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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Continua a luta pela liderança do PS e os candidatos estão a forçar-se por seguir os passos de António Costa. José Luís Carneiro se mantém em funções como ministro no governo de António Costa. Pedro Nuno Santos está a seguir o exemplo de rodear-se de suspeitos de processos judiciais, Eduardo Vitor a João Paulo Rebelo. Depois da moção, falta a noção e o antigo secretário de Estado e ex-empresário de martilos foi o último a falar no dia de votação final do orçamento. Pelo meio, o orçamento de Estado para 2024 foi aprovado e na especialidade os impostos desceram para carros velhos e para alheiras. A semana foi tão preenchida que acho que não preciso continuar a encher chouriços.
A resposta não está nos santos. Que bom senso teve o doutor António Costa.
Quantas vezes ouvimos a mesma história? Os negócios do PS com a Portugal Telecom, que acabou vendida à Altice.
A culpa é do parágrafo, mas não foi o parágrafo que escolheu Lacerda Machado. Que bom senso teve o doutor António Costa. Mas o disfarce rapidamente cairá se a oportunidade chegar. Na política, como na vida, há valores que nunca são excessivos e muito menos prescindíveis. E um deles é o da gratidão. Na hora da despedida, recomendo, se me permite, duas coisas: que passe a escolher melhor as companhias e que aprenda a assumir as suas responsabilidades. Até sempre, primeiro-ministro António Costa. Hasta la vista. Adeus.
Eu sou o Rui Pedro Antunes, sou editor de política do Observador e comigo tenho o Miguel Viterbo Dias, que é repórter parlamentar, e as jornalistas da seção de política, Inês Andrea Figueiredo e Mariana Lima Cunha. Para começar a Vixi Suave ou como diria o líder da Iniciativa Liberal, hasta la vista. Baby.
Foi a dois tempos.
A primeira Vixi Suave começa assim.
Com a palavra baby. Mas ia dizer o quê? O hasta la vista foi Boris Johnson quando se demitiu, já inspirado no Terminator, no Exterminador Implacável, na versão portuguesa, e não percebi. Eu até pensei que ele tivesse se confundido com o hasta siempre, qualquer coisa para a eventual nova toada de esquerda que vem aí, ao novo impulso da esquerda com Pedro Nuno Santos. Mas deixando conversa fiada, sopa cor-de-rosa, por quê, Mariana?
Numa semana destas, uma sopinha de beterraba.
Deixa só fazer aqui mais um pequeno reparo, que é o Miguel Santos Caraputoso pôs a balada da despedida de Coimbra, que eu devia ter metido quando está aqui.
O Miguel Viterbo Dias, pois.
O Miguel Viterbo Dias.
Eu estava na dúvida até se o Miguel Santos Caraputoso estava entre nós e não estava a ver.
Exatamente. Que é uma música que faz a transição de um para outro, porque foi no ano em que eu me despedi de Coimbra, o Miguel entrou e é uma música que diz muito a os dois. E que normalmente nós somos como dia e noite, quando um está na Vixi Suave, o outro não está. E estamos percebidos.
O yin e o yang. Dizia eu, uma sopinha cor-de-rosa, obviamente, remete para o PS, para a luta interna no PS. E nós finalmente vamos começar uma discussão. Vou reformular. Talvez tenhamos condições para começar agora uma discussão mais de ideias, depende dos candidatos se querem fazê-la ou não, com a entrega das moções esta semana. E o que já dá para perceber, por um lado, de facto, José Luís Carneiro, quando disse que queria ser o herdeiro do costismo, ele tem falado muitas vezes na continuidade desta governação, que é isso que o move. Fala das contas certas, fez um discurso muito semelhante ao que fazem António Costa e Fernando Medina, por exemplo, agora no fecho do orçamento. E a moção comprova isso. A palavra continuar é repetida dezenas de vezes em variadíssimas áreas. Há um capítulo dedicado ao legado sem precedentes, é assim que Carneiro lhe chama, de António Costa, e que faz uma espécie de relatório e contas de toda a governação de António Costa, área por área, tudo o que António Costa fez de bom. E portanto, o que José Luís Carneiro se dedica aqui é, no fundo, a aprofundar algumas das coisas que António Costa fez, por exemplo, essas questões que foram muito simbólicas nesta segunda parte ou terceira parte da governação de António Costa, dos acordos de rendimentos, dos acordos na concertação social e também para aumento de funcionários públicos. Carneiro pega nessas ideias e diz que quer aprofundá-las e cria também uma ideia de uma criação de pactos e de compromissos e, no fundo, de diálogo, que é a maneira como ele se quer apresentar. É um candidato do diálogo, da moderação, que consegue falar com a sociedade civil e com os outros partidos, à esquerda e à direita, como ele aqui reforça nesta moção, não se limitando a falar da esquerda e dos parceiros do tempo da geringonça do PS, para apresentar soluções para as áreas que têm claramente mais falhas da governação de António Costa, neste caso, por exemplo, tanto a saúde como a habitação têm os seus pactos prometidos, também quer avançar com uma reforma para a justiça e tem aqui algumas prioridades para futuro E depois temos o lado de Pedro Nuno Santos.
Ia acrescentar só. Estava à espera do timing ideal para dizer que como os autoproclamados estados de qualquer coisa, José Luís Carneiro é um autoproclamado herdeiro do costismo.
Sim, exatamente. Ele autoproclamou-se e agora escreveu a sua declaração.
Era só para te fazer esta ponte agora para Pedro Nuno Santos.
Muito bem, é ótimo contar com o teu apoio.
Sendo que segundo o princípio de António Costa, que conseguiria dialogar com o regime, fez dois acordos com Rui Rio que não deram praticamente em nada.
Era fundos europeus.
E regionalização. Aqueles dois fundos europeus-
Centralização na altura, mas sim.
Enfim, Rui, também parece que não sabes que existiu uma pandemia, depois uma guerra, depois uma inflação.
Outra guerra. Mas o próprio PSD se mostrou muito desiludido depois com os resultados dos acordos com o PS. Mas pronto, Carneiro anuncia-se como um conversador nato e promete que vai conversar. Pelo lado de Pedro Nuno Santos, a moção abre logo com a primeira referência elogiosa ao legado de António Costa, tem a ver com a geringonça. Ele abre a moção assim.
Fica este senhor fez-me melhor, a geringonça.
Não é que não fale, e ao longo do documento há várias referências, obviamente, à governação de António Costa. Aliás, isto são dois ministros de António Costa, convém não esquecer. Não há propriamente nenhum que esteja, se falarmos de Daniel Adrião, sim, aí temos uma rutura. No caso destes dois, há desvios, há uma evolução de pensamento. Há aqui alguns pontos em que Pedro Nuno Santos diverge mais especificamente de José Luís Carneiro. Um deles nós já todos conhecemos, são os acordos para governabilidade, em que de facto se vira muito mais para a esquerda, não se põe numa posição aqui distante como José Luís Carneiro se coloca. O outro diria que provavelmente é a questão da redução da dívida, que José Luís Carneiro coloca como muito central na sua moção. E Pedro Nuno Santos, não discordando disso, discorda do ritmo, como ele já tinha explicado, diz que é preciso aplicar mais dinheiro no investimento e nas condições de vida do país, não tanto para a redução da dívida ou tão rapidamente. E a partir daí, vai para os tópicos que eu já tinha explorado como comentador na SIC, das questões da progressão da carreira dos funcionários públicos, especificamente dos professores, por exemplo. E portanto, aí vemos já algumas diferenças que começam a desenhar aqui os caminhos de dois socialistas, mas com caminhos um bocadinho mais distantes.
E o que ia dizer relativamente a isso é que ele na questão ideológica fala numa social-democracia moderna. Não se percebe muito bem o que é isto, mas é a tal tentativa de moderação, porque ele não é a terceira via, é muito mais Corbyn do que Blair. Mas é um tipo de socialismo que não é um socialismo que corta todo com o comunismo, porque não corta, nem com a sua esquerda, mas apresenta-se como social-democracia moderna. O Pedro Nunismo pode vir-
Eu acho que é capaz de ter um rebranding. Chamemos-lhe assim.
Pode ser a quarta via.
Assim como o governo faz rebranding na marca, também Pedro Nuno Santos tem direito a fazê-la.
Mas pronto, santos da casa não fazem milagres. Ouvi a piada ao Fernando Medina sobre o Paul Krugman a dizer: "Não foi os santos que intervêm para o milagre."
Sabes que eu tive um lapso, expliquem-me como quiserem. Nessa altura estava a fazer live logo aqui no Observador e escrevi Santos com maiúscula. Enquanto estava a citar Fernando Medina. Depois corrigi.
E portanto, santos não é milagre, para explicar a quem nos está a ouvir, obviamente que o Fernando Medina referia-se ao termo milagre como sendo algo que tem uma inspiração divina, mas santos também serve para Pedro Nuno Santos, que é o adversário adormecido de Fernando Medina e é o adversário direto de José Luís Carneiro, que é apoiado por Fernando Medina. Eu ia agora mudar de sopa, Mariana, porque tu explicaste tão bem cada moção que eu sinto-me confortável para avançar para uma sopa nova.
Muito grata.
E vou avançar para a sopa de grão com todos, porque grão e grão enche a galinha ao pé.
Ou deputado enche a direita ao Parlamento. Era isso que o Rui queria dizer.
Eu acho que a IL meteu o grão chamado PSD na borda do prato, mas vocês é que se quiserem continuar com os gritos.
Os comiadores da AD.
Vamos ver se não precisam também do PAN e o PAN faz como na Madeira e temos um vegetariano.
O Partido Popular Monárquico já foi esta semana a Belém por causa dos Açores, portanto isto-
Pode voltar.
Isto para ir arranjadinho tudo se faz.
Sopa de grão com todos, Inês.
Bem, então à direita parece que se continua a discutir essa coligação que obviamente não tem condições para sair da teoria e a razão é simples, era aquilo que falávamos, que é o facto da IL ter, que era um dos protagonistas, digamos assim, apontado para este acordo pré-eleitoral, já ter dito não de todas as formas e feitios. E estranho, já que falámos da Madeira, era que se armassem Miguel Albuquerque agora viessem arranjar uma desculpa qualquer para mudar de ideias. Apesar desta ideia de uma recriação de uma Nova Aliança Democrática ter à partida caído por terra com esse não dos liberais, sobra ainda o CDS, que quer, contudo, voltar ao Parlamento. Mas essa união, pelo menos como foi pensada pelos saudosos da AD, não fica completa se tiver apenas o PSD e o CDS, principalmente quando à direita o Chega já foi colocado de parte. Aliás, o próprio Paulo Rangel dizia ao Observador que esta união até só fazia sentido se fosse baseada nesse espírito da AD e disse que era preciso ir buscar pessoas à sociedade civil, aos independentes, até a pessoas que tivessem colaborado com o PS. Mas a verdade é que o PSD ainda não colocou nada de parte. Os dirigentes sociais-democratas nesse congresso fizeram questão de dizer que este era um tema para ser debatido depois da reunião magna e o CDS mantém-se crente que esta é a melhor opção para o país. Nuno Melo deixou aquela ideia do não vou andar a pedinchar, mas também pelo que tem dito, acredito que esta-
Não vou, mas vou.
Exatamente.
Quero muito, mas também não vou dizer que quero.
Quero muito, mas eles é que têm que dizer.
Ainda assim, só concluir aqui para deixar um pormenor.
É como a prenda num sapatinho, num sapatinho de vela, não é? Num sapato de CDS.
Só concluindo para dizer que há vários dirigentes do PSD que apontaram o dedo à Iniciativa Liberal por causa desta atitude e que responsabilizaram o partido pelo não à coligação. Atacaram os liberais até pelas questões de não ter ido a votos com Carlos Moedas, também pelos Açores, que voltou agora a ser tema pelo fato do orçamento ter sido chumbado. E aí ele desvalorizou, chamou comentários infelizes, mas desvalorizou. E tem piada perceber que o PSD, logo dois dias depois, estava no Orçamento do Estado a estender a mão aos liberais em pleno debate do orçamento e a dizer: "Não se preocupem, nós até concordamos com aquilo que vocês estão a apresentar, por isso estamos em sintonia." O PSD sabe que sem o Chega, uma alternativa à direita é muito difícil em termos de contabilização de deputados, pelo que sabe que a Iniciativa Liberal vai ser fundamental à partida e é impossível sonhar com uma ideia de alternativa à direita sem a Iniciativa Liberal. Por isso acho que vai ser muito assim a campanha, ir dando sinais de que a relação é boa, mas que ao mesmo tempo o PSD tem de lutar por esse voto útil para derrotar o PS ou para dar uma alternativa mais forte à direita.
Eu reparo que Pedro Nuno Santos também embirrra-se com os liberais. Silêncio de Costa a bater.
Esse é um sax box de Pedro Nuno Santos.
É a piñata favorita de todos. António Costa adorava.
Depois de Assunção Cristas, foram os liberais a quem António Costa se dedicou mais. Mas eu temo que na próxima Assembleia da República todos se queiram sentar ao centro, porque a Iniciativa Liberal já queria. Pedro Nuno Santos agora está mais ao centro. André Ventura está numa tentativa de moderação. Qualquer dia estão todos sentados na faixa central e as franjas ficam de cadeiras vazias.
Estão todos muito preocupados com o extremismo na política e com a polarização. Está resolvido. Todos têm que estar todos sentados.
Cria-se ali um peão, como nos estádios de futebol à antiga. Sobre isso das coligações, eu ia pegar neste ponto que a Inês estava a dizer da mão estendida, salve seja, entre Afonso Oliveira e João Cotrim Figueiredo nesse dia no Parlamento em que prometeram conversas para depois de 10 de março, e foi engraçado porque foi logo na ressaca do congresso e todas aquelas conversas de coligações onde muitos dirigentes parecia que estavam chateados com a Iniciativa Liberal. E depois ali rapidamente João Cotrim Figueiredo e Afonso Oliveira disseram: "Não, mas não há problema nenhum, depois dia 10 de março logo conversaremos, nem vale a pena entrar por aí, vamos virar-nos para a verdadeira oposição ao projeto de direita." Ali tudo pareceu fácil. E depois a questão do CDS em que Nuno Melo acabou por tirar um bilhete de primeira classe quando contava ir no regional, que era eleições depois das europeias. Agora conseguiu entrar no Intercidades.
Parece o Rui Tavares querendo um passe ferroviário.
Todo o meu pensamento é construído à volta de passe nacional ferroviário. E já vou falar do casa conforto e clima. E como relatou o Miguel Santos Carrapatoso, a disponibilidade de antigas figuras do CDS de poderem estar dispostas a ir nas listas, como João Almeida terá dado conta nessa reunião, acaba por ser um bocadinho a sorte grande para Nuno Melo, que pode ir buscar esses quadros que lembram os últimos tempos áureos do CDS e permitir recuperar esse espaço no Parlamento. Veremos se o grão chega para encher o papo da galinha.
Vamos ver se sai a galinha dos ovos de ouro à direita. E vamos ter, na segunda parte deste programa, Assunção Cristas, que não fala há muito tempo sobre política, tirando umas breves declarações no Largo do Caldas e, portanto, está muita curiosidade para ouvirmos essa segunda parte. Antes disso, proponho só aqui uma pequena e rápida sopa seca. Mariana, falaste logo no início e agora estás há muito tempo sem falar.
Aqui venho eu.
Eu queria só discordar do nome, porque se isto for para falar de orçamento, eu espero que aumente o caudal, e não que seque.
Eu ouvi dizer que isto podia ter alguma coisa a ver com a emoção, ainda sem lágrimas, mas emoção na mesma, de António Costa no final do orçamento. António Costa fez aqui uma despedida, um dos momentos de despedida, pelo menos. E fez questão de falar à saída para dizer que deixa ao país e deixa ao próximo, ao senhor que se seguir, um legado que é a tranquilidade das contas sólidas e das contas certas e que isso deixa liberdade à próxima pessoa que liderar um governo. E de facto, acho que António Costa acabou por falar neste momento de saída daquilo que acaba por ser a sua grande reforma. Dado que toda a gente aponta a António Costa uma falta de reformas para o país, esta será para o país e também muito para o partido, para o PS, é a forma que António Costa encontrou nos últimos anos de desorientar o PSD em termos de discurso. E eu acho que o PSD tem passado estes últimos anos a tentar encontrar-se um bocadinho depois do choque que foi ver o PS a passar de um partido despesista até ao maior defensor das contas certas e da responsabilidade, e por aí fora. E portanto, António Costa deixa o legado de desorientar o PSD, que agora está a tentar encontrar uma narrativa nova para essas eleições, com propostas muito diferentes e que já têm muito a ver com a distribuição de rendimentos também, que era o caminho por onde o PS tinha ido até agora. E portanto, acaba por ser um legado político, que tem a ver com o país, obviamente, tem a ver com a credibilidade do país a nível externo, mas também tem a ver com tática política e aí os dois sucessores vão ter de ver como é que pegam neste legado, tentando, e aqui fazendo a ponte com o PSD, não cumprir um medo que o PS tinha, que era que as contas certas acabassem por levar àquela famosa frase de Luís Montenegro sobre as pessoas não estarem melhor, mas o país estar. O PS sempre teve medo de concretizar esse cenário e que as contas estivessem bem, mas as pessoas não o sentissem. Cabe agora aos dois candidatos mostrar que conseguem fazer esse equilíbrio entre as tais contas certas que eles dizem não querer abdicar e a distribuição de rendimentos e investimento no país, que Pedro Nuno diz querer apostar mais um bocadinho nisso. Carneiro é um bocadinho mais cauteloso, vamos ver.
E é com as contas certas do final.
Está feito.
Exatamente, está feito. E estamos já a seguir na segunda parte da Vista e Sucesso. Bem-vindos à segunda parte da VigiSuase. Conosco hoje temos Assunção Cristas, antiga ministra e também foi líder do CDS, numa semana em que o partido reuniu alguns dos ex-líderes para começar a lançar em força aquilo que será uma batalha eleitoral. Assunção Cristas, bem-vinda à VigiSuase.
Olá.
Foi ministra de um governo de coligação e fez campanha em 2015 em coligação pré-eleitoral. Concorda com o presidente do partido, Nuno Melo, quando defende que a melhor solução pode ser uma coligação pré-eleitoral com o PSD?
Antes de mais, muito obrigada pelo convite. É um gosto estar aqui convosco. Eu queria só dizer que nós estamos numa situação muito especial. Uma situação muito especial também para o CDS, mas mais importante que o CDS, especialíssima para o país, e onde as pessoas vão ser chamadas a decidir se querem continuar com uma governação à esquerda ou se querem passar para uma governação à direita, de uma direita moderada e responsável, sensata e experiente. E nesse contexto, eu acho que esse é um caminho possível. Enfim, isso melhor caberá aos líderes partidários em causa fazerem as conversas, que eventualmente há a fazer, com certeza. E acho que o mais importante é que as pessoas percebam o contributo que cada partido, de todo o espectro político, pode vir a dar e as consequências que daí decorrerão. Para o CDS, que obviamente tem experiência de Parlamento e de governo, e faz falta no Parlamento, e também certamente fará falta no governo, o mais importante é poder voltar a ter uma representação no Parlamento com as suas ideias e com as pessoas que tem, que são muitíssimo competentes. A maneira como isso vai acontecer, esse é um tema que só os atuais líderes poderão decidir.
Disse que era possível, podemos depreender pelas suas palavras que é também desejável, porque poderia favorecer e potenciar um maior número de mandatos entre o PSD e o CDS.
Isso não é novidade, no sentido em que o nosso sistema eleitoral favorece essa junção. E eu acho que este momento é um momento especialmente sensível para o país, onde todos os mandatos, todos os votos vão poder fazer a diferença. Agora, não é o único caminho. Acho que é importante haver mensagens claras e pessoas empenhadas que deem a cara por essas mensagens, e isso felizmente o CDS já demonstrou no passado e demonstra agora que tem, e está a fazer o seu caminho.
Percebe a hesitação do PSD, que parece ter até agora relativamente a uma solução deste género?
Não me compete estar a fazer comentários sobre aquilo que é a posição do PSD. Eu acho que certamente cada partido quer ter o melhor desempenho possível e oferecer uma solução alternativa para o país. Parece muito claro, como já aconteceu noutras eleições, que os temas se vão jogar fortemente em blocos. E aqui há que encontrar as soluções que melhor ajudam a favorecer uma governação. Obviamente que o Parlamento é muito importante, a representação no Parlamento é imprescindível e tem um papel muito relevante, como aliás nós temos visto, mas também é muito importante encontrar soluções que no Parlamento possam suportar os governos e portanto cada um terá de fazer a sua melhor reflexão.
Falando ainda aqui nesta possível solução, o que é que um partido que está tão enfraquecido neste momento como o CDS poderia oferecer aos seus parceiros? Que vantagens é que traz?
Olhe, o CDS em vez de oferecer aos parceiros, eu acho que o ponto é oferecer ao país. O que é que o CDS tem para oferecer ao país. E eu penso que tem aquilo pelo qual é reconhecido. Tem competência, tem pessoas de qualidade, experientes, competentes nas suas áreas profissionais e muitas delas experimentadas no Parlamento e na governação, e portanto, que são um valor seguro para um momento em que se procura uma efetiva alternativa a muitos anos de uma governação que não provou responder aos desafios do país.
E o facto de a Iniciativa Liberal, por exemplo, que se excluiu à partida logo de uma solução desse gênero que falávamos, não enfraquece uma possível coligação?
Sim, cada um tem que fazer as suas reflexões.
E não enfraquece agora a ideia de uma direita unida, não é?
Cada um tem que fazer suas reflexões e tirar também as consequências de decisões que já teve no passado. Por exemplo, veja-se o que aconteceu na Câmara de Lisboa. Podia-se ter uma governação, se calhar, mais reforçada e mais interessante. E tem e está a fazer um grande trabalho o atual executivo camarário, apesar de não ter conseguido ter o apoio maioritário, que talvez com uma frente mais alargada tivesse sido mais fácil de alcançar. Mas isso cada um terá de fazer as suas reflexões e depois também explicar as suas escolhas.
Mas entende que os liberais estão mais preocupados em conquistar lugares do que propriamente em afastar o PS do poder?
Eu acho que é natural que todos queiram afirmar posições. E eu acho que isso é uma coisa que é da natureza humana e da natureza dos partidos. Acho que este é o momento especialmente sensível para se pensar de forma bastante pragmática e olhando para aquilo que o país precisa e para aquilo que as pessoas querem, que é soluções claras e também a este nível. E, portanto, acho que isso deve ser um aspeto, eu diria, norteador e inspirador.
Acho que a direita tem de pensar num bem maior, em vez de nos interesses partidários.
Eu acho que neste momento era muito importante que o país pudesse definitivamente virar a página do socialismo. E isso é mais fácil conseguir quando há, com muita clareza, um projeto forte alternativo.
De forma clara, era a favor de uma coligação.
Não há uma única maneira de o alcançar. Agora é importante que as coisas sejam claras e que haja eficácia.
Assunção Cristas, mudou de vida. Estamos numa época de pré-campanha para as próximas eleições legislativas. Aceitaria integrar as listas do partido nessas eleições?
O CDS tem muitas pessoas boas, felizmente, muitas que já passaram pelo Parlamento e pelo governo, e outras que eu espero que ainda possam vir a passar. E portanto, não faria sentido agora, depois de estar afastada há dois anos e de ter voltado à minha vida profissional, académica e de advocacia, de estar muito empenhada nessas duas frentes, estar agora a voltar a outro momento. Eu sempre olhei para a política como um serviço e como algo em que se está ou não se está, mas quando se está, está-se de corpo inteiro e quando não se está, também não se está. Enfim, dá-se a ajuda possível, como tenho dado e continuarei a dar.
Mas cumpre esses dois critérios, passou pelo Parlamento e pelo governo.
E outros também passaram pelo Parlamento e pelo governo, mas eu tive 12 anos, talvez até um pouco mais, da minha vida dedicados à política, 10 deles praticamente em exclusividade, sem fazer outra coisa. E portanto, acho que agora há tempo para tudo. Este é o tempo para também fazer coisas muito importantes e muito desafiantes noutros domínios. E o CDS, felizmente, tem muitas pessoas de grande qualidade que estarão e que estão nesta linha da frente.
E isso mudava se fosse para um desafio de governo, por exemplo, se fosse convidada para voltar a um governo de direita, ponderava voltar?
Eu tenho neste momento muitos desafios na minha vida profissional e nada me afastará dela. Agora, darei toda a ajuda que puder ao CDS nesta fase pré-eleitoral para que tenha um grande resultado nas eleições.
Era líder do CDS quando Pedro Nuno Santos era secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. Considera o atual candidato à liderança do PS um radical?
Ele nessa altura seria, porventura, mais radical, também mais jovem do que aquilo que eventualmente é agora. Mas é de um perfil e de uma área do Partido Socialista muito à esquerda, como todos nós sabemos e como é público, e defensor de uma solução à esquerda que eu penso que só fez mal ao país. Fez mal ao país e com efeitos negativos no próprio espectro político-partidário. E, portanto, não creio que daí venham boas soluções para Portugal.
Seria mais fácil ter pactos de regime, falando do anterior arco da governação PSD/CDS/PS, caso o líder do PS fosse José Luís Carneiro?
Sobre isso não tenho a menor dúvida, até porque a solução ou a visão de Pedro Nuno Santos estará certamente muito à esquerda. Para ele, o regime ideal é com o Partido Comunista e com o Bloco de Esquerda.
E José Luís Carneiro vê nele mais esse sentido de responsabilidade e de Estado, é isso? Para conseguir acordos de regime, eventualmente.
Repare, José Luís Carneiro com certeza é de uma ala muito mais moderada do Partido Socialista. No entanto, vem na continuidade do atual primeiro-ministro, que foi quem inventou esta solução apoiada nas esquerdas mais radicais e, portanto, nessa medida, este Partido Socialista, de que José Luís Carneiro também se considera sucessor e tributário, foi o Partido Socialista que inventou a ligação à esquerda e portanto, diremos que um é mais radical do que outro, um é mais à esquerda do que outro. Certamente, isso é inegável. Na verdade, os dois partilharam da mesma solução.
Assunção Cristas, chegou a transformar o CDS mais num partido ao centro, um catch all party. Na altura, aliás, o CDS acreditava que a liderança de Rui Rio podia dar mais espaço ao CDS. Acabou por ser líder ainda antes de o Chega surgir como partido, mas sente alguma responsabilidade pelo crescimento do Chega? Nós costumávamos ouvir Paulo Portas a dizer que à sua direita só havia uma parede.
É verdade. Olhe, eu tenho comigo um momento muito clarificador e que eu não faria de maneira diferente, hoje ainda, e enfim, se calhar, isso terá de alguma maneira contribuído para dar visibilidade a alguém que na altura ainda não era do Chega, mas que depois se tornou, e foi nas autárquicas de 2017, quando o CDS rompeu uma coligação por causa de declarações com as quais nós não queríamos estar identificados e não poderíamos compactuar. E eu não mudei a minha opinião. Agora, que é claro que o país não sente neste momento que haja uma resposta, e isso radicalize também do lado da direita, isso acho que é compreensível. Qual é a solução? Eu tenho para mim que as soluções radicais à esquerda e à direita não são boas para um país que quer progredir, que quer ter igualdade de oportunidades, que quer ser inclusivo, aberto ao mundo, cosmopolita, e portanto, continuo a achar que não é nesses extremos que nós encontramos as boas soluções. Agora, que é natural que com oito anos de Partido Socialista e numa fase muito significativa, muito ligada à esquerda, isso tenha um reflexo das pessoas Se virarem para uma outra ponta do espectro partidário, isso acho que é muito natural. O que compete aos partidos não radicais e que, na verdade, são aqueles que ajudaram a construir soluções de governo e sociedades onde as pessoas viveram e vivem melhor e progridem, agora, claro, com desafios novos, é encontrar a maneira de explicarem que populismos, soluções aparentemente mágicas, bodes expiatórios que se inventam e sound bites não são a forma de se levar por diante um país que se quer próspero e progredido.
André Ventura é xenófobo e racista?
Não quero estar a qualificar ninguém. O que eu lhe posso dizer é que eu penso que um país como Portugal ganha com pessoas responsáveis, que sabem o que estão a dizer, que sabem as consequências do que dizem, que são sérias quando têm ideias e afirmações, e que estão disponíveis para as aplicar. Portanto, eu creio que essa é a preocupação dos partidos, certamente como o CDS.
Nesse sentido, essa direita responsável.
Que não resvalam para soluções que claramente são populistas, irrealistas e que podem servir para uma conversa de café. E eu compreendo isso. E atenção, não estou a desvalorizar de forma nenhuma as pessoas que andam descontentes. O que estou a dizer é que isso traz uma exigência acrescida nas respostas que têm de ser encontradas.
E a direita deve então recusar governar, se depender do Chega para aprovar um programa de governo e orçamentos?
Para mim, as coisas são muito simples. Quem ficar em primeiro lugar deve poder formar governo. Encontrará os apoios para o governo que forem os adequados e os que não forem adequados para o governo, eventualmente, terão de tomar as suas posições no Parlamento.
Ou seja, um apoio do Chega não é adequado, mas fica com o Chega esse ónus de escolher viabilizar ou não.
Com certeza, quem ficar no Parlamento escolhe quem é que quer viabilizar, se quer viabilizar à esquerda ou se quer viabilizar à direita.
No caso da direita, deve ser sem conversa alguma prévia, ou seja, expor o programa e depois o Chega decidiria o que fazer perante esse programa.
Eu acho que a preocupação dos partidos que querem fazer parte de uma solução de governo alternativo para Portugal, sério, sensato, com arrojo, com ambição, mas com soluções exequíveis, o foco deles é exatamente esse. O resto são conversas que só se têm depois, ou não se têm sequer, na minha opinião, para ser completamente clara. São conversas para depois, não é antes. Antes cada um tem que encontrar a sua proposta para oferecer aos portugueses. E quanto mais se empenhar nisso, acho eu, mais bem-sucedido será.
E se desta vez o CDS não conseguir eleger nenhum deputado outra vez, a sua sobrevivência está em risco? Isso significa que o eleitorado já não vê utilidade no CDS?
Eu estou convicta que o CDS vai eleger e vai regressar ao Parlamento, e espero que depois de 10 de março possamos todos concluir que vivemos um período muito triste, mas que foi um percalço no percurso do CDS. Aquilo que eu sinto e que oiço, agora fora do mundo da política, ouço, de facto, uma grande vontade de que o CDS possa voltar ao Parlamento, porque o CDS faz falta ao Parlamento. O Parlamento não ficou melhor sem o CDS, ficou pior sem o CDS. E uma voz credível, competente, moderada, sensata, mas também com ambição para o país, eu penso que faz muita falta ao Parlamento e eu estou convicta de que o CDS voltará.
O primeiro-ministro António Costa fez bem em demitir-se?
Não quero estar a comentar essas decisões, que obviamente são decisões muito difíceis e muito particulares. Agora, o que eu posso dizer é que oito anos de governação socialista já são demais e, portanto, é uma pena que não tenha acabado há quatro anos ou que não tenha acabado há seis anos.
Mas ainda no seguimento da demissão de António Costa, é legítima a pressão que os dirigentes do PS estão a fazer ao Ministério Público?
Olhe, há muitos temas para tratar neste país e certamente o tema da justiça é um deles. Aquilo que me parece que nós vamos ter que em algum momento tratar de forma muito significativa é conseguir garantir que não há nenhuma dúvida sobre a independência e a isenção da justiça, mas também sobre a sua eficácia.
Mas entende esta pressão que está a ser feita?
Acho que não deve haver nenhuma pressão, nem sobre o Ministério Público, nem sobre o poder judicial. Obviamente que nenhuma pressão é admissível. Aquilo que a política tem de se preocupar em fazer é garantir que a independência existe, mas também garantir que a eficácia existe, e neste momento não há eficácia, infelizmente. Não vamos aqui estar a escrapulizar os casos que ainda estão por resolver, mas são muitos, e não nos dizem bem enquanto país.
Com todo este caso, casos e casinhos e a demissão no governo em um dos momentos mais difíceis da história do PS, entende-se que um partido como o PSD, que devia ser a alternativa, não tenha ainda descolado das sondagens? Eu sei que o CDS tem um problema crónico com sondagens, mas neste caso é mesmo o PSD que não descola.
Vamos ver o que é que acontece daqui até às eleições. Eu acho que é muito importante que os partidos todos possam trazer as suas propostas, as suas pessoas e a sua visão sobre a governação. Acho que é importante que isso seja feito num clima, obviamente, que é sempre combativo, mas que seja tranquilo, no sentido em que, de facto, debatem-se ideias, perfil de pessoas, capacidades, competências e não outras coisas, e que haja uma clareza quanto ao que se vai fazer a seguir às eleições, obviamente, lendo os resultados das eleições. E essa leitura é uma leitura que só pode ser feita no dia seguinte. Mas há muitas coisas que devem ser esclarecidas e quanto mais os partidos forem claros nas suas intenções, melhor e mais ajudam à decisão dos votos. É que há certamente muitos votos por decidir daqui até ao dia 10 de março e este é o tempo de chegar às pessoas e procurar clarificar todas as dúvidas para que mais pessoas possam se expressar e decidir se expressar o seu voto.
Não é um problema de liderança do PSD? Há aqui sondagens a dizer que Pedro Passos Coelho teria mais votos e trabalhou com ele diretamente no governo. Não há aqui um problema de liderança?
Repare, os tempos são os tempos que são. Eu fiz parte, com muito gosto, de um governo de Pedro Passos Coelho, que foi um governo muito duro, muito difícil, e onde pudemos contar com um país mobilizado e, apesar de todas as dificuldades, solidário nesse tempo difícil ao qual nos tinha trazido o Partido Socialista. E obviamente que esta ideia de que houve um governo num tempo muito difícil, que foi extraordinariamente competente e eficaz, é uma ideia que paira. Mas isso não quer dizer que outros não possam ser igualmente competentes e eficazes. E, portanto, este é o tempo que nós estamos a viver com outros protagonistas. Já lá vão muitos anos. O que é importante é que quem agora está possa mostrar aquilo ao que vem, juntar-se e rodear-se das melhores pessoas, trazer as melhores ideias. E no caso do CDS, é isso que nós estamos a fazer, é isso que o Nuno Melo está a fazer, com a ajuda de todos. E esta semana eu tive a oportunidade de estar no Largo do Caldas na quarta-feira. Não consegui estar na segunda-feira, mas estive na quarta e foi com grande alegria que vi muitas caras, muitas pessoas boas, com vontade, com experiência, com conhecimento, e a ajudarem na construção de um programa que eu espero que ajude a trazer força para o CDS e força para a direita.
E de facto está muito unido. E outra pessoa que esteve nessas reuniões. A última pergunta, antes de irmos à fase do cardápio, que é só mais um minutinho de perguntas, que é: Paulo Portas tem sido apontado nas sondagens das presidenciais como um dos potenciais candidatos à direita. Se isso um dia acontecesse, ele teria o seu apoio?
Com certeza que teria. Acho que teríamos muita sorte enquanto país, se pudéssemos ter ou se pudermos vir a ter, contar com Paulo Portas na presidência.
Muito bem. Assunção Cristas, vamos agora avançar para uma fase da Vixi Suave que é o cardápio, em que tem que escolher uma de duas opções. Vamos ver se não fica com fome. Estamos a soltar a trilha de tensão para isso mesmo. Preferia ser ministra num governo liderado por Francisco Rodrigues dos Santos ou André Ventura? Sei que é difícil para si escolher esta.
Não tenho nenhum projeto de governo.
Para quem é que cozinhava um arroz de atum? Pedro Nuno Santos ou José Luís Carneiro?
A José Luís Carneiro, com certeza.
Quem levaria numa peregrinação a Fátima? Luís Montenegro ou Pedro Passos Coelho?
Na verdade, eu não sei se algum deles é crente, mas levava os dois. Isso as portas estão sempre abertas para andar em conjunto.
E a partir de março de 2026, quem é que preferia deixar de ouvir ao domingo à noite na televisão? Luís Marques Mendes ou Paulo Portas?
A partir de março de...?
2026.
É a data da posse do novo presidente, do futuro presidente.
Sim, já percebi.
Já respondeu em parte.
Eu tenho que ter as contas ao calendário.
Deve ser um calendário que está sempre a mudar.
Não, estão a ver? É que as minhas intervenções hoje em dia são tão distantes que até esqueço as datas de cor. Obviamente que gostava de poder ver Paulo Portas em Belém. Se isso implicasse não poder continuar com o comentário, pois assim seria.
Tinha que ver então Marques Mendes ao domingo. Assunção Cristas, só mesmo para terminar a nossa sobremesa, a música que nos trouxe, por que escolheu "A Gente Vai Continuar" de Jorge Palma?
Porque é uma música muito popular em minha casa, na minha família. Nós gostamos muito de viajar, gostamos muito de quilómetros. E esta ideia de que há um caminho que é uma vida que nós procuramos que seja alegre e feliz e que há de continuar por caminhos sempre diferentes, mas sempre com rumo em conjunto e muito alegre, é isso que nos anima. E portanto, enquanto houver chá de trazán, nós vamos estar sempre a continuar em caminhos sempre muito diferentes, mas muito estimulantes.
Muito bem, essa música começa precisamente com o "tira a mão do queixo, não penses mais nisso." A Assunção Cristas ainda não pensa neste momento voltar à política, mas ficam aqui as suas considerações também sobre este momento. Obrigadíssima.
Obrigada eu.
Obrigado. Assim termina a Vixi Suave. Regressamos, como sempre, na próxima sexta-feira.
Tira a mão do queixo, não penses mais nisso. O que lá vai já deu, o que tinha a dar. Quem ganhou, ganhou e usou-se disso. Quem perdeu há-de ter mais escadas para dar. E enquanto alguns fazem figura, outros chocam bem à batota. Chega aonde tu quiseres, mas goza bem a tua rota. Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar. Todos nós pagamos por tudo o que usamos. O sistema é vil e não poupa ninguém, não. Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades, se queres passar bem. Que a dependência é uma besta, que dá cabo do desejo. E a liberdade é uma maluca, que sabe quanto vale um beijo. Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.