A empresa láctea Renoldy, em Alpiarça, vai encerrar no final do mês e atirará 58 trabalhadores para o desemprego. Os funcionários já começaram a ser notificados do fecho de empresa, que estava em lay-off desde o início de abril.
A Renoldy, que dependia grandemente das encomendas da cadeia de distribuição Sonae, era propriedade da Lactogal e foi instalada em Alpiarça em 2004. Depois, em 2007, o gigante do leite viu-se obrigado a vender a Renoldy para poder comprar a Leche Celta. Mais tarde, em 2012, a Lactogal quis ter a Renoldy de volta, desta vez através de uma fusão que originaria o maior distribuidor de leite em Portugal, com 80% de quota de mercado. O negócio, no entanto, saiu gorado, depois de a Autoridade da Concorrência ter aberto uma investigação sobre potencial posição monopolista.
Apesar de já passar por dificuldades há vários anos, a situação da empresa agravou-se depois de 2012 e no início do mês foi decretado um lay-off – suspensão da produção – durante três meses. A União dos Sindicatos do Distrito de Santarém (USS/CGTP-IN) e o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e da Indústria da Alimentação, Tabacos e Bebidas de Portugal (SINTAB) emitiram um comunicado conjunto em que consideram que a decisão de encerrar a Renoldy “é de uma má fé e uma deslealdade total para com os trabalhadores que desde 2004 dão o seu melhor diariamente”.
“Estamos convictos que a irresponsabilidade política na condução deste processo por parte da autarquia de Alpiarça e o aventureirismo dos sindicatos afetos ao PCP precipitou a decisão de encerramento da fábrica já para o final deste mês”, argumenta, por seu turno, Francisco Cunha, vereador independente daquele município, que, também em comunicado, “expressa votos de que sejam encontradas soluções para a continuidade/reativação desta unidade fabril.”
Os deputados municipais socialistas reuniram-se de emergência com o presidente da autarquia, Mário Ferreira, da CDU, e pediram à Renoldy autorização para visitar a fábrica, o que, no entanto, lhes foi negado.