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Este podcast tem o apoio de Banco Credibom. Trocos no bolso, sejam bem-vindos. Mais ou menos todos precisamos de alguns, mas sobretudo é preciso saber dar-lhes uso. Talvez disso dependa a realização de muitos sonhos. Continuamos por aqui com esta parceria entre o Observador e o Banco Credibom. Dez millennials, 10 histórias de como transformar os trocos que se traz no bolso num horizonte de possibilidades. Eu sou o Vicente Figueira e hoje recebemos Teresa Araújo, que teve de interromper os estudos para trabalhar por motivos financeiros. Em 2014 foi obrigada a deixar Engenharia Biomédica, onde mais tarde acabou por regressar. Isto porque precisava dos fundamentais trocos no bolso. E eu acho que até aqui não estou a fugir à verdade, certo, Teresa? Bem-vinda.

Olá. É verdade. Entrei na faculdade em Vila Real em 2012, onde estive a estudar durante dois anos, sendo que no segundo ano já tinha começado a trabalhar na minha zona de residência, no Porto, numa tentativa de conciliar as duas coisas. Acabou por não correr da melhor forma, pelo que decidi parar de estudar para no futuro ter a possibilidade de retomar este percurso.

Exatamente. E nunca deixaste de trabalhar durante esse período, só que graças a Deus, até diria que em 2016 voltaste à faculdade para seguir Engenharia Biomédica. Durante este percurso, Teresa, sempre trabalhaste, como vimos, nos mais diversos sítios também. Eu quero que nos contes aqui um pouquinho deste teu percurso.

Sim. Então, depois da experiência que tive a tentar conciliar o trabalho com os estudos e que acabou por não correr da melhor forma, decidi que devia arranjar um part-time que não fosse demasiado exigente mentalmente, também para poder estudar, de forma a poder concentrar-me naquilo que realmente importava para mim, que seria terminar o percurso académico. No primeiro ano de licenciatura, trabalhei como assistente de sala no Museu Contemporâneo de Serralves, a tomar conta das obras de arte na sala que me era atribuída. No segundo ano, tive um part-time que gostei muito, que foi trabalhar como assistente de sala também no Museu do Futebol Clube do Porto.

E aí a preferência era turística ou foi só mesmo...?

Sim, podemos dizer que sim. Aqui também acabei por fazer visitas guiadas ao Estádio do Dragão. Depois, no último ano da licenciatura, estive a trabalhar como operadora de caixa na Leroy Merlin, que foi onde estive a trabalhar quando iniciei o mestrado também, antes de encontrar o emprego que tenho atualmente.

E tu conseguiste terminar a licenciatura enquanto passavas por todos esses sítios. Não há de ter sido fácil. O que é que foi indispensável para conseguir coordenar uma coisa com outra? Disciplina com o tempo e com o dinheiro, presumo.

Muita disciplina com o tempo e com o dinheiro. Mas além disso, é fundamental que haja força de vontade e motivação. Posso dizer que sou uma pessoa muito exigente comigo e não desisto dos meus sonhos e objetivos sem dar luta. E o apoio de quem nos rodeia também é muito importante. E mesmo eu tendo a atitude e o pensamento de tenho de fazer, tenho de conseguir, saber que existem pessoas que acreditam em nós e nos dão o chamado empurrão, também é fundamental.

E olhando aqui para a gestão que fizeste do dinheiro ao longo deste percurso, alguma dica, algum método especial que nos possas avançar de como é que foste fazendo essa gestão? Porque às vezes é difícil. Uma pessoa tem o dinheiro, não gastá-lo, às vezes sem noção, não gastá-lo torna-se difícil. A mim acontece muitas vezes só perceber que não devia ter o gasto depois de o gastar. Alguma estratégia em específico para que fosses mais certinha, digamos assim?

A primeira coisa que eu faço em termos de gestão salarial, e que ainda faço atualmente, é usar o dinheiro para os bens essenciais, ou seja, pagar as contas da casa, propinas, carregar o telemóvel, as coisas que são necessárias mensalmente. Depois disso, faço um balanço do meu salário, penso se no mês vai haver algum aniversário, alguma despesa extra, e decido quanto dinheiro coloco de lado para poder poupar. E este dinheiro é o qual eu não mexo, a menos que apareça uma emergência, como é óbvio.

E está numa conta poupança?

Sim, exatamente.

Ok. E fazes esse planeamento, portanto, consegues antever se há aniversários, se não há, fazes o planeamento todo para o mês, quer para lazer, quer para despesa.

Sim, exatamente.

Muito bem.

Sim.

E depois de teres abandonado o curso em 2014, por motivos financeiros, sentes que o teu percurso rumou de novo para onde querias, porque desde cedo aprendeste a gerir o teu próprio dinheiro, fazer essa gestão, de certa forma sinónimo de independência. Também já falavas aqui da tua força de vontade, é preciso essa força de vontade, mas é sobretudo uma questão de independência, não é?

Sim. Durante o tempo que trabalhei e estudei, também consegui desenvolver algumas capacidades, organização, resiliência e espírito crítico, que tanto nos empregos em part-time como no meu atual emprego, me permitiram realizar bem e melhor as minhas funções. E por consequência, também me tornaram mais curiosa e com vontade de saber e aprender mais. Em termos de independência, sinto que o sentimento de independência financeira é quase como se um peso saísse de cima, porque também acaba por obrigar a que se tomem determinadas decisões noutros aspetos. Se quero poupar, existem determinadas atividades que eu não vou poder fazer.

É preciso saber prescindir, portanto, de algumas coisas.

Sim, exatamente.

É uma questão de responsabilidade, claro. Aliás, tu continuas a estudar, Teresa, estás a tirar o mestrado enquanto trabalhas numa empresa onde foste estagiar. Achas que se não tivesses trabalhado e estudado, tinhas partido desse estágio para um trabalho? Onde eu quero chegar é se há relação entre a tua capacidade para organizares o tempo e o dinheiro e as tuas competências profissionais.

Sim, sem dúvida. Essa capacidade, como eu disse há pouco, de organização e também de saber definir objetivos, atualmente estão a me ajudar na minha profissão. Também me ajudaram a tornar mais ambiciosa e consciente das minhas capacidades, o que acabou por ser uma mais-valia para as minhas competências.

E para que tenhamos aqui uma noção, e já há pouco falávamos aqui disto, mas eu vou voltar a reforçar, Teresa, quero perguntar-te que estratégias mais fundamentais é que tinhas para gerir as tuas finanças pessoais enquanto estudavas na licenciatura. Talvez aqui perceber também se tiveste que prescindir alguma coisa, já sabemos que sim, mas eu gostava que nos dissesses exatamente o quê, para que tenhamos uma noção. De que tipo de coisas é que tiveste de prescindir?

Claro. Por exemplo, jantares de aniversários, se eu visse que já estava a ficar mais apertada em termos financeiros, prescindia. Podia ir ter com os meus amigos na mesma depois, mas o jantar em si, como já era uma forma de gastar dinheiro, acabava por não fazer. Também prescindi de muitas férias com os meus amigos e familiares para poder poupar, porque quando temos um objetivo de conseguir gerir as duas coisas e ser independente em termos financeiros, acabamos por ter que prescindir de algumas coisas e essas foram as principais.

É preciso esse espírito de sacrifício. E agora pergunto, Teresa, com esse dinheiro que foste poupando, qual é o teu objetivo para ele quando já tiveres uma soma significativa que te dê algum conforto? É viajar, comprar casa? O que pensas fazer com esse dinheiro que com tanto sacrifício vais poupando?

Eu ando a poupar pra poder investir na compra de uma casa. É, esse é o próximo objetivo.

É o teu investimento futuro. E para que tenhamos aqui também uma noção, Teresa, fechamos com esse tal futuro. Trabalhas e estudas, presumo que continues a poupar, poupas já efetivamente, investes ou queres investir o teu dinheiro numa casa, mas há alguma outra forma de investimento? Vais continuar a ter poupança, conta poupança, vais investir de alguma forma para rentabilizar o teu dinheiro ou preferes guardá-lo e fazer investimento, neste caso, em bens materiais, posses imobiliárias?

Para já é isso. Meu objetivo principal é investir na compra da casa e ando a poupar pra isso, mas quem sabe no futuro se não aparecerá alguma coisa em que eu tenha interesse em investir. Mas pelo menos para já, é mesmo na casa.

Teresa, muito obrigado por esta conversa. Foi um prazer receber-te aqui. Espero que corra tudo bem. Muitos trocos no bolso, é o que eu te desejo. Nós estamos de volta pra semana com mais um episódio desta parceria entre o Observador e o Banco Credibom. Até lá, trocos no bolso, tratem bem deles. A Teresa tratou e também foi muito agradável esta conversa. Teresa, obrigado. Até a próxima.

Obrigada, até a próxima.