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Este é o "Tratar da Saúde" da Rádio Observador com a doutora Vanessa Mendes, que é diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia.
Bom dia.
Bem-vinda.
Obrigada.
Chega o verão e chegam também as férias, mas entre malas, passaportes, reservas, há uma coisa que muitas vezes fica para segundo plano: a farmácia de viagem. Afinal, o que devemos levar conosco? E será que faz sentido viajar com uma pequena farmácia ambulante ou apenas com o essencial? Doutora, existe uma farmácia de viagem ideal?
Aqui digo que existe uma regra simples: quanto mais longe vamos e quanto mais difícil for o acesso a cuidados de saúde, mais importante é preparar a viagem. A maioria dos problemas que surgem durante as férias são situações simples, mas que podem causar bastante desconforto se não tivermos como os resolver. Uma farmácia de viagem bem organizada evita aqui muitas preocupações e pode evitar deslocações desnecessárias a serviços de saúde.
Então vamos ao mais importante.
O que não pode faltar. Em primeiro lugar, a medicação habitual, que às vezes é esquecida. Parece óbvio, mas todos os anos existem pessoas que viajam e se esquecem dos medicamentos que tomam diariamente. Depois, faz sentido levar medicação para situações frequentes, nomeadamente analgésicos e antipiréticos para dor e febre, um antidiarreico para situações específicas, soluções de reidratação oral, sobretudo para as crianças ou até para os mais velhos, um anti-histamínico para as reações alérgicas ou picadas de insetos, e também material simples para pequenas feridas, como pensos ou antisséptico, por exemplo. O objetivo não é levar medicamentos para todas as doenças possíveis.
Não era preciso mais uma mala de porão.
Mas sim para os problemas mais frequentes.
E alguma coisa que seja frequentemente esquecida?
Sim.
Até imagino.
Por exemplo, o protetor solar continua a ser um dos mais importantes. Também o repelente de insetos é frequentemente negligenciado, sobretudo em viagens para zonas tropicais ou rurais, que podem fazer efetivamente muita diferença. E algo que muitas pessoas não consideram, e não consideram aqui a importância, é a hidratação. Em alguns destinos, sobretudo mais quentes, uma simples gastroenterite ou uma exposição prolongada ao calor pode levar rapidamente à desidratação.
E no caso de quem tem doenças crônicas, existem cuidados extras?
Sim, sem dúvida. Deve levar medicação suficiente para toda a viagem. Idealmente, alguns dias extra para caso aconteça algum imprevisto. A medicação deve viajar sempre na bagagem de mão e em viagens internacionais pode ser útil transportar, por exemplo, uma lista de medicação habitual ou até um relatório clínico resumido, sobretudo em situações mais complexas. Por exemplo, para pessoas com diabetes, doença cardiovascular ou outras patologias crônicas, o planeamento é ainda mais importante.
E doutora Vanessa, há situações em que devemos procurar aconselhamento antes de irmos viajar?
Sim, sempre que a viagem envolva destinos tropicais, países com riscos sanitários específicos ou estadias prolongadas. Nestes casos, pode ser necessária vacinação adicional ou medicina preventiva.
E eu quando preparo as malas, o principal é a vacina da febre amarela.
Sim, exatamente. E portanto, aqui é fundamental ter uma consulta de medicina de viajante que seja realizada com antecedência suficiente para permitir a preparação adequada da viagem.
Portanto, para os maridos que estão lá em casa a dizer para as mulheres: "É tanta coisa, não é preciso levar isso tudo". Preparar uma farmácia de viagem não é excesso de zelo.
Pelo contrário, faz parte de uma viagem segura, tranquila. Não conseguimos prever todos os imprevistos, naturalmente, mas conseguimos preparar-nos para os mais frequentes. E muitas vezes uma pequena preparação antes de partir evita grandes preocupações durante as férias, que é aquilo que não queremos.
Foi mais um "Tratar da Saúde". Doutora Vanessa, até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.