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Vamos ao Três Toques, que hoje devem ser uns cinco ou seis. Mas temos de começar por um que já andamos para falar disso há vários dias.

Promessas são para cumprir.

Promessas são mesmo para cumprir e nós cumprimos aquilo que prometemos. No Senegal, uma polêmica que veio à lume depois da eliminação da seleção contra a Bélgica nos 16 avos de final. A participação do Senegal foi marcada por algumas polêmicas, contestação dos jogadores ao treinador, ao selecionador Pape Thiaw, que acabou por ser demitido já após o Campeonato do Mundo. O Senegal estava a ganhar praticamente ao fim por 2 x 0 contra a Bélgica e depois, um pouco como aconteceu com a Argentina, optou por uma tática mais defensiva e acabou por ser eliminada. A Bélgica empatou ainda no período regulamentar e depois venceu com o gol no prolongamento. E o selecionador foi muito criticado, e não só pela imprensa, mas também pelos jogadores, e acabou então demitido. E agora, foi revelada esta notícia insólita, que também tinha gerado algum descontentamento, e já vão perceber por quê, junto dos jogadores. É que o médico que liderou a equipe médica da seleção do Senegal durante 10 anos era, afinal, um ginecologista. Acontece.

Pode fazer falta. Pode dar jeito.

Pode dar jeito em certa circunstância. Médico é médico.

Médico é médico. Fez o curso.

Fez o curso de medicina, depois a especialidade.

E quem vê?

Vê tudo. Vê tudo. Ele podia estranhar-

É ginecologista, obstetra, pode fazer falta no estádio, por exemplo.

Não, pode fazer falta é cá em Portugal. Ele agora foi despedido.

Tem trabalho? Pois tem muita possibilidade. Tem saída.

Ele agora deixa de ser o ginecologista da seleção nacional masculina do Senegal, pode vir para Portugal.

Não sabemos, isso a AIMA tem que facilitar também, porque pode melhorar.

Mas o homem, pelos vistos-

Tem trabalho.

Ele não só tem trabalho como é certificado, é qualificado, tem o curso.

Então, mas correu bem. Havia muitas lesões na seleção? Isto pode ser interessante saber.

Os jogadores.

Como foram tratadas? Com carinho.

Aquilo que o presidente da federação disse é que o médico não possuía as qualificações acadêmicas adequadas para supervisionar os jogadores e que os jogadores, ao longo do tempo-

Estranhavam o tipo de exames.

Quer dizer, será mesmo necessário fazer isso?

Eu queixo-me do joelho e faço uma mamografia? Estou bem, apercebi-me.

O presidente da federação, o principal responsável por tudo isto, diz que vai proceder à escolha não só da nova equipe técnica.

Com outros critérios, espera-se.

Com outros critérios. Haverá sempre um pediatra.

Para tratar a criança que há em nós.

Que há dentro de cada jogador. Às vezes os jogadores têm comportamentos muito infantis. Portanto, eu acho que é possível, se calhar um pedopsiquiatra pode ser muito útil depois desta experiência. Vamos lá ver, isto foram 10 anos, não foram 10 dias. 10 anos e nunca ninguém reparou.

Ele era polivalente.

Era muito polivalente. Ele que venha para Portugal, que temos aqui um problema nas urgências e faz muita falta. Vamos voltar a falar do tema que continua a dominar muitas discussões e foi o jogo Inglaterra e Argentina. Muitas polêmicas à volta.

Ainda não parou.

Não vai parar, até já mete Milei. Javier Milei também já se pronunciou, não propriamente sobre o futebol, sobre o que se passou em campo depois do jogo, ele pronunciou-se. Mas muita polêmica. Há muitos jogadores argentinos que jogam em Inglaterra, desde logo o guarda-redes Dibu Martínez, mas também Enzo Fernández, que passou pelo Benfica seis meses, depois foi logo transferido, depois do último mundial, para o Chelsea, continua no Chelsea. E o Chelsea emocionou-se com o gol que Enzo Fernández marcou à Inglaterra e partilhou nas redes sociais do clube uma imagem, um vídeo de Enzo Fernández a festejar muito efusivamente, muito ostensivamente esse gol. Ora, isto deu logo as reações indignadas dos adeptos do Chelsea, que aquilo era uma vergonha, que o clube, tudo bem, é atleta do clube, mas marcou um gol contra a Inglaterra. Vamos com calma, também não é preciso tanto. Todos os clubes têm feito isso. Sublinhar, divulgar os jogos dos seus jogadores, dos jogadores que estão em representação da seleção. O Benfica fez isso, o Sporting fez isso a propósito de Maxi Araújo. Todos os clubes fazem isso. Agora, imaginemos que havia um jogador norueguês, daqueles do Benfica, a jogar contra a seleção portuguesa. Não caía bem se ele marcasse um gol, depois o clube estar a partilhar a imagem dos festejos. Ainda por cima foram festejos-

A sério

A sério. Enzo Fernández também sabe como picar. E então, o que o Chelsea foi obrigado a fazer? Teve de retirar. É o que também acontece nas redes sociais. Não foi o melhor timing para partilhar festejos efusivos. A imprensa inglesa O Telegraph, em particular, denunciou os 31 truques sujos da Argentina no jogo.

31?

31. São vários momentos. A começar por aquilo que já tínhamos falado aqui, logo a entrada no início do jogo dos jogadores argentinos a tentarem intimidar os jogadores ingleses com entradas fora de tempo, empurrões desnecessários, cotoveladas, mais ou menos disfarçadas, nada que motivasse a mostragem do cartão amarelo e muito menos o vermelho. Eu acho que o árbitro podia ter mostrado um cartão amarelo ali no início, pelo menos algum.

Para as coisas acalmarem um pouco.

Se eles queriam mostrar ao que vinham, o árbitro também podia ter logo mostrado que não ia tolerar essas atitudes e essa estratégia da Argentina. A verdade é que o primeiro jogador a levar um cartão amarelo no jogo até foi o inglês, aos 40 minutos, o Elliot Anderson, numa jogada que envolveu o Messi, e o Telegraph também chama a atenção para isso. Depois de toda uma primeira parte em que os jogadores argentinos foram durinhos, foi um jogador inglês a levar o primeiro amarelo. Há aqui críticas à arbitragem, que ficam implícitas por parte da imprensa inglesa. Também há um certo mau perder, é disso que depois também são acusados os mídia ingleses. Há aqui uma certa reação difícil depois do resultado da eliminação e de puxar tudo.

A exibição inglesa também não foi famosa depois do gol. Porque encontrar culpados do outro lado.

Tuchel está a ser massacrado por toda a gente e também pela imprensa inglesa, por antigos jogadores. Diz-se que o ambiente no balneário de Inglaterra também não era dos melhores, porque os jogadores não compreenderam a tática do treinador por tudo à defesa quando ainda faltava tanto tempo para jogar. Mas, a par disso, há depois muitas reações a atacar os argentinos, a estratégia mais durinha da seleção argentina, as provocações, e depois, no final, a exibição de uma tarja com-

Falámos isso há pouco.

Falámos isso há pouco. Com a mensagem: "As Malvinas são argentinas". Não as Falkland, mas as Malvinas. E há aqui a possibilidade de haver algum tipo de suspensão, algum tipo de sanções para os jogadores argentinos. Já não são apenas os ingleses, os ingleses já foram eliminados, isso não vai ser revertido, mas também os espanhóis podem ter aqui o interesse em que haja alguma sanção por parte da FIFA aos jogadores argentinos e que pode ter influência na final. Também porque aqui há uns anos houve dois jogadores espanhóis suspensos por uma mensagem política no final de um jogo por dizerem que Gibraltar é nossa. Um dos jogadores foi o Rodri, que tem sido um dos destaques da seleção espanhola, e foram castigados com um jogo. E aquilo que a Espanha também pede, não é a Espanha em peso, mas alguns jornais e também comentadores têm pedido, é que a FIFA não ignore esta tarja que foi exibida. Também houve o caso de um jogador sul-coreano com uma mensagem política depois de um jogo com o Japão, que também acabou por ser suspenso. E com tudo isto, Javier Milei aproveitou para se chegar à frente e dizer o que tinha para dizer. Disse que, de facto, as Malvinas são argentinas.

Ainda vai por mais lenha.

E vamos recuperá-las.

Vamos lá.

Isso aqui já passa para um outro nível.

Pois sim.

Para um outro nível. Não sei se eles estão a enviar-

A primeira já é provocação, a segunda já é toda ameaça.

Já é toda ameaça. Também houve reações de Keir Starmer, o primeiro-ministro inglês, a dizer que não se compreendia a exibição daquela tarja e que a FIFA devia tomar medidas. Javier Milei, claro, nós sabemos como é que ele é em caso de conflito, em caso de problemas, não vem para sossegar os ânimos, vem mesmo lançar mais combustível.

O futebol está uma atividade muito perigosa.

Muito perigosa. Eu não sei se neste plano para recuperar as Malvinas, ele está a pensar em enviar a seleção, os jogadores, que mostraram espírito. Se calhar funcionam melhor que as forças armadas. Mas houve esta reação de Javier Milei. Ele diz que percebe que os jogadores tenham exibido a tarja, que terá sido enviada por adeptos, que atiraram para o campo e depois os jogadores pegaram. Ele diz que percebe isso, é um sentimento que habita todos os argentinos, é perfeitamente legítimo e válido que eles queiram expressá-lo e o façam. No entanto, ele também vem aqui enquadrar as coisas, um jogo de futebol é um jogo de futebol. Diz que não deverá dar azo a más interpretações ou a um mal-entendido, mas que percebe também que os jogadores, sendo patriotas, sendo verdadeiros argentinos, sintam na pele todas estas questões relacionadas com a Inglaterra. Diz-se que os jogadores da Argentina, na véspera do jogo da meia-final, terão visto o jogo que opôs a Inglaterra à Argentina no Mundial 86, em que Maradona brilhou e em que enganou toda a gente com o gol da mão de Deus, e que terão também encontrado aí inspiração e motivação para enfrentar os ingleses e também, claro, falando da questão da política das Malvinas. Portanto, tudo foi usado para motivação. A verdade é que serviu e funcionou. Agora, resta saber o que a FIFA irá fazer com aquilo que normalmente proíbe toda a gente.

Vamos confiar no Infantino.

O Infantino.

Ui, ele que trata disto.

Vamos ver. Isto agora é muito complicado para Donald Trump, porque por um lado vai estar Espanha, de que não gosta.

O Milei vai estar na final também, vai assistir, calma.

É provável. Não sei se vai estar lá Pedro Sánchez.

Pois. Será que Donald Trump o deixa entrar?

Eu acho melhor não ir, mas põe aqui nesta situação complicada, porque por um lado, claro, Javier Milei, amigo de Donald Trump, ou pelo menos um aliado, que é próximo politicamente de Donald Trump, por outro lado, Espanha. Seria fácil por esse lado apoiar a Argentina contra a Espanha, mas depois há esta questão com a Inglaterra. Vamos ver como é que Donald Trump descalça essa bota. Ele estará lá na final.

Ele descalça.

Descalçar ele é especialista.