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Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está a minha querida mulher, Rita da Nova, pessoa que no estrangeiro só passa com o verde nas passadeiras e fica muito chateada quando as pessoas atravessam sem estar verde, mesmo que não haja um carro num raio de 4 km, em oposição a quando está em Lisboa, que passa as ruas a correr como as velhas fazem, sem olhar para os dois lados. Vermelhinho, não me interessa, estou na minha terra, vou passar aqui a correr, uma corridinha.
Olá, bom dia. Antes de mais, gostaria de me defender desta acusação que me está a ser feita.
É mentira o que eu disse?
Não é mentira, mas há uma justificação na minha cabeça.
Pronto.
É que se eu for para o hospital em Lisboa, eu tenho seguro de saúde. Antes que venham: "Sim, saúde europeu". Não interessa. Aqui ao menos eu estou na minha terra.
Conhece o hospital, fala a mesma língua.
Conheço o hospital.
Claro.
É mais fácil de ser tratada.
Tu achas que no SNS, em Portugal, é mais fácil ser tratado do que na Irlanda, onde nós estávamos e tu estavas com problemas, e Londres, onde tu estavas com problemas a atravessar passadeiras?
Nós desvalorizamos muito o nosso SNS por irmos aos outros. Mas eu nunca estive numa sala de... Olha, bem, cagando a mota.
É uma mota que faz muito barulho. Espero que ninguém atravesse agora que está a vir esta mota.
Eu nunca estive numa sala de espera de um hospital no Reino Unido, nem na Irlanda.
E sabes por quê?
Por quê?
Porque passas as passadeiras no verde com muita calma, também há essa. A minha questão é só a dualidade de critério, porque nós estivemos uma semana em Londres e três dias em Dublin e tu não passavas nunca fora da passadeira quando estava verde.
Ainda sou presa, ainda é ilegal lá nos outros países fazer isso.
Jaywalking, não é?
Não é.
Mas em Nova Iorque passas. E é ilegal fazer jaywalking.
Em Nova Iorque não passo.
Não? Nunca atravessaste uma rua com vermelho fora da passadeira?
Se estamos agora aqui a apontar coisas que fizemos em tempos na vida.
Assim que chegamos a Lisboa, no dia a seguir, por acaso não foi no dia a seguir, foi dois dias depois, mas logo nos dias a seguir, vamos os dois a um brunch, a ler o nosso livrinho, vamos ao Gulbenkian passear, está vermelho e a minha mulher: "Olha, vá, rápido, passa". E desata-me a correr fora com o vermelho.
E não passei.
Passaste, mas que pessoa és tu no estrangeiro? É Mr. Jekyll e Dr. Hyde.
Dr. Jekyll e Mr. Hyde.
É o que eu quiser.
E é como eu quiser também. Eu sou várias pessoas numa. Isso de nós termos de ser sempre uma pessoa e sempre a mesma pessoa, é sobrevalorizado, digo-te já.
É que a escolher um país para passar no verde, eu escolhia o nosso, porque eu já conduzi aqui, eu sei como é que as pessoas são malucas dos cornos a conduzir. E na Irlanda eu conduzi e as pessoas conduzem bem.
Mais ou menos.
Mais ou menos?
Quando tu estavas a conduzir, não conduziam bem. Estavas lá tu.
Pronto, mas quando eu estou ao teu lado, a pé, à espera que também que o semáforo fique verde e não vem ninguém, eu não estou a conduzir, portanto, eu não sou um perigo.
Mas é a mesma lógica, não é? Tu no estrangeiro passas, mas em Lisboa também não querias passar. Qual é a dualidade?
Queria.
Não querias.
Eu pasmei-me foi que tu querias passar fora da passadeira.
Ficaste lá para me dizer: "Para que é que estás a passar?"
Porque eu não estava à espera que tu fosses, fiquei surpreendido da minha mulher ser uma pessoa completamente diferente dentro e fora de fronteiras.
Então, todos somos, meu amigo. Tu gostavas de ser casado só com a mesma pessoa, aborrecido? Não.
Então a minha mulher é diferente no estrangeiro?
Claro.
Então é possível eu pedir o divórcio ao Calmas e querer continuar casado com a Rita que está na Irlanda e em Londres?
Não, isso não é possível. Isso não vai ser possível agora de momento, mas volto para a semana e pode ser que o sistema já funcione, está bem?
Está bem. Só há graça a essa dualidade da minha mulher.
É muito engraçado, realmente. Ainda quero falar de Dublin.
Dá-lhe. Este podcast também é teu.
É sobretudo meu, no fundo. Quero falar de Dublin, porque nós estivemos três dias em Dublin e aconteceu uma coisa muito engraçada. No último dia, já tínhamos feito o check-out, já tínhamos deixado as malas no hotel onde ficámos e fomos dar um passeio.
Fomos, sim, senhora.
Aquelas últimas horas em que tens de estar no aeroporto ao fim da tarde, mas ainda dá para aproveitar a cidade. E pensámos: "Vamos aos museus e às galerias."
Sim, senhora. Esta história é muito boa. Atenção, adoro que contes esta história, porque eu saio excelente desta história.
Vamos ao museu, ao National Museum of Ireland, que é meio aborrecido.
Achámos porquê.
Meio aborrecido. Eu estava à espera de uma coisa tipo Museu de História Natural e só vi pedras. Estava cheio de pedras, cheio de merdas, no fundo.
É verdade, há um lado da história que normalmente homens preferem, que é os romanos, os vikings. Há um lado mais de porrada, violações e conquistas. A parte dos vikings eu gostei muito, porque tinha lá roupas e explicava os barcos. Eu não sabia que os vikings jogavam jogos de tabuleiro.
Sim, já jogavam xadrez.
Jogavam xadrez e não só, eles tinham outros tipos de jogos de tabuleiro com dados. Muito giro. Gostei muito de ver a parte dos vikings. Tu estavas aborrecida.
Estava um bocado aborrecida, porque os martelos do século não sei o quê antes de Cristo são iguais aos martelos de hoje em dia.
O martelo não evoluiu muito. O que é que tu tens a dizer também?
O martelo foi feito e ficou.
Pronto.
Não há evolução no martelo.
Não há, um martelo e um machado estão muito parecidos.
Pronto.
O que é que acontece? Saímos do National British Museum.
Não.
Hã?
National British Museum não foste.
Mas como é que se chama o que nós estávamos?
National Museum of Ireland. É que tu continuas a dizer que a Irlanda É Reino Unido, é Titanic.
Não é nada, eu sei bem.
E aqueles gajos morreram e tentaram não sei quantas vezes ser livres.
National Museum of Ireland. Nós saímos desse e fomos à National Gallery of Ireland.
Fomos à galeria, que eu pensei: "Aqui é arte". Entramos e o guia diz: "Isto é muito parecido com outro onde nós já estivemos".
Eu digo: "Espera aí, mas eu já estive aqui".
Tu não disseste "eu já estive aqui", tu disseste: "Isto parece muito outro onde nós já estivemos".
Exatamente. E tu disseste: "Não, é porque este é igual ao de Edimburgo".
Parece o de Edimburgo.
"Este é igual ao de Edimburgo". Eu disse: "Mas espera, isto do café estar à direita, a loja à esquerda, as escadas à frente".
Não, eu não disse com certeza disso.
Tu disseste: "É porque este é igual ao de Edimburgo".
É porque é parecido com o de Edimburgo, porque foi o que me pareceu. E vamos, o último piso de todos, vemos a arte toda, depois descemos pro segundo e de repente, vamos descer pra última parte da exposição, que é uma galeria de retratos de pessoas importantes na Irlanda.
E atenção que já passamos por duas ou três salas em que eu disse: "Isto é muito parecido com o outro museu". E tu a dizeres: "Eu acho que este museu é igual ao de Edimburgo". E eu: "Mas é que há aqui coisas que eu já vi, esta sala, há aqui quadros". Eu não sabia explicar, era desse gênero.
Sim, tipo déjà vu.
"Estão muito parecidas".
E de repente entramos na sala-
Da arte moderna
...não é da arte moderna, é dos retratos das pessoas influentes.
Sim, mas nós estamos a ver quadros.
Sim, mas não é uma área específica de arte moderna, isso que eu estou a dizer. É uma parte específica pra retratos. E vemos um retrato do Graham Norton. E olhamos um pro outro, e o Guilherme diz assim: "Nós já estivemos aqui".
Nós já estivemos neste museu. Eu tinha certeza absoluta que eu estive neste museu.
Ou seja, nós estivemos num museu, por uma hora e tal. Eu achava que aquele museu era igual ao museu da Escócia, e afinal nós tínhamos estado lá em setembro!
Exatamente. Eu tinha certeza absoluta que eu tinha estado naquele museu.
Em setembro.
E eu, com a minha memória má, deixei-me ser gaslighted pela minha mulher a dizer que em Edimburgo era igual ao museu e que nós estivemos em Edimburgo.
Eu não te estava a dizer isso com toda a certeza do mundo.
Também não. Mas eu também duvido muito de mim por causa da minha memória. E a verdade é que nós já tínhamos estado ali e eu tinha a certeza que eu tinha estado ali.
Pronto, já tínhamos estado no sítio. Eu não sei se alguma vez vos aconteceu isto. Eu sei que há pessoas a quem acontece comprarem a mesma peça de roupa duas vezes.
Ok.
Ou seja, compram porque não se lembram que já compraram. Ou pessoas a quem acontece comprar o mesmo livro duas vezes.
Ok.
Agora, ir ao mesmo sítio.
Voltar a um museu.
E repara, não passou sequer um ano.
Outubro, novembro, dezembro, mais sete, são 10 meses.
São 10 meses.
Passaram 10 meses. Dez meses desde que nós estivemos naquele edifício. E eu lembrava-me de tudo.
Não era de tudo, tu não estavas 100% com a certeza, não te viraste pra mim e disseste: "Eu tenho 100% de certeza".
Porque eu duvido da minha memória. O problema de base é: eu não confio na minha memória, porque eu acho que estou a ser enganado ou tenho má memória. Mas quando entramos ali, eu reconheci aquilo tudo. E quando tu me disseste: "Eu acho que este é igual ao de Edimburgo", eu pensei: "Ok, então há um museu que é estruturalmente igual em Edimburgo".
Era o que eu estava a pensar.
E eu deixei-me ir.
Eu pensei: "Ok, se calhar isto é tudo da mesma base".
Deixei-me ir. A minha memória é melhor do que eu acho que ela é.
Pois, tu também não te valorizas.
Sem dúvida nenhuma. A minha memória é melhor do que eu acho que é.
Eu não estava a batalhar com isso. A certa altura, eu própria também fiquei um bocado: "Isto é esquisito".
479344 Cardinal.
Isso é o código do nosso quarto em Londres.
Do Airbnb onde ficamos em Londres. A minha memória é melhor do que eu acho que é.
Mas daqui a 10 meses vais me dizer esse código?
Pergunta. Aponta pra me perguntares. Não sei se eu não me lembro.
Queria contar isto porque eu achei que era muito engraçado.
Também achei muito engraçado. Achei muito engraçado estarmos num sítio, é que nem é bem déjà vu. É nós já lá estivemos. Não é só parecido ou não foi só com impressão nossa.
Nós já lá estivemos.
Foi muito engraçado quando nos apercebemos os dois ao mesmo tempo.
E nós estávamos a rir.
Ya, claro.
E ficamos: "Já vimos isto".
Até porque há quadros.
Há quadros novos.
Sem dúvida. Mas havia lá vários quadros que eu me lembrava de ter visto. Há um que eu acho lindíssimo, e que eu até fui fotografar o autor e o nome do quadro.
Mostra me pra eu saber qual é.
É um quadro, tenho aqui o nome do quadro. Olha, agora as pessoas também vão ficar a saber.
Sabes que eu também tive um momento de déjà vu.
O quadro chama-se "Landscape with the Rest on the Flight into Egypt". É um quadro de 1647, de um pintor chamado Rembrandt van Rijn. É assim que se chama. Eu fotografei.
Não fotografaste o quadro.
Não, isto é depois pra pesquisar, pra estudar o quadro e ver o quadro. Achei o quadro lindíssimo. E eu pensei: "Já vi este quadro. Este quadro é do estilo que eu gosto".
Eu tive este momento com um quadro de natureza morta em que está um coelho pendurado pela perna.
Exatamente.
E eu tive esse momento a pensar: "Que livro é que tem isto na capa?" Foi pra onde eu fui. "Há um livro que tem este quadro na capa".
Sabes quando é que me fez o trigger? Há um quadro, este eu não me lembro de quem é que é, mas é a história de um homem na Grécia que era muito forte na luta greco-romana, era um lutador muito bom e que toda a gente respeitava na Grécia. E ele era muito arrogante da sua força e da sua condição física. E ele quis abrir um coto de uma árvore, que estava cortada, só com a força das mãos, rasgando a árvore ao meio, mas ficou com as mãos presas e está a ser morto por lobos. E eu lembrei-me daquele quadro, porque eu achei que isto é uma metáfora muito engraçada pra arrogância, que é tu vais começar a sobreestimar a tua força e depois és comido por lobos. E eu lembrei-me disso, isso tinha me ficado na cabeça. E nós estamos naquele salão com os quadros, e eu vejo este quadro e Espera, mas onde é que eu já vi esta história? Eu lembro-me desta história do lutador que era muito bom e toda a gente respeitava e ficou com as mãos presas na árvore. Dentro da minha cabeça, eu já vi isto. De onde é que eu vi isto? A Ana falou disto numa série ou uma merda qualquer. Não, já tinha visto aquele quadro e decorei.
Pronto. Foi assim. Ao menos não se paga, não pagámos para ir ver uma coisa que já tínhamos visto. Mas pagaria, porque eu gosto muito daquele museu. Aliás, já lá fui duas vezes.
Sim. Agora da próxima que formos, temos que esquecer que fomos.
Esquecer, exatamente.
É o "50 First Dates", aquele filme.
Mas com um sítio específico.
Exatamente. Tens mais alguma coisa para dizer da nossa semana?
Quer dizer que foste mandado parar muitas vezes esta semana em aeroportos por causa dos microfones do podcast.
Pois foi. É chato andarmos com os microfones para frente e para trás, mas faz parte de nós cumprirmos, há oito anos, nunca falhar um episódio deste podcast. Também há essa, vou já ser honesto.
Uns falham, nós continuamos aqui.
Exatamente.
Mas isso também não é para tirar a graça dos outros.
A qualidade pode ser pouca, mas nós estamos sempre aqui, todas as segundas-feiras.
A qualidade não é muita, nunca.
Exatamente. E só para dizer, este é o penúltimo antes das férias. Esta é a penúltima segunda-feira antes de agosto. Nós vamos parar no mês de agosto, como paramos sempre. Mas os microfones, que são uns RODE normalíssimos e que nós entretanto comprámos mais um e temos três neste momento. Mas são os microfones que eu comprei com o meu amigo Pedro Silva para fazer o "Private Joke", que é um podcast que tem 10 anos. E esses microfones, com a minha mochilinha, quando passam no raio-X, o tabuleiro vai sempre para o lado e eu tenho que sempre: "Desculpe, posso abrir a sua mochila?" "Pode, sim, senhor." "O que é que é isto?" E eu: "São microfones." E depois na Irlanda, tive que explicar a um senhor no aeroporto de Dublin: "Então o senhor faz podcast?" E eu: "Sim, eu sou humorista, tenho um podcast." "Como é que se chama o seu podcast?" "Couples Therapy." "Couples Therapy?" E eu: "Sim, é um podcast de humor que eu tenho com a minha mulher." "Onde é que está a sua mulher?" "Está ali a minha mulher."
"A minha espera há 20 anos porque já passou."
"A minha espera. Então isto é um microfone." "É, é um microfone, não é um dildo para pôr no cu." "Sim, senhor, muito obrigado, pode sair." E pronto. E isto aconteceu nas três viagens que nós fomos, de Lisboa a Londres, de Londres a Dublin, de Dublin a Lisboa. Aconteceu em Lisboa para Londres, aconteceu em Londres para Dublin e em Dublin para Lisboa. Aconteceu todas as vezes.
Eles pensam: "Olha, este traz uma bomba."
O que é esta merda que este gajo tinha aqui?
Este gajo traz uma bomba assim.
Tem aqui dois cilindros. O que é isto?
Este gajo traz uma bomba. Queria só reforçar aqui que foste mandado parar várias vezes.
Foi, sim, senhor. Agora, há um pouquinho de housekeeping que nós temos que fazer do episódio passado.
Desculpa.
De onde é que vem essa energia?
Não vem de lado nenhum. Apetceu-me só. Desculpa. Achei que estávamos a concordar muito. Achei que estávamos muito divertidos. Achei que estava a ser muito positivo este episódio. Achei que estava a ser demais.
No episódio passado, a minha mulher, Rita Da Nova, veio para aqui dizer que as canelas dela não bronzeavam.
Não fui eu que vim para aqui dizer. Eu disse isso no conforto do nosso lar, achando que estava a exprimir-me junto do meu cônjuge, da pessoa que eu escolhi para passar a vida, e o que ele vem fazer? Vem repetir para aqui. Portanto, não fui eu que disse.
Miguel Bernardino, que é o médico oficial do "Terapia de Casal", indigitado no episódio 166, enviou um e-mail a explicar o que se passa com o bronzear de canelas. E eu gostava que a minha mulher lesse, porque é sobre a sua questão.
Ainda nem li. Deixa para lermos aqui.
Pronto, vais aprender.
"Boa tarde, Rita e Guilherme. Espero que estejam bem. A pergunta que me colocam é mais uma que não tem resposta fácil e definitiva." Pois, a medicina é muito fácil.
É só contactar com a ciência e a ciência não dá resposta.
Quantos é que eles vão lá estudar medicina? Mil. E depois chegam aqui, "não tem mesmo resposta, não é? As coisas não são preto no branco."
Neste caso é mais branco do que preto.
Exatamente. "A nossa pele é um órgão complexo, que tem diferentes tipos de células com diferentes funções. Uma dessas células é o melanócito, que está situado na camada mais profunda da epiderme, ver imagem, e tem a função de produzir melanina em resposta à exposição solar." Portanto, se vires aqui.
Exatamente, porque atenção, ele mandou uma foto ao lado de um livro médico dele.
Estão lá embaixo, os melanócitos.
É, os melanócitos. Sim, senhor.
É o nome de uma personagem de "A Odisseia". "A melanina é um pigmento que tem como função absorver a luz ultravioleta, protegendo a pele dos efeitos negativos da exposição solar. Depois do melanócito produzir melanina, envia esta molécula para os queratinócitos, as células mortas que constituem a maior parte da epiderme e que fazem com que a pele tenha o seu efeito protetor." Portanto, manda para cima. No fundo, é isto. É então nos queratinócitos que a melanina se espalha e dá o seu efeito protetor, ao mesmo tempo que origina os diferentes tons de pele. Passada a aula de histologia, porque parecem então os tornozelos bronzear mais lentamente do que o resto do corpo.
Muito bem, vamos à resposta.
Existem provavelmente várias razões para isso. Um: a pele tem espessura diferente nos vários segmentos corporais, o que pode levar a que sítios onde o estrato córneo, camada superficial de queratinócitos mortos, é mais espesso, tenha maior dificuldade em ficar bronzeado.
Ok. Porque a canela tem logo ali o úlceras. Ou seja, é uma pele muito diferente, por exemplo, do gémeo, que é atrás.
Sim. O suprimento sanguíneo de algumas regiões não é tão rico, o que leva a que os melanócitos produzam menos melanina.
Ok, é uma zona pouco irrigada.
A organização e constituição das células da pele não é a mesma em todo o corpo, o que também influencia a velocidade a que a pessoa se bronzeia.
Ok.
O grau de exposição solar não é uniforme em toda a pele, o que leva também a um bronze desigual.
Ok. Portanto, há zonas do teu corpo que bronzeiam mais depressa do que outras.
Exatamente. Dependendo do corpo também, porque, por exemplo, muitas pessoas no Discord do livro, depois de ouvirem o episódio da semana passada, disseram: "Não, eu bronzeio muito bem as canelas, não bronzeio bem X ou Y."
Pois, tens que pôr essa parte mais ao sol.
Exatamente. Isto são hipóteses plausíveis para o efeito que muita gente parece notar, o de que regiões como os pés ou os tornozelos parecem bronzear mais devagar do que a face ou os braços. Apesar disso, ainda não existe uma resposta definitiva que explique este fenômeno.
Ok.
Interessantemente, o número de melanócitos não parece ter um papel relevante na quantidade de melanina produzida. Um nativo sueco e um nativo senegalês tendem a ter mais ou menos o mesmo número de melanócitos. A diferença é que no segundo caso, os melanócitos que existem trabalham significativamente mais e produzem mais melanina. Portanto, são mais trabalhadores.
Sim, senhora.
Espero que a resposta tenha tido algum interesse, se o e-mail estiver desformatado é porque escrevi no telemóvel na praia enquanto estimulo a minha melanogênese. Beijinhos e abraços. Médico oficial do "Terapia de Casal".
Grande Miguel, que se está a bronzear enquanto fala de bronzear para o nosso podcast. Excelente.
100% de bronze.
Gostei muito, obrigado. E acho que temos aqui um bocadinho de levantar o véu da ciência do que se passa nas canelas. Eu acho que isso é interessante. Tens mais alguma coisa para dizer?
Não tenho mais nada. Tens mais coisas para falar sobre o tema?
Vais bronzear mais as tuas canelas?
Vou bronzear mais as minhas canelas. Obrigada, senhor doutor. Vou postar toda à sombra e pôr as minhas canelas de fora.
Sim, senhora. Eu tenho aqui outra questão que eu gostava de falar, que é a situação dos nossos gatos com o ar-condicionado. Nós mandámos pôr ar-condicionado cá em casa. Temos dois, temos um no quarto e temos um na sala. Excelente, muito bom. Houve uma vaga de calor e ele ajudou imenso. Qual é a questão?
Até porque conseguimos ligar à distância.
Exatamente. É daqueles em que uma pessoa pode ligar no telemóvel, na app, no carro, a caminho de casa, e quando chega já está fresco.
É como a Rádio Comercial.
É no carro, é em casa.
Em casa, no carro, em todo lado.
E o que é que se passa? Há uma questão que é: os nossos gatos sofrem com o calor. Não só fazem mais bolas de pelo, porque estão a largar mais pelo, e então lavam-se mais e enfartam-se de vomitar de um lado para o outro, como sofrem também com o calor, porque estão muito mais deitados no chão, vão para zonas tipo casa de banho, porque o chão é mais fresquinho, vão para o corredor. Eles não querem estar no sítio onde está muito calor. Mas ao mesmo tempo, sofrendo eles com o calor que sofrem, nós ligamos o ar-condicionado e eles saem da divisão.
Eles fogem, eles vão para o sol. Não é só fugir para outra divisão, é ir para outra divisão e vão se deitar ao sol.
Vou dar um exemplo prático. O nosso quarto tem ar-condicionado, como eu acabei de dizer. E há uma altura em que a luz bate diretamente na nossa cama e faz aquele spotzinho de calor que os gatos adoram e vão lá deitar-se de barriguinha para cima para apanhar sol, no inverno. Ora, os nossos gatos fogem do ar-condicionado e vão à procura dos sítios mais quentes da casa. Portanto, sem ar-condicionado, está muito quente para os gatos. Com ar-condicionado, não, está impossível, vou-me embora daqui, nunca estar aqui.
São umas divas.
Eu não sei o que é que se passa com os gatos. É ar-condicionado que eles não querem, porque os gatos têm calor e frio ao mesmo tempo.
Nós gastamos dinheiro. Principalmente, não vamos mentir, pelo bem-estar dos nossos gatos.
Não sei, dúvida. A maior parte do dinheiro que nós gastamos é por causa dos gatos. Quantas vezes não acontece, nós irmos às compras para nós e é um valor, e a seguir vamos às compras para eles.
E é o dobro do valor.
É o dobro!
Portanto, é assim: estes meninos precisam de ser maltratados.
Eu acho que falta um bocadinho de problemas na vida destes gatos.
Não é?
Só um bocadinho. Não é grave, não é de saúde. É só uma contradição.
Um contratempo.
Um contratempozinho. Só um contratempozinho ou outro de vez em quando. Porque agora terem calor e depois odiarem o ar-condicionado, porque está muito frio. Meus meninos, digam-me então qual é a temperaturazinha que as divas cá de casa querem. Qual é?
Olha, eu não sei.
É como as latas, nós compramos aquelas latinhas que eles têm de comer, não sei o quê. E há uns saborzinhos que eu não gosto, porque isto é peixe com peixe, eu não gosto de peixe com peixe. Primeiro, não pode ser em broth. Em água? Não, tem que ser em jelly, tem que ser geleiazinha. E depois a geleia tem que ser de carne, não pode ser geleia com peixe, porque eu não consigo comer peixe. E de repente eu vou te ajudar no Meg e estão lá gatos que moraram na rua e comiam relva e pássaros. E estes meninos, não, tem que ser geleia e carne, está bem? E depois há umas que é preciso pôr um bocadinho de água, mas há outras que se tu pões um bocadinho de água já não gostam porque tira o sabor. Pronto, obrigado, até à próxima. Mas que é isto?
Eu acho que nós tratamos demasiado bem os nossos gatos.
Isto é impressionante. É impressionante as divas que eu tenho.
Nós devíamos chamar o IRA, mas era para o IRA nos proteger dos maus-tratos dos nossos gatos a nós.
Exatamente. Então eu ponho ar-condicionado. Quantas pessoas não queriam este verão ter ar-condicionado em casa e não têm? Andam numa correria por causa de ventoinhas e a comprar e não sei o quê, não sei que mais. Nós pomos ar-condicionados e os gatos: "Está muito fresco, não quero. Olha a minha gargantinha, vou ficar mal". Saem da sala. Nós ligamos para isto ficar fresco.
E vão para o sol.
E vão para o sol.
Vão literalmente para o sol.
Olha, eu não sei. Eu não consigo, eu não sei como é que se faz. Eu desisto. Façam o que vocês quiserem.
Se alguém nos puder adotar a nós, se houver aí algum gato que nos queira adotar enquanto donos, para nós está ótimo.
Ya. Pronto, é isto. Sabes aquela influencer que quer despachar o gato? Tu falaste-me disso no outro dia. Há uma influencer qualquer que adotou um gato e agora já não quer o gato e quer despachar o gato.
Sim.
Pronto. Uma cena doentia, não sabem ter animais, não tenham, não vou entrar por aí, porque este podcast também não é sobre isso.
Mas há outra, que eu tenho de investigar melhor para depois trazer, posso trazer para a semana, que é daquela da Rafaela e do Frank.
Ela foi lá roubar o gato.
Ela foi lá roubar o gato.
Atenção, nós não semos...
Não semos.
Nós não somos esse.
Pronto, falamos de pessoas TikTok, começamos logo a dizer "semos", não é?
Nós não somos este tipo de podcast. As pessoas aqui sabem que nós não vamos estar aqui a esmiuçar, ai meu Deus, a Magui Corceira acabou e não sei o quê, Júlia Palha como é que é.
Mas essa história é inacreditável.
Podes fazer esse trabalho de casa?
Faço esse trabalho de casa e para a semana trago.
Pode ser? Fica, eu vou apontar aqui.
Rafaela e Frank.
Gato.
Gato.
Porque eu estive a ver um vídeo do Frank.
Eu vi o vídeo do Frank e depois vi o vídeo da Rafaela.
Que ela achou que tinha de volta as chaves da casa.
E ela fez uma cópia.
E afinal não, e ela foi lá buscar o gato enquanto ele tinha um evento público.
Sim.
Vou te dizer uma coisa, se tu fizesses uma merda dessas...
E deixou lá o outro gato Ela só foi buscar um, eles tinham dois.
Ela foi buscar um?
Sim.
Ela tem preferidos? Espera aí. Rafaela e Frank, gatos. Para a semana, que vai ser o último episódio antes das férias, nós temos duas coisas para tratar. Por acaso se queres pedir já, antes de irmos a e-mails.
Podemos pedir.
Pronto, a primeira é a Rita vai contar a história
Vou contar a história da Rafaela
Da Rafaela e do Frank e dos gatos.
A segunda coisa era: nós queríamos fazer disto um episódio de Q&A, ou seja, de perguntas e respostas rápidas. Vocês podem perguntar o que quiserem, sem ser um grande dilema da vossa vida. Se tiverem alguma dúvida, alguma curiosidade, alguma coisa que gostassem de nos perguntar, para ser um último episódio de temporada um bocadinho mais dinâmico e diferente.
Um Q&A, em que nós respondemos diretamente às perguntas das pessoas.
Exatamente.
Precisamos sempre falar, responder aos e-mails das pessoas e aos problemas delas. As pessoas também podem fazer perguntas de volta para cá.
Exatamente.
terapiadecasalpodcast@gmail.com. É onde vocês podem continuar a enviar as vossas mensagens, os vossos problemas, as vossas dúvidas, que nós respondemos, como vamos responder agora a e-mails, mas também podem mandar perguntas para nós, perguntas rápidas. Também podemos abrir aquelas coisas no Instagram.
Sim, também vamos abrir.
Porque acho que era giro, porque aí há mais agilidade em deixar perguntas.
Muito bem.
Mas terapiadecasalpodcast@gmail.com. Sim, senhor. Então vamos a e-mails. Tu queres começar por qual?
Quero começar pelo do Universo apresentou-me.
Ok, da Maria Helena, não é?
A Maria Helena, porque é a senhora das cartas e o universo é que lhe apresentou. "Olá, Rita e Guilherme. Tenho um dilema digno de uma comédia ou de um drama romântico."
Ok.
"E preciso da vossa preciosa ajuda. Tenho 28 anos, namorei quatro anos, vivemos juntos quase três anos e terminámos em dezembro de forma muito adulta. Não houve traições nem grandes dramas, simplesmente a relação morreu aos poucos. Durante muito tempo tentei comunicar, propus terapia várias vezes, mas nunca senti que as minhas necessidades fossem realmente ouvidas. Até que chegou a um ponto em que já não me revia naquela relação e, com muita terapia, decidi terminar."
Muito bem.
"Apesar disso, continuamos amigos. Falamos, convivemos no mesmo grupo e a separação foi tão tranquila que conseguimos manter uma boa relação."
Até agora, eu não estou a perceber por que está aqui um e-mail.
"Fast forward para outubro. Quando a relação já estava nos cuidados paliativos..." Então não é fast forward.
É flashback.
Flashback, exatamente. "Quando a relação já estava nos cuidados paliativos, fomos de férias com um grupo de amigos. Nesse grupo estava um amigo do meu ex, recém-divorciado, há um ano e tal, penso eu, que tinha entrado há pouco tempo no grupo deles."
Ok.
"Precisamente quando passou por essa fase de separação."
Muito bem.
"Nunca aconteceu absolutamente nada, nem mensagens, nem flertes assumidos, mas houve aqueles olhares. Olhares esses que podem significar tudo ou rigorosamente nada e serem só fruto da minha imaginação."
Sim, senhora.
"Aka atração. Na altura pensei: estás só carente, cerca. Só que depois dessa viagem nunca mais o vi. Entretanto, passaram sete ou oito meses e ontem voltámos a juntar-nos e voltei a vê-lo. E percebi que continuo a achar-lhe piada."
Deixa-me só fazer a timeline. Outubro viu, dezembro acabou a relação e sete meses depois, portanto em maio, junho, volta a vê-lo.
Exatamente.
E já está separada há cinco meses.
Sim.
Ok, excelente. Estou só a acompanhar.
"É exatamente o meu tipo. Moreno, olhos claros, cuida-se, veste-se relativamente bem, é educado e trata a família com um carinho enorme. Isto tudo sem nunca termos tido uma conversa que justificasse uma paixoneta. Basicamente, conheço-o muito pouco. O problema..."
Como é que ela conhece-o muito pouco e sabe que ele trata bem a família?
Deve ser pela maneira como ele fala da família.
Ok.
"O problema: continua a ser amigo do meu ex. Apesar de não ser amigo de infância, faz parte do grupo de amigos dele e sendo homens, tenho a sensação que existe aquele código bro before vocês completam a frase. As minhas amigas dizem para começar pelos likes nas stories, que admito que já o faço de vez em quando. Reagir com corações, eu acho que isso tem potencial para correr mal e eu ficar vista como a desesperada que roda o grupo de amigos."
Percebo perfeitamente.
"E ainda há outro problema: eu quase nunca estou com ele, só nestes convívios aleatórios. Por isso, mesmo que eu quisesse conhecer melhor, nem sei como criar oportunidades sem parecer uma atrevidona. Perguntas: fariam alguma coisa ou deixariam a vida acontecer? Amigos de ex são território proibido? E se achassem que valia a pena, como é que se aproximavam de uma pessoa que pouco vemos sem parecer completamente desesperada? Acham que devo seguir com a minha vida e conhecer mais pessoas? Não sei como é que isto se pode proporcionar. Sou a única solteira do grupo, trabalho por conta própria em casa e o único hobby que tenho é o mesmo ginásio que frequento há mais de 10 anos. Aceitam-se diagnósticos, gozos e puxões de orelhas. Obrigada por me lerem. Um beijinho." Chamámos-lhe Maria Helena.
Maria Helena por causa do universo. Ela faz aqui três perguntas, que eu gostava de responder a uma com todo o feminismo que eu tenho no meu corpo. A primeira é: fariam alguma coisa ou deixariam a vida acontecer? Não é essa. Amigos de ex são território proibido? Três: e se achassem que valia a pena, como é que eu me posso aproximar de uma pessoa que pouco vemos sem parecer completamente desesperada? Por que só há a ideia de que as mulheres quando estão interessadas e metem conversa, estão desesperadas? Por que se for um homem é normal porque sentiu-se atraído e quer meter conversa?
Exatamente.
Por que há essa dualidade de critérios de se for uma mulher a mostrar interesse, olha, é badalhoca e desesperada. Se for um homem a mostrar interesse, é o normal, é expectável, depois se ela quiser, ela logo responde. Não concordo absolutamente.
Também não concordo.
Para responder à tua terceira, do se achassem que valia a pena, como é que eu me aproximava de uma pessoa que pouco conheço sem parecer completamente desesperada, eu não percebo esta pergunta.
Pois não.
Porque tu tens interesse, achas um homem bonito, podes perfeitamente mandar uma mensagem. E eu acho que essa dualidade de critérios de como é uma gaja, está com o pito aos saltos, não concordo nada.
Ninguém está a dizer que a mensagem que ela vai mandar é: "És grande gatão, deixa-me comer-te". Não é isso.
Não, de todo, está interessada. Ponto final.
Ela pode pôr qualquer coisa nas stories que começa uma conversa.
Sim, mas acho que saltamos aqui para a terceira pergunta. Podemos começar um bocadinho mais atrás. Fariam alguma coisa ou deixavam a vida acontecer? Eu acho que fazer alguma coisa é a vida acontecer. Ou seja, não é por tu ignorares um rapaz por quem tens uma atração, já vamos falar do fato de ser amigo do teu ex, mas não é por tu ignorares que a vida está a acontecer. Não. Fazer a vida acontecer é tu meteres conversa com uma pessoa por quem tens atração quando estás solteira.
Claro.
E porque apetece-te fazer coisas com aquele menino. Isso é a vida acontecer.
Sim, e ela não está a trair ninguém.
Exatamente.
Ou seja, eu acho que ela simplesmente pode tentar O que ela quer dizer com a vida acontecer é ignorar e depois se ele tiver interesse, logo acontece.
Mais uma vez, por que está ela na mão à espera que ele também tenha interesse e que ele queira? Ele deve estar a pensar a mesma coisa, que é: "Isto é a ex-namorada do meu amigo. Será que quero mesmo mandar uma mensagem?"
Ou então não.
Certo.
Mas ela também nunca saberá se não
Exatamente. Eu acho que ela tem que tomar a iniciativa se tem vontade.
Claro.
Não é ficar à espera. Agora, em relação à questão de ser amigo do ex, eu percebo o desconforto e eu percebo a necessidade que ela tem de dizer qualquer coisa ao ex, para não parecer badalhoca que anda a rodar o grupo de amigos. Percebo perfeitamente isso.
Mas também estamos a pôr muitas carroças à frente dos bois.
Sem dúvida, mas eu percebo que ela seja vista assim ou que ela não queira ser vista assim.
Calma, mas isso não significa que ela, que tem o seu ex. Este rapaz é recente no grupo, isso não significa que ela agora, se este rapaz não quiser nada, passe para o próximo do grupo e para o próximo do grupo.
Isso era ela rodar o grupo de amigos. Ela não quer é ficar com a ideia de, indo ao segundo, que está a começar isso. Eu percebo isso. É uma preocupação que eu percebo, mas acho que ela não tem que dar muita importância. Agora, eu não acho que ela tenha que falar com o ex-namorado a pedir permissão para ir falar com o amigo dele.
Não, de todo.
Eu acho é que se ela tem interesse nele e se tiver vontade de começar a ir a dates e mandar-lhe uma mensagem para estar com ele, e se as coisas começarem a correr bem.
Aí sim.
Ela pode dizer ao ex: "Olha, por uma questão de amizade, porque nós acabamos bem e porque eu te tenho respeito, eu gostava que soubesses". Não é pedir permissão.
Claro.
É informar na base da amizade. "Eu gostava que soubesses".
Por mim, e não por outra pessoa.
"Eu e o..." como é que se chama o outro das cartas?
Não sei.
Paulo não sei o quê. Esta é a Marilena, podia ser o Paulo. "Eu gostava que tu soubesses que eu e o Paulo das cartas, também do Estar Hoje, estamos a ir a dates e eu estou a gostar muito e as coisas estão a correr bem. Era só para saberes, na base da amizade, e porque és amigo dele e porque fazemos parte do mesmo grupo". Mas não há cá permissões. Tu não precisas pedir permissão a ninguém.
E também, lá está, eu acho que essa conversa só tem de ser tida se isto de facto for para a frente.
Exatamente.
Mas só saberás se vai para a frente ou não, se meteres conversa.
Exatamente. E se tens vontade, ó minha amiga.
Se tens vontade, mete.
Eu tenho muita curiosidade nisto, porque ela estava a dizer que as amigas estavam a dizer para começar a mostrar interesse, a dar likes nas fotos.
Nas stories.
Nas stories. É assim que uma mulher começa a mostrar interesse?
Olha, não sei. Eu sou a pior pessoa, porque eu não só não ponho likes em stories nenhumas, como nem vejo quem é que põe nas minhas.
Eu às vezes vou cuscar, mas não é no ponto de vista de: "Deixa ver se alguma gaja boa". É do género: "Olha, deixa ver quem é".
Mas eu nunca tenho essa curiosidade, portanto. Mas também não estou solteira, se calhar se estivesse.
Se estivesses solteira e houvesse um rapaz que tu estavas interessada porque era bonito, eu acredito que tu fosses ver as tuas stories por acaso ele viu e deu like. Acho que isso é perfeitamente normal.
E eu acho que são vários passinhos. Começas com uma coisa suave.
Depois respondes a uma.
Depois respondes a uma.
Esperas que ele responda. Depois no próximo encontro dizes que gostaste muito daquela tua story, aquele concerto que tu foste foi giro. Pode meter conversa quando ele for ao restaurante, mas diz que ele mete uma coisa qualquer de comida. E assim quando estiverem juntos outra vez, ela diz assim: "Aquele restaurante era bom. Olha, estava a pensar ir, queres ir comigo? Gostava de ir jantar contigo lá a esse restaurante que tu foste".
Isso "gostava de ir jantar comigo" já é muito...
Estou só a dizer.
"Gostava de ir jantar contigo" já é bué. Não, tens de ir mais devagarinho. Despacito, como diz o outro.
Tudo tem um degrau.
Pasito a pasito, suavecito.
Pois, eu salto as escadas.
Como é que é? Não sei o quê e fofós. Como é que é? Não tem cá...
Fifis e fofós?
Não é assim. Fifis e fofós, não sei. Como é que se diz? Não há cá... Espera, será que o Google me responde?
Eu não faço qualquer espécie de ideia do que estás a falar.
Não há cá...
Fi?
Fofós.
Não há cá fofós. Reparem a pesquisa que ela está a fazer.
Fós. Fofós. Não há cá fofós. Não há cá fofo, não.
Nós agora estamos a ver uma série em que a polícia está a investigar o telefone e o computador de uma pessoa que morreu. E eu às vezes penso o que as pessoas achariam deste género de pesquisas que nós todos temos no nosso computador. Se tu morresses, o teu computador ia ser impounded pela polícia, eles iam ver na tua barra de pesquisas e dizer: "Não há cá fifi, fofós". É que a polícia vê essas pesquisas.
E para mim é muito engraçado, porque quando eu estou a escrever livros e em pesquisa para livros, às vezes são coisas também... Como se põe um pacemaker?
Eu acho isso hilariante. Acho muito giro imaginar a polícia a ver o meu computador e o meu telefone.
Por acaso era giro vermos as nossas pesquisas mais parvas.
Como se fôssemos a polícia, não é?
Sim.
Esperamos então perguntas das pessoas para a semana que vem.
Michelin, calcular custos de viagem. Depois, espera, desculpa, só mais uma.
Dá-lhe.
Mas tem de ser Google. Espera, este é Google Maps. Eu vou dizer que uso às vezes o cálculo de percentagens do Google, então fiz "percentagem de", que era para fazer um cálculo de percentagem.
Pedes para ele fazer percentagens? Mas percentagem é uma regra de três simples, essa é fácil de fazer por ti.
Eu sei, mas às vezes custa-me.
Ok.
Portal dos Alfandegamento, para saber se tinha recebido um spam ou se tinha mesmo alguma coisa para prisão de Dublin.
Ok, porque estivemos lá.
Por acaso não está muito interessante.
Pronto, está bem. terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem enviar e-mails, perguntas, questões e também no próximo episódio, que vai ser o último antes das férias, nós vamos fazer-
Perguntinhas rápidas
...como a Rita disse, um Q&A de perguntas rápidas. Alguma curiosidade, alguma coisa que queiram saber, alguma pergunta que acham que nós nunca respondemos. Como é que se chama aquela coisa da Cidade FM ou da Mega Hits, o caldo de boca?
Vou-te perguntar, não caldo de boca.
Vais ter de perguntar, vamos ter de perguntar. É assim, é um Q&A. Vocês mandam as perguntas que vocês quiserem e nós tentamos responder ao máximo que pudermos.
É assim, dentro dos limites da decência, já sabem.
Sim, não queremos que haja avarícia, nem porcaria, nem badalroquices.
Pronto.
Acho que há um limite de badalroquice que já se atingiu neste podcast.
Qual foi?
Quando eu disse o tamanho da minha pila aqui neste podcast.
É verdade.
Acho que também é assim.
Já todos nos tínhamos esquecido e de repente já todos nos lembramos outra vez.
Estou só a dizer. Adeus.
Pode ser que nos esqueçamos.
Até para a semana.
No museu ou lá o que é.