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Começa agora mais um Tratado de Saúde com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Olá, doutora.
Olá, Vânia.
A primavera chegou, foi na sexta-feira, e para muitos isso significa espirros, nariz entupido, olhos a lacrimejar. Doutora, por que nesta altura do ano tanta gente começa de repente a ter sintomas de alergia?
Sim. A verdade é que na primavera aumenta muito a concentração de pólen no ar. Este pólen existe porque as plantas o libertam para se poderem reproduzir. E estas partículas, que são microscópicas, muito pequeninas, acabam por ser inaladas. Nas pessoas que têm alguma predisposição alérgica, o sistema imunitário interpreta este pólen como se fosse uma ameaça e desencadeia uma reação de defesa. Daí a sintomatologia.
E é essa reação que provoca os espirros de que falava.
É isso mesmo. Quando o organismo entra em contacto com o pólen, ocorre a libertação de uma substância inflamatória, que é a histamina, e essa resposta pode provocar a inflamação da mucosa nasal e leva aos sintomas típicos, como são os espirros repetidos, o nariz entupido ou a pingar, a comichão no nariz e os olhos vermelhos ou a lacrimejar. É aquilo a que chamamos a rinite alérgica.
Que é bastante comum, não é?
Muito. Estima-se até que entre 20% a 30% da população tenha algum tipo de doença alérgica respiratória. É imenso. E a rinite alérgica pode efetivamente ter um impacto muito significativo na qualidade de vida, afetando o sono, a concentração e até o rendimento no trabalho e, nas crianças, no caso, da escola. Exatamente.
Muitas vezes surge a dúvida: será alergia, será constipação?
Sim, há algumas pistas importantes. Nas alergias, os espirros costumam ser repetidos, existe comichão no nariz e nos olhos e os sintomas aparecem sobretudo em contacto com o pólen ou não pólen, e normalmente são prolongados.
Isto nas alergias.
Nas alergias, sim. Nas infeções, é mais frequente existir febre, ou seja, tem outros sintomas acompanhantes. O mal-estar geral e os sintomas normalmente costumam durar apenas alguns dias, é uma coisa limitada.
E o que pode fazer quem sofre com alergias nesta altura do ano?
Sim, algumas medidas podem ajudar a reduzir os sintomas. Por exemplo, evitar a exposição ao pólen nos dias de maior concentração, manter as janelas fechadas em determinadas horas do dia. Quando se chega a casa, retirar a roupa, lavar a cara ou o nariz, pode ser importante também. E quando necessário, recorrer à medicação, sempre prescrita pelo seu médico.
Os tais anti-histamínicos.
Sim, é verdade. Noutros casos, ou seja, quando é algo mais grave e precisamos de tratamentos mais específicos, também temos a imunoterapia, a chamada vacina da alergia, que basicamente acaba por reeducar o nosso sistema imunitário para que este deixe de reagir de forma tão exagerada a este pólen, aos chamados alergénios.
Portanto, doutora, a reter deste episódio, as alergias da primavera são muito frequentes sim, mas não devem ser ignoradas.
Não, de todo. E quando os sintomas são persistentes ou interferem com o dia a dia da pessoa, vale a pena procurar orientação médica. Com o diagnóstico e tratamento adequados, é possível controlar bem a doença e melhorar, e muito, a qualidade de vida.
E assim chegamos ao fim de mais um Tratado de Saúde. Também pode fazer parte, é só enviar-nos as suas perguntas, as suas dúvidas para tratadadesaude@observador.pt ou por mensagem de voz, por WhatsApp, 910024185. Doutora, até amanhã.
Até amanhã.