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Está no ar o Três Toques da Rádio Observador. Pergunta do dia: em que ano foi criada a NBA? Eu sei que aconteceu há dias.

Não sabes nada.

Não sei. É que não sei mesmo. Eu acho que sei, mas não sei.

Sabe o que aconteceu, Maria João?

Nada.

Não sabes. Então sabe?

O ano em que foi criada a NBA.

O ano em que foi criada a NBA. Estamos a falar da instituição, basicamente.

The National Basketball Association.

Não é propriamente o ano em que houve torneio de basquete nos Estados Unidos.

Claro, não foi o primeiro torneio que existiu.

Eu diria que foi na década de 70.

Eu diria que foi antes.

Eu também digo que foi antes.

1900 e...

1900 já era.

Já não foi mal. Eu acho que foi a seguir à Segunda Guerra Mundial.

Vamos ficar com esse.

1954.

Carla.

Ainda por cima, achas que ela já não tem pontos suficientes? Repara nisto. É verdade, aquele ouvinte que tinha dito que tinhas 12 pontos, ele diz que aquilo foi ao calhas. Tu tens muitos, de facto, mas não são 12.

Não, a isenção não está a saber aqui.

Obrigada, Nuno.

Carla, diz.

1946.

Já disse, eu disse primeiro.

Então, 47.

47, diz a Carla. 46, Maria João.

E o Paulo ainda mais.

48.

48. Está bem, pronto. Vamos esperar.

Tu reparaste no favoritismo, não foi?

Claro.

Favoritismo. Impressionante, ele logo a escolher ela.

Eu apontei uma época histórica. Vocês estão aí no luto e eu estava na Segunda Guerra Mundial.

O Paulo estava em 1970.

Eu disse 54. Tu podias inverter só os dois últimos números.

Isto é um escândalo. As autoridades não olham para estas coisas.

Realmente. E aqui hoje, ainda por cima, não temos vídeo, porque isto registado com a imagem era mais valioso. Mas parece que temos uma polêmica no triplo salto. Como dissemos aqui ontem, Pedro Pichardo ganhou a medalha de prata num concurso em que, pela primeira vez, dois atletas ultrapassaram a barreira dos 18 metros. Mas o atleta português agora vai lançar algumas dúvidas.

Num post no Instagram, que é onde se resolvem estas coisas. Numa coisa ele tem razão. Quando o espanhol Jordan Díaz saltou, a régua eletrônica, a fita métrica que aparece nas televisões, estava desligada. Não só para quem estava a ver pela televisão, mas também no estádio. Percebeu-se que era um grande salto. Os atletas também têm essa noção quando fazem um bom salto, mas sem esse elemento era difícil perceber a distância. Logo de seguida, houve confirmação dos 18 metros e 18 centímetros e no salto seguinte, que era o de Pedro Pichardo, voltou a aparecer a régua eletrônica. Pichardo veio dizer nesta publicação no Instagram que talvez aquilo seja um bocado de suspeita. Naquele momento desapareceu e depois volta a aparecer. Claro que está a ser acusado, sobretudo pelos espanhóis, de mau perder.

Não, regras são regras e há que haver rigor.

Isto, para ser muito honesto, e acredito perfeitamente que tenha sido um salto daquela distância, de 18 metros e 18 centímetros, mas na altura em que mostraram na televisão o salto e mostraram apenas em diferido, porque quando foi o salto, estavam a acompanhar outra prova, estranhei não aparecer a distância, a régua eletrônica que normalmente aparece em todos os saltos.

Que é só uma indicação para o espectador, basicamente.

Também para quem está no estádio.

Basicamente não tem nenhuma função oficial.

Não é aquilo que vai validar o salto, ou seja, não precisa daquilo para ser um salto válido e para haver uma medição rigorosa.

Mas se o Pichardo tem dúvidas, é muito fácil com as imagens que existem colocá-la à regra.

Sim, não haverá essa dificuldade. Mas os espanhóis a acusarem alguém de mau perder é um pouco engraçado, porque no outro dia um atleta espanhol ficou em quinto, fora das medalhas na sua prova, e veio dizer que a culpa foi do ar-condicionado, porque no dia da prova de qualificação tinha ficado numa sala à espera de fazer a análise antidoping e arrefeceu. Estava muito frio, o ar-condicionado estava ligado, ele ficou constipado.

Se não acertar hoje também é culpa do ar-condicionado.

É daqui. Mas pronto, vamos esperar, vamos ver o que isto vai dar. Seja como for, eles têm encontro marcado para os Jogos Olímpicos de Paris e aí tiram as teimas.

E promete. Então agora vamos à história de um basquetebolista que quase toda gente viu Mas que quase ninguém viu jogar.

Esta era a história que a Maria João queria falar, porque estamos a falar de Jerry West, antigo jogador e treinador dos Los Angeles Lakers, que morreu anteontem, aos 86 anos. Com os Lakers, ele foi uma vez campeão da NBA como jogador, mas enquanto treinador já não teve a mesma sorte, não ganhou qualquer título. Depois manteve a ligação à equipa na área diretiva e aí conquistou vários campeonatos, uma saga que é relatada ao pormenor na série "Winning Time", que está na Max, e em que o papel de Jerry West é desempenhado pelo ator Jason Clarke. Mas West ficou famoso ou eternizado, porque a sua imagem foi a escolhida para o logotipo da NBA.

Talvez seja o jogador que aparece.

Que aparece assim de lado. Era ele, era o Jerry West. Portanto, quando veem aquela silhueta de um jogador, estão, na verdade, a ver o Jerry West. Agora é só esperar que o novo governo da NBA não troque o logotipo por outro mais moderno.

O que queres dizer com isso?

Não sei se lá fazem o mesmo que noutros países.

Ele está a fundar, não está?

Não, está de lado.

Ok, muito bem.

Pode ser que agora mude para a esquerda, não sei, ou para a direita.

O basquete não é muito a minha especialidade, ao contrário do futebol.

Sim, claro, já sabemos.

Já estou aqui que não posso, com o Europeu.

Estás em tudo. E a invejar muito o André Maia, que está lá.

Exatamente. Já há uma semana que eu não durmo a pensar nisto. Está quase a começar.

Estás a pensar que devias ter muito de férias.

Completamente, porque isto é uma loucura. Mas enfim, vamos em frente. Mas há um conselho que se pode dar aos jogadores que gostavam de ser convocados e não foram. Haverá Maria João?

Mas era um conselho.

Diz lá.

Fiquem por perto. Não vão para muito longe. Não é, Bruno?

É melhor. É que para aqueles jogadores que não foram convocados pelas respetivas seleções, as férias já começaram, mas devem lembrar-se sempre do que aconteceu com a Dinamarca em 1992.

O que é que aconteceu, Paulo?

O que é que aconteceu, Paulo?

Foi a Dinamarca, 92.

A seleção inteira, na altura, foi convocada para substituir a Jugoslávia, que tinha sido afastada por causa da guerra. Tinha sido afastada do Campeonato da Europa. Parece que os jogadores tiveram de deixar os chinelos, toalhas de praia e bronzeador e correr para o estádio. Depois foram campeões europeus, ganharam esse campeonato. A história não terá sido bem assim. Parece que eles já estavam de sobreaviso. Mas é um mito tão bom que imprimiu-se a lenda. E até hoje vigora essa ideia de que eles estavam todos de férias descansados e foram chamados à última hora. Esta história está relacionada com o caso de um jogador holandês, Ian Madsen, que foi chamado de emergência para a seleção holandesa. Ele estava de férias na Grécia. Frenkie de Jong, o jogador centrocampista holandês, lesionou-se e era preciso alguém para o lugar e ele foi chamado. O que é que acontece? Os responsáveis da seleção disseram que ele não tinha tempo de ir a casa, nos Países Baixos, para ir buscar as coisas dele, as chuteiras. Tinha de seguir diretamente para o estádio na Alemanha e então tiveram de pedir ao pai do jogador para ir a casa buscar e fazer uma viagem de mais de seis horas para ir levar os pertences, incluindo as chuteiras do filho, ao centro de estágios na Alemanha. E foi o pai. O pai sacrificou-se pelo filho.

Um pai herói.

Um pai herói, é verdade. E o filho seguiu diretamente da Grécia, onde estava-

Aí sim, de chinelos e bronzeado.

Bem tranquilo, para o centro de estágios. Grande pai este.

Um pai condutor é sempre um pai herói.

Não, é o pai Uber.

É o pai Uber.

Quem nunca?

Vamos à resposta do dia: em que ano foi criada a NBA? Se for 1945, eu olho aí.

Não, foi em 1946. Acertaste, Maria João.

Maria João ganhou.

A Maria João dizia 54.

Não, desculpa.

Disse 54.

Para mim, merece uma menção honrosa a Carla, porque a lógica da Carla estava correta. Isto aqui foi uma pós-guerra. Vocês estavam em 1970, tu ias para 1900 e-

1954.

Eu estava a associar isto ao choque trolífero, como é evidente.

Exato.

Não sei qual é a relação, mas combinou bem.

É as bolas de borracha.

Portanto, 1946.

1946. Três anos depois, fundiu-se com outra associação e então é que passou a ser chamada National Basketball Association, mas a origem está em 1946.

Mas ali o grande auge é anos 80.

Os anos 80, pelo menos, tem a internacionalização, a grande internacionalização da NBA.

A mediatização, a televisão a ajudar, claro.

Sim, claro.

E depois também ali na transição para os anos 90 com o Michael Jordan.

Exatamente. Bruno Vieira Amaral e o Três Toques da Rádio Observador, sempre disponível em podcast.