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Olá, bem-vindos à Vichiçoise. Se o Galamba lhe ligou sobre o SIS, prima um. Se foi contratado por uma junta de freguesia tuti-fruti, prima dois. Se quiser voltar ao Parlamento como arguido num caso de corrupção, prima três. Se não autorizar esta gravação, pode sempre estar a ser escutado pela PJ.
Perante o aumento do custo de vida, tomámos muitas decisões. Acho que é muito importante que todos possamos contribuir para a tranquilidade. Há tempo para tudo. As respostas que são importantes para o país são como é que resolvemos os problemas das pessoas. Nós temos que concentrar no essencial. Penso que o momento é de responder àquilo que são as necessidades do país. Sobre essa matéria, já foi respondido. Queria agradecer mais uma vez e muito obrigado pelas questões. Muito obrigado.
Quebrou-se esta confiança para que o deputado em causa possa expressar a vontade política do grupo parlamentar do PSD.
Se há coisa de que hoje a política em Portugal precisa é justamente de um banho de ética.
Decidimos solicitar ao Conselho de Jurisdição Nacional a abertura de uma sindicância sobre o processo de escolha dos candidatos.
Banho de ética.
Não nos vamos distrair com exercícios egoístas e egocêntricos de alguns ou com a intriga e a maledicência de algumas fontes jornalísticas cada vez menos anônimas.
Banho de ética.
Vou pôr aqui um pouco de gel de banho de ética. Eu sou o Rui Pedro Antunes e estou de política do Observador e comigo tenho o Diogo Teixeira Pereira da Rádio Observador e as jornalistas da secção de política Rita Tavares e Inês André Figueiredo. Vai começar a Vichiçoise. Isto aqui um banho de ética em março ainda é melhor.
E numa altura em que já cheira a sardinha assada, convém sempre tomar um banho de ética.
Para explicarmos-
Só nessa altura, Diogo.
Tu não me deixaste fazer uma ligação forçada aos santos com o fato do nosso primeiro-ministro se chamar António Luís Santos Costa. Este mês é dos santos, também pode ser dele próprio. A primeira sopa que eu tinha aqui para propor é uma sopa misteriosa. Não sei se vocês me conseguem ajudar qual era aquela novela que aparecia uma personagem que dizia era a Tieta.
Mistério.
Mistério. E há aqui um grande mistério.
Deve ter sido na Tieta, porque a Tieta é tudo, essas grandes referências é dali.
O mistério da Mulher de Branco.
Acho que sim.
Da Mulher de Branco. Sopa misteriosa.
Não escapou-me essa.
A Perpétua. Acho que era a Perpétua, uma personagem que era a Perpétua. Mistério.
Nós devíamos fazer mais brainstormings.
O governo vai se perpetuar até 2026 ou não?
Mas acho que devíamos fazer mais brainstormings porque esta referência tinha ficado bem na intro. Mistério.
Sim, é mistério, é verdade.
Melhor do que aquele boing.
Os nossos ouvintes também já nem todos se lembram da Tieta. Sopa misteriosa, Rita Tavares. O mistério é este.
O mistério. Talvez isto que se passou esta semana. Mais um episódio e aquele mistério que António Costa classificou de mistério, portanto, estamos à vontade para usar a palavra, que é a chamada, a única chamada que não foi confirmada até agora e que é uma coisa que continua a não ser confirmada. Já toda a gente começa a questionar se a chamada aconteceu mesmo e se foi sobre aquele mesmo assunto e que se foi de António Mendonça Mendes que veio mesmo uma sugestão para ligar ao SIS, mesmo que essa sugestão não tenha sido importante para a tomada de decisão, segundo esta versão do governo agora que diz que a chefe de gabinete já tinha agido quando João Galamba chegou e lhe disse que lhe tinham sugerido para ligar ao SIS. Mas parece que está vindo mesmo, a julgar pelo que João Galamba disse na comissão de inquérito parlamentar, onde não pode faltar à verdade, que houve uma sugestão que veio do gabinete do primeiro-ministro e até agora há uma espécie de nuvem, uma névoa que está colocada sobre este assunto e que não interessa a absolutamente ninguém, diria eu, porque de fato não se fala de outra coisa e aqui a responsabilidade não é da comunicação social. É um tema importante se o ministro foi a uma comissão de inquérito mentir, na medida em que esse ministro foi segurado pelo primeiro-ministro ainda há um mês perante uma situação que o próprio presidente da República achou que era suficiente para o ministro sair e de repente, esse ministro pode ter mentido numa comissão parlamentar de inquérito. Ora, se prestou um falso testemunho na comissão, pode haver uma consequência penal até. Aí o caso muda um pouco de figura, já não é só uma questão política e a questão política já está completamente esmagada e João Galamba deixa de ter margem para estar aqui. Isto nem sequer é uma questão de se ou menos. E enquanto houver esta falta de esclarecimento, esta resposta, se aquele telefonema aconteceu e como é que aconteceu e em que moldes. Não basta dizer que o telefonema já não teve, nesta altura do campeonato, já não é suficiente dizer que o telefonema já não foi importante para a tomada de decisão do SIS. Porque Há a possibilidade do ministro ter mentido numa comissão parlamentar de inquérito. Não é a primeira vez que há esta sugestão sobre alguém mentir numa comissão parlamentar de inquérito. É, aliás, nas comissões parlamentares de inquérito, uma carta sempre atirada para cima da mesa pela oposição.
Mas eu ia dizer uma coisa, que naquelas alturas, não sei se era o Vítor Gaspar, o Teixeira dos Santos e a Maria Luís Albuquerque que foram acusados de mentir pela oposição. Eu acho é que desta vez, pelo estilo da oposição que existe, em particular, por exemplo, de André Ventura, sempre que há qualquer dado que possa ser matéria de investigação do Ministério Público, ele diz: "Senhor Presidente, anota aí."
Ou isso ou pede o telemóvel ao inquirido.
Ao inquirido, também. Portanto, não vão deixar passar isso.
É complicado e vai ser um dia importante a próxima terça-feira, porque António Mendonça Mendes vai ser ouvido na primeira comissão, não é na comissão parlamentar de inquérito, o que em termos de tempo e em termos de funcionamento, de perguntas e de respostas, também é um bocadinho diferente. Vamos ver se vai estar duas ou três horas, que é o que aquela audição há de durar, a dizer que o que é importante são os problemas do país e que os portugueses querem ouvir os problemas do país e que essa questão já está esclarecida. É um exercício que vai ser muito difícil, é uma ginástica que eu nem consigo imaginar que alguém consiga praticar durante três horas, mas vamos ver se é essa a linha de António Mendonça Mendes ou se finalmente vai haver uma resposta clara à pergunta. O que é engraçado aqui é que tudo isto já deixou de parte uma audição importante, que também vai acontecer nesse dia, até antes dessa, que é o regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento para esclarecer as questões mais de gestão, da privatização e da reprivatização da TAP na Comissão de Economia, que vai acontecer nesse dia de manhã. É a primeira vez, e isso aqui há uns meses era um assunto, o regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento. Ele vai regressar aí, depois vai regressar mesmo um mês depois para assumir o seu cargo de deputado. E aí já temos Pedro Nuno Santos no Parlamento e depois em setembro, no comentário semanal que há de fazer na SIC Notícias, que já foi também anunciado. E aí temos um novo elemento em palco. Mas aqui há uns meses era o elemento que toda a gente queria ver regressar.
Agora já nem nos lembramos bem o que ele vai lá fazer. Depois destas semanas todas.
Ninguém se lembra do que ele vai lá fazer, é isso.
Inês, tua sopa misteriosa. Eu acho que pode-se criar aqui as operadoras uma espécie de plano daqueles tipo extravagância. Um plano Galamba que é de minutos ilimitados e também pode haver um bom plano de dados, que é para os dados do SIS. Descarrega aqui o plano de reestruturação da TAP sem gastar qualquer tipo de dados.
Eu acho que o melhor não é o extravagância, é o WTF. Acho que é o que se enquadra melhor aqui neste caso.
Não vamos especificar o que é, mas é dados para Facebook, Instagram, Telegram, WhatsApp e planos de reestruturação da TAP, não se paga. É ilimitado.
Eu vou ensinar isso. A minha sopa misteriosa é exatamente para aquilo que tu estavas a referir. Para o caso de todas estas histórias e historinhas serem ouro sob azul para a oposição.
Ourinho sob azulinho. Tens que agora habituar-te ao diminutivo.
A forma como os partidinhos, não só à direitinha, perceberam que havia algo errado neste caso é flagrante. E a culpa aqui é única e simplesmente do governo e destes três protagonistas que não são capazes de esclarecer uma questão que é simples neste momento, que é: houve ou não houve chamada, o que é que foi dito? Neste momento, estamos só nesta pergunta. Esta falta de resposta, tanto de António Costa e o silêncio, diria, ensurdecedor de Mendonça Mendes, abriram uma brecha que não existia, porque na verdade ninguém estava à procura destas respostas. E tudo o que existe à volta da própria comissão de inquérito desapareceu e começou-se a apontar para esta chamada como se fosse, vou usar uma expressão aqui neste programa de comida, a última bolacha do pacote, porque na verdade, toda a gente quer saber qual é que é a resposta a isto. Ou seja, Mendonça Mendes, António Costa e João Galamba enrolaram-se de tal forma, principalmente o primeiro-ministro e o secretário de Estado adjunto, que deram um espaço infinito à oposição para levar este assunto até ao fim e dificilmente haverá uma forma de resolver isto sem arranjarem uma versão. João Galamba dizia que é difícil reconstruir a verdade. Não sei se há uma verdade para reconstruir nesta história ou não, mas de facto convém reconstruí-la e darem uma versão sobre estes factos.
Há quase um minuto que é debatida aquela noite. Diogo, tens alguma coisa a acrescentar a esta sopinha misteriosa?
Não, eu só tenho uma questão, que é: de facto, a Inês e a Rita estavam a dizer que é um bocadinho incompreensível como é que não há uma resposta e que já se começa a achar que o ministro pode ter mentido na comissão parlamentar de inquérito. A Inês estava a falar também de uma brecha que não existia e que foi aberta precisamente por este caso. E aquilo que me parece é que esta brecha foi aberta de propósito, porque o governo tinha enviado António Mendonça Mendes ao Congresso do PAN, não correu bem, e depois decidiu repetir e enviá-lo outra vez ao Congresso do Bloco de Esquerda. E a ideia que fica um bocadinho é que isto faz parte de uma estratégia qualquer que nós não estamos a conhecer ainda.
Sim, era muito fácil proteger.
Mandar outra pessoa, claro. Mas era impossível escondê-lo para sempre. Ia acontecer isso numa audição parlamentar.
Mas neste momento estava tudo a arder. Vai a dois congressos seguidos, foi completamente encostado à parede. Ou não, pode ser uma estratégia, como diz o Diogo. Não sei, depois do que aconteceu no PAN, até pode ter sido um percalço, mas depois do que aconteceu no PAN, mandá-lo outra vez ao Bloco de Esquerda, pareceu-me um bocado estranho.
Aqueles seis minutos foram maravilhosos.
Nos acampamentos da JDS, em vez de jogar à escondidas, podiam jogar ao Mendonça Mendes. Podia ser ele a esconder.
Teria aqueles cartões com a cara de Mendonça Mendes.
Vamos ver se alguém vai rebentar a bolha na terça-feira ou não. Vamos avançar na sopa. A sopa do dia seguinte Diogo, vou começar por ti. Tens alguma ideia de uma sopa do dia seguinte?
Temos aqui duas variáveis desta sopa, mas eu acho que podemos falar sobre aquilo que aconteceu em Espanha, que de facto pode ser, e acho que está a ser encarado por muitas pessoas no PSD, como um bom presságio para aquilo que pode acontecer no futuro. Porque de facto, não sei se para os espanhóis, se calhar para nós que acompanhamos menos atentamente a política espanhola, ou pelo menos não diariamente, acho que foi surpreendente aquele resultado eleitoral. E o Partido Socialista Português está a seguir uma estratégia muito parecida com o Partido Socialista Espanhol, que é de pôr a carne toda no assador, de avançar com muitos apoios para, no fundo, é aquilo que nós temos dito aqui várias vezes, estar em campanha eleitoral até às próximas eleições europeias. E a verdade é que correu mal ao PSOE em Espanha e as eleições legislativas até já vão ser antecipadas. Acho que isto dá um novo fôlego ao PSD. Acho que o PSD deve olhar para aquilo que aconteceu em Espanha, embora o momento espanhol não seja exatamente igual ao momento português. As eleições que nós vamos ter são europeias, que são mais difíceis de fazer a análise que se faz nas autárquicas, por exemplo, mas acho que é bom para o PSD e o Partido Socialista tem que começar também a perceber se esta estratégia de campanha eleitoral permanente faz sentido ou não.
E nos últimos anos tem sido interessante, porque em Espanha e em Portugal tem havido um paralelismo de mudança de ciclos. Já tínhamos estado a olhar para isto esta semana, mas quando entra Zapatero, depois do Partido Popular ter estado anos, desde 96, no poder, em 2004 muda para o PSOE e em Portugal, meses depois, muda também para o PS. Depois há o Rajoy em 2011, que muda para o PP em Espanha e cá em Portugal tinha acabado de mudar também para Pedro Passos Coelho e para o CDS. E depois Pedro Sánchez, que é em 2018, já é depois da-
Da geringonça, demorou mais tempo a chegar lá
...demorou mais tempo. Aqui até foram eles antes de nós, mas a verdade é que há aqui um paralelismo quando há uma mudança, por exemplo, pelo menos nos últimos anos para trás, nem sequer foi assim, mas nos últimos anos tem havido este paralelismo, que é quando há mudança de ciclo político lá, acaba por acontecer cá ou vice-versa.
E a fragmentação também parece que é menor, o que é curioso também. O bipartidarismo, que supostamente iria desaparecer, continua e em força.
Inês, os teus igrejos, a Vox. A Vox é um exemplo ou não?
Sim, ia recordar aqui a questão do texto que o Miguel Santos Carrapato assinou esta semana no Observador, exatamente por causa das eleições e o facto de poderem servir de laboratório ao PSD. Ou seja, a ideia de que se se concretizasse uma aliança pós-eleitoral entre PP e Vox, o PSD ficaria quase mais legitimado para assumir um acordo com o Chega. Isto é aquilo que André Ventura precisava de ouvir, anda a querer ouvir há muitos meses, a possibilidade de, contra toda a tinta que tem vindo a correr sobre o posicionamento do PSD, e mesmo sabendo que dentro do PSD há pessoas com diferentes visões, haver aqui uma esperança, mesmo que seja pequena, de sonhar com essa possibilidade. Gostava de recordar que há mais ou menos um mês, Luís Montenegro e Rui Rocha se sentaram à mesa. Das palavras dos dias seguintes, em que se falava de um canal de diálogo aberto para essa tal alternativa à direita, alternativa pedida até por Marcelo Rebelo de Sousa, e que não tinha o Chega incluído. A minha pergunta para o dia seguinte, ainda aqui à questão da sopa, é exatamente esta, é perceber se a IL vê nas palavras de Luís Montenegro um não redondo ao Chega, aquilo que nós não temos visto, porque o presidente do PSD tem avançado e recuado, tem juntado aqui algumas palavras como não aceitar políticas fascistas e racistas, nem políticos, mas é confortável para os liberais não ouvirem este não redondo e manter-se estas dúvidas sobre o dia seguinte? Ou, já agora, Luís Montenegro prometeu ou não à Iniciativa Liberal uma coisa que não está a dizer para o resto do país?
E vamos ter aqui na segunda parte do programa o antigo líder da Iniciativa Liberal e atual deputado Carlos Guimarães Pinto, pode até responder algumas dessas questões. Rita?
A sopa do dia seguinte, que tinha aqui uma também, apesar de ter posto esta colherada na de Espanha, queria só dizer esta, que era este sábado. Portanto, vai haver uma comissão nacional do PS, o órgão máximo entre congressos, que vai analisar a situação política, que é o que é, mas é aquela coisa que aparece sempre nestes momentos e António Costa vai ter a oportunidade de ouvir o que o partido está a sentir neste momento e depois destes meses horribilis. E depois há outra questão que também tem estado em cima da mesa, que é para um dia seguinte, que é relevante, que é a questão do Congresso do Partido Socialista, que seria agora no início de setembro. Já estava tudo mais ou menos alinhado para ser na rentrée política.
E antes das regionais da Madeira.
E antes das regionais da Madeira, e que houve aqui uma mudança de estratégia por parte da direção de António Costa, e Carlos César, o presidente do partido, disse-o ao Observador, que é fazer um ajustamento de calendário do PS para que acompanhe o calendário das eleições do país. E o que isto significa? Significa que o Congresso, em vez de se realizar agora, se vai realizar no primeiro trimestre de 2024. Portanto, dá aqui mais uns meses, o que vai permitir que lá para fevereiro, março, o PS até faça deste congresso a festa das europeias e lance as eleições europeias E mais do que permitir isso, vai permitir que o congresso da sucessão de António Costa, isto tudo correr conforme está alinhado e não haja eleições legislativas antes. Mas se correr tudo assim, o congresso da sucessão fica para o início de 2026, aquele primeiro trimestre também de 2026, ou seja, alguns meses antes e não mais de um ano antes, como seria se mantivesse este calendário, que até agora estava a ser cumprido, de eleições legislativas, o que iria fazer com que houvesse uma coabitação difícil entre o novo líder e o primeiro-ministro, e durante muito tempo. E ele conseguir não foi fácil.
Isso não gera um problema de notoriedade de o líder do PS não ter tempo para depois se candidatar?
Depende de quem for. Se for Pedro Nuno Santos, acho que não haverá esse problema, porque não precisa de muito tempo. Pode acontecer muita coisa nos próximos tempos, mas com as informações que temos agora, não vejo razão para Pedro Nuno Santos não avançar. Parece que ele continua interessado nessa perspectiva.
Parece ser o favorito ainda do operário.
E parece ainda ser o favorito do partido. Mas isto também é sempre tudo muito difícil de dizer com segurança a esta distância, evidentemente.
E o PS quando chegar ao poder, chapar para um ministro.
Mas este calendário, até para essa expectativa de Pedro Nuno Santos, é interessante e mais interessante do que aquele que estava em cima da mesa até agora.
Diogo, temos um minuto e apelo mais a tua síntese para falarmos de uma sopa de frutas. Já não há muito tempo, Luís Montenegro tentou fazer aqui algumas propostas, pedir ajuda à jurisdição para ver se passa uma coisa tuti-fruti, isto terá alguma coisa ou não?
Investigue-se.
Estás a ver como é ser sintético a esse ponto.
Político aquém da política, a justiça aquém da justiça.
Não digas que esta sopa é muita fruta para ti.
Isto é muita fruta para mim e é muita fruta também para Luís Montenegro, que tem que tomar decisões e tem que mostrar rapidamente o que vale com estes casos, porque isso também vai determinar a forma como ele é visto e como se pode posicionar como uma alternativa ou não.
E tomou e fez aqui a diferença face a António Costa, o que também foi bastante interessante, embora depois haja ali um problema, porque não permite Pinto Moreira, mas permite a deputada Patrícia Dantas, que é acusada de fraude fiscal e está em julgamento. Isso é um bocadinho difícil de gerir esse aparente duplo critério que tem.
E também é engraçado se de repente houver mais um deputado não inscrito e tivermos que começar a dar tempos de debate, se tivermos no Hemiciclo para esse não inscrito. Portanto, haver os grupos parlamentares, que já são muitos.
Pelo menos estamos habituados, já sabemos como é que funciona.
Na verdade, Pinto Moreira tem a mesma representação de PAN e LIVRE, portanto também não é assim tão fora. Termina assim a primeira parte da Vixi Suave. Regressamos na segunda parte com o convidado Carlos Guimarães Pinto. Bem-vindos agora à segunda parte da Vixi Suave. Connosco temos Carlos Guimarães Pinto, que foi presidente da Iniciativa Liberal, é deputado e é também o coordenador do grupo parlamentar da IL na Comissão de Economia. Julgo que é também vice-presidente da comissão. Tivemos de estar aqui com cargas, mas isso para um liberal era uma tortura. A Iniciativa Liberal chamou potestativamente o secretário de Estado, António Mendonça Mendes, à Comissão de Assuntos Constitucionais. O que a Iniciativa Liberal acredita que o governante vai dizer? Vai desmentir João Galamba, vai envolver ainda mais o primeiro-ministro nesta história? O que está ali escondido, se é que tem alguma ideia do que pode haver ali?
Antes de mais, muito boa tarde. Muito obrigado pelo convite, é um prazer estar aqui novamente. Nós esperamos que o secretário de Estado responda aquilo que se rejeitou a responder até agora. E quanto mais oportunidades ele tiver para responder àquilo que se tem rejeitado a responder até agora, acho que mais vergonha terá de não o fazer. E nós acreditamos que era importante que ele viesse lá.
Entretanto, António Costa já respondeu às questões da Iniciativa Liberal, que já tinha enviado há um mês. Agora a Iniciativa Liberal ainda mandou uma questão que só seguiu ontem, portanto, o primeiro-ministro não respondeu a essa, respondeu às do PSD. Estas respostas que têm vindo a sair são suficientes para afastar uma comissão de inquérito às secretas e se António Mendonça Mendes responder à questão na terça-feira, pode-se dispensar essa comissão de inquérito à atuação das secretas ou não? É indispensável?
Acho que é indispensável, até porque todas as suspeitas que existem são suspeitas sobre o regime democrático em si. Quando temos as secretas que podem ou não estar ao serviço dos interesses de um governo ou de um partido em particular, isso é uma ameaça à própria democracia. E honestamente, independentemente das questões das discussões políticas, eu espero que não seja isso, porque isso seria demasiado grave para o país. Espero bem que as explicações apareçam e que sejam consistentes, que sejam coerentes, porque se se concluir o contrário, acho que é muito grave para o país.
Por que acha que não apareceram até agora? Porque tem havido perguntas concretas e tem havido uma resposta muito concreta que tem sido dada relativamente àquela questão de António Mendonça Mendes, que é: isto não é o que é importante. Há uma resposta.
Precisamente por isso ser estranho, é que se calhar era importante haver comissão parlamentar de inquérito.
Mas era diferente Mendonça Mendes ser ouvido numa comissão de inquérito, como houve essa tentativa, do que ser ouvido na primeira comissão?
Sim, as dinâmicas das comissões são diferentes, até o estatuto legal é bastante diferente. Por isso é que existem, senão só existiam audições nas comissões regulares. E isso pode ser uma forma de termos toda a verdade, até pelo conjunto de documentos que podem ser pedidos por uma comissão parlamentar de inquérito, que não podem ser pedidos numa comissão normal. Acreditamos que podemos chegar mais perto da verdade através de uma comissão parlamentar de inquérito.
E ele acredita que o PSD vai viabilizar a comissão de inquérito às secretas?
Não vejo nenhuma razão para o PSD não viabilizar isso. Acho que isto é algo do interesse de todos os partidos.
Mas não sente que estão ali um bocadinho titubeantes em avançar?
Esse é o PSD.
Mas acha que no final do dia vão aceitar que sim?
Eu quero pensar que sim.
Na terça-feira, Pedro Nuno Santos será ouvido na Comissão de Economia. Qual é a pergunta mais importante que falta fazer ao antigo ministro das Infraestruturas?
Eu tenho a infelicidade de não poder estar nesse dia, porque ia ser um dia bastante interessante. Vou estar na África do Sul numa viagem parlamentar. E minha posição sobre a questão da TAP é bastante conhecida. Eu acho que o principal problema da TAP, a principal decisão política que devia ter sido escrutinada, é a decisão de injetar os 3,2 mil milhões de euros. Sempre achei, e já o disse, que os € 500 mil que deram azo a esta CPI são relevantes, mostram uma certa forma de gerir a coisa pública do PS, mas a TAP gastou nos últimos 1000 dias € 500 mil a cada quatro horas. Eu gostava que o ministro Pedro Nuno Santos explicasse bem porque é que ele injetou 3,2 mil milhões e porque é que depois de injetar esse dinheiro ou de aprovar a injeção desse dinheiro, geriu a TAP da forma que ela foi gerida. Isso pra mim é o mais importante. Agora, o que vai ser questionado? Vai ser questionado que tipo de intervenção é que ele teve, por que rejeitou ter tido esse tipo de intervenção na aprovação da indemnização a Alexandra Reis. Haverá todas estas questões, por que o Ministério das Infraestruturas não tinha no seu arquivo o documento mais importante que justificou os 3,2 mil milhões e só o assessor é que estava.
Acha que isto tudo se vai sobrepor mais uma vez às questões da gestão da TAP, é isso?
Tem sido essa a questão da CPI.
Ainda que seja numa comissão diferente.
Eu tenho uma perspectiva um pouquinho mais ideológica sobre esta questão. Vocês sabem que desde o princípio, desde 2020, que tenho escrito em oposição à injeção que foi feita da TAP, à forma como foi feita, e essa pra mim é a questão fundamental que fica para o futuro, porque note-se, o governo até podia ter gerido muito bem a TAP depois disso. Em todos estes casos, Alexandra Reis, o caso do assessor, podia não ter acontecido e mesmo assim injetar os 3,2 mil milhões continuariam a ser um erro. E é por isso que tenho alguma preocupação quando há demasiado desvio em relação à questão fundamental, porque amanhã vão cometer o principal erro novamente, mas com o pressuposto de que agora vamos gerir bem. Obviamente, a CPI tem sido importante para perceber como é que o PS, como é que o governo gere a coisa pública. E acho que essa parte tem sido importante porque estende-se a todas as outras empresas públicas. Mas acho que as conclusões da CPI teriam sido iguais, quer estivéssemos a fazer uma CPI à TAP, à Infraestruturas de Portugal, à CP, porque tudo é gerido desta forma e acaba-se por desviar a atenção do erro fundamental, do erro político e econômico fundamental, que foi a forma como foi injetado o dinheiro na TAP.
Deixe-me aqui olhar pra outra perspectiva política. A Iniciativa Liberal mostrou estar disponível pra construir uma alternativa ao lado do PSD. Isto diminui de alguma maneira o voto útil?
A Iniciativa Liberal tem uma identidade muito especial. Acho que obviamente sofreremos com o voto útil, nem tenho grandes dúvidas sobre isso, já sofrermos no passado, mas fomos construindo ao longo dos poucos anos da nossa vida, uma identidade muito específica. Se eu estiver aqui e vos perguntar que partido é que vos vem à cabeça quando eu usar uma palavra ou uma expressão, penso que não será muito fácil. Se eu disser animais, que partido é que vos vem à cabeça logo?
O PAN.
O PAN. Se eu vos disser sindicatos?
PCP.
PCP. Se eu vos disser redução de impostos?
Quer que vos diga Iniciativa Liberal? Não vamos dizer.
Mas essa também é a mais difícil.
É o que as pessoas sentem, a redução de impostos, a redução da burocracia. Há ali uma identidade que foi muito clara. As pessoas que sentem isso na pele, que sentem o excesso de burocracia, o excesso de peso do Estado na sua vida, sabem que têm ali um partido. Eu até se vos perguntar isso em relação que expressão é que eu teria que usar pra vocês responderem PSD.
Não tenho muito material pra estar deste lado.
Lá está. O que eu queria dizer com isto? A Iniciativa Liberal foi capaz de construir uma identidade muito específica que nos ajuda a estarmos protegidos da questão do voto útil. Estamos completamente protegidos? Não. Não estamos, ninguém está. Nenhum dos partidos, tanto PS e PSD, estão protegidos disso, como vimos com o Bloco de Esquerda e o PCP, o que aconteceu em 2022. Mas quanto mais forte é a identidade, quanto mais nós nos conseguimos impor.
Acha que consegue congregar o voto e segurar o voto mais facilmente com isso, com essa identidade?
Havendo identidade, claro que sim.
Luís Montenegro é a pessoa certa para liderar uma situação, uma solução à direita?
Isso é uma questão para o PSD, depois para os eleitores como um todo.
Não é na medida que a Iniciativa Liberal também fazia parte dessa solução, é nessa perspectiva.
A nossa solução é com o PSD, o PSD considera que o seu líder é Luís Montenegro, e será com Luís Montenegro que iremos negociar.
Figuras mais fáceis ou mais difíceis para aceitarem o vosso programa e as vossas ideias.
Eu não me meto na vida interna de um partido, quanto mais na do PSD. Não esperem que eu me meta nisso.
Mas é mais fácil federar a direita no pós-eleições com Montenegro do que com Rui Rio?
Não sei. Nós mostramos abertura até com Rui Rio, que é uma pessoa que politicamente me parecia que esticou demasiado os braços, era politicamente muito próximo de uns. Eu deixo isso para o PSD. O PSD faz as suas escolhas, depois nós fazemos as nossas.
E o facto de o PSD não dizer taxativamente que não faz acordos, coligações com o Chega, não preocupa a Iniciativa Liberal, que já disse claramente que não os fará?
Quando foram lançadas as eleições internas na IL e foram marcados um conjunto de debates, eu vi isso como algo bastante positivo, porque finalmente íamos ter tempo de antena, que não tínhamos, íamos ter candidatos a discutir as ideias do partido, que isso ia levar as ideias do partido mais longe. Eu nunca mais me esqueço do primeiro debate que eles tiveram aqui no Observador, o título desse debate, que vocês puseram como destaque da conclusão desse debate, não tinha o nome da IL, tinha o nome de outro partido. Eu acho que se dá demasiada importância a quem tem pouco a acrescentar ao país e não vou alimentar isso.
Mas sempre que se fazem contas, quando saem sondagens, por exemplo, é muito frequente perceber se a direita, e fala-se geralmente do PSD, da Iniciativa Liberal e do Chega, têm votos suficientes para criar uma alternativa à direita. Isso é comum. Não acha que a Iniciativa Liberal pode de facto perder eleitores por haver esta ideia de que uma solução à direita é uma solução com o Chega também?
Essa questão já foi falada e repetida tantas vezes. Repito, dá-se demasiada importância a quem não tem nada a acrescentar ao país.
Apesar da resposta da Iniciativa Liberal ser sempre a mesma e recusar o Chega, e isso é claro, a do PSD não é igual. A questão aqui é se a Iniciativa Liberal está ou não confortável com o fato do PSD não ter a mesma posição.
Dá-se demasiada importância a quem não tem nada para acrescentar ao país.
Não está a responder a essa pergunta. Porque é claro, a Iniciativa Liberal já apresentou uma plataforma.
A pergunta já foi feita das mais diversas formas, já foi respondida das mais diversas formas e eu gostava de falar de soluções para o país que nós apresentamos.
O modo Mendonça Mendes ativado, vamos seguir em frente, não nos compensa estar aqui a ocupar o tempo todo da Vichy Suave com essa questão. Não quer falar do Chega, seguimos em frente. Augusto Santos Silva disse que a expressão mais forte do liberalismo em Portugal é o PS. Diz que o liberalismo político clássico é a social-democracia. Eu suponho que social-democrata não seja. Concorda com Augusto Santos Silva? Qual é o tipo de liberalismo da IL, já agora?
Sabe que uma das maiores provas do sucesso da Iniciativa Liberal, é que a Iniciativa Liberal tem vários propósitos. Tem obviamente o propósito eleitoral, porque é um partido, mas também tem um propósito mais cultural de política, que é influenciar com as suas ideias a sociedade como um todo. E há 10 anos ninguém se diria liberal. Liberal era um insulto, tirando ali algumas franjas do PSD e eventualmente do CDS. Aliás, no congresso do PSD usou-se mesmo liberal como insulto, aquele do solista, elitista e liberal. E um dos indicadores de sucesso da Iniciativa Liberal é precisamente o facto de hoje haver muita gente que se diz liberal, até dentro do próprio PS, muita gente que veio ao encontro das nossas ideias, que já fala da questão da importância do crescimento, da questão do IRS ser demasiado elevado para os rendimentos mais baixos. Essas declarações de Augusto Santos Silva são só mais uma prova do impacto que a Iniciativa Liberal teve e que não digo só da Iniciativa Liberal, do movimento liberal como um todo.
O PS quer os votos dos liberais também, é isso?
O PS já não vê na palavra liberal um insulto, porque isso já não usa como um insulto, porque houve todo um trabalho de comunicação e divulgação de ideias e sabe que hoje o país não vê na palavra liberal um insulto. É quanto a mim, um sinal de sucesso daquilo que nós temos feito, que vai muito para além. Vocês gostam muito que se fale do outro partido, mas é exatamente o oposto do que acontece com o outro partido, que é o outro partido em tudo aquilo que toca, torna-se tóxico. Não se pode tocar naqueles assuntos. Conosco foi exatamente o oposto. Nós tivemos uma capacidade imensa de colocar assuntos na esfera pública, que faz com que hoje muitas pessoas, até fora da nossa área política, sintam a necessidade de se defender e de vir falar desses assuntos, até de se virem dizer liberais. Isto é um sucesso tremendo.
Já agora, uma pequena questão, e um acordo futuro com o PS? Está fora de hipótese uma coisa à Macron, não? Liberais e socialistas.
Com este Partido Socialista está completamente fora desta.
Com este Partido Socialista ou com o PS?
Com o socialista, o PS, que é herdeiro do Costa, acho que não há qualquer perspectiva disso vir a acontecer nos nossos tempos de vida, porque infelizmente o PS é isto que é.
Numa entrevista ao Observador, isto agora pensando um pouquinho para a vida interna do partido, que diz que também não gosta de entrar por aí, disse que fez a sua parte na política interna da IL, e cito: "Acho que a fiz bem porque entreguei um partido unido na altura." Unido na altura é porque já não está agora, é isso?
O partido tem várias fases e eu, honestamente, como sabem, não gosto muito de falar de política interna, acho que é um assunto acima de tudo enfadonho, porque quando se fala das disputas externas, estamos a falar de disputas ideológicas com os outros partidos, que têm disputas ideológicas, têm argumentos, podes apresentar dados racionais, questões ideológicas. Quando se fala em política interna, as disputas acabam por ser muito enfadonhas, porque nem são muito ideológicas. Às vezes disfarça-se de ideologia aquilo que, na verdade, são disputas pessoais. E sim, o partido evoluiu, cresceu, hoje tem eleições internas disputadas, algo que não acontece noutros partidos. Entre os partidos que não o PS e o PSD, a Iniciativa Liberal foi o único que na sua mudança de liderança teve umas eleições disputadas, com debates. Vocês lembram-se de algum debate para as eleições internas do PCP? Do Bloco de Esquerda? Vocês lembram-se de algum debate do Chega? Não.
Tivemos aqui o PAN também.
O PAN teve algum debate?
Teve. Aqui na Câmara Municipal.
Pronto, parabéns por isso. O PAN teve essa capacidade. Mas entre aqueles partidos de média dimensão, estamos a falar que estamos ali num mar de microautocracias que são os outros médios partidos, e nós temos uma disputa interna. Realmente uma coisa que eu acho particularmente interessante.
Pode dizer-nos aqui que nunca mais, nem que John Locke deixa a Terra ou algo do gênero, nunca mais vai ser líder da Iniciativa Liberal?
Acho bastante improvável. As circunstâncias que me levaram a isso, que foi em 2018, tínhamos um partido com algumas dezenas de pessoas. Na convenção em que eu fui eleito, acho que eram à volta de 90 pessoas, que eram basicamente as pessoas que estavam ativamente no partido. Uma altura desesperada do partido. Eu já disse que acho que não tenho algumas das condições, das características que fazem de bom presidente e acho que acima de tudo faço muito melhor o meu papel na divulgação de liberalismo, não tendo esse tipo de responsabilidades. E felizmente, na altura, o partido, a melhor pessoa que encontrou foi um tipo desconhecido e gago, que estava por ali não propriamente com a melhor imagem. Felizmente, hoje no partido não faltam pessoas que têm outro tipo de características e têm ambição, porque o partido está numa fase diferente. Nunca digo nunca, mas acho que é extraordinariamente improvável, por vários motivos. Eu estou afastado da vida interna do partido desde 2019, portanto, nem sequer teria equipa, nem sequer sei o que isso é.
Apesar de estar afastado, com certeza que não ignora tudo aquilo que acontece, pelo menos no seio interno do partido.
Eu tento.
Eu gostava de lhe fazer ainda assim uma pergunta. No pós-convenção, o discurso final de Rui Rocha foi muito no sentido da união, que foi falado no pós com a questão de Carla Castro e de José Cardoso, que foram derrotados, mas já houve saídas de vários membros, destaque aqui para Paulo Carmona, que fez parte de uma comissão executiva. Houve até um, chamemos assim, ultimato a conselheiros por causa de uma fuga de informação. Um ex-presidente como João Cotrim Figueiredo dizer que ficou indignado. Como o ex-presidente da Iniciativa Liberal revê-se neste partido em guerra interna?
Para além de achar as guerras internas enfadonhas, há outro motivo pelo qual não gosto muito de falar das questões internas. Quando assumi a presidência do partido, ninguém conhecia aquilo, o partido estava condenado a ser mais um desses projetos falhados, como o Volt, o Aliança. Há um enorme cemitério de pequenos partidos no país. E ali no espaço de um ano, fizemos uma coisa fantástica que foi essencial para lançar o liberalismo no país.
Prefere um partido em guerra interna do que um cemitério com a IL entre os partidos pequenos?
Prefiro um partido em guerra interna, que haja disputas internas, do que obviamente um partido morto. Isso é evidente, mas aquilo que eu ia dizer é que a minha ligação ao partido decorre daquilo que eu acho que o país precisa, que é liberalismo. Acho que o país precisa de cada vez mais liberalismo. E aquele momento em que nós entramos no Parlamento e que o partido se tornou um partido a sério, vamos dizer assim, porque entrou no Parlamento, passou a ter atenção mediática, foi dos dias mais felizes da minha vida. E eu posso discordar de coisas do partido, posso às vezes até me sentir mal com certas decisões ou com a forma como me trata, mas nunca irei publicamente dizer ou fazer algo que prejudique o partido, que teve um impacto tão grande no país, na forma como as pessoas veem a minha ideologia, que é o liberalismo.
Já estamos aqui sem tempo e antes mesmo do caro ao peixe, pedia-lhe uma resposta muito sintética a esta pergunta. Vêm as europeias, João Cotrim Figueiredo seria um bom candidato?
Acho que sim, seria um bom candidato. Nós teríamos outros, certamente, se o João não quiser. Eu estou longe dos centros de poder do partido, portanto, essa decisão não vai ser minha. Eu vou sabê-la certamente pela imprensa, como sei muitas outras. Não vou fazer parte desse processo de decisão, mas o João seria um bom candidato e teríamos outros.
Depois vamos ver num artigo da Inês André Figueiredo se é ele ou não. Vamos então avançar para o ao carne ao peixe. Já esteve cá, sabe exatamente como é que funciona. Tem que escolher uma das opções pra não ficar com fome. Vamos a isso, soltar a trilha. Carlos Guimarães Pinto, quem levava a passar um dia na praia de Paramos, em Espinho?
Praia de Paramos.
Pedro Nuno Santos ou João Galamba?
Eu tenho que fazer esta publicidade. Para ir ao Zé da Banana, na praia de Paramos, parece-me que o Pedro Nuno Santos é um tipo mais divertido. Não sei, posso dar essa impressão. Eu conheço o João Galamba há muito mais tempo, mas se calhar levava o Pedro.
A quem é que entregava a sua conta do Twitter por um dia, que tem muitos seguidores, Rui Rocha ou Carla Castro?
Absolutamente ninguém, porra. Não, até para não ver as DMs. Não, ainda iam lá às DMs. Não entregava. Isso, desculpe, podia passar fome.
Quem convidava para assistir a um festival no Porto, Pedro Passos Coelho ou Luís Montenegro?
Acho que Pedro Passos Coelho. Deve estar com mais tempo, estes dois.
E quem é que gostava de ver num debate do Instituto Mais Liberdade, Mariana Mortágua ou Paulo Raimundo?
Nenhum. É sério, é equipa à fome outra vez. Absolutamente nenhum.
Muito bem, Carlos Guimarães Pinto, estamos mesmo aqui apertados de tempo. Ia-lhe só pedir que dissesse qual foi a sobrança que nos trouxe.
Eu trouxe uma música que é a "Velha e Louca" da Malu Magalhães, que fala um bocadinho da melancolia da idade. Eu estou a poucas semanas, meses, de fazer 40 anos, para atingir uma fase da minha vida em que gosto de aproveitar as coisas boas da vida, que é isso, e de me afastar de pessoas e circunstâncias tóxicas. E acho que a música fala muito sobre isto.
E também diz muito sobre aquilo que têm sido os últimos dias do governo, porque começa com: "pode falar que eu não ligo". Portanto, também aí se aplica. Termina assim a Vici & Suaves. Recessamos como sempre, na próxima sexta-feira.
Eu estou ficando velha. Eu estou ficando touca. Pode avisar que eu não vou. Eu estou na estrada. Eu nunca sei da hora. Eu nunca sei de nada. Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho. Que hoje eu passei batom vermelho. Eu tenho tido a alegria como dom. Em cada canto eu vejo o lado bom. Pode falar que eu nem ligo. Agora eu sigo o meu nariz. Respiro fundo e canto. Mesmo que um tanto rouca. Pode falar, não me importa. O que tenho de torta, eu tenho de feliz. Eu vou cambaleando. De perna bamba e solta. Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho. Que hoje eu passei batom vermelho. Eu tenho tido a alegria como dom. Em cada canto eu vejo o lado bom. Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho. Que hoje eu passei batom vermelho. Eu tenho tido a alegria como dom. Em cada canto eu vejo o lado bom.