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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Ontem decorreu mais uma reunião do Infarmed e a DGS diz que estamos claramente no fim de uma fase pandémica. O plano de desconfinamento é para avançar e só falta mesmo perceber se as discotecas vão abrir. Depois disto vamos precisar de um PRR, um plano de recuperação da rádio ou pelo menos da sua credibilidade. A festa por estes dias faz-se na estrada, com campanha eleitoral em 308 concelhos do país.

Eu sei que há quem se irrite muito quando nós falamos no plano de recuperação e resiliência, mas é preciso que não se irritem.

A base da campanha dele, se repararem bem, a base dos discursos dele, é sempre a dizer: "Vamos trazer para aqui os milhões".

Como arma de campanha eleitoral, como está a fazer agora todos os dias o primeiro-ministro português. O plano não é de nenhum partido.

O plano de recuperação e resiliência não é um plano do PS.

Quem conhece a CDU, e eu acredito que António Costa conhece a CDU, devia ter mais tempo.

Não é um plano do PS e do PAN.

Macacos me mordam, se assim não vai ser.

Para onde vai o dinheiro e quem são os destinatários.

Para todos os portugueses, para todas as portuguesas, para todas as empresas, para todos os municípios, para todos as universidades.

Cá estamos.

Isto parece, às vezes, kafkaiano. Às vezes parece o Castelo do Kafka.

Isto aqui não parece bem o Castelo do Kafka, parece outra coisa qualquer. O meu nome é Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador e comigo tenho o João Alexandre, editor da rádio, e as jornalistas Mariana Lima Cunha, aqui perto de mim porque está a acompanhar a campanha em Lisboa e, remotamente, Inês André Figueiredo, que está a acompanhar a campanha de Rui Moreira e também a do Chega no Porto. Vai começar a Vixi Suave. Ora bem, Inês, começando por ti que estás mais longe, propunha uma sopa todos os dias, que com tudo o que se passa nos últimos dias e que se vai passar nos próximos, não deve ser muito difícil percebeste de que sopa estamos a falar. Não sei o que é que te sugere esta sopa todos os dias.

Eu estou no Porto e vou-me aproveitar desse facto, porque aqui há tudo à moda do Porto e vou escolher uma sopa da pedra, mas à moda do Porto. Espero que não te importes.

Como é que é isso? Vamos lá ver.

Isto porque aqui pela Invicta as coisas não têm estado propriamente fáceis e há mais pedras na campanha eleitoral do que propriamente temas políticos. Os adversários de Rui Moreira têm estado preocupados em atirar as tais pedras ao executivo e ao atual presidente da Câmara, que é também recandidato, como sabemos, mais isso do que propriamente em dar motivos aos portuenses para reverter a governação dos últimos oito anos. Para dar alguns exemplos, só assim muito rápido. O Vladimir Feliz disse que Rui Moreira era passado, que só falava de obra feita, que o futuro estava no PSD. Tiago Barbosa Ribeiro distribuiu álcool gel para que se desinfete a Câmara Municipal do Porto da governação de Rui Moreira. Mas o autarca acaba a rir-se disto tudo, e rir-se é mesmo um riso literal, porque foi assim que Rui Moreira respondeu à pergunta dos jornalistas sobre estas duas acusações dos adversários, digamos assim, e Rui Moreira acaba por ficar praticamente sem palavras com este tipo de críticas. Por outro lado, claro que isto é muito mais fácil de capitalizar para o atual presidente da Câmara do Porto, porque não tem necessidade de discutir política, não se colocam temas políticos em cima da mesa e anda simplesmente a responder uma boca aqui, uma boca ali, e acaba por aproveitar para responder na mesma moeda, como fez ainda hoje, ao dizer que no dia 26 logo se vai ver quem é que é o futuro e quem é que é o passado. E na verdade, estamos a falar de um dos autarcas que por estes dias tem quase uma vitória garantida, está mais à procura de uma maioria absoluta.

Sentes que está muito confortável, Rui Moreira?

Sim, muito confortável mesmo. Rui Moreira ainda hoje de manhã no nosso programa de Direto à Campanha explicava que existe quase uma ideia de endeusamento quando Rui Moreira passa, é quase um ídolo, uma estrela, quando vai principalmente aos sítios, e obviamente que a comitiva da campanha, a estrutura da campanha faz isso muito bem, vai aos sítios onde Rui Moreira realmente ajudou a população, mas vê-se perfeitamente que as pessoas gostam dele e as críticas são muito poucas. Ou seja, quando há críticas, não vamos ali, não vale a pena, elas existem, mas são muito ao fundo, vêm bocas de muito longe, não são propriamente muitas pessoas as que vêm ter com Rui Moreira a dizer coisas. E mesmo aquelas pessoas que vêm ter, dizem: "Eu tenho este problema e este, mas muito obrigado por me ter ajudado. Eu vou votar em si, senhor presidente". Pronto, é uma coisa assim muito: "Tenho este problema, mas sei que me resolveu muitos dos outros problemas."

Inês, antes de passar aqui para a Mariana, tu ontem fizeste também um artigo sobre a lista de Spotify andam com quatro colunas portáteis na rua. Tens alguma música preferida dessas, não?

Olha, eu vou escolher só o Efetivamente, porque é a única música que realmente todos se afinam ou não para cantar naquela campanha. Não há propriamente gritos de campanha, aquilo a que estamos habituados, aqueles slogans tradicionais não existem praticamente. Às vezes quando Rui Moreira acaba de falar, lá há uns gritos com o nome do recandidato à Câmara, mas não há muita coisa. Mas quando é o Efetivamente do GNR a passar, todos se afinam no refrão, por isso vou escolher essa.

E aparentemente, ele gosta de aparências e está muito bem posicionado. Mariana Lima Cunha, qual é a tua sopa todos os dias?

Sei que ias perguntar qual é a minha música de campanha e é só Carvaejo, exclusivamente. Ainda não ouvi mais nada.

Exato, é muito monotemático.

A minha sopa de todos os dias vai variando entre a campanha do Bloco de Esquerda em Lisboa e do PCP em Lisboa. E depois há coisas que não mudam, que é a picardia entre os dois e a relação à esquerda que tem marcado estes dias todos de campanha aqui em Lisboa. Eu diria que o PCP começou logo por marcar o arranque da campanha. E foi Jerónimo de Sousa que baralhou um bocadinho os outros partidos todos quando veio dizer, mesmo a tempo de arrancar a campanha, depois de semanas de João Ferreira a dizer que quer voltar a ter responsabilidades diretas na câmara e com comentadores por todo lado a dizer que se estava a oferecer ao PS, Jerónimo de Sousa veio baralhar as contas e dizer que o PCP não quer acordos formais ou coligações com o PS. Isto logo de início baralhou as contas em Lisboa. O PS ficou confuso, começou a avisar, como nós escrevíamos, que só com acordo é que vai dar pelouros. O Bloco de Esquerda agora, eu penso que passou aqui para uma segunda fase, que é começar a tentar capitalizar com isto e começar a passar um bocadinho mais ao ataque. A Beatriz Gomes Dias, do que dá para ver até agora na campanha, não parece propriamente uma atacante natural. Mesmo nos debates, eu acho que isso dá para perceber. O João Ferreira, por exemplo, é muito assertivo, também já tem muitos anos de experiência na câmara, tem um estilo em que interrompe mais, nota-se que está muito bem preparado.

Ele é mais autónomo do que ela, ou seja, ela precisa mais do apoio da estrutura. Também é natural, está há muitos anos.

Exatamente, eu acho que é natural. Não é que a Beatriz Gomes Dias seja uma candidata pouco preparada, nem que não consiga perfeitamente ter o discurso que o Bloco quer ter na rua. Agora, tem de fato muito menos experiência do que ele e eu acho que em momentos de confronto direto, como debates, isso se nota. Agora, o que ela começou a fazer, Catarina Martins tinha adotado o discurso agressivo em relação ao PS desde o início da campanha e agora ela está a começar a fazer o mesmo em relação ao PCP, começou, de fato, a pegar aqui neste aspecto, que é afinal o PCP quer ou não um acordo em Lisboa, e a tentar torná-lo um trunfo do Bloco. Ou seja, começa a apresentar o Bloco como o partido, eu acho que isso talvez seja importante para o eleitorado perceber quem é que é o partido que quer influenciar a governação do PS e, portanto, que não vai deixar o PS mais à solta.

Vamos ver, uma das grandes ameaças de Fernando Medina é o voto que seria útil fugir para um desses dois partidos, no sentido de: "Bom, ele já ganha de qualquer forma, então podemos votar em um outro partido."

E quem é que condiciona...

E nesse aspecto, o Bloco de Esquerda, ao dizer que quer mesmo ir para lá enquanto o PCP é mais equívoco, favorece nesse lado.

Eu acho que é essa a leitura que o Bloco de Esquerda está a fazer, pelo menos. E portanto, agora, e ontem isso notava-se muito nas intervenções da Beatriz Gomes Dias, começa a puxar por: "Nós somos o partido que quer, quer um acordo formal, escrito, com condições. Nós não queremos só um pelouro", e isto é claramente uma boca para o PCP, "queremos mesmo a governação e a responsabilidade." Aliás, o Bloco, não tendo praticamente representação autárquica nenhuma, precisa dessa influência para se mostrar que consegue fazê-lo. E, portanto, está a começar a contra-atacar. Se o PCP passou as últimas semanas a dizer que o Bloco era uma bengala do PS, o Bloco agora está a tentar começar a responder.

Muito bem, João Alexandre, a tua sopa de todos os dias, eu sei que estás triste. Primeiro, porque não conheces o Pepas do Faruko. É uma música que não entra no teu Spotify.

É verdade.

Por outro lado, também estás triste porque...

Este desconhecimento tem a ver também com o fato de já ninguém ir às discotecas há muito tempo.

Exato.

Entretanto, não aparece no algoritmo nas minhas pesquisas. Mas estavas a dizer que há um bocadinho...

Vês autárquicas um bocadinho a partir daqui.

Não é uma vista de helicóptero, mas é uma vista aqui do estúdio. E às vezes também é bom ter essa perspectiva, porque como não estamos tão centrados, por exemplo, em acompanhar um candidato, acabamos por ter assim um plano mais genérico sobre aquilo que está a acontecer. Por vezes acaba por ser um bocadinho aquilo que é também a visão de quem nos ouve, de quem lê jornais, de quem vê televisão. E o que eu tenho percebido ao longo da, pelo menos aquilo que foi chegando ao longo da última semana, desses primeiros dias de campanha, é que a campanha está efetivamente muito centrada na questão do PRR. E aqui a questão é perceber algumas coisas, que é: todos os dias eu acordo e penso: qual vai ser a crítica de Rui Rio, qual vai ser o soundbite de Rui Rio que vai ficar hoje a marcar o dia, quer para dentro do PSD, quer para fora, quer dirigido a António Costa. Saber também em que conselho é que António Costa vai voltar a falar do PRR e se vai ou não irritar muito novamente com o fato de ele próprio estar a puxar a questão do PRR para a campanha. Perceber até que ponto é que António Costa vai aguentar até responder de forma mais dura a Jerónimo de Sousa, pela forma como Jerónimo de Sousa tem também atacado o Partido Socialista. E há aqui sempre esta tensão latente, que como já explicamos aqui, a Mariana já explicou várias vezes e também em textos no Observador, que é essa relação difícil entre o PCP, neste caso a CDU, e o Partido Socialista, também em tempos de autárquicas, a olhar para o orçamento do Estado e a olhar para aquilo que é a solução de governo. Perceber até que ponto é que dará para esticar a corda também nesta troca de argumentos, que António Costa já relativizou, é verdade, antes de começarem as eleições, disse que é normal haver tudo isso. Mas a verdade é que acordamos todos os dias a pensar se haverá algum momento em que tudo isto vai esticar. E depois também há outra pergunta que se faz sempre, que é perceber quando é que vai começar a campanha de Carlos Moedas em Lisboa, por exemplo. Acho que também é outra questão que as pessoas colocam, porque até agora o que temos visto é: falava-se muito a uma altura das taxas e taxinhas, aqui é as queixas e queixinhas. Até na Comissão Nacional de Eleições havia números que foram revelados. O PS é aquele que mais alvo é de queixas, mas é aquele que também apresenta mais queixas. E são 600 e tal queixas que já foram apresentadas de norte a sul do país desde o início da campanha. Mas acho que tem sido uma campanha mais ou menos como as outras.

O Miguel Santos Carrapeto fez essa reportagem no Bairro Alto e também esteve lá Relativamente pouco tempo e centrou-se mais nos comerciantes. Sim, é verdade.

Eu não sei qual é a vossa percepção, e a Mariana terá uma percepção diferente, por ter estado mais no terreno, tu a acompanhar mais aquilo que vai sendo escrito e dito de forma global, mas a ideia que nos dá é que ficou tudo mais ou menos na mesma desde que começou a campanha. Eu ontem ouvia até Rui Rio noutro espaço aqui na Rádio Observador, ouvia Pedro sobre Rui Rio, a dizer que o Rui Rio tem sido, de alguma forma, também uma das figuras da campanha, quer pela positiva, quer pela negativa, mas a verdade é que tem marcado a agenda, tem estado muito presente, os sound bites do dia têm sido quase todos dele. E acho que tem sido isso, tem sido uma campanha muito parecida com as de outros anos, tem sido uma campanha em que passados estes dias iniciais, pouco mudou desde aquilo que era a nossa percepção inicial sobre todos os candidatos, sobre todas as sondagens. Acho que a única diferença mesmo foi Rui Rio ter estado muito presente. Não sei se isso dará para segurar depois o partido ou algum tipo de resultado, mas a verdade é que Rui Rio tem se saído bem na campanha e acho que isso tem sido uma nota de destaque.

Deixa-me só ir à Inês, para depois irmos à sopa final, mais aqui para baixo pra esta discussão de novo. Inês, Rui Moreira queixou-se porque hoje Tiago Barbosa Ribeiro recebeu Marta Temido de manhã e vai receber Pedro Nuno Santos à tarde, queixou-se de que há delegados do governo em campanha, portanto, não é só o PRR, mas também há aqui membros do governo a fazer campanha. Isso para Rui Moreira é um problema, não é?

Sim, o próprio Rui Moreira é que falou do tema. Sabemos que Marta Temido esteve hoje com Tiago Barbosa Ribeiro aqui no Porto. E o autarca disse que achava que este tipo de ações em que delegados do governo apoiavam candidatos do partido já tinham acabado, que já não estávamos nesse tipo de país, nesse tipo de campanha. E disse até: "Se querem meter delegados do governo, que os tragam para candidatos, que candidatem um ministro à Câmara Municipal do Porto", neste caso. E Rui Moreira disse ainda uma coisa interessante, que a CNE obriga os autarcas a estar em silêncio, mas depois quando é o governo, e agora passo a citar: "Vem com ar paternal às cidades e anda a fazer campanha com os delegados do governo". Rui Moreira acaba por ficar um bocadinho ofendido por haver aqui dois pesos e duas medidas. Por outro lado, Marta Temido, pelo que percebi e vi que a Rita Penela escreveu, disse que era a cidadã Marta Temido que estava no Porto. Obviamente, não iria dizer outra coisa, mas Rui Moreira diz que os ministros aparecem e não despem essa farda.

Claro, isso é uma das-

Também em relação ao PRR, ele também voltou a falar disso.

É uma das queixas. Mariana, agora ia propor aqui uma sopa rápida, aproximamo-nos do fim da primeira parte, que é a sopa do quindos ossos. Não sei o que isso te sugere.

Vamos até Coimbra. Vamos nós, não vai.

Sim, e o que eu ia te perguntar, também fizeste há uns dias um texto sobre o mapa autárquico do PS. O que eu te queria perguntar especificamente é se esta ida do Tribunal Constitucional para Coimbra, ou esta discussão da transferência, que aliás há de ser votada hoje, ou se não foi já, agora estou um pouco desatento, mas hoje é dia de votações na Assembleia da República. Isto pode de alguma forma influenciar a votação? E aproveito para te perguntar já, perder Coimbra seria um problema pra António Costa ou com um bom outro resultado podia-se tentar de alguma forma limitar os danos?

Acho que, na verdade, olhando para este mapa destas autarquias do PS, seria um dos únicos problemas que António Costa poderia ter. O PS parte para estas eleições quase a pensar: o que conseguirmos é ganho. Havia ali uma contabilidade que apontava que poderia perder umas 20 câmaras, mas recuperar também o número equivalente. E Coimbra é talvez a mais simbólica no meio disso, embora o PS diga que tem números que indicam que pode estar confortável em Coimbra. Ainda ontem vi um comentário de alguém que dizia que por este andar, se a campanha continuar a aquecer em Coimbra, Coimbra vai acabar a campanha com um aeroporto lá construído. A verdade é que vem-me agora à memória para 2017, lembro-me de estar por volta da 01:00 da manhã num pavilhão em Coimbra com Manuel Machado, a falar durante mais ou menos uma hora, não apenas sobre o aeroporto, mas durante uma hora em que, na altura era Ana Catarina Mendes que estava a fazer a campanha do Partido Socialista, a comandar, estava numa mesa quase a adormecer, enquanto Manuel Machado falava sobre o aeroporto que ainda está por vir. Portanto, é uma discussão que quatro anos depois continua mais ou menos na mesma. Acho que no máximo só a maternidade, constitucional pelos vistos também não parece que aconteça. Portanto, não é desta que a deslocalização acontece em Coimbra.

E João, uma coisa que aqui parece bastante evidente é que mais do que qualquer troca de argumentos, as sondagens influenciam bastante a campanha. Esta percepção toda do PSD que pode ganhar Coimbra, teve uma sondagem que dava 1%. E não sei se notas isto, que o peso das sondagens é particularmente importante nas autárquicas pra percepção e pra força que as campanhas têm. Porque depois, por exemplo, na Amadora vemos Susana Garcia só com 18 ou 22%, parece que já está retirada de fora da corrida.

Sim, e a verdade é que por vezes, em caso de dúvida, e vou utilizar aqui uma expressão que ficou popularizada no ano passado, que é o onde vai um, vão todos. E por vezes quando as pessoas olham pra as sondagens, acabam por ir um bocadinho uns atrás dos outros. E em caso de dúvida, pode haver esse momento em que alguém pensa: "Bom, em caso de dúvida, esta sondagem dá aqui uma vitória a esta pessoa, se calhar a maioria está certa e eu vou seguir". Até porque estas autárquicas, tal como outras, não servem muitas vezes para esclarecer e as pessoas acabam por se guiar por outros modelos, neste caso, as sondagens.

Muito bem, chega assim ao fim a primeira parte da Vixi Suave. Recessamos na segunda parte e a convidada é Teresa Leal Coelho, ela que há quatro anos foi a candidata do PSD que enfrentou Fernando Medina. Bem-vindos à segunda parte da "Vixi Suas". Connosco temos Teresa Leal Coelho, que foi vice-presidente do PSD, também candidata à Câmara Municipal de Lisboa em 2017 e na sequência dessas eleições, foi também eleita vereadora na Câmara de Lisboa, naturalmente sem pelouro, porque não as venceu. Teresa Leal Coelho, bem-vinda.

Muito obrigada. Cumprimento os nossos ouvintes e cumprimento todos em estúdio.

Muito bem. Ia começar por perguntar, agora que vai chegar ao fim das suas funções de vereadora, se vai ter saudades deste cargo.

Em princípio, saudades eu só tenho do futuro. Eu saio deste cargo de consciência tranquila com a intervenção que o PSD pôde ter no município de Lisboa durante estes quatro anos. Nós tivemos uma aposta forte num conjunto daquelas que são as prioridades para a cidade de Lisboa. Algumas delas, como por exemplo a habitação, estivemos isolados em 2017 a defender que a habitação era a prioridade pra cidade de Lisboa e apresentamos um conjunto de propostas logo em período de campanha eleitoral e depois também durante o período de execução do mandato. Nem todas elas foram acatadas, mas efetivamente, como lhe digo, saudades do futuro e consciência tranquila pelo mandato que desempenhei durante estes quatro anos na cidade de Lisboa.

Foi muito maltratada pelas estruturas em Lisboa do PSD com várias divergências públicas. Sentiu-se alguma vez traída nestes quatro anos?

Não. Sabe que eu não tenho esse tipo de estados de alma. Eu sou focada naquilo que são os objetivos que pretendo atingir. E aqui, enquanto vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, os meus objetivos dirigiam-se à cidade, dirigiam-se à população de Lisboa, sejam os cidadãos, sejam os estrangeiros, sejam aqueles que aqui trabalham, aqueles que aqui habitam e aqueles que aqui trabalham. E naturalmente, tenho uma visão pra cidade de Lisboa. A cidade de Lisboa é uma cidade que todos nós conhecemos, que tem determinadas características, que tem determinados problemas, determinadas ameaças que necessitam de soluções e foi nisso que eu me concentrei nestes quatro anos. E concentrando-me no trabalho, é isso que retiro dos quatro anos enquanto vereadora na Câmara Municipal de Lisboa. Mas há uma coisa que eu devo acrescentar. A única, não digo mágoa, mas o único incômodo que levo daqui é precisamente o fato das estruturas locais terem conseguido afastar José Eduardo Martins, que era suposto liderar a equipa na Assembleia Municipal, mas efetivamente, utilizando a expressão que utilizou há pouco, foi maltratado e afastado dessas funções. É lamentável, porque é uma pessoa muito capaz, muito competente e com a qual eu contava nestes quatro anos.

Foi uma manobra de Luís Newton, já falaremos disso mais à frente, eventualmente, mas chegaram-lhe a retirar a confiança política ou uma tentativa. Como é que ficou esse processo, tem ideia?

Eu gostaria de fazer o balanço do mandato e de falar de Lisboa aos cidadãos de Lisboa. Efetivamente, houve uma deliberação da concelhia nesse sentido, uma deliberação que não tem nenhum efeito jurídico e, portanto, eu mantive as minhas funções enquanto vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, eleita nas estruturas do PSD. Devo dizer-lhe que a concelhia tentou que a distrital de Lisboa, a distrital do PSD de Lisboa, acompanhasse essa decisão e a distrital não acompanhou, aliás, como a nacional não acompanhou. E, portanto, eu senti-me muito bem acompanhada pelo PSD e também por muitos munícipes na cidade de Lisboa.

Teresa Leal Coelho, deixe-me só perguntar aqui uma coisa, Rui, deixe-me só perguntar aqui uma coisa à Teresa Leal Coelho, que tem a ver com esse caminho que estava aqui a traçar também daquilo que foram as suas funções. Olhando para trás, pergunto se já consegue perceber o que é que esteve na origem desse mau resultado em 2017 e de que forma também que tudo isto que acabou por descrever pode ou não influenciar aquilo que está hoje em jogo também para o PSD na corrida à Câmara de Lisboa. Se uma outra forma de trabalhar ao longo destes últimos anos poderia ter criado aqui bases para sondagens que neste momento fossem mais favoráveis para Carlos Moedas, que é o candidato.

Sem dúvida. Se o trabalho que o PSD desenvolveu durante estes quatro anos na Câmara Municipal de Lisboa tivesse efetiva projeção, as Câmaras Municipais funcionam não com reuniões públicas, são pontuais as reuniões que são públicas. São públicas, mas são públicas pra quem aceder via internet pra acompanhar os trabalhos nessas reuniões. Mas a maior parte das reuniões de Câmara são privadas, o que significa que o trabalho que se desenvolve nem sempre é conhecido. Como não são conhecidas as propostas que são apresentadas, não são conhecidas as propostas que são apresentadas e aprovadas.

Mas acha que isso acontece só com o PSD ou também com-

Não, eu estou a falar de um modelo de funcionamento das Câmaras Municipais, dos municípios. É assim, não tem a projeção mediática que tem o trabalho na Assembleia da República. Fui deputada à Assembleia da República, naturalmente que faço esta comparação. Isto significa que muitas vezes os cidadãos não têm apreciação daquela que é a visão pra cidade de cada um dos partidos, muitas vezes há também muito ruído com questões que são colaterais, que não interessam aos munícipes em Lisboa.

E acha que essas lutas internas no PSD prejudicaram, veja, a visibilidade das propostas, por exemplo?

A visibilidade das propostas, ou a ausência de visibilidade das propostas da atuação de uma vereação na oposição resulta, como já lhe disse, do fato de se tratar de trabalho que se faz em reuniões privadas e, portanto, vai se comunicando. Algumas matérias têm mais interesse, outras matérias têm menos interesse e são projetadas com maior ou com menor intensidade, mas uma coisa eu lhe garanto, não só o programa eleitoral que apresentei em 2017 era um programa eleitoral muito ajustado pra cidade de Lisboa, e eu posso dar-lhe um exemplo. Neste momento, Fernando Medina diz que a sua prioridade é a habitação. O PSD, em 2017, disse: "A prioridade das prioridades é a habitação. A habitação e a transparência." E a transparência que passava por uma revolução no urbanismo. Se há razão para uma Câmara Municipal existir, é precisamente o urbanismo, é criar condições para que o investimento se faça.

Teresa Leal Coelho.

Diga.

Teresa Leal Coelho, fala em urbanismo e em transparência e é impossível não me lembrar que ajudou a que Manuel Salgado fosse pra Sociedade de Reabilitação Urbana. Arrepende-se disso agora que há tantas suspeitas sobre o antigo vereador?

Muito bem, vamos por partes. Ajudar a que fosse, não. Ajudar a que se mantivesse, já lá estava.

Exato.

Manuel Salgado já lá estava.

Passou de vereador para a SRU, não é?

Não. Ele já estava na SRU quando foi reconduzido na SRU. O que esteve em causa foi uma recondução para a SRU. Mas já que me fala disso, ainda bem que me fala disso. Tentei comunicar por diversas vezes, e com pouco sucesso, provavelmente, que foi o PSD, pela minha mão, que apresentou uma proposta na reunião de câmara para retirar o poder político à SRU. Isto é, quando Manuel Salgado foi reconduzido para a SRU, a SRU já não estava munida do poder de licenciamento, do poder de conceder alvarás. Era apenas uma empresa de execução das deliberações que eram tomadas no âmbito da Câmara Municipal de Lisboa. Portanto, há aqui uma falácia quando se julga que Manuel Salgado ou a atual estrutura da SRU pode decidir licenciamentos, alvarás. Não pode. E não pode por quê? Porque o PSD apresentou uma proposta na Câmara Municipal de Lisboa, neste mandato, que foi aprovada e que retirou precisamente esse poder de licenciamento, de concessão de alvarás à SRU. E, portanto, nós não estamos a falar de uma entidade com os poderes que tinha antes. Quando foi reconduzido, Manuel Salgado foi reconduzido para uma estrutura esvaziada de poder político, em razão de uma proposta apresentada por mim própria. Deixe-me acrescentar aquilo que eu dizia há pouco. A habitação foi uma prioridade do PSD na última campanha eleitoral, no programa eleitoral que apresentei.

Deixe-me interrompê-la. Sobre esse momento. Nessa altura, nessas eleições autárquicas, Passos Coelho foi muito criticado pela forma como geriu as autárquicas e previa-se que isso também não ajudasse o PSD a ter um bom resultado. Lisboa foi uma das principais falhas apontado ao, na altura, líder do PSD. Sente-se responsável pela saída de Passos Coelho?

Eu, no dia das eleições, responsabilizei-me pelo resultado das eleições e responsabilizei-me individualmente pelo resultado das eleições. Aliás, devo mais uma vez fazer um elogio a José Eduardo Martins, que fez questão de se co-responsabilizar comigo do resultado das eleições, embora, naturalmente, a minha campanha não funcionou. E por isso mesmo, hoje eu tenho que ter a oportunidade de fazer o balanço do meu mandato. Foi para isso que a Rádio Observador me convidou, para que os cidadãos em Lisboa tenham a percepção do trabalho, que não conhecem, que o PSD desenvolveu nestes quatro anos e que valorizou bastante a cidade de Lisboa, sempre que conseguimos levar a bom porto aquilo que foram as nossas iniciativas.

Já percebi que não quer responder, mas deixe-me insistir. Olhando a esta distância, quatro anos depois dessas eleições, acha que Passos Coelho devia ter continuado?

Eu não vou responder essa questão. Estamos quatro anos volvidos. Pedro Passos Coelho fez um trabalho extraordinário em Portugal, como sabe. Tomou as medidas necessárias e difíceis, foi estoico na resposta àquilo que eram os desafios e os problemas que eram efetivos em Portugal.

E já agora, nesta altura em que também estamos num momento difícil para Portugal, é um momento de recuperação pós-pandemia. Pedro Passos Coelho é um nome a ter em conta também agora nos próximos tempos, já que não olhamos para trás, olhamos para o futuro. Veria com bons olhos um regresso de Pedro Passos Coelho para essa tentativa de chegar ao cargo de primeiro-ministro novamente, por exemplo?

Eu tenho imenso respeito e consideração por Pedro Passos Coelho, e Pedro Passos Coelho já afirmou por diversas vezes que neste momento a sua prioridade é a sua vida familiar, e eu respeito isso. Agora, se me pergunta se eu considero que é um homem adequado para conduzir uma equipe para colocar Portugal num patamar que ambicionamos, isso com certeza que sim, por isso é que eu o acompanhei. E não o acompanhei só naqueles oito anos de presidência do PSD, acompanhei-o desde muito antes. E portanto, claro que sim. E podemos ir ao balanço da atividade do PSD na cidade de Lisboa, que é muito inspirada também naquilo que é a linha de orientação do pensamento de Pedro Passos Coelho Comungamos naturalmente uma visão social-democrata para a resolução dos problemas. Tivemos um mandato que foi complexo e que devemos dividir em duas fases, uma primeira fase pré-pandemia e uma segunda fase durante a pandemia, e o PSD esteve presente permanentemente com propostas muito adequadas a resolver e até a prevenir novos problemas. Deixe-me dar-lhe um exemplo que provavelmente não sabe. No dia 26 de fevereiro de 2020, mesmo antes do estado de emergência estar já declarado em Portugal, o PSD, na Câmara Municipal de Lisboa, apresentou uma moção que continha uma proposta, mas que era moção porque dependia também de intervenção do governo e, portanto, não podia ser proposta de deliberação da Câmara, que se chamou Plano de Contingência para Combate ao COVID-19. Vai ver que vale a pena ouvir. Nesse dia 26 de fevereiro, o PSD apresentou uma proposta que propunha, de imediato, o controle das chegadas no aeroporto, o controle das chegadas no terminal de cruzeiros, o controle das chegadas por comboio ou por autocarros provenientes, naquela fase até em grande medida, de Espanha ou de Itália.

Teresa Leal Coelho.

Mas deixe-me só terminar, que isto é importante. E esta proposta, que podia ter sido imediatamente executada, e nós podíamos ter tido controle de fronteiras, ou seja, poderíamos ter rastreado o vírus à entrada de Portugal, nestes locais que lhe disse, foi chumbada pelo executivo camarário, que o rastreio veio a ser feito muito mais tarde. Isto tinha impedido uma contaminação maciça que decorreu das pessoas que vieram das férias da neve, que vieram de viagens que fizeram nesse período. Portanto, houve sempre uma responsabilidade assumida pelo PSD e que nem sempre foi acompanhada.

Já agora, Teresa Leal Coelho, deixe-me só perguntar-lhe, já que falava de pessoas que vêm de fora. Paulo Rangel tem estado muitas vezes em Bruxelas, mas agora tem estado muito presente também na campanha do PSD, um pouco por todo o território continental português. Como é que olha para essas alegadas lutas internas sobre as quais Rui Rio já disse que neste momento não é o melhor para o partido?

Veja, não estou de acordo que sejam lutas internas, que qualquer militante do PSD tem o direito e a legitimidade de ter a ambição de se candidatar à liderança do PSD. É assim, eu também já acompanhei uma candidatura à liderança do PSD.

Portanto, isso quer dizer que dá como garantido essa candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD?

Eu não dou como garantido porque nunca lhe perguntei se vai ou não concorrer, mas teremos diretas em janeiro e, porventura, surgirão candidatos.

E Paulo Rangel será um bom candidato?

Eu não tenho o leque dos candidatos que eventualmente irão avançar em janeiro de 2022. Não tenho o leque e farei estes comentários na altura e também não sou comentadora política. Agora, se me perguntar se eu tive sempre boas relações e se acho que Paulo Rangel foi um elemento útil no partido e durante um período difícil para Pedro Passos Coelho, ajudou-o sempre, isso sem dúvida nenhuma.

Uma das pessoas que também são sempre referidas como potenciais candidatos à liderança é Carlos Moedas, que neste momento é candidato à presidência da Câmara de Lisboa. Nós queríamos saber se, por um lado, chegou a ser sondada para integrar esta candidatura e como é que avalia até agora a campanha que Carlos Moedas tem feito em Lisboa.

A candidatura a Lisboa de Carlos Moedas?

Exatamente, sim.

Mal tomei conhecimento da candidatura de Carlos Moedas a Lisboa, telefonei-lhe para me disponibilizar para lhe dar todo o apoio, mas nunca para me disponibilizar para continuar. Veja, eu estou há oito anos na Câmara Municipal de Lisboa, não estou só há quatro anos. Fiz oito anos de mandato também, mais do que oito, porque uma das legislaturas foi mais ampla, como deputada à Assembleia da República. Fiz um mandato como presidente da Comissão de Orçamento e Finanças. Quando me disponibilizei, juntamente e a par e passo com Pedro Passos Coelho, para acompanhar este projeto de Pedro Passos Coelho, disponibilizei-me por oito anos, porque eu tenho uma profissão e exerço-a e nunca deixei de a exercer. Eu sou professora universitária e é essa a minha vida. Agora, como entendo que todos os cidadãos, sobretudo aqueles cuja vida é uma vida sustentável, estável, todos os cidadãos que têm essas condições de vida no contexto deste país, devem devolver ao país aquilo que o país lhes proporcionou. E por isso mesmo, eu estive efetivamente disponível, inicialmente por oito anos, já lá vão 10 anos. Tenho que retomar em plenitude a minha vida acadêmica, porque é essa a minha profissão e é isso que naturalmente me caracteriza.

Aceitaria, num futuro, a liderança do PSD voltar a ser vice-presidente, não?

Não vou trabalhar sobre hipóteses. Agora vou aproveitar essa pergunta para responder sobre algumas questões que o PSD levou a cabo na cidade de Lisboa durante estes quatro anos.

Teresa Leal Coelho, tem que compreender uma coisa que é: nós, como sabe, a CNE tem regras muito restritas, não podemos estar aqui a privilegiar o trabalho de um dos partidos face aos outros, porque já estamos em período oficial de campanha. Daí que as perguntas tenham que ser um equilíbrio também, o que fez no primeiro mandato, aquilo que é a candidatura de Carlos Moedas e, obviamente, a liderança do PSD, que eram pontos de interesse. Mas de qualquer das formas, também estamos a chegar ao fim da nossa entrevista e vamos avançar para a segunda parte, que é uma parte carne ou peixe, em que tem que escolher uma de duas opções. Vamos a isto. Teresa Leal Coelho, em quem preferia acertar com uma bola de vôlei? Em Luís Newton ou Sofia Vale Rocha?

Com uma bola de vôlei, prefiro acertar na equipa adversária. Prefiro acertar em Fernando Medina.

E preferia ser ministra num governo de Rui Rio ou de Paulo Rangel?

Não estou disponível para ser ministra, nunca estive, porque isso não me permite, em simultâneo, exercer a minha atividade académica.

E preferia aderir à Maçonaria ou ao Partido Socialista?

A nenhum dos dois.

E preferia voltar a ser vice-presidente do Benfica ou vice-presidente do PSD?

Não fui vice-presidente do Benfica, fui vice-presidente da SAD do Benfica, que é uma coisa diferente.

Mas ainda assim, da SAD do Benfica ou do PSD?

Do PSD, claro. Preferia, mas não tenho esse propósito.

Era a pergunta seguinte, antecipou-se.

Exato. Está a ver?

Muito bem.

Eu vejo para o futuro.

Muito bem.

Vejo antes de tempo.

Já disse há pouco que só tem saudades do futuro, não é?

Exato.

Estamos aqui a chegar à parte final e vamos avançar para a sobremesa, é a música que nos trouxe. Quer explicar o porquê desta escolha enquanto vamos também passar a música de fundo?

Explico com muito gosto. Eu escolhi "Sete Mares" da Sétima Legião, para dedicar à cidade das sete colinas. Para além desta coincidência dos sete mares e da sétima legião e das sete colinas, tenho também uma ligação muito afetiva, não só à Sétima Legião, como a esta letra Sete Mares, a esta música também de Sete Mares. Primeiro porque foi escrita pelo meu marido, que integrava a Sétima Legião. Depois, porque foi musicada não só por Rodrigo Leão, mas também por Ricardo Camacho, um cidadão exemplar que deu muitos contributos a este país e de quem, esse sim, tenho saudades, uma vez que nos deixou prematuramente. E por estas razões, mas sobretudo porque são os sete mares para onde nós partimos de uma cidade de sete colinas.

Muito bem, Teresa Leal Coelho, também em forma de homenagem com vários simbolismos do sete. São sete pontos percentuais, dariam muito jeito a Carlos Moedas, que é o seu sucessor nesta candidatura à Câmara de Lisboa. Assim termina a Vixi Suas. Muito obrigado, Teresa Leal Coelho.

Muito obrigada e um voto de bom resultado para Carlos Moedas.

Sigo para o sul. Sete mares hoje. No vento do norte. Fogo de outra sorte. Sigo para o sul. Foram tantas as tormentas. Que tivemos de enfrentar. Chegarei, amor, na volta da maré. Ai, troquei-te por uma alça. Hoje, no vento do norte. Fogo de outra sorte. Sigo para o sul. Sete mares hoje. No vento do norte. Fogo de outra sorte. Sigo para o sul. Sete mares.

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