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Este podcast tem o apoio de Banco Credibom. Trocos no Bolso, sejam bem-vindos a mais um episódio. Venham conosco atrás do chocalhar destas moedas. Um podcast em que o Observador e o Banco Credibom estão juntos para dar a conhecer 10 histórias de 10 millennials que sempre souberam tratar bem o dinheiro e, para apresentar isto, escolheram a mim, que sou um grandessíssimo desregulado no que às finanças diz respeito. Sou Vicente Figueiras, estou aqui para aprender e, por isso, quem quiser, venha comigo. Eu também tendo a fugir destas conversas, mas está na hora. Até porque se muitas vezes os desígnios do orçamento e finanças fazem temer uma conversa pesada, hoje não há motivo para preocupação. Temos o prazer de falar destas coisas com a doçura do português do Brasil. Priscila, bem-vinda.

Obrigada.

Priscila, tu licenciaste-no Brasil e quiseste ir estudar fora. Vieste tirar o mestrado em Gestão de Eventos a Portugal e por cá, para aguentar o barco, arranjaste dois part-times. Isto, feitas as contas, deve equivaler a trabalhar a tempo inteiro. Para muita gente, concretizar o sonho de trabalhar fora é sinônimo de algum sacrifício. Como é que tu fazes a gestão do teu tempo e do teu dinheiro? Há muitos sacrifícios envolvidos?

Há um bocadinho, sempre há, com certeza. Mas eu acredito que o segredo é sempre o planejamento. Até por conta da estrutura que eu trago dos eventos, de muito controle, de um controle minucioso, algumas coisas, algumas ferramentas, você consegue adequar, adaptar para a rotina do dia a dia, para as atividades domésticas, para as funções que temos com a casa, com a família. Então posso dizer que pontos que me ajudaram a organizar esse planejamento: a identificação do que são os meus custos essenciais, o que são os meus custos extras. Faço essa gestão com aplicações, aplicativos que-

Ok. Vai monitorizando as coisas.

Exato.

Exatamente.

Ajuda a gente controlar o que entra e o que sai.

E são esses auxiliares, por exemplo, o Excel, uma folha de Excel. Eu faço sempre esta pergunta.

Com certeza.

Tudo.

Sem dúvida. Engraçado, porque eu uso muito o Excel, basicamente é a minha principal ferramenta, porque eu consigo ver melhor todos os gastos, todas as receitas que eu tenho. Todas as receitas, adoraria que fossem tantas assim. Mas existem outras ferramentas e até aplicações mais detalhistas que ajudam também a fazer essa gestão. E é isso, separar o mínimo. Uma coisa que eu procuro fazer também é que depois que eu separo o que são meus custos essenciais, separo o meu lazer também, porque é difícil a gente viver sem ele, saudavelmente, pelo menos. Procuro sempre tirar o mínimo, ainda que seja um valor simbólico, mas separar um mínimo todos os meses para poupar.

E aqui olhando para essa gestão, faço uma pergunta que vai passar a ser habitual, que é: sentes que essa obrigação de ser extremamente organizada com o dinheiro e com o tempo te traz benefícios, por exemplo, naquilo que pretendes que venha a ser o teu futuro? Já percebemos, mais ou menos, que sim, nesta questão da gestão dos eventos, não é? Mas, por exemplo, essa gestão das finanças pessoais dá-te estrutura para que possas gerir o que quer que seja, no teu caso, lá está, os eventos.

Sim, sem dúvida. Ajuda porque quando você consegue olhar para o planejamento e ter uma noção do que é ele como um todo, ainda prevendo que podem ser custos extras, você não toma susto e você consegue se organizar para aquilo. Então eu faço esse planejamento detalhado. Isso eu trouxe mais do meu lado profissional para o lado pessoal, para a minha rotina, porque eu vi que me dava ferramenta para gerir de uma forma mais assertiva. Eu não tinha muitos sustos no final do mês, que é o que geralmente deixa a gente desprevenida ou com problemas financeiros, não fazer essa gestão. E procuro sempre usar uma ferramenta que eu trouxe do trabalho, que é o Scrum.

Ok.

E basicamente, ele trabalha o que eu preciso fazer, o que eu estou fazendo, o que foi feito.

É uma espécie de gestor de tarefas.

Uma espécie de gestor de tarefas e de projetos. E procuro, depois disso, avaliar o que aconteceu e o que eu preciso melhorar para o mês seguinte. É exatamente o que eu faço na minha casa.

E isto da pandemia, certamente dificultou-te muito a vida, acredito. Um dos teus part-times teve de encerrar atividade. Como é que esta experiência de estudar e trabalhar e de gerir o próprio dinheiro te está a ser útil numa altura em que perdeste uma das tuas fontes de rendimento? E onde eu quero chegar é: se estás a aguentar, achas que isso seria possível se não tivesses começado já há algum tempo a gerir as tuas próprias finanças? Como dizemos por aqui, já tens essa tarimba.

Com certeza, eu não estaria na situação que eu estou hoje, que não é uma situação confortável, mas não é uma situação de desespero, se eu não tivesse começado esse planejamento há um tempo atrás, porque eu me mantive cá durante esse ano de 2020, início de 2021, basicamente com o meu part-time e o complemento era o dinheiro que eu tinha guardado. Em alguns momentos, eu ainda precisei pedir um auxílio familiar, uma ajuda de recursos, porque o meu part-time não cobria todos os meus custos cá. E quando isso não foi possível, sem dúvida, era o dinheiro que eu tinha guardado, todas aquelas ressalvas que eu fiz há um tempo atrás, foi o que me manteve aqui agora e me deixou tranquila, sem nenhum grande problema. Problema.

Mas ainda assim, ter um orçamento curto pode ser um pesadelo, por um lado, mas por outro, pode também puxar pela criatividade, creio eu. Qual foi a coisa mais criativa que fizeste ao longo da tua vida inteira pra poupar dinheiro?

Planejar menus pras refeições durante a semana. Me ajudou a poupar imenso nessa última parte, nessa última fase. Até porque eu tive que, na verdade, buscar alguns métodos pra lidar com a pandemia, eu e todo mundo. E era procurar sair da inércia, porque você ficando mais tempo em casa, facilmente você perde o ritmo, perde essa agilidade que a gente tem em resolver problemas no dia a dia, é comum. Então eu fui buscando ferramentas dentro de casa pra me manter ativa, de alguma forma, e comecei a perceber que fortalecer essa questão do planejamento. Então, beleza, o que eu ainda preciso planejar mais pra poupar mais? E aí eu estava vendo que os meus custos de mercado tinham sido onde eu tinha tido menos redução, até porque estamos mais tempo em casa, estamos consumindo mais coisas, até o período do ócio, acho que pra mim, pelo menos, acaba fazendo com que eu me alimente mais, com que eu coma mais fora de hora. Então eu comecei a planejar os cardápios semanais pra eu não me exceder nas minhas compras.

E assim, por um lado, saudável e saúde do corpo e saúde da carteira. Mas olhando aqui pra essa questão do planejamento, Priscila. Tu já disseste que não prescindes da tua vida, do teu ócio, claro está, porque é uma questão de saúde, mas às vezes uma pessoa, se adotar demasiado, eu tenho esse medo, que uma pessoa adota demasiado essa postura de muito planejamento, muito rigor, e acaba por não viver. É uma linha difícil de estabelecer.

Com certeza, porque ao mesmo tempo que você precisa do planejamento, você precisa da flexibilidade. Então eu acho que se você consegue equilibrar a sensação de que: "Ok, eu tenho controle sobre isso, mas as coisas não precisam necessariamente acontecer dessa forma." Acho que a gente tem que estar preparado pro imprevisto. Só que é bom comentar isso, porque isso já acaba vindo espontaneamente por conta do meu trabalho. A gente, nos eventos, tem que ficar ali muito atento a qualquer imprevisto que a gente venha a ter. Então eu acho que me deixa mais segura ter tudo planeado, até porque nesse planejamento a gente também pode observar onde pode não correr bem, não correr como a gente está esperando e talvez pro que a gente precise se preparar.

Criar uma espécie de planos Bs.

Exato, plano B, plano C. E para isso, ainda estar preparado pra uma alternativa que não foi pensada. E você está ok com isso. Então você saber que ao mesmo tempo que você planeja, você está preparado pra desapegar desse planejamento se a situação exigir isso de você.

E Priscila, o teu objetivo é ficar por Portugal, pra isso presumo que precises de ir poupando. Tens algum plano de como é que vais continuar a fazer essa gestão de poupança e pra ficar por aqui?

Retomar o planejamento e guardar o mínimo, eu acho que é uma das coisas, sem dúvida, que eu quero manter, que eu preciso manter. É uma coisa que a minha mãe me ensinou. A gente às vezes esquece, a gente pensa muito no presente, no futuro a relativamente médio, curto prazo, e a gente acaba não pensando na nossa velhice muitas vezes. Que é uma fase onde a gente precisa de recursos, de atenção, e ela coloca muito isso na minha cabeça, eu venho trabalhando muito isso de me preparar, me poupar pra que eu tenha uma terceira idade mais confortável, sem grandes necessidades. Então, basicamente, eu acho que você conseguir observar todos os seus custos e as suas necessidades, ter o controle disso, mas também não se apegar, porque já vimos que as coisas nem sempre correm como a gente espera ou deseja. E pronto, eu acho que é levar a vida leve, com controle, equilíbrio, principalmente, e as coisas dão certo.

Priscila, prazer enorme falar contigo. Nunca tinha falado de finanças pessoais com uma cearense, neste caso, com um sotaque carioca. Boa sorte, espero que tudo corra bem. E olha, aprendi muito. Obrigado.

Eu que agradeço, um grande.

Trocos no Bolso, continuaremos a ouvir pessoas que se viram obrigadas a saber gerir o próprio dinheiro. Eu, por causa disto, já tenho a minha folha de despesas no Excel. Pra mim, é um grande avanço. Pra semana, estamos de regresso pra aprender um pouco mais. Priscila, obrigado. Um beijinho.

Obrigada.