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Este é o "Tratar da Saúde" da Rádio Observador, sempre com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Fala, doutora, bom dia.

Olá, bom dia.

Chega o verão e voltamos a ouvir a mesma ideia. Hoje, soa imenso, devo ter perdido imenso peso. Há quem se suar, queima de gordura, quem vista mais roupa para treinar e até quem procura saunas ou ambientes mais quentes para emagrecer mais depressa. Mas será que suar significa realmente perder gordura ou estamos perante mais um mito relacionado com a perda de peso? Doutora Vanessa, afinal, suar emagrece ou não?

A minha resposta bem curta: não. O suor é um mecanismo de regulação da temperatura corporal e quando a temperatura do corpo aumenta, seja pelo calor ambiente ou pelo exercício físico, produzimos suor para dissipar, de alguma forma, este calor e evitar o sobreaquecimento. O objetivo do suor não é eliminar gordura, o objetivo é manter a temperatura corporal dentro dos limites considerados normais.

Mas muitas pessoas pesam-se depois de um treino intenso ou de uma sauna e verificam que perderam peso.

Sim, e isso é totalmente verdade. Mas o que perderam foi essencialmente água. Quando transpiramos, perdemos líquido, eletrólitos, por exemplo, e essa perda traduz-se numa redução temporária do peso corporal. O problema é que esse peso tende a ser recuperado assim que voltamos a hidratar, assim que voltamos a beber água.

É repor água que estamos.

Não corresponde a uma perda significativa de gordura.

Então, o que é que determina verdadeiramente a perda de gordura?

Já aqui falámos.

Sim, já.

A perda de gordura depende, sobretudo, do balanço energético, ou seja, gastar mais energia do que aquela que ingerimos ao longo do dia. O exercício físico naturalmente ajuda porque aumenta o gasto energético, mas é o exercício em si, e não a quantidade de suor produzida, que contribui para este processo. Aliás, uma pessoa pode realizar um treino muito eficaz num ambiente fresco e suar relativamente pouco. E outra pode transpirar imenso num dia muito quente, sem que isso signifique, efetivamente, perda de gordura.

E aquela ideia que eu falava no início, de vestir mais roupa para suar mais e emagrecer mais. Diga-me que funciona, que eu vou já buscar ali um casaco, dois ou três casacos.

Não, de todo. Aliás, não tem benefício absolutamente nenhum na perda de gordura e até pode ser, de alguma forma, perigosa, pois aumenta artificialmente a temperatura corporal, o que favorece a desidratação e aumenta o risco até de exaustão pelo calor, ou até um golpe de calor, como também já aqui falámos. O organismo fica sujeito a maior estresse fisiológico, sem obter vantagens ditas metabólicas que possam ser relevantes. Por isso, sobretudo no verão, devemos privilegiar roupa confortável, hidratação adequada e condições seguras para a prática de exercício físico. Portanto, Maria João, não vá.

Não vou buscar, não vou. Então, estamos é a olhar para o indicador errado?

Sim, sem qualquer dúvida. O sucesso de um programa de perda de peso não se mede pela quantidade de suor, mede-se pela melhoria da composição corporal, da condição física e dos hábitos alimentares e da própria saúde metabólica daquela pessoa em questão. Muitas vezes, as mudanças mais importantes nem sequer são viáveis de um dia para o outro, não se vê diferença na balança.

Sim, é a consistência, como nós falámos há pouco.

Exatamente. São mudanças consistentes que produzem resultados duradouros.

Portanto, se sair do ginásio completamente ensopado, não significa necessariamente que tenha queimado mais gordura.

Exatamente, é isso mesmo. Significa apenas que o organismo precisou de trabalhar mais naquele dia para regular a temperatura corporal. E, portanto, quando falamos de emagrecimento, o que conta, e esta é a mensagem, não é a quantidade de suor que produzimos, mas sim a consistência dos hábitos que mantemos ao longo do tempo.

tratardasaude@observador.pt. Pronto, pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar áudio por WhatsApp 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até segunda.

Até segunda, obrigada.