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Diversos deputados e políticos italianos pedem a ilegalização de grupos pró-fascismo, um dia depois da sede do maior sindicato em Roma ter sido atacada por manifestantes antivacinas. O Partido Democrata alega que o protesto foi incitado por líderes da extrema-direita e anunciou que irá apresentar uma moção para que o governo ilegalize, por decreto, o Forza Nuova e outros movimentos. Riccardo Marchi é professor e investigador no ISCTE, profundo conhecedor da política italiana. Obrigada por se juntar a nós. Este apelo de deputados e políticos de esquerda pode ter algum efeito prático?
Obrigado pelo convite. Antes de mais nada, este apelo é bastante comum na política italiana. Os partidos de esquerda, sempre que acontecem atos de violência que envolvem organizações de extrema-direita, intervêm no Parlamento a pedir a ilegalização destas organizações. Neste caso específico, nós estamos a falar de uma organização muito particular. Forza Nuova é um grupo histórico do neofascismo italiano, que existe na praça desde 1997, o ano em que foi fundado. Os militantes deste partido que foram agora presos na ocasião deste assalto ao sindicato de esquerda, são pessoas extremamente conhecidas na praça italiana. São pessoas que já foram detidas em inúmeras ocasiões, são pessoas que já há várias décadas começaram uma estratégia de infiltração de movimentos sociais populares nas periferias de Roma, neste caso agora com o movimento no Covid, no Green Pass, e utilizam esses movimentos para levar a frente as suas táticas de subversão política. Portanto, é possível, desta vez, que haja também a ilegalização de Forza Nuova. Forza Nuova é um movimento que neste momento é extremamente fraco. Nos últimos anos perdeu toda a sua base militante com inúmeras cisões internas. Neste momento, restou o núcleo mais forte, que é o núcleo de Roma, com algumas centenas de militantes. Portanto, também está em uma situação muito debilitada desse ponto de vista.
E por isso terem aproveitado esta manifestação, este protesto antivacina, que era, no fundo, e que é contra a obrigatoriedade dos tais passes verdes, que não só são usados já nas lojas e nos restaurantes, mas a partir de agora terão também de ser usados e obrigatoriamente nas empresas, tanto no setor público como no setor privado. Isto é um tema que tem sido muito controverso em Itália.
Sim, na Itália, o movimento social contra este Green Pass, é um movimento social que veio a adquirir força. Esta manifestação em que aconteceram estes desacatos reuniu 10 mil pessoas. Dez mil pessoas é um número significativo numa manifestação, num movimento social na Itália. É evidente que esse movimento social é, de longe, liderado pelos grupos neofascistas, porque os grupos neofascistas não têm a capacidade de mobilizar esse número de pessoas e, principalmente, de liderar esse número de pessoas. É um movimento social extremamente complexo, com almas totalmente muito diferentes entre si, também com facções próximas de esquerda radical. E, de fato, junta pessoas de diferente proveniência social. Muitos deles são os tais pequenos empresários de restaurantes, pizzarias, cafés, que nesses últimos dois anos pagaram muito todas as medidas de confinamento impostas pelo governo italiano, e que agora que estavam à espera de uma abertura das possibilidades de ter novamente os clientes, viram de novo essa obrigatoriedade desse novo documento identificativo, que vai complicar um pouco mais a retoma da economia. Portanto, é um descontentamento generalizado. Esses grupos neofascistas aproveitaram e começaram a tentar aproveitar-se de outros casos. Penso, por exemplo, as mobilizações de cidadãos em bairros periféricos quando era construído um campo para cidadãos rom, ou quando chegavam refugiados postos em estruturas de bairros periféricos, as populações se revoltavam e, principalmente em Roma, este grupo especial de Forza Nuova neofascista tinha essa estratégia de participar nessas mobilizações.
Deixe-me só voltar a esta questão do passe verde muito rapidamente. A Confederação Geral Italiana do Trabalho apoia este documento.
Sim, essa é uma das razões por que também esses movimentos tentaram de cavalgare a onda. Este é um tema bastante complicado também para a base eleitoral da esquerda, porque apesar de haver um consenso largo entre os partidos que suportam o governo Draghi, o partido de esquerda que suporta o governo Draghi, mas, de fato, algum descontentamento nas bases eleitorais e também na base empresarial próxima do Partido Democrático por esta imposição destas restrições ao acesso às fábricas, aos lugares de trabalho, porque são todas restrições que criam dificuldades na retoma do trabalho após dois anos de confinamento. Mas, de fato, a frente política parlamentar que suporta estas posições é amplamente majoritária. Todos os partidos parlamentares, com exceção do partido de direita Fratelli d'Italia, suportam o governo Draghi. Inclusive a Lega suporta o governo Draghi, teve uma dificuldade de gestão destas medidas, porque Matteo Salvini, em particular, era muito crítico com a introdução destas medidas, mas também as relações de forças internas à Lega o levaram depois a aceitar, no fundo, as medidas do governo. Portanto, neste momento, quer a esquerda, quer o próprio governo Draghi, não tem nenhum problema de oposição dura, senão na praça, a levar a frente a sua política.
Riccardo Marchi, muito obrigada por se ter juntado a nós neste Zoom em que analisamos os últimos acontecimentos que podem levar à ilegalização do partido Forza Nuova e outros movimentos de extrema-direita.
Obrigado.
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