes isto de ir só a e-mails, porque acho que os nossos ouvintes vão gostar de nos ouvir a responder a estes e-mails.

Episódio só de e-mails que vocês podem mandar para terapiadecasalpodcast@gmail.com. É para onde vocês podem mandar os e-mails como fez o Charlie Puth e a Selena, como fez a Cassie Bennett, como fez a Andreia Assiman. Vocês mandem tudo: dúvidas, problemas, questões da vossa relação. terapiadecasalpodcast@gmail.com.

Até para a semana.

Agora, não nos podem acusar. Ai de quem disser que nós não respondemos a e-mails há imenso tempo. Eu quero ver essa mensagem. E esperem pela resposta.

Olha, diz adeus aos nossos amigos do Observador.

Adeus.