Um relatório das National Coalition of Anti-Violence Programs (NCAVP), uma associação norte-americana, revelou que, no ano passado, o número de homicídios de pessoas LGBT e de portadores do vírus do HIV aumentou 11%, refere o Guardian. As mulheres transgénero de cor continuam a ser as principais vítimas.
Chai Jindasurat, das NCAVP, explicou ao Guardian que o relatório deste ano vem confirmar “algumas das tendências que temos visto há já alguns anos, e que incluem um número alto de homicídios”. Para Jindasurat, os dados agora divulgados são a prova de que “os homicídios contra as pessoas LGBT continuam altos, com os transgéneros de cor a constituírem” a grande maioria das vítimas.
De acordo com o estudo, as mulheres transgénero de cor são aquelas que correm um maior risco. No ano passado, das 20 vítimas registadas, 80% eram de cor e metade eram mulheres transgénero. Este ano já foram confirmadas oito vítimas mortais.
Comparativamente aos dados divulgados pelas NCAVP, os números da polícia são “incrivelmente baixos”. Em 2014, foram registados 1.359 incidentes violentos contra pessoas LGBT, menos 32% do que em 2013. Por outro lado, o número de denúncias feitas à polícia aumentou 9%. Apesar disso, a associação acredita que os números não são significativos. Muito pelo contrário.
Jindasarut defende que a descida está relacionada com a classificação dos crimes denunciados. Ao contrário do que seria esperado, a maioria destes ataques não são considerados como preconceituosos. Segundo o relatório das NCAVP, apenas 6% dos crimes de ódio são catalogados como tal.
“Sabemos que muitos incidentes são classificados como simples assaltos, quando existe claramente um componente de ódio. Sentimos que a vida das pessoas está presa num ciclo burocrático”, disse Chai Jindasurat ao Guardian. Para Jundasurat, estes números não devem ser encarados como positivos. Devem antes ser vistos como uma chamada de atenção para que se crie uma consciencialização cada vez maior.