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Ora, bem-vindos à segunda parte da Vixi e Suas. Conosco hoje temos o líder da Juventude Social-Democrata, que foi eleito há pouco tempo, João Pedro Luís. É já uma tradição, costumamos ter aqui os líderes das duas maiores juventudes partidárias. Também tivemos a Sofia Pereira e tínhamos tido o antecessor, João Pedro Louro, e antes disso também o Alexandre Poço. Bem-vindo, João Pedro Luís. A JSD teve sempre na sua história a defesa dos alunos e do aluno em particular, que na verdade, independentemente de quem é culpa, foram os principais prejudicados com os erros nos exames. O ministro tem condições para continuar depois disto tudo que aconteceu?

Em primeiro lugar, muito obrigado pelo convite para estar aqui convosco neste vosso programa. E como disse, e bem, a JSD tem na sua história um grande património na defesa dos estudantes e dos alunos em Portugal. Efetivamente, se gerou a percepção de que poderiam ser prejudicados, e essa tem sido a grande prioridade da JSD ao longo do acompanhamento que tem feito deste processo. Isto é, aquilo que para nós é relevante é que se garanta que nenhum aluno será prejudicado neste processo. Mas vejamos, não vale a pena fugir do incontrolável. O que aconteceu foi grave e não deve ser, de forma nenhuma, desvalorizado. Mas aquilo que creio que é hoje mais importante, além das responsabilidades que já foram assumidas, recordo-se que o Ministro da Educação pediu desculpa aos alunos e às famílias, assumiu a responsabilidade pelo sucedido, mas creio que o mais importante foi a capacidade, que hoje conseguimos ver, de resolver o problema. Surgiu um problema em virtude de uma reforma, de uma mudança, que tem mais valias para os estudantes e para os alunos. Viradas, deixe-me só dizer que nós podermos ter a avaliação a não ser feita por um professor na prova integral, mas sim cada professor poder classificar itens em específico, torna a avaliação mais justa e mais equitativa. Os alunos poderem aceder à sua prova de forma digital e essa classificação torna a avaliação mais transparente. Agora, o que me parece mais importante ressalvar neste momento é que, efetivamente, hoje nós estamos em condições de poder acreditar, e é nisso que eu acredito, que nenhum aluno será prejudicado pelos erros na classificação, nem pelas desconformidades que ocorreram na digitalização das provas através da época especial.

E por isso o ministro tem todas as condições para continuar se os problemas não se repetirem noutra época de exames, por exemplo, na segunda fase. Como a situação foi resolvida, está bem assim e o ministro pode continuar.

Eu creio que os problemas estão resolvidos. Nós vamos agora entrar na segunda fase. Vamos ter uma época especial que garante que nenhum aluno será prejudicado e, portanto, para todos os alunos que não tiveram condições de acesso à informação em tempo útil para decidir se deveriam ir à segunda fase, poderão ir à época especial, que contará como segunda fase. E, portanto, naturalmente, creio que o ministro tem condições para continuar, desde que se garanta aquilo que nós temos como público, que é que nenhum aluno será prejudicado.

Recebeu queixas de membros da JSD que estivessem a fazer os exames nacionais? Os militantes da JSD estão nessa idade também, há muitos. Recebeu alguma queixa interna? Chegaram à direção da JSD alguma queixa?

Naturalmente que a JSD tem, nos seus 21 militantes, muitos alunos que estão a passar por este processo e como a generalidade dos alunos que foram encarados com esta circunstância, isso gerou preocupação e apreensão, porque o que aconteceu foi grave. Agora, aquilo que creio que os salvaguarda hoje e os descansa hoje, a esses alunos em particular, como aos outros todos, é a garantia em que hoje podemos acreditar, e é nisso que eu confio, que nenhum aluno será prejudicado e que esta época especial garante que efetivamente o pior já passou e podemos prosseguir.

O porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, disse: "Não vou falar em sabotagem, mas ao dizer isto, acabou por referir esta possibilidade. Houve ou não sabotagem por parte dos professores ou de outras estruturas pelas quais o processo passou?

Eu não creio que tenha havido sabotagem. Eu creio que efetivamente nós estamos perante uma reforma, que é de saudar. Agora, naturalmente, as mudanças têm sempre custo e têm sempre resistências naturais. Não acredito que tenha havido sabotagem.

Não lhe passa pela cabeça que alguma estrutura, poderão não ter sido os professores em específico, possam ter contribuído para este mal-estar?

Eu creio que quer os professores portugueses, quer os estudantes portugueses, quer as famílias, quer a tutela, estiveram todos empenhados para resolver a circunstância o melhor possível. Agora, é normal que numa mudança, numa reforma, numa transformação, numa digitalização como aquela que aconteceu e continua a ocorrer, haja, como há sempre, resistências naturais à mudança.

Há outro ministro que também tem estado debaixo de fogo, não sei se vai ser tão otimista relativamente a Luís Neves. Considera que já foram dadas todas as explicações necessárias?

Sobre o ministro da Administração Interna, eu creio que, em democracia, quando se suscitam dúvidas sobre os titulares dos cargos públicos, há um dever de prestar esclarecimentos, mas a esse dever de prestar esclarecimentos, também existe um direito a prestar esses mesmos esclarecimentos. E eu creio que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, já deu nota pública de que dará todos os esclarecimentos e eu creio que tem, naturalmente, de os dar.

Mas o que fez até agora deixa-o descansado? As poucas palavras que proferiu durante todo este processo, que já vão alguns dias de notícias.

Vejamos, o ministro Luís Neves disse que vai continuar a prestar os esclarecimentos. E eu acho que ele tem de os prestar e que os deve prestar, que há um dever de esclarecimento, que também é o direito do senhor ministro poder esclarecer, mas que efetivamente há esclarecimentos que têm de ser dados e estou descansado na medida em que o próprio já deu nota pública que prestará esses esclarecimentos. E acho que o resto da avaliação tem, naturalmente, de ficar para quando esses esclarecimentos ocorrerem por parte do ministro Luís Neves.

E tendo em conta o contexto atual e estas últimas semanas complicadas, o governo tem condições para ir até 2029 ou deve preparar-se para umas eleições antecipadas?

Eu creio que a legislatura, que está prevista durar até 2029, tem todas as condições de ir até ao fim. Vejamos, só não irá até ao fim se efetivamente, por parte dos partidos da oposição, o partido Chega e o Partido Socialista, houver um desejo de derrubar ou de não permitir que a governação prossiga. Nós tivemos eleições em 2024 E o que os portugueses disseram em 2024 é que queriam uma mudança segura. E em 2025, o que os portugueses disseram, e com maior vigor, porque os resultados foram bem mais expressivos entre o primeiro classificado e o segundo, e o terceiro, naturalmente, foi que queriam que o primeiro-ministro Luís Montenegro e que o governo da AD pudesse continuar a trabalhar. Acho que aquilo que o governo tem de continuar a fazer para justificar que a legislatura vá até o fim, é cumprir aquela que eu acho que é a legítima ambição e a legítima expectativa dos portugueses, que é que o governo mude o país.

Ficou aliviado por ouvir André Ventura dizer que este não é o momento ideal para uma moção de censura?

Eu creio que este não era o momento para nenhuma moção de censura. Essa avaliação faz o doutor André Ventura, faz o doutor José Luís Carneiro. Agora, eu acho que ninguém tem dúvidas que os portugueses não querem eleições. E efetivamente acho que os partidos da oposição conseguem também compreender que hoje em Portugal ninguém quer eleições e julgo até que ninguém compreenderia que houvesse eleições antecipadas. O país não pode andar de eleição em eleição todos os anos, porque em 2025 o resultado foi muito claro. Pode ter havido algum equilíbrio, e houve, entre quem era a segunda força política, entre quem era o líder da oposição. Um partido teve mais votos ou teve mais mandatos na Assembleia da República. Mas entre quem os portugueses queriam para liderar a governação e para ser primeiro-ministro de Portugal, não houve dúvida nenhuma. Creio é que é importante que sejam dadas condições para que o governo da AD, liderado por Luís Montenegro, possa executar o seu programa de governo de transformação, que foi isso que as pessoas quiseram.

E nessas condições, há um documento estratégico, que é o Orçamento de Estado, e o líder do PS disse hoje numa entrevista que uma das condições que coloca para aprovar o orçamento, ou uma das prioridades que ele define nessa negociação com o governo, tem a ver com impedir que haja uma revisão constitucional só com o PSD e o Chega. O PSD deve ceder nessa exigência e incluir o PS em qualquer projeto de revisão constitucional? É desejável que inclua o PS?

Eu creio que seria importante é que o Partido Socialista não confundisse o Orçamento de Estado com a revisão constitucional. Mas sobre a revisão constitucional, vejamos, hoje há uma coisa que nós sabemos: não é possível fazer uma revisão constitucional sem o Partido Social-Democrata. Portanto, o Partido Social-Democrata já manifestou por diversas vezes a sua abertura ao diálogo e à conversa com todas as outras forças políticas com assento parlamentar, que tenham vontade de poder revisitar a lei fundamental do nosso país. E para fazermos uma revisão constitucional e para alcançar os dois terços, há várias conjugações possíveis, umas que incluem o Partido Socialista e uma outra que não inclui o Partido Socialista. Mas essa possibilidade não foi dada por Deus Nosso Senhor, e eu sou católico. Essa possibilidade foi dada pelo voto dos portugueses. Foram os portugueses que pela primeira vez permitiram que a Assembleia da República, através do voto que deram ao Partido Socialista, e o resultado francamente negativo que teve, que pudesse ocorrer uma revisão constitucional sem o Partido Socialista. E portanto, sobre isso, com muita clareza, eu acho que é desejável que o PSD converse com todas as forças políticas, com o PS, com o Chega, com o Iniciativa Liberal, no âmbito da revisão constitucional, respeitando o nosso espírito e o nosso pensamento constitucional e que tem uma grande tradição. Recorde-se que foi o PSD que fez as grandes revisões constitucionais deste país. Mas acho que não deve haver dramas. E quanto a mim, com muita clareza, não há drama nenhum. O PS não é nem dono do regime, nem dono da Constituição e, portanto, na minha ótica, não há drama nenhum se haver uma revisão constitucional sem o Partido Socialista.

A escolha de um porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, que é uma inovação, nos últimos anos não existia, creio que desde o Marco António Costa. Para falarem em nome do partido, agrada a um líder de uma estrutura juvenil que seja um jovem nesse papel?

Agrada, naturalmente. Aliás, a recriação da figura do porta-voz é uma opção estratégica da liderança e direção do partido, que acho que tem a sua atualidade neste momento em que o PSD assume a governação do país. Em relação à escolha ser de um jovem, para quem é líder da JSD, não podia não saudar naturalmente essa iniciativa.

E esse jovem em particular.

E esse jovem em particular. Recordo, Sebastião Bugalho não é muitante da JSD, nunca foi muitante da JSD, não fez o percurso normal de muitos dos dirigentes da JSD e depois do PSD, mas acho que isso também revela a capacidade que o PSD continua a ter de ir buscar os melhores lá fora, de ir à sociedade civil e conseguir ir buscar aqueles que são os melhores, e acho que o Sebastião Bugalho é um dos melhores.

E eu, por acaso, ia remeter para essa pergunta, sem me querer meter nas guerras internas. O Alexandre Poço, que é ex-líder da JSD, fez esse percurso, já era vice-presidente, teria feito mais sentido ser ele o porta-voz em vez de ser o Sebastião?

Essa pergunta tem que ser colocada a quem escolheu o porta-voz, que foi o presidente do partido, o Luís Montenegro. Não tenho dúvidas que o Alexandre Poço, que foi o líder da JSD, que é vice-presidente do partido, que é vice-presidente do grupo parlamentar, faria o mesmo papel.

O Miguel Morgado diz que o Sebastião não podia acumular Bruxelas com o porta-voz. Isso resolveria ser o Alexandre?

O Alexandre Poço está a fazer o seu papel, e creio eu bem, quer na direção do partido, quer na direção do grupo parlamentar, quer como deputado na Assembleia da República. O Sebastião Bugalho é eurodeputado e acumula agora essas funções com ser vice-presidente porta-voz. Acho que não há nenhuma incompatibilidade, nem de agenda, nem política, em que o porta-voz do PSD seja um vice-presidente que é eurodeputado e que foi candidato nas últimas eleições europeias.

Foi cabeça de lista em 2021 e não conseguiu ser eleito. Sei que teve melhor resultado do que quatro anos antes, mas em 2024 a JSD não conseguiu fazer valer a sua força, até o líder, o João Pedro Lourenço, e o João Pedro Luís também foi afetado por isso, que fosse a um lugar elegível. Agora ficou a 667 votos de eleger em Portalegre, porque se tivesse ganho, o Castro Almeida iria para o governo e, portanto, o João Pedro seria deputado. Não enfraquece a JSD não estar no Parlamento? O líder não estar.

A pergunta tem várias dimensões, mas eu creio que o presidente da JSD não estar no Parlamento, vejamos, nós já tivemos a esmagadora maioria dos líderes da JSD que começaram já os seus mandatos como deputado da Assembleia da República, e houve outros que não começaram os seus mandatos no Parlamento, como é o caso, aliás, do meu antecessor, o João Pedro Lourenço. Agora, a ação política da JSD não se esgota na Assembleia da República E, portanto, não ter o líder no Parlamento não é um problema. Aliás, repare, a JSD tem muitos deputados com quem o presidente da JSD e a Direção Nacional da JSD vai colaborar e vai estar em estreita articulação. Um dos vice-presidentes da JSD é deputado à Assembleia da República e, portanto, acho que a JSD continua a conseguir assegurar a sua força no seio da Assembleia da República e o grupo parlamentar do PSD tem hoje oito deputados, portanto, isso não é uma preocupação para o presidente da JSD. E o presidente da JSD estará focado em coordenar a ação política da J, que não se esgota, naturalmente, na sua representação parlamentar. Em relação ao que sucedeu em 21, em 24 e em 25, efetivamente, o círculo eleitoral de Portalegre é aquele que elege menos deputados por sábado, o único que só elege dois, tirando os círculos da imigração, onde o PSD e a AD têm tido muitas dificuldades ao longo dos anos. Portanto, são vicissitudes que ocorreram. Em 21 fiquei a 200 votos, em 25 ficámos a 600. São coisas que há na vida, a vida continua.

Ainda é visto como um menino do Rio e se há alguma desconfiança da atual direção por em 2021 ter sido convidado por então líder.

Eu creio que essa pergunta será melhor colocada a alguém da atual direção, mas efetivamente eu creio que não, recordo. Eu fui cabeça de lista do PSD na altura, naturalmente.

E depois foi logo mandatário.

E depois fui mandatário nacional do Luís Montenegro. Portanto, acho que uma coisa e outra não são incompatíveis. Eu fui cabeça de lista do meu partido no meu distrito em 2021 e depois apoiei o Luís Montenegro nas eleições internas seguintes.

Como é que um jovem que defende a natalidade, aliás, na moção até propõe alargar a Creche Feliz para até aos cinco anos, olhou para uma ministra do Trabalho depois de toda a polémica com a amamentação e o facto de ter dito que o alargamento da licença parental para os 180 dias não é sustentável?

Repare, a natalidade é uma grande prioridade para a JSD. Nós tivemos recentemente um relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos que nos dá nota que efetivamente Portugal está a enfrentar uma crise ainda mais grave do que aquilo que nós imaginávamos e, portanto, acho que quem tem responsabilidades políticas e públicas não pode olhar para aquilo que está a acontecer e ficar de braços cruzados. Efetivamente, é preciso fazer uma aposta muito firme na natalidade e isso só se faz efetivamente com incentivos reais, efetivos e fortes, porque nós não pretendemos, naturalmente, obrigar ninguém a ter filhos.

Portanto, a ministra está errada.

O que nós precisamos é de poder criar condições para que a natalidade desejada seja uma realidade, para que ter filhos não seja um sonho e possa ser uma concretização pessoal para quem o desejar. Em relação a estas declarações em particular da senhora Ministra do Trabalho, creio que foram infelizes.

Na moção que o elegeu, defendia penas mais pesadas para crimes sexuais. Não tememos estar a entrar aqui um bocadinho na agenda do Chega?

De todo. Aliás, acho que muito mal está este país se só o Chega falar desse assunto. Mas recordo que entre o que o Chega defende ou defendeu inicialmente e o que a JSD defende, há uma longa distância. O Chega começou por defender castrações químicas, entretanto, tem vindo a moderar a sua posição. A JSD e a moção seis global que apresentei ao Congresso, aquilo que efetivamente diz é muito claro. Aliás, foi isso que levámos ao Congresso da JSD, foi isso que levámos como moção ao Congresso do partido que ocorreu o mês passado. Nós temos hoje em Portugal, segundo os dados do Relatório Anual de Segurança Interna de 2025, uma violação a cada 15 horas. Nós temos 12 violações por semana em Portugal e creio que é pouco relevante entrarmos na discussão sobre se o que está a aumentar são as violações do ponto de vista efetivo ou são as denúncias, porque de qualquer das formas, nós temos no mínimo, pelo menos, uma violação a cada 15 horas. E eu pergunto se esta é uma chaga social, se este é ou não é um flagelo que merece um combate firme e efetivo. E eu creio que esse combate firme e efetivo tem, naturalmente, uma componente de prevenção e sensibilização, mas eu creio que essa componente não é suficiente. Muito diretamente, não é. E, portanto, isto não vai lá só com conversa. É preciso, efetivamente, que o Estado esteja onde tem de estar, que é ao lado das vítimas. E efetivamente, nós temos notícias todos os dias de casos cada vez mais sórdidos em Portugal sobre violações e abusos sexuais. E eu creio que o Estado tem de ter uma resposta.

A justiça tem sido leve.

Tem sido leve, manifestamente leve. Veja-se os diversos casos que nós hoje conhecemos de violações que acabam sempre com penas suspensas. E, portanto, nós precisamos efetivamente poder garantir, e foi isso que nós levámos na moção ao Congresso do partido, que há penas efetivas para quem comete crimes sexuais. Portanto, é preciso revisitar, sim, a moldura penal e garantir que o Estado passa uma mensagem, eu creio que é isso que tem faltado, que é tolerância zero, que não é não, e que em Portugal, quem cometer uma violação não vai passar impune.

Outro dos assuntos que tem afetado os jovens em Portugal é a questão da habitação. O governo tem feito o suficiente?

Vejamos, o governo da AD iniciou uma trajetória que é preciso ressalvar e que o presidente da JSD, creio eu, e a JSD como um todo, deve saudar, de iniciar um caminho de recuperação para que fosse possível para o jovem em Portugal conseguir adquirir habitação própria. E, portanto, permita-me que recorde dois números. Desde agosto de 2024, a isenção de IMT e do imposto de selo já abrangeu mais de 67 mil jovens. A garantia pública, só em 2025, cobriu mais de 25 mil contratos. Agora, naturalmente, na habitação, mas não só na habitação, a postura da JSD tem de ser de elogiar o que deve ser elogiado. Este governo tem dado uma grande centralidade Às políticas de juventude e aos jovens portugueses. É uma aposta política, muitas vezes criticada, aliás, a propósito, o IRS Jovem, como sabem. Efetivamente, na JSD nós saudamos essa aposta política que tem sido feita a dar uma grande prioridade às novas gerações. Garantir que quem quer ter futuro em Portugal tem condições para ter. A nossa postura com o Governo é naturalmente sempre de ambição e de exigência, e na habitação também é preciso continuar este caminho. Acho que é importante ressalvar que nestes dois anos se começou a inverter uma trajetória.

A JSD no tempo de Pedro Passos Coelho, por exemplo, era mais progressista do que o partido-mãe, do que o PSD. Noutros tempos, com uma liderança de Hugo Soares, até podemos considerar que era um pouco mais conservador relativamente ao próprio partido. A JSD de hoje é mais conservadora ou mais progressista, ou, se preferir, está mais à esquerda ou à direita do partido?

Eu entendo a leitura de que no tempo de Pedro Passos Coelho como líder da JSD, a JSD era percecionada como estando à esquerda ou é mais progressista do que o partido e com outros líderes pode se ter tido a leitura inversa. Eu creio que essa questão, honestamente, não se coloca. Eu não sinto que hoje a JSD esteja mais à direita ou mais à esquerda, ou seja, mais conservadora em relação ao PSD. Acho que tema a tema, caso a caso, assunto a assunto, naturalmente, a JSD terá em alguns casos posições coincidentes com as do PSD e noutros casos posições divergentes. E não tenho dúvida nenhuma que nas posições que assumiremos nos próximos anos, em divergência com o partido, algumas delas serão percepcionadas como sendo mais à esquerda e mais progressistas e outras como sendo mais à direita e mais conservadoras.

Deixe-me tentar aqui uma aparentemente mais progressista. A JSD sempre esteve à frente do partido, por exemplo, na interrupção voluntária da gravidez ao longo dos anos. O PS quis aumentar para 12 semanas o período em que é possível fazê-la e o bloco para 14. Atualmente está nas 10. Há alguma reflexão interna na JSD sobre isto? A lei está bem como está?

O que lhe posso dizer muito diretamente sobre a questão da revisão da lei do aborto é que na JSD, aliás, como no PSD, diga-se, mas na JSD, que é a estrutura que eu lidero, há naturalmente diversidade e pluralidade de opiniões em matérias como essa. E, portanto, eu não lhe posso dizer em abono da verdade, qual é a posição da JSD como um todo, até porque essa posição não existe. O que lhe posso dar, até porque não é segredo para ninguém, é a posição do atual presidente da JSD, porque aliás, foi com um artigo de opinião, justamente no Observador, que aquando dessa discussão do alargamento do prazo, assumi a minha posição muito tempo antes até de ser candidato a líder. E eu não tenho nenhum problema em assumir que eu sou frontalmente contra o alargamento do prazo. Eu não entendo que haja nenhuma razão palpável, objetiva, para que se vá revisitar uma lei que hoje está consensualizada na sociedade portuguesa e não creio que haja nenhuma necessidade de alargar o prazo das 10 para as 12 semanas, quando aquilo que os números nos revelam é que a esmagadora maioria das interrupções voluntárias das gravidezes no nosso país ocorrem às sete semanas. Portanto, não acho que haja necessidade nenhuma de alargar o prazo.

Já estava na JSD nessa altura, que eu lembro-me bem, e as JSD promoveram uma consulta interna sobre a legalização do consumo do cannabis a partir dos 21 anos, creio que foi no tempo da Margarida Balseiro Lopes. Como é que votou nessa altura? Tem ideia?

Votei contra. Na altura, votei contra. Mas é um tema que desde essa altura, como disse, no tempo da Margarida Balseiro Lopes como presidente da JSD, já passaram uns anos, é um tema que a JSD poderá revisitar naturalmente, mas sobre o qual a dia de hoje não tem nenhuma posição oficial da JSD.

E já fumou ou não?

Nunca. Tabaco diariamente, só.

E se tivesse que escolher um político do PS que gostasse de ter nos quadros do PSD, quem é que seria? Se quiser ir para um jovem, também pode ser.

Eduardo Cordeiro.

O secretário-geral do PSD nas últimas eleições norte-americanas disse que teria muitas dificuldades em escolher entre Donald Trump ou Kamala Harris. O João Pedro consegue escolher com um pouco mais de facilidade?

Entre Kamala Harris e Donald Trump, nessas eleições, sem dúvida nenhuma, Kamala Harris.

Não ficaria com as dúvidas de outros?

Não tenho nenhuma dúvida e não tenho problema em assumir que se a pergunta me fosse colocada na primeira eleição de Donald Trump, eu poderia ter mais dúvidas. Mas depois daquilo que ocorreu, quando Donald Trump não foi capaz de reconhecer o resultado eleitoral que o povo lhe tinha dado, que tinha sido uma derrota, creio que não há dúvida nenhuma para mim. Kamala Harris.

Só antes de avançarmos, uma pergunta aqui para o final. Já tem saudades de Marcelo Rebelo de Sousa?

Eu posso dizer, eu não tenho propriamente saudades de Marcelo Rebelo de Sousa como presidente da República, porque ainda outro dia tive a felicidade de poder ver um jogo da seleção nacional na companhia dele e poder voltar a estar de perto com uma personalidade ímpar da democracia portuguesa, como é o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Mas creio que o atual presidente da República está no início do mandato e tem deixado algumas mensagens que eu considero que são muito positivas sobre a importância da estabilidade para que se possa transformar o país.

Vamos agora passar à fase do carne ao peixe, vamos soltar a trilha. João Pedro Luís, quem é que gostaria que estivesse como orador na próxima universidade de verão do PSD, na qual vai ter um papel importante, que é líder da JSD, Passos Coelho ou Rui Rio?

Rui Rio.

Preferia ser ministro da Juventude de um governo liderado por Sebastião Bugalho ou por Alexandre Poço?

Essa é a pergunta mais difícil, vocês vão ter que me deixar passar. Estamos a falar entre dois vice-presidentes do PSD, dois amigos meus, e eu creio que efetivamente essa circunstância não se colocará em alternativa.

Se fosse para dar uma aula sobre como liderar uma estrutura juvenil, convidaria Hugo Soares ou Pedro Duarte? Os dois líderes da JSD.

Pedro Duarte.

E para terminar, quem é que convidaria para ir beber um copo ao Lust, Fernando Alexandre ou Luís Neves?

Fernando Alexandre.

E agora, mesmo para terminar, respondeu a três em quatro, não é mau.

Foi bom, 75%.

O que era mais importante foi que não respondeu. Passamos agora para a sobremesa, que é a música que nos trouxe e eu queria que me dissesse qual é e o porquê dessa escolha.

Eu trouxe como sobremesa "Perdidamente", em homenagem a Luís Represas, que ontem nos deixou e foi um dos grandes da música portuguesa.

Obrigado, João Pedro. O Ficheiro Suave regressa, como sempre, e pela última vez antes das férias de agosto, na próxima semana.

Muito obrigado.

Obrigado.

Ser poeta é ser mais alto. É ser maior do que os homens. Morder como quem beija. É ser mendigo e dar como quem seja. Rei do reino de aquém e de além do. É ter de mil desejos o esplendor. E não saber sequer que se deseja. É ter cá dentro um astro que flameja. É ter garras e asas de condor. É ter fome, é ter sede de infinito. Por élmo as manhãs de ouro e de cetim. É condensar o mundo num só grito. E é amar-te, sim, perdidamente. E é seres alma e sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. E é amar-te, sim, perdidamente. E é seres alma e sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. Ser poeta é ser mais alto. É ser maior do que os homens. Morder como quem beija. É ser mendigo e dar como quem seja. Rei do reino de aquém e de além do. É ter de mil desejos o esplendor. E não saber sequer que se deseja. É ter cá dentro um astro que flameja. É ter garras e asas de condor. E é amar-te, sim, perdidamente. É seres alma e sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. E é amar-te, sim, perdidamente. E é seres alma e sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. E é amar-te, sim, perdidamente. E é seres alma e sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. E é amar-te, sim, perdidamente. E é seres alma e sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente.