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Começa o Tie Break. Está connosco a jornalista do Observador, Mariana Fernandes. Olá, Mariana.
Olá, boa tarde.
E já estamos em contagem decrescente para o jogo da seleção.
Sim, é verdade. Portugal arranca hoje, a partir de 19h45, o apuramento para o próximo campeonato do mundo em 2022, no Qatar. O jogo contra o Azerbaijão é o primeiro deste triplo compromisso inicial, que tem depois jogos contra a Sérvia, em Belgrado, no sábado, e contra o Luxemburgo, precisamente, na próxima terça-feira. Este jogo contra o Azerbaijão acontece num sítio bem conhecido, também bem confortável para Cristiano Ronaldo, isto porque é em Turim, é no estádio da Juventus. Já se sabe que Fernando Santos tem algumas baixas para estes jogos de qualificação. Pepe lesionou-se com o Porto e foi substituído na convocatória por Luís Neto. Rui Patrício foi dispensado ainda devido àquele choque que sofreu no jogo do Wolverhampton e foi substituído por José Sá, e também Rafael Guerreiro, que se lesionou há algumas semanas ao serviço do Borussia Dortmund, acabou por deixar a convocatória, sendo que Fernando Santos não chamou ninguém para o substituir. Entretanto, e porque só pode convocar oficialmente 23 jogadores para esta partida com o Azerbaijão, o selecionador nacional deixou de fora Danil Pereira, o médio do PSG, que tinha sido utilizado nos últimos cinco jogos da seleção. Na antevisão, Fernando Santos explicou que a equipa tem que ter foco total nesta partida, que todos os jogos são finais, mesmo que seja um encontro com o Azerbaijão. O selecionador cumpriu hoje o jogo 80 ao comando da seleção e pode chegar à vitória 50. Ele que já é, de forma destacada, o selecionador com mais jogos e com mais vitórias por Portugal. E porque estamos a pouco menos de uma hora do apito inicial, a verdade é que também já temos 11 de Portugal, com esse destaque, que é o facto de Nuno Mendes, o jovem lateral do Sporting, ser titular na esquerda de defesa e, portanto, vai estrear-se a titular nesta que é a primeira internacionalização pela seleção. E também com destaque para Domingos Duarte, que é o central titular ao lado de Rúben Dias, com José Fonte a ficar no banco de Portugal, que para perceber-se também a dimensão desta equipa, tem jogadores como José Fonte, como João Félix, como Bruno Fernandes e como Diogo Jota no banco de suplentes.
Nós por aqui na Rádio Observador vamos acompanhar tudo numa emissão especial que começa depois das notícias das 19h, emissão coordenada pelo jornalista Aníbal Rebelo e que terá relato do André Maia e também do João Filipe Cruz. Na memória do dia, Mariana, tu queres recuar até 2016, o ano em que nos despedimos de uma lenda holandesa.
Sim, porque faz hoje cinco anos que Johan Cruyff morreu. Foi a 24 de março de 2016. É um pouquinho redundante falar tudo aquilo que Cruyff deu ao futebol e a nível pessoal é um dos meus jogadores favoritos de todos os tempos. É a figura maior de uma das filosofias que mais aprecio no que toca ao futebol, o futebol total, para além de que inspirou uma geração de jogadores holandeses cujo legado ainda perdura até os dias de hoje, desde Van Basten, Rijkaard, Bergkamp, Gullit, Van Basten. Em Barcelona, criou uma autêntica dinastia. O cruyffismo é até hoje o maior farol do clube catalão e viveu o seu ex-líbris durante o período em que Pep Guardiola foi o treinador. Guardiola, que leva o exemplo e os ensinamentos de Cruyff para qualquer lado por onde vá, seja o Bayern de Munique, seja agora o Manchester City, é talvez a maior extensão na atualidade daquilo que foi Cruyff enquanto jogador, também enquanto treinador. Mas a verdade é que cinco anos depois de ter morrido, Cruyff está hoje mais presente do que nunca. Ao longo da recente campanha eleitoral no Barcelona, foi mencionado por todos os candidatos de forma contínua, de forma persistente, principalmente por aquele que acabou por ganhar, por Joan Laporta. E a verdade é que parece que Cruyff é sempre uma espécie de trunfo de campanha no Barcelona. Fica sempre bem falar do holandês, cai sempre bem indicar o holandês como uma inspiração, como um exemplo a seguir. E ao comando do Barcelona está nesta altura também Ronald Koeman, um holandês que é um discípulo de Cruyff e na seleção holandesa estão a surgir novas referências à sua imagem, como De Ligt, como Van Dijk, como De Jong e como Van de Beek. É uma geração enorme de novos jogadores, muitos deles, a maioria deles, formados no Ajax, que beberam de tudo aquilo que Cruyff deixou. Passaram cinco anos, mas aquela camisola laranja com o número 14 continua a ser uma das memórias mais importantes da história recente do futebol europeu.
Ia dizer precisamente isso, o eterno número 14 podia ser o nosso número do dia, mas neste caso tu escolheste o número 11.
Sim, o número 11 e acabei de falar nele, precisamente. E vamos voltar a falar de Van Basten. E escolhemos aqui o número 11, porque é o número da lei do fora de jogo, a regra do fora de jogo, que é uma das bases do futebol moderno e que Van Basten precisamente quer eliminar. Ora, o antigo internacional holandês, estrela do Ajax, estrela do Milan, numa entrevista à Sky Sports, explicou que está convencido que a regra do fora de jogo não é boa para o futebol e gostaria que pelo menos pudesse experimentar jogar sem foras de jogo, portanto, fazer alguns testes-piloto sem a regra para se perceber o que acontecia. O Van Basten foi, como sabemos, três vezes Bola de Ouro, é um dos jogadores mais importantes de todos os tempos. Foi diretor técnico da FIFA entre 2016 e 2018 e ainda acrescentou nesta entrevista que acredita que as equipas encontrariam uma forma de jogar sem o fora de jogo. Ele explicou, de uma forma um pouquinho mais técnica, mais detalhada, que a linha defensiva iria descer mais sem o fora de jogo e que existiriam mais oportunidades de gol, que a tarefa de defender seria muito mais exigente e que o campo também ficaria maior. Deu ainda o exemplo do tempo útil de jogo, ou seja, que hoje em dia se perde muito com as análises do VAR para perceber se um determinado jogador está em fora de jogo ou não, tempo esse que, no entender de Van Basten, poderia ser utilizado para jogar efetivamente e para dar mais emoção e mais adrenalina à partida. Ora a Lei 11 foi implementada em 1848, foi sendo adaptada ao longo dos tempos, com o avançar dos tempos, e a verdade é que é nesta altura uma das regras basilares da prática do futebol moderno e fica até um pouquinho difícil imaginar como seria o futebol sem o fora de jogo.
Muito bem, Mariana Fernandes, a fechar este "Tie Break" de hoje. Obrigada, Mariana. Até já.
Até já.