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Olá, bem-vindos a mais um podcast JLL Café, desta vez em parceria com o Observador. Eu não resisto em dizer que tenho um orgulho de estar neste estúdio do Observador, porque foi a JLL que ajudou a arrendar estes escritórios ao Observador. Eu sou a Mariana Rosa, Head of Markets Advisory da JLL, e hoje tenho o enorme prazer de ter aqui comigo a Catarina Barradas, Head of the Global Brand da EDP. Olá, Catarina, bem-vinda. Eu tenho um orgulho também de estar aqui com a Catarina, porque ela, além de ser uma amiga minha de toda a vida, faz anos no mesmo dia que eu, dia 19 de abril. Portanto, é um orgulho estar aqui com uma amiga a fazer esta entrevista. Catarina, bem-vinda a este JLL Café. Hoje vamos falar um pouco sobre as pessoas e sobre os escritórios. No fundo, entender como é que a EDP gere esta nova realidade do trabalho híbrido que se instalou nestes últimos anos. Eu gostava que me falasse um bocado do teu percurso e da tua entrada na EDP.
Olá, Mariana. É um enorme prazer estar aqui com vocês hoje, com a JLL, neste podcast. O meu percurso tem que ser rápido, porque é muito diverso e, portanto, vou passar por ele rapidamente. Eu sou engenheira civil de formação, trabalhei como projetista, trabalhei como realizadora de cinema, fiz uma mudança grande nessa altura. Passei para a PT como consultora para a área da produção audiovisual ligada à publicidade do grupo PT. Um desafio que era suposto ser de um ano, foram sete. Entretanto, fiz um executive MBA, também para me dar mais competências na área de gestão e na área do marketing. Surgiu o desafio de me juntar à Fox Network Group para ser diretora de marketing dos canais Fox em Portugal, National Geographic, 24 Kitchen. Entretanto, o grupo foi adquirido pela Walt Disney Company e eu absorvi também os canais Disney. Fui responsável pela parte do plano de marketing de lançamento do Disney Plus, plataforma de streaming que todos conhecemos. E entretanto, em junho de 2021, aceitei um desafio para me juntar à EDP como diretora de marca global do grupo EDP.
Que espetáculo! Catarina, antes de mais, eu li recentemente que a EDP prevê contratar mais 3 mil trabalhadores até 2026, aumentando o total para 14 mil, de acordo com o vosso plano estratégico. Sabemos que atrair e reter o talento é um desafio para qualquer empresa. Como é que a EDP vê este tema e de que forma trabalham esta retenção? Investem muito no vosso employer branding?
Investimos. Nós temos aqui um grande desafio. Nós somos uma empresa global, temos 13 mil colaboradores, vamos chegar aos 14 mil em 2026. Estamos em 29 mercados, portanto, logo à partida, são muitas culturas, muita diversidade na mesma empresa. Temos um grande foco em sermos uma empresa global, uma única, portanto não ser a soma de várias partes, mas ser uma empresa global. E trabalhamos muito na lógica não só de retenção, como na lógica de atração de talento. E temos vários projetos. Ano passado fizemos um projeto que foi extraordinário, que foi para levar, no fundo, aquilo que é o nosso plano estratégico e a nossa missão principal, que é sermos 100% verdes na geração de energia até 2030. Fizemos um documentário chamado "The Call for Changing Tomorrow Now", em que partimos em cinco episódios e fizemos a apresentação em cinco cidades diferentes. Em cada uma das cidades levámos um membro do nosso conselho de administração, que fez a apresentação desse episódio específico e depois fez a moderação de um painel com pessoas da EDP que fizeram parte desse documentário. Isso foi um projeto verdadeiramente global, porque nos obrigou a ir filmar os nossos ativos em várias geografias.
Claro.
Os protagonistas eram as pessoas da EDP, com vários níveis de senioridade, em vários setores da atividade. E depois o resultado final foi altamente inspirador. Nós normalmente fazemos sempre uma consulta para perceber se as pessoas gostaram, se perceberam o que é que nós queremos fazer, etc. E o resultado foi extraordinário, não só em termos de engagement, daquilo que as pessoas sentiram ao ver aquele documentário.
Sentiram uma verdadeira união.
Uma verdadeira união, um verdadeiro orgulho de fazer parte desta empresa. Portanto, acho que isso foi altamente bem-sucedido. E este ano, agora o grande desafio, depois de todas as transformações que nós fizemos no último ano, ligado à nossa narrativa de pessoas e à narrativa de marca, nós mudámos a marca em 2022. Com o propósito de alinhar aquilo que é a marca com a empresa que a EDP é nos dias de hoje e que quer ser no futuro. Uma empresa verdadeiramente sustentável, com esta ambição e compromisso de sermos 100% verde até 2030. E o que fazemos agora é trabalhar, no fundo, termos uma única linguagem e uma narrativa coerente sempre que vamos ao mercado recrutar, seja nos nossos programas de estágios, que temos momentos no ano de grande recrutamento, que atraímos talento, e depois na atração de talento mais especializado, em que aí o que fazemos é promovermos a nossa proposta de valor enquanto grande empregador, seja na lógica de mobilidade internacional, no desenvolvimento de carreira.
Oportunidades de eles viverem onde quiserem.
Nas oportunidades de viverem onde quiserem. E portanto, isto são tudo propostas de valor que nós vamos capitalizar em campanhas internas e externas.
Espetacular. Que mudanças e melhorias foram implementadas nos vossos escritórios com o objetivo de competir com o conforto das casas dos vossos colaboradores?
Nós temos várias ações sempre em simultâneo, dada a nossa dimensão. Temos equipas que acabaram de entrar em escritórios novos em Cingapura, estamos a trabalhar nos escritórios dos Estados Unidos, temos a equipa de Madrid que também vai mudar de escritório agora. Temos a nossa sede em Lisboa, que vai entrar num grande processo de remodelação Porque eu acho que esta digitalização e hibridização do trabalho obriga a uma transformação dos espaços de escritório. Primeiro, precisamos de espaços colaborativos, precisamos que as pessoas tenham qualidade quando estão em calls, nas chamadas reuniões externas por Teams e, portanto, que não podem estar em um open space cheio de barulho. Temos que criar esses espaços preparados para isso, espaços com tecnologia suficiente para que, quando temos as nossas reuniões com as várias pessoas das várias geografias, as pessoas que estão em casa se sintam parte daquela reunião que está a acontecer ali presencial também.
Não estando presentes, estando em casa, sentem-se que estão a fazer parte completamente da reunião.
E portanto, os nossos escritórios estão a passar por um processo profundo de transformação, alinhado com estas narrativas das pessoas, este propósito comum que nós temos, trabalhar numa cultura comum e numa lógica de lhes dar condições para que o trabalho seja feito em qualidade e, acima de tudo, uma razão para estarem no escritório. Ou seja, quando estão no escritório é para promovermos relações interpessoais, portanto, conhecerem as pessoas da própria equipe e as pessoas de outras equipes, promover este espírito de colaboração e acima de tudo este espírito de-
Também que quando vêm ao escritório, também sentem ali uma experiência, não é? De estar todos networking e de estarem conversando uns com os outros.
E conhecerem-se, acima de tudo, que as pessoas não se conheciam. Depois de dois anos de pandemia, nós tivemos imensas pessoas que entraram na empresa.
Eu ia te fazer essa pergunta, exatamente, que era: voltando um bocado atrás, qual foi o impacto que a pandemia e o teletrabalho trouxeram às vossas equipes a nível de produtividade e engagement? Eu lembro de ter um sobrinho meu que teve a estagiar na EDP, ele disse: "Como eu entrei na pandemia, eu nunca conheci as pessoas, conheci por Teams, mas nunca pessoalmente".
Ou seja, em termos de produtividade, o que sabemos hoje é que a produtividade continua igual. O ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e todos nós sobrevivermos. Portanto, tivemos que ir pra casa, houve uma aceleração brutal da digitalização das empresas e que isso foi fundamental pro sucesso daqueles vários momentos em que estivemos fechados em casa. Agora, em termos sociais, o impacto naquilo que é a ligação com a cultura da empresa, é altamente desafiante. Portanto, agora temos que romper esse ciclo e trazer as pessoas para o escritório, dando-lhes aquilo que ganharam com a pandemia, que é a flexibilização. Ou seja, as pessoas procuram maior flexibilidade.
Tendo dado essa flexibilização, não se pode tirar.
Não se pode tirar.
Agora, como é que nos reinventamos de forma que as pessoas continuem e queiram vir pro escritório, porque têm locais de experiência em que podem todos conviver uns com os outros?
Portanto, criando oportunidades e momentos de networking, que é fundamental, momentos de partilha e colaboração entre equipes. Nós vamos lançar um programa que está agora a ser preparado e, portanto, eu não vou dar grandes novidades, mas de haver uma razão para as pessoas virem ao escritório. E aquelas que não vêm, sentirem pena de não terem estado.
Perdem ali qualquer coisa. Não se sentem tão integradas.
Portanto, vai haver uma maior abertura dos nossos espaços, não só para as pessoas internas, como para a comunidade. Nós temos a nossa sede na EDP, na 24 de Junho, que é espetacular. Vamos ter uma nova sede que vai trazer mais próximo pessoas que estão espalhadas por edifícios em Lisboa. Aqui falando agora de Portugal, que vão estar muito próximos uns dos outros e vamos trabalhar em projetos em que vamos trazer oradores externos que possam dar formação ao talento interno e trazer convidados externos a participar, abrir os nossos auditórios para outras empresas poderem fazer as suas conferências, os seus projetos na EDP, abrindo as portas também para que o nosso talento possa fazer parte dessa discussão.
No fundo, se eles não forem ao escritório e não tiverem a oportunidade de viver esses momentos, eles é que estão a perder.
Eles é que estão a perder, exatamente.
Espetáculo. Diz uma coisa: qual a importância das medidas, já há bocado falaste da sustentabilidade, mas qual a importância das medidas de sustentabilidade para que os colaboradores sintam que esse espaço corresponde às suas preocupações? Cada vez mais nós sentimos que os millennials têm essa necessidade de saber se os edifícios são edifícios com qualidade, a parte do ar, se está tudo preparado para estas novas gerações, que no fundo são mais exigentes em relação à sustentabilidade.
Primeiro, quer dizer, a sustentabilidade está no nosso ADN. Quando nós dizemos que queremos ser 100% verdes na geração de energia em 2030, toda a organização está focada nesta meta. E, portanto, isto tem que se refletir em todas as ações que nós fazemos. Primeiro que nós temos um propósito interno, que é: "Our energy and heart drive a better tomorrow". E este better tomorrow é um mundo mais sustentável, preocupado com o ambiente, ligado à circularidade da economia. E, portanto, isto tudo está no nosso ADN e os espaços refletem isso. A nova sede está a ser construída com todas as melhores práticas.
Que tipo de medidas que a EDP está a implementar para esses novos escritórios, no fundo?
Nós temos, não só focando e dinamizando aquilo que nós queremos ter uma frota 100% elétrica, temos carregadores elétricos nas nossas garagens para os colaboradores poderem carregar e a frota comercial também poder andar com carros elétricos. Temos toda a parte de eficiência energética garantida, desde a simplicidade das lâmpadas serem todas LEDs para termos maior eficiência energética, ter automatização da eletricidade, ou seja, apagamos as luzes e acendemos só quando é necessário.
Quando alguém entra num espaço, aquela luz acende.
Elevadores também inteligentes, em que são só acionados quando é necessário.
Nas casas de banho, a água também.
A água também é medida. O novo espaço já vai ter recuperador de água para águas sanitárias, portanto, isso já vai acontecer, recuperação de águas pluviais para águas sanitárias. Toda a parte de oxigenação do edifício também é toda pensada para uma melhoria do ambiente e da experiência. Isto está a ser feito em simultâneo, temos uma sede dois que está a ser agora finalizada, vai ser finalizada no final do ano, e a sede um vai também sofrer uma série de transformações para adaptar não só aquilo que é as novas formas de trabalho híbrido, portanto, aquilo que falávamos da necessidade de espaços colaborativos, espaços mais privados, espaços de reunião interativa.
Para equipes multidisciplinares.
Exatamente, e discussão de trabalho e de projetos, etc. E depois esta parte toda de iluminação é fundamental. Sabemos que a iluminação é fundamental, mobiliário confortável para que as pessoas estejam bem sentadas e com uma boa postura. Há uma grande preocupação na EDP em tudo que é relacionado com o bem-estar e com a saúde mental dos colaboradores.
Tem uma equipa própria a pensar nisso.
Temos uma equipa própria a pensar nisso. Temos várias equipas a pensar nesta transformação dos nossos escritórios, são equipas multidisciplinares. Temos uma equipa especializada na parte de saúde mental e de bem-estar.
Wellbeing.
Do wellbeing nos escritórios. Eu queria usar pouco anglicismos.
É verdade.
Depois temos a minha equipa preocupada na parte toda de como é que nós contamos esta narrativa, como é que nós transmitimos às pessoas que lá vão esta cultura de uma empresa global única. O nosso propósito tem que estar refletido nas nossas paredes, no comportamento das pessoas que procuramos.
Se vocês vão a um escritório noutro país, também está com a mesma imagem.
Com a mesma. Há uma preocupação de coerência e de consistência, porque é aquilo que eu te dizia, nós sendo uma empresa global, temos uma narrativa única de pessoa, temos uma narrativa única de marca, temos um propósito comum e temos este We Choose Earth, que é nós escolhemos a Terra como propósito de marca, que é muito claro e está muito evidente em todos os nossos edifícios e nos nossos comportamentos. No fundo, nós procuramos pessoas que tenham fit com este propósito. E é engraçado que este We Choose Earth, no outro dia tive uma história que eu achei extraordinária, que é: a EDP tem uma grande notoriedade em Portugal. Quando vais para fora, há todo um trabalho de notoriedade que se tem que fazer, porque a EDP é uma grande empresa portuguesa que cresceu no mundo e no mundo há todo um trabalho para fazer. Mas houve uma candidata de um país oriental, já não sei de onde, da Ásia, que se candidatou à EDP sem saber bem o que era a EDP, mas porque o propósito era que nós escolhemos a Terra. E ela achou que isso era uma empresa que ela queria trabalhar, ela queria perceber mais sobre a empresa, porque tinha este propósito maior. E portanto, quando tu falavas em sustentabilidade nos nossos edifícios, nós somos uma empresa que walk the talk, nós aquilo que dizemos, fazemos. Tudo isso está refletido na nossa forma de trabalhar, no nosso propósito.
Vocês têm aí um ADN muito forte.
De sustentabilidade. Outra coisa que também não mencionei, mas eliminamos tudo quanto é plástico de utilização única, não existe nos nossos edifícios.
E garrafas de plástico.
Não existe nos nossos edifícios. Temos toda a parte de transformação de lixo e de reciclagem, está completamente implementada nos nossos escritórios. Fomentamos muito esta lógica de economia circular, reaproveitamento. Isto em toda a lógica. Nos nossos espaços, nos edifícios, nos nossos eventos, nas nossas ativações de marca, há toda uma preocupação para que isto seja consistente e, acima de tudo, verdadeiro.
Espetáculo. Diz-me uma coisa, a tecnologia é um dos pontos-chave na transformação e inovação dos escritórios. Como é que a EDP conseguiu usar a tecnologia para facilitar a comunicação entre as equipas?
Pronto, é aquilo que eu te dizia. Nós diariamente falamos e estamos em contato com as nossas equipas espalhadas nos 29 mercados. Isto foi uma coisa que tivemos que transformar imediatamente. Antes até da transformação física que estamos a fazer nas nossas sedes, instalámos logo sistemas de salas de reuniões em que um colaborador que esteja no Brasil, sente-se parte daquela reunião que está a acontecer fisicamente em Portugal, ou vice-versa. Ou eu sou chamada para reuniões nos Estados Unidos, onde as pessoas estão sentadas numa sala e eu sinto que faço parte dessas reuniões. Isso tudo foi uma transformação que fizemos logo imediatamente, porque foi uma necessidade que surgiu mal voltámos a este método híbrido. Depois temos plataformas de comunicação interna comuns a todas as geografias. Temos uma série de coisas que fazemos que são comuns para que todas as pessoas façam parte desta empresa global. E porque nós temos, de facto, projetos que são realmente globais e que obrigam a interação de pessoas das várias geografias. Temos aqui um novo desafio que é o fuso horário, porque temos equipas nos Estados Unidos, em Houston, e temos equipas em Cingapura, é difícil coincidir estas mesmas equipas no mesmo fuso horário, mas adaptamos o processo. Umas vezes beneficiamos Cingapura, outras vezes beneficiamos quem está em Houston, não os obrigando a acordar tão cedo. Mas pronto, isto é uma dinâmica, isso está perfeitamente garantido. Agora, aquilo que eu acho que é a grande transformação é a criação destes espaços em que as pessoas quando estão num open space, sintam que conseguem andar ao ritmo da digitalização. Que é, por um lado, eu vou para uma sala ter uma reunião física e presencial com pessoas que estão ali. Por outro lado, de repente, saio dessa reunião e estou num open space a ter uma reunião por Teams com o Brasil e tenho que garantir que não sou incomodada pelas pessoas que estão ao meu lado, que estão em simultâneo a ter outras reuniões. Isto é que eu acho que é a grande transformação.
E se precisar estar isolado, também tem um espaço para estar isolado.
Exatamente.
Agora falando em desafios, sendo o maior objetivo das empresas trazer os colaboradores aos escritórios, que política de teletrabalho as empresas devem implementar? Sem a opção de ficar em casa, híbrida ou totalmente flexível?
Pronto, não há um modelo perfeito, nem dentro de uma empresa, nem dentro dos diferentes setores das empresas. Nós na EDP, naquelas atividades onde faz sentido, não te esqueças que nós temos uma atividade muito técnica, os nossos colaboradores que estão nas centrais, e esses têm que garantir a segurança energética diariamente. E portanto, têm que estar lá e funciona de uma forma diferente. As pessoas que têm trabalho mais de escritório, o que nós implementamos foi: têm a liberdade e a possibilidade de estar dois dias em casa O restante tempo a trabalhar no escritório.
Têm uma aplicação, marcam por uma aplicação ou coordenam com os diretores de equipas?
É com os diretores das equipas. Eu, por exemplo, no meu caso, tenho terças e quintas fixas, porque é os dias em que eu promovo as reuniões de equipas e entre todos. Depois o terceiro dia é opcional. Esta globalidade faz com que nós vamos beber as melhores práticas noutros territórios. E vindo, que já estava institucionalizado uma parte da EDP em Espanha, trouxemos aquilo que são as sextas-feiras flexíveis, o colaborador gere o tempo como quiser. Idealmente, não há reuniões de Teams, a não ser que haja um projeto urgente e que isso toda a gente sabe, e aqui há uma grande motivação na nossa empresa, quando há um projeto é para fazer.
E ter a equipa multidisciplinar todos juntos.
Todos juntos, e se tiver que ser à sexta, é, mas à partida respeitamos a flexibilidade nas sextas-feiras e são o dia para o colaborador. Não só promovemos a parte toda de formação, portanto, desenvolvimento pessoal de cada um, que muitas vezes durante a semana não há tempo para fazermos as formações que são necessárias para o nosso desenvolvimento pessoal, e portanto, formação de manhã e à tarde podem fazer o que quiserem, normalmente estar com a família, porque acho que isso ajuda esse equilíbrio.
A JLL há muitos anos implementou também à sexta-feira à tarde, dar a tarde livre, e realmente é sem dúvida aquele dia que os filhos ficam felizes, porque os pais vão buscar ao colégio. Eu acho que é importantíssimo e nunca voltámos a repor e trabalhar o dia todo, porque realmente sentimos que era uma mais-valia brutal e que as pessoas, o que têm que trabalhar, trabalham até às 14h e dão o maior agrado e esforço, porque realmente é importante as pessoas também terem o seu tempo para se dedicar à família.
Não, e eu acho que a flexibilização traz isso. A pandemia trouxe uma grande transformação da cultura de trabalho. E nós percebemos que a produtividade não baixou, as pessoas estavam mais contentes em termos de flexibilização e, portanto, bora lá continuar a trabalhar e dar a oportunidade de que as pessoas possam continuar a ser produtivos quando têm que ser, ter um equilíbrio saudável entre a família e as horas que despendem para o trabalho, e depois dar a oportunidade das pessoas estarem fisicamente no escritório para as pessoas se conhecerem. Nós, dos vários climate surveys que fazemos e quando fazemos inquéritos aos nossos colaboradores, o que sai é isso, que é a geração mais nova precisa de ir ao escritório para conhecer as pessoas, aquilo que tu falavas do teu sobrinho.
Mas também precisa de liberdade.
Precisa de flexibilização e poder ter o seu tempo e poder trabalhar em casa quando um projeto não requer tanta colaboração física.
Eu digo sempre: liberdade é responsabilidade.
E depois temos as pessoas mais velhas, em que têm mais obrigações de família, que então essa flexibilização ainda é mais importante, e poderem gerir o seu tempo conforme a sua exigência familiar. E portanto, nós tentamos endereçar todas estas pessoas. Claro que somos uma grande empresa, temos 13 mil colaboradores espalhados por 29 mercados, colaboradores muito diversos, de vários backgrounds, com culturas completamente diferentes e portanto, tentamos ter modelo único, que vamos avaliando à medida que vamos sabendo e vamos tendo mais feedback das pessoas.
Tinha aqui uma pergunta que era: quais os principais benefícios de ir ao escritório numa base regular para as equipas da EDP. Já nos falaste tanto que no fundo é ter as equipas juntas, as equipas multidisciplinares e no fundo defenderem projetos e falarem de projetos todos juntos.
As pessoas conhecerem-se. Eu acho que acima de tudo, o que se chegou à conclusão é que depois de dois anos fechados em casa, as pessoas que entravam novas.
Porque há muita rotatividade também.
Exatamente. Ou seja, esta lógica de promoção de cultura faz melhor fisicamente.
Sem dúvida.
E se tu não tens uma ligação à tua empresa, que não seja para além do transacional, se não tens uma ligação, se não acreditas no propósito, se não acreditas na cultura, se não acreditas na energia que tu sentes quando estás a trabalhar com os teus colegas, inter equipas, é transacional, ofertam-se.
Tens toda a razão no que estás a dizer.
A rotatividade é muito maior.
Estás a falar disso e eu estou a ver aqui um caso que o ano passado fui mentora de um miúdo que trabalha na Alemanha, na JLL, e eu quando estava em conversa com ele, disse: "Olha, nós estamos a falar por Teams há quatro meses. Eu faço questão que tu venhas a Portugal, a conhecer a nossa cultura, estar com a minha equipa, ver isto tudo e falarmos, termos uma conversa cara com cara". E realmente ele disse que foi extraordinário ter tido esta oportunidade, porque ele diz que é completamente diferente quando as pessoas se conhecem e estão presentes.
E nós agora, é o que eu estava a te falar, temos todo um programa que está a ser desenvolvido de agenda cultural para os nossos edifícios, obviamente adequado à dimensão de cada edifício, porque não é tudo igual. A dimensão das equipas nos 29 mercados não é igual. No fundo, eu diria que 60% das nossas pessoas estão espalhadas nos 29 mercados, 40% estarão em Portugal.
Trabalham muito em open space, mais gabinetes?
Trabalhamos muito em open space e a evolução vai ser cada vez mais. Nesta lógica, espaços colaborativos, espaços de interação, espaços privados, para que as pessoas possam ter as reuniões digitais por Teams, com condições acima de tudo sonoras, que eu acho que é o que se passa hoje em dia, em muitos casos em que tu convidas um parceiro externo e de repente estás a ouvir o colega do lado e ele não consegue nem estar atento, nem consegue falar. E estamos sempre a dizer: podes pôr em silêncio e silenciar pessoas, eu acho que isto tem que acabar.
Vocês têm regras dessas?
Temos. Não é regras, eu acho que agora há uma maior aprendizagem. Isto já não se passa tanto, mas muitas vezes são parceiros externos em que as empresas não lhes dão essas condições. E nós na EDP estamos a caminhar para isso rapidamente. Depois temos a tecnologia toda que investimos no espaço físico, portanto, darmos ferramentas para que as pessoas quando vão ao escritório estejam melhor do que em casa, em termos de condições de trabalho, isto é muito importante.
É importantíssimo.
É muito importante. E depois vamos implementar todo um programa de conferências, trazer formadores aos espaços da EDP, promover workshops para que as pessoas possam desenvolver outras competências que não têm nada a ver, provavelmente, com a área onde trabalham, numa lógica de desenvolvimento pessoal. Começámos em março e a exposição está até dia 14 de abril, uma exposição do Vhils na nossa sede.
Que espetáculo, mas só para os colaboradores?
Não, é aberta ao público, grátis, no exterior da nossa sede.
Então vamos lá este fim de semana.
Eu acho que quando este podcast sair, a exposição já está a caminho do Algarve para ser submergida, porque esta vai ser a primeira exposição subaquática na costa do Algarve, para ser visitada por mergulhadores.
Genial essa ideia.
Exatamente. Agora demos a oportunidade às pessoas que não mergulham para ver as peças ao vivo e muito mais iniciativas destas vão acontecer em todos os espaços onde isto seja permitido para trazer esta dinâmica.
E esta experiência de vir ao escritório e de vir ao espaço onde trabalham e onde podem depois todos também conviver.
Conviver, conhecerem-se e acima de tudo assimilarem esta cultura. E nós na EDP temos uma cultura muito forte, um propósito muito claro, muito elencado nestes três eixos de energia, o coração, que são as nossas pessoas, e o drive, que é aquilo que nos ambiciona, a nossa ambição de no fundo atingir as nossas metas, que são altamente ambiciosas, mas é um compromisso que nós todos sabemos que vamos lá chegar, e isso só se bebe no dia a dia e com a troca de experiências com as equipas.
Sem dúvida, Catarina, adorei conhecer as vossas políticas e estratégias internas. As pessoas são realmente os nossos melhores assets e por isso temos que investir nos nossos talentos e colocá-los sempre no centro das decisões. É importantíssimo isso, porque sinto cada vez mais as empresas internacionais e as empresas nacionais que a grande preocupação é atrair e reter os talentos. Portanto, temos que lhes dar as melhores oportunidades para eles trabalharem, para conviverem e para estarem juntos. Obrigada por teres aceite este desafio e teres vindo aqui ao podcast JLL Café. Obrigada também a todos os que nos ouviram e estão a ouvir hoje. Não deixem de ouvir os outros episódios desta edição especial com o Observador e até qualquer dia.