Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, bem-vindos à Vixi Suave. O meu nome é Miguel Santos Carrapatoso, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Tenho ao meu lado uma das vozes mais doces da telefonia portuguesa, o Miguel Viterbo Dias, e as igualmente açucaradas, a Rita Tavares e a Mariana Lima Cunha. É este trio de experimentadoras implacáveis que me vai ajudar a abrir a caixa de uma semana recheada de surpresas. Henrique Gouveia e Melo a submergir, André Ventura a afundar e António José Seguro a mostrar que até consegue jogar a Batalha Naval.
Quer debater com o Partido Socialista, eu dou-lhe o número de telefone do doutor José Luís Carneiro e o senhor deputado debate com ele.
É uma impressão que eu tinha e continuo a ter para proteger Luís Marques Mendes. Acho que isso, em termos políticos, é óbvio.
O poder não me sobe à cabeça.
Não estou a dizer que só quer fazer um mandato, mas admito fazer um mandato. Depende da análise. Desculpa, e qual é a minha relação com a maçonaria? Que eu ainda não percebi.
E não esperem de mim para participar em intrigas.
Qual é a ligação que quer estabelecer com a maçonaria, que eu ainda não percebi? Estou a perguntar.
O senhor deputado está na eleição errada, porque verdadeiramente o senhor devia estar era nas eleições legislativas.
Estou na eleição errada, imagina a sua. Se eu estou à sua frente e estou na eleição errada...
Para discutir tudo isto e muito mais, venha daí a refeição mais deliciosa da política portuguesa. Miguel Viterbo Dias, começo naturalmente por ti, para saber como é que estão os teus níveis de açúcar no sangue hoje.
Olha, graças à política nacional, estão sempre bem, Miguel.
Estás, portanto-
Obrigado pela pergunta
...num ponto ótimo.
Hoje em dia é mais correto xarope de acero, não é?
Desculpe?
Ou agave.
Desculpem?
Ou agave.
O Miguel não está familiarizado.
Não estou.
O açúcar refinado tem aquilo, não é bom.
Pois, é o refinado.
Não é nada contigo.
O importante é estares bem, Miguel.
É verdade.
Que é isso que nós queremos. Mas tenho uma sopa fria para te servir, uma sopa saudável, atenção, para te servir, para falar sobre as sondagens presidenciais, naturalmente. Tem um dado novo, Henrique Gouveia e Melo a descer, a perder até na comparação direta numa eventual segunda volta, algo que acontece pela primeira vez. Luís Marques Mendes a surgir como o preferido nas intenções de voto. Como é que avalias esta sondagem? É apenas uma e é preciso ser lida com cautela, mas é uma sondagem relevante.
Como diria o doutor Marques Mendes: "O poder não me vai subir à cabeça com esta sondagem." Ainda há outro pormenor, para além desses que já citaste, Miguel, que é o crescimento de João Cotrim Figueiredo também nestes últimos números e que o colocam na piscina dos grandes, o que acaba por dar um bocadinho razão à forma muito enfática como João Cotrim Figueiredo tem vindo a garantir nas últimas semanas que vai estar na segunda volta. Ele tem sido muito enfático a dizer que vai estar e agora há dados que o podem fazer sonhar com isso.
Isso é o manifesting. Não sei se conheces o conceito.
Não conheço.
É no Facebook.
Mariana, estás proibida de introduzir conceitos em inglês no programa.
Ok, em português era a lei da atração. Havia um livro muito famoso sobre isso, que é tu pensares muito até conseguires o teu objetivo. Se fizeres muitas vezes.
Deve ser um qualquer conceito refinado também.
Estás a fazer mansplaining.
Não comecem. Mas que permita a João Cotrim Figueiredo sonhar com um desempenho nesta campanha superior àquilo que era esperado quando arrancou, garantidamente. Quanto aos dois primeiros lugares, há essa curiosidade, porque Henrique Gouveia e Melo regista estes números de passar para segundo lugar, embora ali muito perto de Marques Mendes, numa fase em que estão a arrancar os debates presidenciais. E por isso há ainda também essa curiosidade sobre a forma como é que Henrique Gouveia e Melo vai se desempenhar nos debates, que são a fase em que, do ponto de vista mediático, continuam a mexer muita gente, muitos eleitores, são muito vistos e por isso vão ainda ditar uma parte importante daquilo que será depois o tom da campanha que arranca só lá para o próximo ano.
Mariana Lima Cunha, tu vais para a estrada acompanhar a campanha de Luís Marques Mendes, pelo menos se te mantiveres saudável até lá, e esperamos todos que isso aconteça. Esta sondagem galvaniza Luís Marques Mendes?
Eu acho que Luís Marques Mendes, pelo menos pode contar com... Nós normalmente antes de eleições contamos com tendências, sobretudo. E ele, embora ainda com poucos dados, já pode dizer que já começa a ter uma esperança de se tornar um bocadinho favorito. Até agora era muito óbvio que Gouveia e Melo era o favorito e todos os outros estavam a lutar pelo lugar na segunda volta.
A questão aqui, a responsabilidade foi minha. Acontece de vez em quando. A pergunta não era bem esta.
E fica-te bem, Miguel.
Se esta sondagem não surge-
Isso é accountability.
Muito bem. Se esta sondagem não surge demasiado cedo para Luís Marques Mendes.
Não sei se surge demasiado cedo. Eu acho que até favorece um bocadinho a dinâmica da campanha Luís Marques Mendes, mas acho que mais importante, se calhar, até do que a sondagem, será Luís Marques Mendes aparecer, por exemplo, nos debates e lá está, ele partia para esta fase sendo sempre uma pessoa que a conversa sobre ele era se chegava ou não à segunda volta, se podia ou não ser ultrapassado por figuras como António José Seguro ou até André Ventura. E ele quando chega ao debate, ele fez o primeiro debate com António Filipe, acho que chegou com uma postura acertada, no sentido em que Quando estamos a falar de presidenciais, é uma eleição unipessoal em que conta muito o perfil da pessoa que estamos a avaliar. Portanto, conta muito a postura e há candidatos que naturalmente, como se candidataram, eu diria quase única e exclusivamente para marcar terreno para legislativas futuras, para não deixar os partidos desaparecerem, para não perderem esse tempo de antena, etc, se focam muito em temas que seriam naturais para umas legislativas. E Luís Marques Mendes, eu acho que o que conseguiu foi, sobretudo, passar a tal ideia de que tem uma postura que é o que se associa a um presidente da República, ou seja, uma postura mais senatorial, mais moderada. Eu acho que ele quis sempre mostrar algum conhecimento das funções de presidente, quase que se pôs num patamar, naquele caso, acima de António Filipe, no sentido em que António Filipe era um candidato que falou muito do PCP, falou muito do próprio partido, colou-se muito às ideias do próprio partido e Luís Marques Mendes tentou pôr-se quase num patamar um bocadinho acima, como se estivesse a ver de cima os candidatos que estão a tentar marcar terreno, como se ele estivesse, de facto, na pista presidencial.
Mas isto, como no futebol, o calendário também ajuda, porque este primeiro debate de Marques Mendes é bom para começar a aquecer.
Sim, foi bom para aquecer.
Como se fazia debates há muitos anos.
Sim, aliás, eu acho que ele entra muito com aquela postura de comentador e só sai quando António Filipe começa a chamar-lhe o candidato do PSD e ele vê que tem de ir um bocadinho mais a jogo e que não chega estar só a simpatizar com António Filipe.
Tu, como insubordinada que és por natureza, passaste para a segunda sopa. Nós íamos falar dos debates, precisamente, e portanto tu quiseste antecipar-te, enfim, como é teu apanágio. Rita Tavares, já agora, aproveito para não ficares atrás da tua colega. Sirvo-te ambas as sopas, que tens direito. Sopa fria e sopa morna. Sopa fria, neste caso, as sondagens presidenciais. António José Seguro estabilizou, não desceu, estabilizou, o que podem ser boas ou más notícias, mas sopa morna porque teve, apesar de tudo, um bom desempenho contra André Ventura, o mais temível dos adversários neste tipo de formato.
Esta sondagem ainda é anterior ao início dos debates.
Exatamente.
Isso também é importante, porque os debates vão ser decisivos na determinação disto, sobretudo com candidatos tão empatados como as sondagens vão mostrando até agora. Mas eu começo pela sondagem, que é anterior ao debate, em que António José Seguro, de facto, estabiliza, mas dá ali um cheirinho para cima e fica à frente de André Ventura e ele imediatamente fez disso cartazes. Nas redes sociais começou a divulgar, mas houve um que divulgou que é curioso, porque divulgou um cartaz em que diz: "Seguro vence Gouveia e Melo", depois está em mais pequenininho "na segunda volta". A questão de António José Seguro vai ser esta: é passar à segunda volta ou não?
E superar as expectativas que existiam sobre ele.
Bem importante vai estar a atirar os foguetes sobre ganhar a Gouveia e Melo à segunda volta, nós não sabemos neste momento se algum dos dois passará à segunda volta, sendo que ele está em piores condições do que Gouveia e Melo. E para isto, ele tem estado a fazer uma estratégia muito controlada do ponto de vista de tentar cativar o centro, mas isso está a deixar a esquerda desguarnecida. E isso pode ser um risco nesta altura, porque a esquerda, mesmo que esteja na mó de baixo neste momento no país, valeu nas últimas legislativas. São dois milhões de votos que estiveram por ali. Esse peso é um peso importante para um candidato da esquerda. E António José Seguro é um candidato que foi ex-líder do Partido Socialista e que para passar à segunda volta vai ter de também colher alguns frutos aí no centro-esquerda e há pessoas no centro-esquerda que continuam com dúvidas sobre esta candidatura. No caso de António José Seguro, ele até mostrou nesta última semana que isto já o começa a preocupar, porque fez uma correção àquele discurso de não se querer pôr em gavetas e de quase negar o socialismo, que era uma coisa impossível para um ex-líder do PS, mas entretanto já veio corrigir dizendo que, afinal, quer uma esquerda moderna e moderada. Moderna é perigoso, porque era a esquerda de José Sócrates, mas pronto.
Mas deu bom resultado. José Sócrates deu bom resultado.
Deu, maioria absoluta nessa altura, é verdade.
E se olharmos para as sondagens, de facto percebemos que Henrique Gouveia e Melo está onde entra melhor é no eleitorado socialista, precisamente.
Sim, exatamente.
Para ti, e falando agora nos debates em concreto, será esse o momento decisivo de António José Seguro superar Henrique Gouveia e Melo?
Acho que esse debate, esse frente a frente, vai ser muito importante. Acho que ele entrou aqui com um debate que era um debate arriscado, que foi o confronto com André Ventura. É um combate arriscado, porque está sempre em avaliação outra coisa, que é mais do que qualquer conteúdo, a estratégia e se vai resistir àquela catadupa de acusações que vêm sempre do outro lado e num tom a que Seguro, eu não quero dizer que não está habituado, porque não vou usar esse tipo de paternalismo, mas nos últimos 10 anos ele não esteve no espaço político e foi nesse período que surgiu André Ventura. Portanto, é um elemento novo para António José Seguro. António José Seguro nunca esteve frente a frente com alguém com as características de André Ventura. E o que aconteceu nesse debate é que a expectativa, que se calhar não era elevada, valeu a Seguro, porque Seguro conseguiu controlar o touro, vamos dizer assim, naquela arena, conseguiu controlar de alguma maneira aquela narrativa que vinha do outro lado.
Agradeço a referência.
Pode ajudar. E de facto, aquilo que aconteceu no debate foi essa expectativa que se calhar se tinha relativamente a Seguro poder não conseguir controlar os ataques de André Ventura ou o debate até descambar. Foi positivo o sinal que ele deu desse ponto de vista e houve aquela ideia de que ganhou o debate e esse é um bom cartão de visita, mas lá está, há debates que vão ser muito mais decisivos para António José Seguro. Este é apenas um cartão de apresentação. Resta saber o que vai ser frente a outros como o almirante e Luís Marques Mendes também.
Mariana Almacuna, agora sim, Luís Marques Mendes.
Outra vez? Eu ainda bem que ia falar dos debates.
E vais falar, juro que vais falar. O que acontece com Luís Marques Mendes também, olhando para as sondagens, é que de facto há ali um apelo do eleitorado à D por Henrique Gouveia e Melo, mas também por João Cotrim Figueiredo. Portanto, são esses os debates mais decisivos para Luís Marques Mendes?
Sim, eu diria que sim. Gouveia e Melo era aquela ameaça que ele já vinha antecipando há muito tempo, como é evidente, até porque era o favorito desde o início. Portanto, Luís Marques Mendes foi preparando todo o seu argumentário contra Gouveia e Melo, ou seja, toda a questão da experiência contra o aventureirismo. Depois até o desqualificou um pouco na corrida, dizendo que ele quando abre a boca diz disparates e que fica preocupado. No fundo, dando sempre uma ideia de que o almirante é uma espécie de perigo iminente, nem tanto pelo que pensa, mas pelo desconhecimento que tem das funções.
Da inexperiência.
E da importância que têm as funções e Marques Mendes é batidíssimo nas mais variadas funções políticas, para o bem e para o mal. Para o mal, no sentido da percepção que os políticos têm nesta altura. Eu acho que a ameaça, entre aspas, que ele não preparou tão bem foi o flanco liberal, a parte em que João Cotrim Figueiredo, de facto, pode chegar ao seu eleitorado, e é muito fácil o eleitorado que seria tradicionalmente AD ser transferido para o campo Luís Marques Mendes. Acho que é uma coisa que ele tem que começar a corrigir a partir de agora. Será muito importante no debate contra João Cotrim Figueiredo deixar claro que não está a alienar o eleitorado liberal, que não o desqualifica, que não começa a carregar demasiado na Iniciativa Liberal ser radical nem nada do género, ser só mais uma vez uma questão de aceitar as ideias, mas dizer que são ideias boas para outro plano, que é o plano legislativo, e o que quer ser é um presidente que vos vai ter em conta e que também vos vai incluir.
Miguel Vitero Dias, agora passo para ti a sopa morna e a sopa laranja para que fales não só da sondagem das legislativas que dá AD com um conforto evidente em relação ao Chega e ao Partido Socialista, mas que fales também na questão de Luís Marques Mendes, porque apesar da onda favorável ao PSD, no caso, Luís Marques Mendes tem tido alguma dificuldade em captar todo esse eleitorado. Como é algo que neste momento estás muito habituado a fazer, por vicissitudes várias, Luís Marques Mendes tem que dar ao pedal. Todos têm que dar ao pedal, Miguel, nesta altura do campeonato. Mas Luís Marques Mendes tem dado ao pedal para tentar conquistar todas essas fatias e tem conseguido vender essa imagem suprapartidária que, por exemplo, ainda no debate com António Filipe, ele tentava vincar, António Filipe dizia: "Eu sou tão candidato de fação como Marques Mendes." Mas o certo é que a visão lá fora, no país real, é que Luís Marques Mendes tem conseguido um pouco mais alargar essa base do que propriamente estes candidatos, que são os partidos a tentar marcar posição. Na ligação entre as duas coisas, a sondagem das legislativas e Marques Mendes, falta saber em que ponto o governo vai chegar na fase mais dura da campanha, que será no início de janeiro, porque há, por exemplo, problemas graves com a saúde, que não são novidade, mas que nesta fase de inverno se podem agudizar e podem chegar a janeiro numa situação ainda pior e isso poderá ter tendência para prejudicar, naturalmente, Luís Marques Mendes.
E a questão laboral também.
E a questão laboral, sim, a procissão ainda vai, como é que se diz?
No adro.
Ainda vai no adro. Até levar os cestos à vindima.
Para um homem tão conservador como tu, não saber esse ditado, vai lá, vai.
E tudo isso ainda pode pesar, sobretudo em janeiro, porque para já estes dados desta sondagem mais recente, fazendo fé que dizem respeito, por exemplo, às questões que o PSD tem tentado secar o Chega, poderá mostrar que a estratégia correu bem. Agora falta os problemas que o país está a passar e que para já, pelo menos, não parecem estar ventilados nessa sondagem.
E ainda há uma coisa que pode ser um presente de Natal, e estou a citar, que é a conclusão da averiguação preventiva sobre Luís Montenegro. Veremos o que fará a PGR. A primeira parte da "Vixi Suave" fica por aqui. Voltamos dentro de momentos com a entrevista a Rui Rio.