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Este podcast tem o apoio de Banco Credibom. Já estão a ouvir o "Escolhar?". É isso mesmo, a altura de trocos no bolso, uma parceria do Observador com o Banco Credibom, que nos tem dado a conhecer pessoas que sabem muito bem o que fazer aos trocos que vão amealhando e para mais aselhas como eu, que grande ajuda tem sido. Eu sou o Vicente Figueira, hoje conosco temos a Maria Lopes. Maria, bem-vinda.

Olá, boa tarde, obrigada.

Olá, Maria. Olhando aqui para o teu percurso, durante algum tempo foste responsável pelos eventos nos Anjos 70, em Lisboa. Sentiste a necessidade de te afastar, tanto que foste para o Peru sozinha. Como é que juntaste o dinheiro para essa viagem?

Na verdade, eu fui para o Peru um pouco antes do Anjo 70. Eu fui para o Peru em 2016 e na altura vivia no Porto. Trabalhava no GAR, que é um clube no centro da cidade e confesso que para essa viagem, onde fui para o Peru sozinha, eu não tinha um ordenado para ir além, não ganhava muito, mas a vontade foi tanta e tinha esse mês de férias, que fui amealhando da forma que pude e a coisa fluiu muito bem. Nós às vezes ficamos a pensar muito tempo como é que vamos juntar dinheiro para fazer uma coisa muito grande, e quando é assim, com uma vontade do coração, a coisa acontece e aconteceu.

Mesmo com low budget, digamos assim.

Sim, foi super low budget. O Peru também é um país muito barato.

E depois dessa jornada, Maria, regressaste a Portugal, ficaste com o bichinho das viagens e acabaste por, com o teu namorado, ir sete meses para a América do Sul. Para essa viagem, recorreste a alguma conta poupança? E também queria aqui saber se foste gerindo o teu orçamento ou como é que foste gerindo o teu orçamento ao longo dessa jornada, porque foi uma jornada mais densa, levou mais tempo.

Sim, exatamente. Na verdade, foram nove meses. E aí, sim, já estava a juntar algum dinheiro e tinha uma conta poupança, todos os trocozinhos a mais. Também não sou uma pessoa de ficar de braços cruzados. Eu fui trabalhando bastante ao longo do tempo, portanto, nessa altura estava no Anjo 70, mas antes também aluguei um quarto em minha casa, também como hobby, sou DJ, portanto, fui acumulando todos esses trabalhinhos e tive a oportunidade de criar uma conta poupança. Durante a viagem, nós fomos super poupados, nós fomos numa viagem completamente económica. Fizemos couchsurfing, fizemos muito voluntariado, troca de dormida por comida e estadia, por trabalho. Fomos da melhor forma tentando poupar troco a troco para poder estender a viagem. Era suposto durar mais, mas foram nove meses por causa da pandemia.

Foi por causa da pandemia, pronto, não foi uma limitação orçamental. E depois acabaste também por passar pelo Brasil, Maria, e para além de dominar o orçamento, aprendeste também a dominar a arte do crochê. Algo que te levou a fazer a tua própria marca, a Água na Boca, são brincos, xales, tops, tudo é feito à mão e em crochê. Sentes que agora que tens um projeto para gerir, a gestão de tempo e de dinheiro que as viagens te obrigaram, de certa forma, a fazer, facilitam aquilo que é a tua atual missão, a tua atual ocupação?

Sim, facilita bastante, porque como tudo na vida, o que vamos fazendo vai sendo uma aprendizagem e a viagem foi uma aprendizagem, não só como falaste do crochê, mas também na gestão do tempo, de dinheiro, de outra forma completamente diferente. Mas sim, para além da marca, também fundei uma associação, a Moças, e todo esse trabalho, tanto na parte do voluntariado, de fazer as trocas, como a parte da gestão financeira e de tempo, a viagem trouxe muito mais clareza ao que eu já fazia. Trouxe ainda mais, sem dúvida.

E olhando aqui para as estratégias, que tipo de estratégias é que recomendarias a quem queira fazer uma viagem como a que tu fizeste? Já temos aqui esta indicação de que é possível poupar, trabalhando em troca de comida, estadia. É isso que recomendas? Mais alguma estratégia em especial para que o orçamento não vá faltando ao longo destas jornadas, para quem queira fazê-las?

Sim, eu acho que acima de tudo é ter a boa disposição e desprender um bocado daquilo que nós estamos habituados. Libertarmo-nos de crenças e de hábitos que nós temos, porque eu acho que essa libertação também depois ajuda a poupar. Nós, por exemplo, a meio da viagem, decidimos comprar uma tenda, então passámos muitas noites, não foram as melhores dormidas, mas são momentos que não vamos esquecer. Não foram as melhores noites de sempre, podemos ter passado um bocadinho mal, mas deu para depois, numa outra noite, ficar num hotel três estrelas ok, mas pronto, para nós era um luxo.

Claro, voltar ao colchão.

Exatamente. Portanto, também é um pouco isso, é ter essa boa disposição e pronto, se calhar o dinheiro aí vai estendendo se não tivermos também tantos luxos. E a gestão do dinheiro, nós, por exemplo, tínhamos um cartão, éramos um casal, tínhamos apenas um cartão. Isso também é uma coisa boa. Na altura um N26, que por acaso não recomendo, mas tínhamos apenas um cartão para os dois e isso também ajuda. Ou seja, eu era a pessoa responsável pelas finanças, portanto, sempre que havia a tentação de gastar dinheiro numa coisa, eu dizia não.

A sugestão que faço é também centralizar a coisa em quem tenha mais jeito para gerir, certo?

Exatamente, sem dúvida.

E voltando agora àquilo que é o teu trabalho. Maria, consegues identificar métodos que usas hoje em dia na gestão do teu negócio que tenhas aprendido, por exemplo, a poupar para as viagens? Enquanto poupavas para as viagens, isto que quero perguntar, para ser mais concreto, consegues aplicar algum desses métodos? Por exemplo, tens uma conta poupança para a tua empresa, para a tua associação? Como é que as coisas se coadunam?

Ok, não tenho uma conta poupança para a marca, mas a marca é muito pessoal, acaba por ser também um projeto meu e do meu namorado. E sim, nós temos conta poupança, de todo o income que nós temos, há sempre uma pequena percentagem de 10%, 15% que vai para a conta poupança. E claro que sempre que há uma necessidade podemos retirar daí ou continuar a juntar, sempre que há um bolo maior por algum trabalho que façamos maior, vai também para essa conta poupança, até porque o nosso objetivo agora não é uma viagem, mas sim comprar um terreno e viver no campo. Portanto, para isso estamos a poupar.

Já na fase da estabilização. Certo é que continuas a poupar, como nos dizes. Agora tens este teu projeto pela frente. Fá-lo ainda com uma conta poupança e relativamente ao investimento de dinheiro, tens alguma coisa na mira? Pensas investir o teu dinheiro ou preferes guardá-lo e ir gerindo?

Não, na verdade, nós também invisto em criptomoeda. Sim, estamos também a começar nesse investimento e até agora também tem corrido muito bem. Na verdade, começámos já no final da viagem.

Podemos assumir que os Trocos no Bolso estão a passar a uma espécie de Bitcoin na blockchain, de certa forma.

Sim. Agora estamos a tentar estendê-los ainda mais.

Maria Lopes, infelizmente não temos mais tempo. Muito obrigado por te teres juntado a nós no Trocos no Bolso. Bom crochê, boas viagens, no caso já não são assim tão viagens, mas bom terreno e boa compra. Hão de ser também. Quando pudermos voltar a essas viagens e que continues a tratar os trocos por tu. Entretanto, eu aconselho a que quem possa, passe pela página de Instagram da Água na Boca. Não é de comida, mas as peças têm, de facto, um efeito semelhante. Trocos no Bolso, é neles ou nele que ficam guardados. Esta parceria do Observador com o Banco Credibom está de volta para a semana. Até lá, Maria Lopes, muito obrigado por te teres juntado a nós.

Obrigada.