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Vamos à bola na Rádio Observador, o jornal de desporto, hoje com o jornalista Ricardo Lopes. Muito bom dia, Ricardo.

Carlos, bom vento por aqui.

Vamos começar por falar da ótima noite europeia para as equipas portuguesas. Benfica e Braga deram mais um passo rumo às competições da UEFA. As águias golearam o Hearts por 6 x 1. Os minhotos venceram o Dinamo de Minsk por uma bola a zero.

Começamos por falar do conjunto de Marco Silva. Depois de um primeiro jogo algo atribulado na competição, o Benfica carimba a segunda goleada consecutiva no segundo jogo no Estádio da Luz, 6 x 1 aos escoceses do Hearts. O Benfica, que ontem teve o papel de quebra-corações, quis mostrar aos mais de 60 mil adeptos que não vinha para brincadeiras. Logo aos três minutos, Rafa Silva abriu o marcador. Depois, até ao intervalo, ainda marcaram Tomás Araújo e Pavlídis, de grande penalidade. Na segunda parte, perto do minuto 60, faturou o argentino Prestiaro e depois os escoceses ainda fizeram gosto ao pé, reduziram para 4 x 1, mas já bem perto do minuto 90, o reforço do Benfica, John Duran, estreou-se a marcar e Scheldrup fechou as contas já em tempo de compensação. Contas feitas, 6 x 1, eliminatória resolvida antes da visita a Edimburgo. Logicamente, acho que ninguém acredita que o Benfica vá à Escócia perder por mais de cinco gols. No final da partida, Marco Silva destacou a melhoria das dinâmicas da equipa face aos últimos jogos. O treinador português lembra que, embora estes jogos já sejam oficiais, o Benfica ainda está a terminar a pré-temporada.

Um jogo bem conseguido, uma primeira parte muito boa em muitos momentos e é o que é mais uma vitória, uma vitória importante. Como eu vos disse ontem também, no momento em que estamos a jogar jogos oficiais, mas estamos a terminar aquilo que é uma pré-temporada. Hoje fizemos a sexta semana de pré-temporada e nós sabemos o que aí vem no domingo já e depois pra semana falaremos da segunda mão.

Para a semana, segunda mão, mete-se a primeira jornada do campeonato pelo meio, já lá iremos. Carlos, como disse há pouco, o avançado colombiano John Duran estreou-se a marcar pelo Benfica numa altura em que se fala até numa eventual saída de Pavlídis. Há ofertas da Turquia, que o Benfica aparentemente tem recusado, mas Marco Silva prefere pintar um cenário onde os dois jogadores se podem complementar em campo.

Naturalmente, dois excelentes avançados, dois jogadores de enorme qualidade. O John vem de uma época não ao nível que ele tem capacidade para jogar, não ao nível que ele, na minha opinião, vai fazer este ano. São dois jogadores diferentes, que sinceramente também podem ser compatíveis em alguns momentos também, em alguns jogos, pelas características que o Pavlídis tem, que pode, em alguns momentos, jogar numa zona um pouco mais baixa, quase como um segundo avançado, e é algo que poderá vir a acontecer. Assim tenhamos tempo também para experimentar.

Tempo para experimentar. Marco Silva ontem também experimentou. Carlos Samuel Soares, o jovem foi aposta para a baliza, grande surpresa no 11 inicial. Questionado sobre a ausência de Trubin, diz que a decisão foi meramente técnica.

Eu não coloco jogadores a titular para depois indicar algo que seja de quem não joga. Isso é o vosso trabalho e vocês é que levam por esse caminho. Minha decisão é puramente técnica, da mesma forma que começou o Trubin nos primeiros dois jogos, da mesma forma que começou o Samuel no jogo Villarreal e o Trubin no jogo Flamengo. A decisão foi começar o Samuel hoje, simplesmente isso.

Explicações de Marco Silva na análise do técnico à vitória do Benfica por seis bolas a uma. Benfica vai à Escócia pra semana, mas já com um pé na próxima fase.

E da Liga Europa passamos para a Liga Conferência, mas ainda com portugueses a vencer. O Sporting Braga também leva vantagem pra segunda mão. Venceu o Dinamo de Minsk por uma bola a zero.

O capitão chegou-se à frente, Ricardo Horta fez de penalidade o gol, que por enquanto vale ouro na eliminatória. Destaque também pra ótima primeira parte de Gabriel Silva, que ganhou a falta dentro da área. Num jogo em que o Braga teve muita posse de bola, Carlos, 72% para os minhotos, mas apenas três remates à baliza. Os búlgaros praticamente não criaram perigo, é certo, mas faltou algum brilhantismo aos bracarenses, algo que o próprio treinador admite. No final da partida, Carlos Vicent destaca a superioridade do Braga, mas confessa que a equipa ainda está num processo pra encontrar o ritmo certo.

"Saímos com a sensação de que temos que seguir melhorando, de que fará falta fazer um bom partido na semana que vem na Bulgária e que obviamente terá que lutar-se e ganhar-se o direito a estar nas semifinais. Controlamos bem o partido. Estamos todavía em um processo em que temos que ir ganando partidos, pero el equipo todavía le falta acabar de encontrar el ritmo."

Vai ser preciso ir à Bulgária e ganhar o direito de estar no playoff da Liga Conferência. É o que diz Carlos Vicent.

O Dínamo de Minsk Braga joga quinta-feira às 18h. Já vamos às competições domésticas, mas antes, Ricardo, olhos postos no mercado. Falamos de mais um reforço para José Mourinho. O Real Madrid oficializou a contratação da jovem promessa Yann Diomande.

Por 125 milhões de euros fixos. É a contratação mais cara de sempre da história dos Merengas. E atenção, Carlos, estamos a falar de um jogador de apenas 19 anos. É um reforço de luxo para José Mourinho. O avançado costa-marfinense deu as vistas neste último mundial, abandona os quadros do Leipzig para assinar o contrato válido por sete épocas, até 2033. Boas notícias também para o Leganés, o antigo clube de Diomande, que atua na segunda divisão espanhola, vai receber 5% de mais-valias da transferência.

Além do talento que chega ao plantel, o Real Madrid consegue também segurar uma das peças mais importantes. Vinicius Junior renovou contrato até 2032.

É verdade que um contrato de longa duração, numa altura em que se falou também de uma eventual saída do brasileiro, concretamente para o Arsenal, Vinicius estava a um ano de terminar o vínculo anterior, parecia estar à procura de uma nova aventura, mas vai manter-se por Madrid, também é uma excelente cidade. Carlos chegou em 2018, contratado ao Flamengo por 45 milhões de euros. Na altura, tinha apenas 18 anos. Entretanto, três campeonatos, duas Ligas dos Campeões, dois Mundiais de Clubes. No total, são 14 troféus levantados com a camisola do Real Madrid. Vamos ver como corre este ano com José Mourinho.

Agora sim, Ricardo, competições nacionais, isto porque este fim de semana volta o Campeonato Português.

Estoril e Famalicão vão ter a responsabilidade de dar o pontapé de saída nesta temporada 2026-2027. Ambos têm novos treinadores no banco, que querem certamente deixar já uma boa impressão aos adeptos. Na antevisão da partida, o homem do leme estorilista, Vasco Matos, que substitui Yan Catro, diz que é um privilégio abrir a liga, faz elogios ao adversário e garante que a equipa está preparada para competir.

Obviamente que o primeiro jogo pra nós também é importante, é um privilégio abrirmos a liga

Obviamente que sim. Vamos defrontar um adversário também competente, muito à imagem daquilo que foi a época passada. As rotinas e aquilo que é o seu processo mantêm-se e obviamente que esperamos um jogo difícil, mas sinto a equipa bastante preparada.

Antevisão de Vasco Matos, que se vai estrear no comando técnico do Estoril. Nos últimos quatro jogos entre as duas equipas, o Famalicão venceu todos. Carlos Carvalhal regressa ao ativo depois de uma época sem treinar. O treinador português não quer definir metas e objetivos para este ano em Famalicão. O que promete é apresentar uma equipa competitiva, a lutar olhos nos olhos com todos os adversários. Confessa que a equipa ainda não está no ponto rebossado, mas à semelhança do treinador adversário, acredita que os jogadores estão prontos para estes jogos a valer.

Tem sido uma pré-época boa, na minha ótica, em crescendo. A equipa tem vindo a evoluir. Nenhuma equipa está 100% nesta altura. Não há equipas a 100%, mas há equipas 100% preparadas ou não preparadas. E eu creio que a nossa equipa está preparada para competir, essencialmente. É uma equipa muito competitiva, dá-nos essa tranquilidade da presença da competitividade, presença da atitude.

Carlos Carvalhal, na antevisão do Estoril-Famalicão, jogo inaugural do Campeonato Português, joga-se hoje às 20h15 no Estádio António Coimbra da Mota.

Ricardo, queres ainda falar de atletismo, mais concretamente de triplo salto? Isto porque Nelson Évora terminou oficialmente ontem a carreira, aos 42 anos.

Mais de duas décadas de competição ao mais alto nível e duas semanas depois de se ter sagrado campeão nacional de triplo salto pela 13ª vez. Ele, que após uma ausência de cerca de três anos, regressou este ano à competição. Basicamente, Carlos voltou para ser campeão. O campeão olímpico, que venceu em Pequim em 2008, decidiu que agora sim, era altura de se afastar das pistas de atletismo. Fê-lo no Estádio Universitário de Lisboa, num momento simbólico. Fez um último salto de 16,72 metros, números também impressionantes ainda. Nelson Évora termina o percurso de atleta profissional com o sentimento de que não fica nada por fazer.

Não. Tudo o que realmente me desafiei fazer, fiz. O mais difícil era ser campeão olímpico. É uma janela muito pequena, embora a minha carreira tenha sido muito longa. Foi uma janela muito pequena de oportunidade, foi a única oportunidade que eu tive, real. Os outros títulos todos foram também muito importantes, se calhar mais importantes, até para poder ser campeão olímpico, ainda teria que ter outros títulos menos impactantes em termos de impacto social e mediático, mas tudo aquilo que eu quis fazer, fiz no atletismo.

Uma lenda do atletismo, Carlos Nelson Évora, terminou ontem a carreira, aos 42 anos.

Foi o Ricardo Lopes com o "Vamos à Bola", que está de regresso na próxima semana.