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Este é o Tratado da Saúde da Rádio Observador com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia. Bem-vinda.
Bom dia. Obrigada.
Quando pensamos em vacinas, pensamos quase sempre em crianças, mas a verdade é que a vacinação não termina na infância. Ao longo da vida, a proteção pode diminuir e existem vacinas importantes também na idade adulta. Então por que continuamos a associar vacinação apenas às crianças? Doutora Vanessa, os adultos esquecem-se de se vacinar?
Sem dúvida. A vacinação é uma estratégia de prevenção ao longo de toda a vida e algumas vacinas necessitam de reforços e outras tornam-se particularmente importantes com o envelhecimento ou perante determinadas doenças crônicas. Ou seja, o calendário vacinal não termina, nem pode terminar, na infância.
Então e quais são as vacinas mais importantes na nossa idade, na idade adulta?
Existem várias situações relevantes. Por exemplo, a vacina do tétano necessita de reforço periódico, a vacinação contra a gripe, fundamental, o Covid também continuam a ser particularmente importantes, principalmente em grupos de maior risco. Temos também vacinas como a da pneumonia, que é muito relevante em pessoas mais velhas e também com doenças crônicas, e mais recentemente, a vacinação contra o vírus sincicial respiratório e a própria zona, pelo herpes, têm ganho também destaque em determinados grupos etários.
E doutora Vanessa, o envelhecimento também altera a resposta do nosso organismo às infeções?
Sim. Com o avançar da idade, o sistema imunitário sofre naturalmente alterações progressivas, um fenômeno a que chamamos imunossenescência. E isso traduz-se numa menor capacidade de resposta do organismo perante infeções e num maior risco de complicações, internamentos e também de doença grave. E é precisamente neste contexto que a vacinação assume um papel ainda mais importante como uma estratégia preventiva, ajudando a reduzir o impacto das infeções nas faixas etárias mais vulneráveis.
E há pessoas que devem ter atenção redobrada?
Sem dúvida alguma. Pessoas, por exemplo, com diabetes, doença cardiovascular, doença respiratória crônica ou até imunodeprimidos, têm maior risco de complicações associadas a infeções e muitas vezes a vacinação pode reduzir significativamente este risco. A gravidez, por exemplo, é também uma fase importante para atualização vacinal em situações específicas.
E doutora, ainda existe muita desinformação sobre vacinas?
Ainda existe alguma hesitação e muitos mitos associados à vacinação, mas é importante reforçar que as vacinas continuam a ser uma das medidas de saúde pública com maior impacto na redução da doença grave e mortalidade. Naturalmente, como qualquer intervenção médica, devem ser avaliadas de forma individualizada, mas o benefício global está muito bem demonstrado cientificamente.
Portanto, fica aqui o aviso: os adultos também devem rever regularmente o seu boletim de vacinas.
Sem dúvida alguma. Muitas pessoas não sabem se têm vacinas em atraso ou se precisam de um reforço. Por isso, é fundamental rever o boletim de vacinação com o médico de família, por exemplo, especialmente com o avançar da idade ou se existirem doenças crônicas. A verdade é que a vacinação não é um tema exclusivo da infância, deve acompanhar-nos ao longo de toda a vida. Esta continua a ser uma das estratégias mais eficazes de prevenção em saúde, porque reduz internamentos, complicações e doenças evitáveis. No fundo, proteger a saúde do adulto é promover um envelhecimento ativo e com maior qualidade de vida.
Foi mais um Tratar da Saúde com a doutora Vanessa Mendes, que está de regresso amanhã, à mesma hora. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.