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Este podcast tem o apoio de Banco Credibom. E cá estamos para o chocalhar das moedas, Trocos no Bolso, uma parceria do Observador com o Banco Credibom e sonhos existem muitos. Sem uma boa gestão dos trocos, as coisas podem tornar-se difíceis e gerir o dinheiro, temos vindo a ver, requer muitas vezes espírito de sacrifício. A aprender com isto por aqui tenho estado eu, Vicente Figueira, e hoje tenho o enorme prazer de receber a Eduarda Pinto. Eduarda, bem-vinda.
Olá, boa tarde. Obrigada pelo convite.
Nós é que agradecemos. Eduarda, fazemos aqui um breve resumo do teu percurso. Tu estudaste cinema na Covilhã e durante todo o curso trabalhaste num call center. Estudar e trabalhar é algo que temos vindo a ver que obriga a muita organização e muito método. Tu trabalhavas porque precisavas ou porque querias, acima de tudo, poupar dinheiro? Fala-nos um bocadinho desse percurso de estudos aliado ao trabalho.
Sim, requer algum esforço e organização, acima de tudo, quando estudamos e trabalhamos. E todos os momentos são valiosos e devemos planear bem as nossas prioridades. Visto que estava a estudar fora, o trabalho foi uma ajuda para suportar algumas despesas, embora este não tenha sido o primeiro emprego, porque desde os 16 anos, mais ou menos, que tenho tentado procurar sempre trabalhos temporários.
Coisa assim na onda do trabalho de verão ou que duravam durante o ano?
Não. Quando era mais nova, antes da faculdade, mais durante o verão. Mas esses trabalhos permitiam-me algum conforto financeiramente e foi com essa perspectiva de ter a minha independência económica, no fundo.
Então começaste ainda mais cedo do que aquilo que eu julgava, Eduarda. Tudo isso te obrigou, desde cedo, precisamente, a gerir o teu próprio dinheiro. Sendo que estudavas cinema, que é um curso que apela e muito à criatividade, qual era a forma mais criativa que encontraste, ou que encontravas, pelo menos, para fazer a gestão das tuas finanças?
Na verdade, eu deixei a parte criativa mais para o cinema.
Foste mais prática no que às finanças diz respeito.
Sim, porque eu penso que a minha gestão foi, e ainda é, feita de forma muito simples. Ou seja, primeiramente, a prioridade é liquidar as contas, as despesas, as obrigações, e o restante fica no que nós chamamos habitualmente de pé-de-meia, e é feita, no fundo, dessa forma, muito simples.
É muito simples, mas tens alguma estratégia, algum aparelho ou estratégia, diria até algum auxiliar para fazer essa gestão, por exemplo, uma folha de Excel, a coisa mais simples de que me lembro.
Sim, às vezes faço, mas confesso que nem sempre sou muito metódica nesse aspeto. Às vezes faço, outras vezes não. É feita de forma muito simples mesmo.
Eduarda, entretanto, enquanto estudavas, a tua mãe e a tua irmã começaram um projeto ao qual agora te juntas. Falamos aqui da Picnic, que entre outras coisas, faz serviço de cake design, catering e ainda organiza, claro está, piqueniques. Eu cometi o erro de visitar a página de Instagram da Picnic a duas horas da hora de almoço e posso avançar que almocei mais cedo. Eduarda, tu és responsável por toda a imagem do projeto, mas hás de certamente ter alguma coisa a dizer no que à gestão do negócio diz respeito, até porque vens desde cedo gerindo o teu dinheiro, como temos vindo, e traz essa estrutura enraizada no teu comportamento. Estou errado ao assumir isto?
Não, é exatamente isto. Na verdade, a gestão não é feita só por mim, mas também pela minha irmã e pela minha mãe. E curiosamente, o método de gestão do negócio é muito semelhante ao que fazemos nas nossas vidas pessoais. Só por isso já é uma grande vantagem, pois estamos sempre de acordo no que respeita pelo menos às finanças do Picnic. Ou seja, o método é despesas, obrigações e tudo que é possível reservar e ter essa salvaguarda.
Exato. Então tu acabas por transportar aquilo que é o teu modelo pessoal também para o modelo de gestão do negócio. Sendo que tu acompanhaste e participaste na fundação da Picnic, imaginemos aqui um cenário em que há duas pessoas que querem fundar o próprio negócio. Uma estudou apenas e a outra estudou e trabalhou e teve de gerir muito minuciosamente o seu tempo e o seu dinheiro. A pessoa que trabalhou parte em vantagem? Se sim, Eduarda, em que aspetos é que tu dirias que parte em vantagem?
Na minha opinião, uma pessoa que trabalha e estuda parte sempre em vantagem. Como eu referi anteriormente, com organização conseguimos conciliar as duas coisas. E uma pessoa que além de estudar também trabalha, fica com uma maior noção do mercado de trabalho. E quanto mais cedo o fizermos, mais experiências podemos ter. Isso vai, sem dúvida, enriquecer a nossa perspetiva e noção da realidade, eu acho que é uma grande vantagem, sim.
E alguma das tuas estratégias de gestão das finanças pessoais estão a ser aplicadas à maneira como trabalhas hoje em dia? E eu digo aqui mais na questão da gestão do tempo, por exemplo, do que a gestão do negócio. Tu consegues aplicar algumas das estratégias com o tempo para que as coisas corram bem, que também aplicavas quando estudavas e trabalhavas?
Sim, o princípio de gestão é semelhante. Claro que existem algumas diferenças na gestão pessoal, visto que agora estamos a falar de um negócio e que, sendo uma empresa, existem outras obrigações e outras prioridades. Mas o segredo, se assim podemos dizer, é despachar as contas devidas e o restante amealhar de forma saudável, porque os gastos extra devem ser conscientes. E isso eu também trago um bocadinho para o negócio do Picnic. A título de exemplo, eu às vezes vejo algo que gostaria de adquirir, comprar, e se não tenho a minha certeza no momento, às vezes não compro logo. E se nos dias seguintes ficar a pensar naquilo, então se calhar posso dar oportunidade e se calhar faz sentido. Se não me voltar a lembrar daquele objeto ou daquela coisa, então pronto. Exatamente. É muito importante.
Voltando à expressão pé de meia, que é uma expressão muito interessante, como é que tu constróis esses pés de meia? É uma conta corrente, tens uma conta poupança, alguma maneira especial de investir ou guardar esse dinheiro?
Sim, tenho uma conta poupança. Desde pequena sempre fui incentivada nesse sentido. E poupar acho que faz parte do dia a dia, mas apesar de tudo também sem grandes exageros ou métodos radicais. No fundo, acho que é necessário ter sempre uma reserva, mas também devemos ser flexíveis e permitirmo-nos algo que nos conforte.
Claro, não ficar aderente.
Exatamente.
Olhando para a questão do negócio, para a questão da gestão do dinheiro. Investimento, há alguma coisa que te atraia? És, por norma, uma investidora, costumas investir o teu dinheiro ou preferes, como temos visto aqui, guardá-lo e depois dar-lhe uso? Não investes de nenhuma maneira o teu dinheiro, Eduarda?
Neste momento ainda não, acho que ainda não é o momento ideal. Não sei se vou sentir algum dia e certamente tomarei essa iniciativa. Para já, neste pequeno percurso, ainda tenho construído a minha reserva e não tanto investido, mas quem sabe em breve.
Voltando ao ponto de vista pessoal e também para terminar esta entrevista, Eduarda, que estratégias é que aconselharias a uma pessoa, por exemplo, como eu, que é muito má na gestão das finanças? Eu já anotei aquela de pensar bem antes de comprar uma coisa, se é isso realmente que quer, mas que outras coisas é que recomendarias da tua experiência?
Eu acho que a que eu referi é exatamente o meu principal conselho: ponderar os gastos. Acho que essa é a que trago para a vida.
Eduarda, muito obrigado por esta lição, foi isso mesmo que nos trouxeste hoje e boa sorte com a Picnic. Confesso que depois desta conversa eu estou aqui com conflitos. Trouxe comida de casa, mas voltei a passar uma vista de olhos pelo Instagram da Picnic e estou tentada a ir comprar um bolo. Ainda assim, acho que depois desta conversa a sobremesa vai mesmo ser a tangerina doméstica, porque hoje a Eduarda ajudou-nos a perceber que poupar é importante. Eduarda, um abraço e obrigado.
Obrigada.
"Trocos no Bolso" continua a escolhar para a semana. Até lá.