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Está no ar o Três Toques, que também pode acompanhar em direto no YouTube, Facebook e ainda no site do Observador. Começo eu porque, como sabem, ciclismo é comigo.
Ia dizer claro.
Sim, é tudo comigo.
Isto já vem do Giro.
Já vem do Giro d'Italia, vocês sabem. Este fim de semana, não sei se se deram por isso, eu acho que não, não devem saber que na Austrália se disputaram os Mundiais de Ciclismo. A nossa seleção tinha grandes esperanças, mas Julio, a coisa não correu assim muito bem, mas fica tanto para contar. Eu estive muito atenta. Estou aqui com umas olheiras porque as provas, mais uma vez, foram de madrugada e não dormi. Já reparámos.
Pronto, tínhamos que dizer.
Eu disse para não gravarem hoje, para não fazermos direto.
Não quisemos perguntar o motivo das olheiras.
Filmei o Paulo e a Carla. Eles estão com bom aspeto. Não faltam noitadas a isto.
É mesmo a mania de andar de bicicleta às 03:00 da manhã na Austrália.
Também não se percebe.
Não se percebe.
Num país que tem cangurus, tudo se pode esperar.
Mas vamos lá que vêm as fábricas fechar clares. Vamos ao que fica destes Mundiais de Ciclismo, onde tínhamos tantas esperanças. A nossa seleção com os melhores, João Almeida a liderar, é para vos dizer que foi um desastre. Mais uma vez, não estar bem de saúde foi um problema para o nosso melhor corredor. Entrou no Giro como favorito, desistiu por Covid, não estava em forma. Entrou depois como favorito na Volta à Espanha, mas depois também não estava em forma e agora ia com expectativas, mas também, pelos vistos, não estava em grandes condições de saúde. Ganhou Remco Evenepoel, o mesmo que uma semana antes tinha ganho o Tour de France. Ainda estava fresquinho, aproveitou a rodagem, foi à Austrália e continua. No feminino, há uma Van Vleuten, dos Países Baixos. Ganhou a prova, tem 40 anos, é um fenómeno no desporto. Ela já ganhou as provas todas, ganha sempre. Este ano ganhou o Giro, o Tour, a Volta à Espanha e agora foi ganhar o Mundial. E esta mais sensacional ainda, porque foi depois de ter caído, fraturou o cotovelo, continuou em prova e ainda foi ganhar a prova. É uma superatleta. E é isto que fica deste último dia dos Mundiais da Austrália. Incrível esta atleta.
São histórias incríveis. Eu fiquei parva quando vi isto esta noite. Ó Júlio.
Foi esta noite?
Foi. Foi esta noite.
Sábado para domingo.
É que sábado para domingo eu ainda estou tocada porque eu não tenho dormido. Ficaste a ver a emissão, eu sei. Tenho loop. Mas há mais para dizer sobre isto. Porque eu também resolvi acompanhar estes Mundiais de Ciclismo.
Vocês estiveram as duas?
Não fizemos outra coisa. Aliás, eu e o João, verdade. A Carla dormiu mais um bocadinho, será que está a começar. Confirma. Estivemos a trocar mensagens enquanto víamos a prova. Trocámos muitas mensagens este fim de semana. Bastantes. Todas sobre ciclismo. E Julio, sabemos que há mais histórias para contar e mais, algumas abençoadas.
Vocês nem vão acreditar nisso, mas primeiro um português que não desiludiu, António Morgado. Ganhou a medalha de prata na categoria de juniores, uma prova espetacular. Acho que já foi na sexta-feira passada.
Foi, nós estamos desde isso a falar. Sim, que se fale de outra coisa.
Tal como João Almeida, isto também temos que perceber o que se passa. Como o João Almeida é ali da zona das Caldas, onde não há montanhas nem há nada. Temos que perceber o que se passa ali.
Mas é uma zona de tradição de ciclismo.
Pois, agora surgiram os dois, estes vão ser os dois melhores ciclistas, quase sempre do nosso ciclismo. Vai ser uma estrela este, vamos falar muito deste António Morgado no ciclismo mundial, temos que lhe dar.
Temos de ligar. É bom, podemos dizer que fomos nós os primeiros a perceber que ele ia ser muito bom.
A perceber. Sabes o que é que vai acontecer? Daqui a três, quatro anos, ele ganha o Tour, qualquer coisa. E vem toda a gente dizer: "Pois, nós já tínhamos dito, eu já tinha dito", mas nós é que temos de ser, na verdade. Portanto, temos que ligar. O Van der Poel é um dos melhores ciclistas do mundo e é que não tem razões para recordar este mundial. Na noite antes da prova principal de ontem, deitou cedo para descansar. Não conseguiu porque um grupo de crianças resolveu de noite andar a brincar e a bater na porta dos quartos. Lembram-se? Quando éramos pequenos, fazíamos isso.
Uns faziam, outros não, mas adiante.
O que é que aconteceu? Ele nervou-se, saiu do quarto, começou a gritar com as duas crianças, uma de 13, outra de 12. Empurrou-as, uma bateu na parede, aleijou-se no cotovelo, outra caiu, houve ali uma discussão. A verdade é que passado um bocado a polícia foi ao quarto buscá-lo. Esteve duas horas detido, foi correr de manhã, só correu 30 km, ao fim de 30 km teve que desistir, não estava com cabeça para aquilo. Agora vai ser ouvido amanhã e pode ficar lá até ao fim do mês de outubro.
A ser ouvido.
A ser ouvido e para ser julgado. Por abuso a menores. Enfim, não correu bem. Finalmente, este nome, que eu não sei se vou dizer bem, se vocês ajudarem também.
O Paulo ajuda-te, diz lá.
Vocês estiveram a ver o Ryan Churyj.
Eu não diria melhor.
Churyj. Não interessa. É irlandês. Sabem que idade tem? 40 anos. E que momento marcou neste mundial de ciclismo? Sabem o que foi?
Nós sabemos, mas diz lá aos ouvintes, ó Paulo.
Foi o atleta que representou pela primeira vez a equipa do Vaticano.
O Vaticano tem uma equipa de ciclismo?
O Vaticano tem agora uma equipa de ciclismo, está inscrita na UCI e este tornou-se no primeiro atleta a representar o Vaticano num mundial de ciclismo. E portanto, a partir de agora vamos ter também a Atlética Vaticana, assim se chama. Já foi criada em 2019, está ligada ao Comitê Olímpico de Itália e passa a ter uma equipa o Vaticano também.
Mas olha, tens de dizer o nome que é para nós memorizarmos.
O nome dele.
Ryan Churyj.
Chouriço? O nome mudou. Agora o biscadinho não mudou. Apesar de ser diferente.
Vamos só pôr Ryan. Nem sei se é Ryan.
Ryan do Vaticano.
A mulher dele era a embaixadora australiana no Vaticano e deve haver aqui ligações. Deve ter metido maconha.
Mas têm sempre que ir treinar para os estrangeiros, não é? No Vaticano? Têm sempre que ir treinar para os estrangeiros.
Sim. Aquelas provas mais longas.
Mas olha que ali a praça é grande.
Achas que dá voltas à praça?
Aquilo não é pequeno.
E os corredores são imensos. Acho que era a Capela Sistina.
Treinar na Capela Sistina. Eu vou lá em novembro, depois conto-vos.
Mas deixa-me deixar estas modalidades menos mediáticas. Vou ser simpático. Eu estive atento ao futebol. Como vocês sabem.
É o que está no teu forte.
É o meu forte. Tenho que acompanhar as seleções sempre. É uma cultura e um hábito que me ficou do Cano. Vocês sabem. Já se estão a rir. Júlio, eu até sei que Portugal ganhou à Chéquia. Não me habituo a dizer este nome, é isso. Vi os países de baixo. Ganhou à Chéquia por 4-0, não foi? E amanhã jogamos. Costuma-se dizer jogamos, mas eu não vou jogar. Eles jogam, os jogadores do Sporting.
Mas tu vibras tanto que é como se fosses um dos jogadores.
Amanhã é contra a Espanha.
Exato.
Isto é futebol puro e duro. Mas eu estive muito atento a um jogo muito importante, ainda que fosse um jogo particular, entre a Argentina e as Honduras. Era aquela cena de estar a ver o Brasil logo abaixo. Há o Messi e os outros, mas neste caso falo de Castellanos. Quem é que não conhece este jogador honduranho? Quem não conhece Castellanos?
É verdade.
Mas avança, Júlio.
Muito bem, é uma história rara. Estás atento a boas histórias, ó Paulo. Essa é boa. Este Castellanos jogou com a Argentina e cumpriu o sonho da vida dele. O que o treinador mandou fazer? Marcar o Messi, andar atrás do Messi o jogo todo.
E ele andou.
E ele andou.
O Paulo não estava a perguntar, o Paulo estava a afirmar.
A afirmar, exato. A meio da primeira parte, o Messi perguntou-lhe: "Vais andar o jogo todo atrás de mim?" E ele disse: "Dás-me a tua camisola no fim?" E o Messi diz: "Dou. Mas eu tenho que andar atrás de ti o jogo todo." Há uma história que se conta. Já não temos tempo. Lembrem-me amanhã. Não temos tempo, está na hora. Mas amanhã lembrem-me para contar. Esta já acabou. O homem diz: "Não, havia mais pormenores", mas ele cumpriu o sonho da vida dele. Andou o jogo todo. Não correu, porque o Messi marcou dois golos, fez o que quis.
Mas ganhou a camisola no fim?
Ganhou a camisola, o Messi deu-lhe a camisola. E cumpriu o sonho da vida dele. Ou seja, não foi jogar pelas Honduras, nem jogar com a Argentina, foi marcar o Messi e jogar contra o Messi. É o mesmo que acontece aqui, o vosso sonho é trabalharem aqui comigo.
Dás-me a tua camisola, que ela está no sótão?
Eu vou-vos dar a minha camisola que está no sótão.
Então amanhã é muito preocupado.
Não é hoje aquela coisa das frases?
Não, a partir de hoje começamos a selecionar. Só notas de autor. O Sporting ganhou a Supertaça de futsal. Foi um jogo espetacular ontem. O Benfica conseguiu pela primeira vez na história, aqui um feito, entrar na Liga dos Campeões de basquetebol. Nunca nenhuma equipa tinha entrado. Está aqui o basquete agora a sofrer também uma evolução igual quase à do andebol. Igual não, está a caminhar na coisa do andebol. O Miguel Oliveira ficou em quinto no Japão e amanhã lembrem-me para falar de um recordista do mundo da maratona. Bateu o recorde da maratona do mundo este fim de semana. Quase baixou a barreira das duas horas, que é um dos grandes objetivos, e às vezes os especialistas fazem conferências para saber até onde vai o limite humano. Ou seja, é possível ir diminuindo 42 km e diminuindo assim a distância tanto? Amanhã falamos sobre isso.
Amanhã falamos sobre isso. Muito bem. Júlio Magalhães e o "Três Toques" da Rádio Observador também em podcast.