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A partir de hoje na Rádio Observador vamos falar de finanças pessoais e para isso convidámos a Rosário Moreira. É a diretora do Digital MBA da Porto Business School, é também professora da Faculdade de Economia do Porto. Rosário, bem-vinda.
Olá, Ana, boa tarde. Obrigada.
E a partir de hoje vai ser assim, vamos falar de muitas coisas, porque temos muitas dúvidas, todos nós, sobre este tema.
É verdade. Desde já, deixa-me só avançar, como é a primeira rubrica, é um gosto enorme poder conversar contigo no âmbito desta rubrica da Rádio Observador, sobre um tópico que me é bastante chegado e que eu acho que deve ser estimado pela maior parte de todos os nossos ouvintes, que é poupanças, por um lado, e investimentos pessoais, familiares, pelo outro.
É isso mesmo. Temos muitas dúvidas, como dizia há pouco, portanto se nos está a ouvir, pode sempre, a partir de hoje, ir partilhando as suas questões conosco. E porque temos mais horas de luz solar, hoje vamos começar por falar de formas também de a aproveitar precisamente para essa poupança e que também no fundo implica algum investimento. Vamos falar de painéis solares e Rosário, olhando para o mercado, que tipo de painéis solares é que temos à nossa disposição?
No mercado nós podemos encontrar essencialmente dois grandes tipos de painéis solares: os fotovoltaicos, por um lado, e os painéis térmicos. Os fotovoltaicos ajudam a converter a energia solar e as suas radiações em energia elétrica, enquanto que os térmicos, que são aqueles que nós vemos nos telhados das casas com uma espécie de depósito junto aos painéis, que são transformadores de radiação solar em energia térmica e são essencialmente utilizados para aquecimento solar residencial, para aquecimento de uma divisão da casa ou até da água.
E portanto, que tipo de preço é que está aqui em causa? Quais são as diferenças entre os dois?
Um painel solar antigamente era muito caro e só mesmo as vivendas é que tinham painéis solares. Hoje em dia nós podemos dizer que já são mais acessíveis e em termos de preço de compra, os painéis fotovoltaicos variam entre os 400 e os 3.000 €, essencialmente em função da potência que se pretende alcançar, enquanto os térmicos são ligeiramente mais caros e podem variar entre os 1.000 e os 3.000 € consoante a dimensão do reservatório, portanto o tal depósito que nós vemos no topo das casas, e o tipo de sistemas de transformação de energia que nós escolhemos.
Mas de qualquer forma, uma diferença entre os 400 e os 3.000 € ainda é uma diferença considerável. Vai depender muito das nossas necessidades, como explicavas. Mas isto afinal o investimento compensa ou não?
Digamos que sim, compensa. Compensa, se não for mais nada, para o ambiente e porque isto é um investimento de longa data. Os painéis solares são feitos para durar mais de 40 anos. Portanto, o investimento, e nós vamos já ver aqui quanto é que podemos poupar por ano na nossa fatura da luz e gás, mas sendo por 40 anos, a partir do momento em que ele se paga, é só poupança. Portanto, vamos só ver aqui o exemplo de um consumidor que comprou três painéis fotovoltaicos e a sua fatura da luz, de eletricidade e de gás, reduziu significativamente. Estamos a falar de reduções por volta dos 40%, portanto, cerca de 25/30 € por mês. Ou seja, num ano, estamos a falar de mais de 300 €. Portanto, se o painel que foi adquirido foi na ordem dos 2200, 2500 €, ele é recuperado lá em sete, oito anos. Mas atenção, Ana, este exemplo que eu acabei de dar, mostrar que se poupou estes 30 € que eu referi, tem muito a ver com o plano que se define para utilizar a energia produzida pelo painel. Portanto, uma vez que ele durante o dia é quando produz o pico de energia, deve haver um plano de os gastos serem feitos durante o dia. Portanto, ligar a máquina, lavar a roupa, lavar a louça, utilizar para o almoço a placa elétrica e assim como a água, porque se não se aproveita, não é possível depois acumular.
Certo, tirar partido disso.
Sim, pelo menos na sua versão mais básica dos painéis solares.
E Rosário, nós quando falamos em painéis solares, há sempre esta pergunta que surge: é verdade que nós podemos obter receita com a venda da eletricidade?
Sim, é possível vender eletricidade à rede, mas isso também implica um investimento, um custo adicional, um custo no contador e também no modem de comunicações. Para particulares, os custos ainda não compensam, apesar de estarem sempre a surgir soluções muito atrativas e fáceis de adotar por empresas que nós estamos habituados a ir comprar eletrodomésticos ou mobiliário. Mas se os moradores de um determinado prédio ou daquelas moradias geminadas se organizarem, pode ser possível usufruir de uma ou de mais unidades de produção para autoconsumo.
Certo, quando isso é feito num prédio em condomínio, é necessário que fique sempre em ata, fica esse aviso também. E Rosário, já não temos muito tempo, mas isto não é muito complicado de instalar numa casa comum? Como é que estamos em relação a leis?
Ora bem, não é complicado. Antigamente era preciso pedir licenças ao Estado para instalar os painéis, mas as coisas mudaram e agora o processo é muito mais simples. A lei do autoconsumo permite agora a qualquer cidadão ir a uma loja e comprar um painel, instalá-lo onde quiser e começar logo a consumir em casa a eletricidade que o painel produz. O processo de compra é semelhante ao de um eletrodoméstico. Compramos da mesma forma e com a mesma simplicidade e depois podemos colocá-lo no nosso quintal, num terreno, no terraço ou no telhado. Claro que se for, como bem referiste, num prédio, é preciso pedir autorização ao condomínio. O local a escolher também deve ser sem sombras. Aquilo não ocupa muito espaço, é cerca de dois metros quadrados e, portanto, a partir daqui é só começar a poupar na conta da energia e do gás e ir abatendo o investimento inicial.
Certo, também há aqui algo que pesa bastante, já falaste sobre isso também, que é no fundo aquilo que estamos a poupar o nosso ambiente, estamos a poupar o planeta e, portanto, isso também pesa muito nesta escolha. Rosário Moreira é a diretora do Digital MBA da Porto Business School, é professora da Faculdade de Economia do Porto e a partir de hoje estará conosco na Rádio Observador todas as semanas para falar de finanças pessoais. Rosário, obrigada. Até para a semana.
Obrigada eu, Ana. Até para a semana.